"17 de fevereiro de 1944
SUA EXCELÊNCIA JOSEPH V. STÁLIN
COMANDANTE SUPREMO DAS FORÇAS ARMADAS DA UNIÃO DAS REPÚBLICAS SOCIALISTAS SOVIÉTICAS
Neste 26º aniversário do Exército Vermelho, desejo transmitir ao senhor, como comandante supremo, minhas sinceras congratulações pelas grandiosas e significativas vitórias das Forças Armadas da União Soviética durante o ano passado. As magníficas conquistas do Exército Vermelho sob sua liderança foram uma inspiração para todos. A heróica defesa de Leningrado foi coroada e recompensada pela recente e esmagadora derrota do inimigo diante de seus portões. Milhões de cidadãos soviéticos foram libertados da escravidão e da opressão pelo vitorioso avanço do Exército Vermelho.
Em conjunto com a colaboração e a cooperação acordadas em Moscou e Teerã, essas conquistas assegurarão nossa vitória final sobre os agressores nazistas.
Franklin D. Roosevelt."
Fonte: Butler, Susan (org.) . Prezado sr. Stálin - Os bastidores da Segunda Guerra Mundial na correspondência completa entre Roosevel e Stálin. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
Uma atitude
30 Agosto, 2008
Correspondência de Guerra 2
Mainardi foi condenado!
Diogo Mainardi foi condenado na Justiça Criminal de São Paulo. Paulo Henrique Amorim comenta em seu site, o Conversa Afiada. Antes, uma observação. Toda vez que insiro a cor marrom neste blog é em referência à imprensa marrom e seus empregados.
"PiG ABSOLVE MAINARDI
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1387
Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista
. O PiG não deu uma única linha sobre a condenação de Diogo Mainardi na Justiça Criminal de São Paulo.
. Clique aqui para ler.
. Diogo Mainardi foi condenado a três meses de cadeia.
. Se tiver dinheiro, pode converter a pena em dinheiro.
. O mais importante, porém, foi Mainardi perder a “primariedade”.
. O que significa que, se for condenado de novo, por não ser mais primário, vai ter que ir, obrigatoriamente, em cana.
. Do ponto de vista das instituições, a decisão por 3 x 0 manda um sinal a todos os colonistas e “jornalistas” do PiG.
. A “liberdade de imprensa” não é escudo para se “censurar pela calúnia”, como disse um dos juízes da ação.
. A “liberdade de imprensa” não é escudo para cometer crimes.
. A “liberdade de imprensa” não é “liberdade DA imprensa” – ou seja, não é só o PiG que tem direito à liberdade.
. O PiG e a Associação Nacional dos Jornais – seu lobby em Brasília – tentam impor a doutrina de que a liberdade de imprensa é ilimitada.
. A dupla condenação de Mainardi no Crime – já tinha sido condenado no Cível, também em segunda instância e também por unanimidade – fixa limites legais à liberdade do PiG.
.Tanto assim que o PiG preferiu ignorar a condenação.
. Mainardi escreve na revista de maior circulação do país, a Veja, a última flor do Fascio, uma revista inescrupulosa – clique aqui para ler o que Luis Nassif já escreveu sobre como funcionam as entranhas dela –, em que o leitor não distingue comércio de informação.
. Mainardi escreveu um livro best-seller, que, no título, chama o Presidente da República de anta.
. Mainardi participa de um programa na tevê a cabo, de alcance nacional.
. Não é um desconhecido.
. Ele é um símbolo dessa imprensa que flagela o Brasil.
. E, por isso, por ela foi absolvido."
29 Agosto, 2008
Capitalismo Brasileiro
28 Agosto, 2008
Dia da Anistia
Em 28 de Agosto de 1979, o general-presidente João Figueiredo assinou a Lei de Anistia, que causa tanta discussão até os dias de hoje.
Com esta lei, os exilados puderam voltar ao país e os clandestinos puderam aparecer com suas identidades verdadeiras.
27 Agosto, 2008
Correspondência de Guerra
Carta de FDR (Franklin Delano Roosevelt) para Josef Stálin, durante a Segunda Guerra Mundial:
26 Agosto, 2008
O antimarxismo.
25 Agosto, 2008
Perigo de uso das drogas.
Leia esta matéria sobre um cara que conseguiu "explodir" a própria pele tomando "bomba":
http://odia.terra.com.br/ciencia/htm/pele_de_alemao_explode_apos_uso_de_anabolizante_195114.asp
Personalidade Científica
Formado inicialmente em Letras, História e Ciências, foi influenciado pelo seu irmão, Maurice de Broglie, também famoso cientista, que o incentivou a dedicar-se ao estudo da física teórica.
Étude critique des bases de l'interprétation actuelle de la mécanique ondulatoire, Gauthier-Villars, Paris, 1963.
Faleceu em 19 de Março de 1987 em Paris.
http://www.nobel.se/physics/laureates/1929/broglie-bio.html;
http://www-gap.dcs.st-and.ac.uk/~history/Mathematicians/Broglie.html "

24 Agosto, 2008
Soneto ao Caju
"Amo na vida as coisas que têm sumo
E oferecem matéria onde pegar
Amo a noite, amo a música, amo o mar
Amo a mulher, amo o álcool e amo o fumo.
Por isso amo o caju, em que resumo
Esse materialismo elementar
Fruto de cica, fruto de manchar
Sempre mordaz, constantemente a prumo.
Amo vê-lo agarrado ao cajueiro
À beira-mar, a copular com o galho
A castanha brutal como que tesa:
O único fruto – não fruta – brasileiro
Que possui consistência de caralho
E carrega um culhão na natureza."
Vinícius de Moraes
Hollywood, 28.09.1947
23 Agosto, 2008
22 Agosto, 2008
Baixarias em campanha.
Sobre baixarias em campanhas eleitorais.
http://www.viomundo.com.br/eleicoes-nos-eua/obama-e-mccain-partem-para-a-baixaria/
22 de agosto.
Aconteceu em 22 de agosto
1976 - Dia do enterro de JK
Juscelino Kubitschek morre em acidente de carro na via Dutra, em circunstâncias nunca esclarecidas. Tem 74 anos, 12 da cassação de 1964. Seu sepultamento é uma muda e eloquente manifestação antiditatorial, com 30 mil presentes.
1840:
Anistia a revoltosos (da Cabanagem, Farroupilha, Balaiada), mas no caso dos líderes só aceitando o desterro.
1904:
Nasce Deng Hsiaoping, dirigente histórico do PC da China, arquiteto do “milagre chinês” pós-1977.
1954:
Brigadeiros exigem no Clube da Aeronáutica a renúncia de Vargas. Resposta: "Daqui só saio morto".
1957:
O general Lott defende projeto de voto do analfabeto, derrotado na Câmara.
1971:
Golpe de direita do gen. Banzer derruba o gen. Torres na Bolívia.
1978:
A Frente Sandinista toma o prédio do Congresso em Manágua e faz 900 réfens.
1979:
O Congresso vota a Lei de Anistia. A esquerda do MDB rejeita seu caráter recíproco, parcial e restrito.
1991:
O governo Collor propõe o fim da aposentadoria por tempo de serviço, da gratuidade do ensino superior e da estabilidade dos servidores.
(Fonte: Portal Vermelho)
21 Agosto, 2008
Feliz Aniversário!
O Jornalismo Medieval.
Reproduzo esta excelente matéria do Viomundo (os destaques são meus):
" Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
E quem nos livrará do jornalismo das trevas de Veja?
por Conceição Oliveira, no História em Projetos
Esta semana Veja reedita a cruzada iniciada por Kamel em setembro de 2007 contra os autores de livros didáticos de História.
Desta vez, a revista símbolo dos neocons tupiniquins inclui em seus processos inquisitoriais travestidos de reportagens os professores de História e Geografia concluindo que são todos uns 'incompetentes', passadistas ultrapassados e maus-caráteres por 'incutir ideologias anacrônicas e preconceitos esquerdistas nos alunos'.
Não há nada de novo na matéria de Veja que Kamel já não tenha feito e seus asseclas dado continuidade em matérias publicadas na Época, Estadão, Folha e afins em 2007.
Na reedição de Veja estão presentes as mesmas estratégias que buscam validar o antiesquerdismo doentio de seus editores neocons travestidas de 'verdades científicas'; 'jornalismo de isenção' e outras inverdades que a grande mídia neoconservadora deseja incutir na mente dos leitores.
Pergunto-me como os professores Romano, Villa e Schwartzman ainda se prestam a falar para Veja.
Não está suficientemente claro para esses intelectuais que esta revista símbolo do anti-jornalismo buscará encaixar as opiniões acadêmicas (sempre retirando-as de seus contextos) para legitimar a caçada de Veja contra tudo o que se opõe ao seu projeto 'arremedo de liberalismo'?
Dentre tantas bobagens, repletas de juízos de valor, tão ideologizadas quanto a crítica que Veja pretende fazer a seus opositores, destaco um trecho no qual a revista acusa os professores brasileiros de idolatrarem figuras que, segundo ela, não trouxeram nenhuma contribuição significativa ao país e/ou humanidade:
"Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização.
Entre os professores brasileiros ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado.
"Como levar a sério uma revista que tem a pretensão de qualificar pejorativamente de 'arcano' um dos pensadores mais significativos do século XX , cujas contribuições para a filosofia da educação são reconhecidas entre seus pares no mundo todo?
Como levar a sério um periódico que obriga seus leitores a escolherem (sob pena de serem taxados de ultrapassados e equivocados) entre um educador e um físico teórico e que, excetuando o que a revista denomina de 'civilização ocidental', não reconhece humanidade no resto do planeta?
Como levar a sério uma revista que sequer se dá ao trabalho de conhecer a vasta produção de Paulo Freire e a reduz a 'um método de doutrinação esquerdista'?
Freire afirma que a pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora, é feita de dois momentos distintos: o primeiro, 'em que os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e vão comprometendo-se na práxis, com a sua transformação; o segundo, em que, transformada a realidade opressora, esta pedagogia deixa de ser do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens em processo de permanente libertação'.
E o pensador complementava que em qualquer um destes momentos, fosse nos trabalhos educativos como parte do processo de organização dos oprimidos ou na educação sistemática como projeto político educacional de uma sociedade revolucionária, 'será sempre a ação profunda, através da qual se enfrentará, culturalmente, a cultura da dominação". (FREIRE, 1968: 44)
Não podemos afirmar que uma revista tão desinformada e capaz de subverter tanto os fatos e valores é um representante genuíno da 'cultura de dominação' da qual falava Freire e diante da qual os educadores comprometidos com a transformação da realidade opressora deveriam se opor.
Veja não pode ser associada à cultura de espécie alguma, nem mesmo à dominante, pois o que esta revista produz é lixo cultural.
Veja sequer tem um pensador conservador à altura capaz de debater com um pensamento de esquerda do naipe da produção de Paulo Freire. Esse arremedo de revista nem é original em suas acusações a Freire: repete as mesmas falas dos ditadores e censores do período militar dirigidas ao educador libertário, reproduz a mesma ladainha preconceituosa contra a pedagogia freiriana que recentemente alguns procuradores ultraconservadores do MP-gaúcho que desejavam criminalizar o MST produziram.
Veja só se dá ao trabalho de papagaiar tudo que existe de mais retrógrado no país, incluindo aí o jornalismo kameliano.Não há debate no mundo de Veja, não há conflitos de interesses e projetos políticos que se opõem.
Em Veja existe o dicotômico e tedioso mundo do 'bem contra o mal', do 'liberalismo estereotipado versus o esquerdismo estereotipado', do Brasil 'ame ou deixe-o', dos 'cristãos versus os infiéis'. O mundo de Veja é um binômio irreal, sem graça e sem importância no qual somos obrigados a escolher entre a filosofia da educação de Paulo Freire e teoria da relatividade de Albert Einstein.
Não podemos buscar conhecer as diferentes contribuições destes dois importantes homens do século XX.Talvez seja por isso que ao comemorar 40 anos, Pedagogia do Oprimido segue viva e original estimulando historiadores e educadores a refletirem sobre as contribuições e os limites da extensa e rica produção freiriana e Veja (que também faz quarenta anos) no máximo servirá aos historiadores interessados em pesquisar a capacidade de degradação de um veículo de comunicação: ao longo de quatro décadas quais diferenças existem entre a época áurea sob direção de Mino Carta e a era dos bobos da corte feito os Reinaldos e Mainardis, arremedos mal feitos dos neocons?
Quem tiver paciência que faça a análise.
O que é patente aos leitores críticos que Paulo Freire ajudou a formar é que na atualidade
Veja não faz jornalismo, ela arroga a si o direito de julgar produções, personalidades, projetos, políticas públicas e insiste em nos enfiar goela abaixo a sua visão pobre e restrita e deturpada do mundo.
Veja, tal qual os velhos senhores feudais encastelados que dominavam o governo, o poder de legislar e o poder de Justiça em suas possessões, sequer chegou ao século XIX onde ela julga estarem estagnados os professores que critica.
A revista parou na Idade das Trevas seja qual for esse tempo-espaço (façam suas escolhas, qualquer um serve, desde que tenha sido uma era de truculência, intolerância e sectarismo bem ao estilo Veja - inquisição moderna, o terror, a ditadura, o fascismo, o nazismo, o macarthismo ou a era Bush de Guantânamo e Abugrai).
O que Veja ainda não descobriu é que os professores, proprietários de escolas e pais cada dia mais sabem distinguir o jornalismo medieval do estilo Veja do bom jornalismo produzido por profissionais menos subservientes e ignorantes.
Veja precisa entender que quarenta anos de Pedagogia do Oprimido fizeram diferença positiva em nosso país, que grande parte da população pouco a pouco briga por sua cidadania, pelo direito de pensar, opinar, refletir e se recusa a permanecer na Idade das Trevas sob a batuta do tribunal arrogante de Veja.
Pais e professores cada vez mais abrem mão, de bom grado, do jornalismo medieval produzido por Veja."
Eleições.
Resultado das eleições.
Do ano de 1894.
Lista dos dez primeiros colocados na disputa presidencial:
1- Prudente de Morais - 276.583
2- Afonso Pena - 38.391
3- José Cesário Alvim - 3.719
4- Rui Barbosa - 3.718
5- José Luís Couto - 3437
6- Lauro Sodré - 1.983
7- Gaspar Martins - 1.234
8- Visconde de Ouro Preto - 373
9- José Mariano da Cunha - 207
10 - Custódio José de Melo - 178
Para Vice-Presidente:
1- Manoel Vitorino Pereira - 249.638
2- José L. de Almeida Couto - 31.819
3- José Pais de Carvalho - 21.160
4- Gaspar da Silveira Martins - 467.
20 Agosto, 2008
Um discurso histórico.
Salvador Allende Gossens foi eleito Presidente do Chile em 1970. Propôs nacionalizar as minas chilenas de cobre. Em 11 de setembro de 1973, foi deposto por um golpe articulado pelos Estados Unidos e perpetrado por Pinochet. Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes.
Minhas palavras não têm amargura, mas decepção.
Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.
Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores:
Não vou renunciar!
Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente.
[Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força.
A história é nossa e a fazem os povos.
Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.
Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.
Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças.
Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista.
Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.
Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos.
A historia os julgará.
Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar.
O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.
Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino.
Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se.
Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.
Viva o Chile!
Viva o povo!
Viva os trabalhadores!
Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão.
Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."
18 Agosto, 2008
Justiça e pureza.
É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.
Dos que vieram e conosco se aliaram muitos traziam sombras no olhar, intenções estranhas.
Para alguns deles a razão da luta era só ódio: um ódio antigo centrado e surdo como uma lança.
Para alguns outros era uma bolsa, bolsa vazia (queriam enchê-la), queriam enchê-la com coisas sujas inconfessáveis.
Outros viemos.
Lutar para nós é ver aquilo que o Povo quer realizado.
É ter a terra onde nascemos.
É sermos livres para trabalhar.
É ter para nós o que criamos.
Lutar para nós é um destino -é uma ponte entre a descrença e a certeza do mundo novo.
Na mesma barca nos encontramos.
Todos concordam - vamos lutar.
Lutar pra que?
Pra dar vazão ao ódio antigo?
Ou pra ganharmos a liberdade e ter pra nós o que criamos?
Na mesma barca nos encontramos.
Quem há de ser o timoneiro?
Ah as tramas que eles teceram!
Ah as lutas que aí travamos!
Mantivemo-nos firmes: no povo buscáramos a força e a razão.
Inexoravelmente como uma onda que ninguém trava, vencemos.
O Povo tomou a direção da barca.
Mas a lição lá está, foi aprendida:
Não basta que seja pura e justa a nossa causa.
É necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós."
Inferno Tucano.
Vitória de Evo Morales. Vitória do Povo.
Evo Morales teve 67% de votos sim. Contra toda a mídia empresarial, o PIG - Partido da Imprensa Golpista, não só o PIG da Bolívia mas como o PIG da América Latina.
"Agora digo a estes meios de comunicação que continuem falando contra minha pessoa, do contrário, se falarem bem de mim, então me preocuparei por estar equivocado", disse Morales.
A mídia golpista, servindo aos interesses das oligarquias bolivianas sempre insinuou a vinculação de Evo com o terrorismo e com os narcotraficantes.
Levaram de lavada no referendo popular.
Logo eles que falam tanto em democracia...
17 Agosto, 2008
Não decola.
Muitos se perguntam o porquê do Brasil não decolar nas olimpíadas. Um país com 180 milhões de habitantes e com uma das maiores economias do mundo, não consegue avanço no quadro gerla de resultados olimpícos.
Apenas alguns heróis em alguns esportes conseguem bons resultados. Isso mesmo, heróis.
Mas a raiz do problema está na profunda desigualdade social de nosso país que se mostra nessa hora: a falta de apoio ao esporte de massa.
Nosso povo não pratica esportes, aliás, nosso povo ainda vive na pobreza.
Alguns heróis conseguem se destacar. Mas isso não basta para ser grande nas Olimpíadas.
14 Agosto, 2008
Comandante Che Guevara
O Comandante Che Guevara vive sempre em nossos corações.
Veja esse vídeo:
http://br.youtube.com/watch?v=86LSuXi5TLU&feature=related
Isso me lembra a questão colocada pelo filósofo húngaro, István Mészáros:
"Pois nenhum resultado duradouro pode ser construído sobre a capitulação. Como os anais da história social, política e militar provam abundantemente, a capitulação jamais pode ser a base do desenvolvimento histórico sustentável."
(István Mészaros - O desafio e o fardo do tempo histórico.)
Comandante Che, tua luta não foi em vão.
Venceremos!
Hasta Siempre!
13 Agosto, 2008
12 Agosto, 2008
Qual é o preço da coerência?
Qual é o preço da coerência?
Ela não tem preço. Ela te dignifica na História. E te dá força para construir algo novo e melhor.
Hasta Siempre!
Cotas funcionam sim.
Segundo os dados divulgados pela UnB, o sistema de cotas revelou um bom desempenho dos alunos cotistas. Isso derruba o mito propalado que os mesmos estariam de "favor" dentro das universidades públicas:
"Este ano, 44 alunos dos 378 alunos da primeira turma de cotistas da Universidade de Brasília (UnB) se forma em 19 cursos diferentes. De acordo com relatório do assessor de Diversidade e Apoio aos Cotistas da Universidade, Jaques Gomes de Jesus, a dispersão de formandos entre os cursos reforça a constatação do elevado empenho dos cotistas em sua formação, com menos trancamentos, reprovações e abandonos (menos de 1% do total de alunos cotistas), e desempenho acadêmico semelhante aos dos demais alunos.
“Embora sejam vistos como estudantes como quaisquer outros dentro do campus, os cotistas têm status diferenciado junto a suas comunidades de origem, em razão de serem, muitas vezes, não apenas os primeiros da família a ingressar no ensino superior, mas também os primeiros das comunidades. Exemplos desta nova realidade acadêmica foram a aprovação no vestibular, através do sistema de cotas, de um morador de rua e de uma quilombola”, afirma Jaques de Jesus.
Em junho de 2003, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UnB aprovou a criação do Sistema de Cotas para Negros, com objetivo de, num período de 10 anos, destinar 20% do total de vagas de cada curso oferecido nos vestibulares aos candidatos que se declaram negros.
O impacto na sociedade foi imediato. O primeiro vestibular com o sistema de cotas, realizado no segundo semestre de 2004, atraiu 4.400 candidatos ao sistema, de um total de 23,5 mil inscritos no vestibular."
Acompanhe o restante da matéria em:
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=41795
11 Agosto, 2008
Vitória do Povo da Bolívia.
“Bolívia, unida, jamais será vencida!” e “Evo, amigo, o povo está contigo!”. Foi assimque milhares de pessoas receberam Evo Morales após o referendo.
Enfrentou a mídia golpista, que como aqui age em defesa dos interesses do imperialismo e das oligarquias locais, enfrentou o separatismo de direita.
O discurso de Evo:
Irmãos e irmãs, o processo ocorrido ao longo do dia serve para consolidar nossa democracia. Por isso quero dizer que estamos aqui para avançar na recuperação de nossos recursos naturaçis, para consolidar a nacionalização das riquezas e empresas do Estado. Este mandato do povo boliviano será um meio para que toda a Bolívia mude e todos os bolivianos e bolivianas tenham direito à dignidade.
Também neste processo de mudanças é importante alterar temas estruturais para atender às demandas sociais. Quero dizer a todos e a todas que é necessário que se comece a acabar com a extrema pobreza. Após este referendo, convoco os setores solidários, os empresários patriotas, que contribuem para acabar com a extrema pobreza do país.
Companheiras e companheiros, quero hoje expressar a grande mobilização dos distintos setores do povo boliviano para garantir esse processo de mudanças. Aos irmãos dirigentes sindicais, aos companheiros parlamentares, aos dirigentes do MAS, aos ministros e ministras, a todos que participaram do triunfo desta revolução democrática e cultural, estou seguro de que o processo de conscientização do povo boliviano é que garantirá esse processo de mudanças.
Irmãos e irmãs, por fim quero dizer que viva a Bolívia! E também: pátria ou morte! Pátria ou morte! Venceremos!
Muito obrigado.”
09 Agosto, 2008
Lixo ideológico
Matéria do Portal Vermelho:
O "lixo ideológico" da imprensa na cobertura da Olimpíada
É deveras impressionante o lixo ideológico que a imprensa tem produzido ao cobrir a Olimpíada. Em geral, os repórteres buscam sempre os ângulos mais negativos, mesmo à custa de adentrar o ridículo. Vi coisas incríveis.
Por Cesar Benjamin*
Ideologias não se subordinam a fatos. Elas criam fatos e se realimentam de suas criações. Formam sistemas fechados. Por isso, a China não tem saída: aconteça o que acontecer, faça o que fizer, é culpada. Se fizer o bem, é por dissimulação. Ela é má.Atletas americanos desembarcaram em Pequim usando máscaras contra a poluição, mas tiveram azar.
Nesse dia, excepcionalmente, o ar na capital chinesa estava mais limpo que o de Nova York, de onde haviam partido. Apoiamos essas grosserias como se fossem gestos nobres.
George W. Bush, que praticamente não havia saído do Texas até se tornar presidente dos Estados Unidos, acredita que os chineses só não praticam maciçamente o cristianismo porque o governo deles não deixa. Ignora uma civilização que tem 7.000 anos de história. Ela construiu uma sofisticada visão do homem, do mundo e do cosmo, nem melhor nem pior do que a nossa, mas diferente, e sem a qual a existência humana seria muito mais pobre.
Repórteres monotemáticos escrevem todos os dias sobre falta de liberdade de expressão, carregando nas tintas, para cumprir a pauta que receberam dos chefes. Se não a cumprirem, serão demitidos. Defendem, pois, uma liberdade que eles mesmos não têm. “Os chineses estão perplexos com tantas manifestações contra o seu regime em todo o mundo”, escreveu um deles, sem se importar com o fato de que em nenhum lugar tem havido nenhuma manifestação relevante.
Perplexos estamos nós, pois a China não nos obedece mais. Sua economia será maior que a dos Estados Unidos em 15 anos. Dos 200 milhões de pessoas que deixaram a pobreza na última década, no mundo, 150 milhões são chinesas. O Estado é forte, mas isso não quer dizer que seja ilegítimo. Se ainda fosse fraco, como já foi, lá continuaria a ser o lugar dos negócios da China.
Tamanhas mutações e tão complexo processo de desenvolvimento, em curto período, em uma sociedade que há pouco era paupérrima, com 1,3 bilhão de pessoas, não se fazem sem grandes contradições e problemas, que ninguém desconhece, muito menos os próprios chineses. Onde não foi assim?
As civilizações ocidentais, como se sabe, só usam a violência em benefício das vítimas. Reduzimos os índios do Novo Mundo à servidão, mas foi para cristianizá-los. Escravizamos os africanos, mas foi para discipliná-los pelo trabalho. Estamos massacrando os iraquianos, mas é para ensiná-los a ser livres. Nossa próxima missão, pelo que vejo, será libertar os chineses de si mesmos.
O problema é que eles são muitos.
Estão cada vez mais fortes. E não desejam deixar de ser o que são. Isso nos assusta. O resto é empulhação.
Agora que os Jogos começaram, torço para que o lixo ideológico se retraia, para que finalmente possamos prestar atenção nos atletas de todo o mundo. A festa lhes pertence.
Tomara que seja linda."
*CESAR BENJAMIN , 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de “Bom Combate” (Contraponto, 2006).
Texto publicado na edição deste sábado (9) da Folha de S. Paulo
06 Agosto, 2008
Não deixe de ler!
Essa é um daqueles textos que devem ser lidos com toda a atenção. O sempre atento jornalista Luiz Carlos Azenha faz algumas considerações importantes. Está no seu site www.viomundo.com.br
Leia:
Atualizado em 06 de agosto de 2008 às 01:50 Publicado em 06 de agosto de 2008 às 00:39
A grande surpresa do caso Dantas, até agora, é que não há surpresa. Os personagens do caso agem de forma bastante previsível. Depois de fuçar em quilos digitais de material, algumas observações:
1) ARAPONGAGEM
A arapongagem é generalizada e antiga. A produção de dossiês é um colosso.
2) GILMAR MENDES
Desde a deflagração da Operação Satiagraha apareceu mais do que o presidente Lula. Nunca vi um presidente de STF aparecer tanto. Dá palpite sobre tudo, inclusive sobre os casos que vai julgar. É o pauteiro da mídia. Prestem atenção nas declarações dele: nem uma mísera menção ao suborno do delegado da PF. Depois de ler quase tudo o que Gilmar Mendes falou nas últimas semanas meu impulso é o de mandar prender o delegado e o juiz do caso.
3) FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
O ex-presidente está mal acostumado com a mídia brasileira. Um trecho de matéria do Bob Fernandes na Carta Capital (25/11/1998) é revelador da relação da mídia com FHC, na época presidente da República (os grifos são meus):
Fernando Henrique liga para o ministro Mendonça de Barros na sede do BNDES. FHC queria saber como estava o andamento do leilão das teles
“Estamos aqui praticamente com o quadro fechado”, diz Mendonça de Barros ao presidente.
“Você acha que, no conjunto, vai dar o quê?”, pergunta FHC.
“Vai dar uns 16 bi, que é o que eu tinha dito”, responde o ministro. “O nosso preço mínimo é de 13 bi e 400, e nós chegaremos a uns 16 bi, que é muito dinheiro.”
“Ajuda, né?, as reservas”, comenta FHC.
“A imprensa está muito favorável, com editoriais”, diz Mendonça de Barros.
“Está demais, né?”, diz FHC em tom de brincadeira. “Estão exagerando, até."
Outro grampo reproduzido na mesma reportagem de Bob Fernandes:
O ministro das Comunicações telefona para o diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira. E revela: o Opportunity quer participar do leilão da Tele Norte Leste, mas depende da concessão de uma fiança do Banco do Brasil:
“Está tudo acertado”, diz Mendonça de Barros para Ricardo Sérgio. “Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?”
“Acabei de dar”, responde Ricardo Sérgio. “Dei para a Embratel e 874 milhões para o Telemar (Tele Norte Leste). Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade. São três dias de fiança para ele”, continua o diretor do Banco do Brasil, quase rindo.
“É isso aí, estamos juntos”, diz Mendonça de Barros.
“Na hora que der merda (Ricardo Sérgio se refere ao astronômico valor da fiança), estamos juntos desde o início.”
Isso basta para explicar o termo "privataria"? FHC é um mago: conseguiu algo que nenhum outro político, esportista ou celebridade da História moderna do Brasil conseguiu: esconder um filho. Um segredo de polichinelo que já dura uma década e meia, a acreditar na reportagem da Caros Amigos. Se depender da mídia ainda vão dizer que o FHC queria prender o Daniel Dantas mas, infelizmente, bateu o sinal do recreio.
4) SENADOR HERÁCLITO FORTES
Os grampos demonstraram que o senador ligava para assessores de Dantas para dar satisfação sobre seus passos no Congresso. No extremo, joga para tirar o caso do juiz De Sanctis, alegando que foi investigado e tem foro privilegiado. Leia aqui.
5) FOLHA DE S. PAULO
O jornal cumpriu tabela na Operação Satiagraha, depois de tomar dezenas de furos da Carta Capital e de blogueiros. Nunca explicou de forma convincente a reportagem que publicou no dia 26/04/2008. A reportagem foi usada por advogados de Dantas para fazer pedidos de habeas corpus preventivos. O uso de matérias publicadas na imprensa em ações na Justiça é uma tática antiga do banqueiro. Como escreveu um leitor deste site, a Folha não noticia sequestros mas acredita que age no interesse público ao antecipar uma investigação sigilosa da Polícia Federal. Essa história continua muito mal contada.
A Folha já tinha antecedentes. Como demonstrou o jornalista Luís Nassif em sua série sobre a revista Veja, uma repórter da Folha - de nome Janaína Leite - já tinha "servido" a Daniel Dantas. Leia aqui.
6) VEJA E DIOGO MAINARDI
Quanto mais rebolam, mais se atolam. Estava tudo escrito na série do Luís Nassif. Se você não leu, leia.
7) JOSÉ DIRCEU
Em sua primeira "aparição" depois que estourou o caso pregou todas as mudanças que Gilmar Mendes vem pregando. É uma versão malandra do "prendam a polícia".
8) PAULO HENRIQUE AMORIM
A esquerda amava o PHA. Até que ele se tornou "inconveniente". Aí começou o "assassinato de reputação". Curiosamente, o blogueiro Eduardo Guimarães promoveu uma manifestação pelo impeachment de Gilmar Mendes. Passou a ser vítima de uma campanha de calúnia e difamação na internet. Nenhuma relação entre os dois casos. Pelo menos que eu saiba.
9) PSDB
O deputado Carlos Sampaio quer o afastamento de Gilberto Carvalho. Ou diz que quer. É um recado para o Lula: se você complicar nossa vida a gente complica a sua.
10) GOVERNO LULA
2014! Quero voltar em 2014!
10) DANIEL DANTAS
O principal acusado sumiu do noticiário. Do ponto-de-vista de relações públicas, é o grande vencedor. Porém, contava em acertar tudo "por cima". Não contava com procuradores, juízes e delegados federais.
Lembram-se do período entre o primeiro e segundo turnos da eleição presidencial de 2006? Na mídia E na propaganda eleitoral de Geraldo Alckmin a pergunta era uma só: de onde saiu o dinheiro dos aloprados? Agora, não. Como eu havia previsto, a mídia não pergunta de onde saiu o dinheiro que um funcionário de Daniel Dantas tentou usar para comprar um delegado da Polícia Federal. Foi do Opportunity? De um doleiro? De uma agência bancária? O dinheiro é a prova material mais forte contra o banqueiro. Mas bater nessa tecla pode lembrar ao público da tentativa de suborno, né mesmo? É um caso de amnésia conveniente. Jornalismo seletivo. Essa é a grande arma a serviço do banqueiro. "
05 Agosto, 2008
Patrão X Empregado
04 Agosto, 2008
O elefante e a pulga.
Fonte: http://ciberduvidas.sapo.pt/lusofonias.php
O elefante e a pulga
Por São José Almeida
A aprovação de uma estratégia de reconhecimento e promoção da língua portuguesa é um passo importantíssimo para a afirmação internacional de Portugal e só a ignorância e o desleixo de uma elite dominante tem adiado o assumir desta questão como primordial. Desleixo que teve picos como, por exemplo, o vivido no Governo de Durão Barroso em relação ao ensino de português junto das comunidades portuguesas na Europa, em que o Governo PSD-CDS tratou de desapoiar o pouco que tinha sido feito pelo Governo de António Guterres, nomeadamente por Ana Benavente, no Ministério da Educação, e por Jorge Couto, no Instituto Camões.
É importante que seja oficialmente assumida – como fez o Conselho de Ministro de 16 de Julho – «uma estratégia para o reconhecimento e promoção da língua portuguesa, visando a sua promoção como instrumento fundamental de educação, formação e capacitação institucional, no âmbito da cooperação para o desenvolvimento, bem como enquanto instrumento de internacionalização económica, de divulgação cultural e de ligação às comunidades portuguesas».
Louvam-se assim as medidas e instrumentos anunciados como a reestruturação do Instituto Camões. Assim como se louva a criação da «comissão interministerial com o objectivo de desenvolver um plano de acção de valorização do património cultural de origem portuguesa». E também a criação do Fundo da Língua Portuguesa, com uma verba inicial de 30 milhões de euros, que irá proporcionar a colocação de professores de português: 500 para as comunidades portuguesas, 200 para Angola, 40 para a Guiné e 30 para Timor.
José Sócrates parece ter finalmente percebido aquilo que a Espanha percebeu há muito, que a língua é uma arma diplomática. A Espanha fez da hispanidade uma questão de Estado e assumiu uma política expansionista e eficaz de afirmação do castelhano no mundo, enquanto Portugal olhou de soslaio a lusofonia, encarou os países falantes de português em África como colónias que deviam à metrópole o dever de obediência, achou-se com direitos de propriedade eterna e por direito divino sobre a forma de escrever e falar o português, limitando-se a criar no papel uma organização de caricatura para defesa da lusofonia: a CPLP.
Agora, associado à adopção de uma política da língua surge a possibilidade de finalmente revitalizar e dar dimensão à CPLP, como veículo da afirmação do português no mundo. Espera-se que as intenções não se fiquem por isso mesmo. E que Portugal não tenha medo de assumir a sua pequenez territorial para poder estar ao lado da comunidade de falantes da língua que é comum a todos e não é propriedade de ninguém. Como declarou o secretário de Estado João Cravinho ao ”Público”: «Não é um país com dez milhões de habitantes que vai conseguir afirmar a língua como património universal». Que esta noção de dimensão não desapareça, antes substitua o bafio e a pesporrência de quem se acha dono da língua.
Há 230 milhões de falantes de português em todo o mundo, dos quais dez milhões são portugueses e atingindo o Brasil os quase duzentos milhões. Ora, é cristalino que Portugal tem não só que adoptar uma política de língua, mas fazê-lo no âmbito da comunidade de falantes e ao lado do Brasil, país que – felizmente para a dinâmica da língua portuguesa no mundo – tem uma política da língua não só dirigida às comunidades brasileiras que vivem, por exemplo na Europa, como também aos países lusófonos de África.
Era bom que, em vez de se ofenderem com a agressividade do Brasil na concretização da sua política da língua — o último motivo de espanto é que o Brasil vai fundar uma Universidade Lusófona no Ceará —, os velhos do Restelo portugueses aceitassem o facto de que o Brasil tem a dimensão e o peso demográfico que tem. E que se assuma que é precisamente devido à enormidade do peso demográfico no Brasil que o português tem dimensão mundial e é a sexta língua em número de falantes.
Era bom que, com a assunção pelo Governo português de uma política da língua, se conseguisse que esta, bem como as políticas culturais, deixassem de ser dominadas por uma certa elite que parece ainda não ter ultrapassado o complexo de rejeição e de inferioridade causado pelo abandono do país por D. João VI aos ocupantes franceses, indo para o Brasil, que passou a ser sede de Império. Ou seja, era bom que se deixasse de olhar para o Brasil com despeito e se percebesse e aceitasse a magnificência cultural daquele país e a grandeza que é o português ser falado naquela imensidão de terra e de gente. Era bom que se percebesse que Machado de Assis não fica atrás de Eça de Queiroz, que Padre António Vieira existiu porque viveu a dinâmica global da sua época nos dois territórios, que se Mia Couto inovou porque enriqueceu o português com a vivência da língua em Moçambique, antes, no Brasil, existiu Guimarães Rosa.
Era bom que quem se acha dono da língua percebesse que as línguas vivas vivem dos seus falantes. Caso contrário, morrem. É por isso que a capacidade de fazer uma reforma ortográfica comum a todos os países lusófonos, como o recente acordo ortográfico, é uma prova de vida e de vitalidade. É por isso que é ridículo dizer que a pronúncia do português que tem que ser regra no ensino e na política da língua no mundo é o português de Portugal. Porquê? Pelos 800 anos de história? E já agora o português de qual Portugal? De Lisboa? De Beja? De Castelo de Vide? De Coimbra? Do Porto? De Chaves? De Lagos? De Câmara de Lobos? De São Miguel?
É que a arrogância de proprietários da língua que muitos intelectuais portugueses assumem em relação ao Brasil dá vontade de lhes dizer que perante o elefante cultural, artístico e linguístico que o Brasil é, Portugal não passa de uma pulga."
in “Público”, 26 de Julho de 2008 — 28/07/2008
Sobre a Autora: jornalista portuguesa,redactora principal do jornal “Público”
02 Agosto, 2008
Já pensou?
Imagine se o Brasil criasse uma frota para patrulhar o litoral dos Estados Unidos. E o brasão tivesse o mapa deles?
O que falariam?
Pois é. Imagine...
Servilismo colonial.
Artigo de Altamiro Borges publicado no Portal Vermelho. Ao qual assino embaixo:
"Altamiro Borges: Doha e a delinqüência de Reinaldo Azevedo
O egocêntrico e grosseiro Reinaldo Azevedo, conhecido fascistóide que carrega na sua biografia a falência da revista Primeira Leitura – apesar dos generosos e suspeitos anúncios dos governos tucanos – nutre um ódio doentio ao governo Lula. Tudo é motivo para os seus ataques rasteiros. Não é para menos que hoje ele é um dos queridinhos da famíglia Civita, que abriu as páginas da Veja para seus comentários venenosos. Nesta semana, o adorador do presidente-terrorista George W. Bush, a quem já deu inúmeras provas de servilismo no seu blog na Abril, resolveu concentrar as suas baterias contra o ministro das Relações Exterior do Brasil, o embaixador Celso Amorim.
Por Altamiro Borges
Metido à intelectual, o editor falido acusou o ministro de “delinqüência intelectual”. Ele seria um dos culpados pelo fracasso da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). A exemplo da representante comercial dos EUA, Susan Schwab, e da comissária de Agricultura da União Européia, Mariann Boel, que teriam derramado lágrimas diante do fiasco da negociação, o servil “jornalista” também estaria baqueado com o desfecho da reunião. Para Reinaldo Azevedo, os países ricos cederam nos subsídios agrícolas, mas a China, a Índia e, também, o Brasil foram intransigentes. O erro, segundo ele, seria a visão anacrônica dos “países pobres contra os ricos”.
Picareta, malandro e... capacho
“O embuste principal na malograda rodada da OMC foi a tese falsa, picareta, malandra, atrasada, de que se tratava de um embate entre o norte rico (EUA e Europa) e o sul emergente – com o G-20 falando pela turma, tendo Amorim como porta-voz inicial de Brasil, Índia, China e África do Sul, entre outros. Sim, o Brasil assumiu a bandeira dos emergentes, e já havia quem antevisse a redenção. Derrubaríamos barreiras protecionistas da Europa e dos EUA e abriríamos o mercado para o etanol – e tudo porque, afinal, Amorim conseguiu bater duro na mesa. Acabou o tempo da submissão!”. Para ele, este discurso “atrasado” é que inviabilizou a negociação, embora os EUA – sempre tão bonzinhos – tenham aceitado “diminuir o teto de seus subsídios”. Haja servilismo!
No seu comentário rancoroso e patético, ele acusa o embaixador Celso Amorim de ter se dobrado às pressões da China e Índia em defesa da soberania dos chamados países emergentes. Para ele, Amorim cometeu uma série de graves “delinqüências intelectuais”. Numa lista que evidencia sua total subserviência ao imperialismo ianque (ele tem urticárias com essa definição!), afirma que o embaixador brasileiro azedou a Rodada Doha com seus ácidos ataques às ambições dos EUA. O ministro deveria ter contido sua língua ferina! Talvez devesse tirar os sapatos diante dos “ricos”, como fazia nos aeroportos dos EUA o ministro de FHC, Celso Lafer, tão bajulado por Azevedo.
Elitista despeitado e rancoroso
Indignado com a coragem e altivez das declarações do atual ministro, ele simplesmente pede sua imediata exoneração – quem sabe seguindo ordens do patrão Bush. “Em país civilizado, Amorim seria sumariamente demitido. Por aqui, não vai acontecer nada. Até porque o chefe do ministro já afirmou bobagem semelhante. Ora, Amorim, dadas a sua trajetória e formação, deveria contribuir para melhorar Lula, não para piorá-lo. Mas faz justamente o contrário. Empresta alcance teórico aos preconceitos e às grosserias intelectuais do outro, alçando suas bobagens à condição de um pensamento respeitável”, afirma o elitista despeitado diante da popularidade do atual presidente.
Reinaldo Azevedo, talvez sob encomenda do “império do mal” e de setores da oligarquia nativa, nunca tolerou a política externa do governo Lula. Preferia o “alinhamento automático” pregado por seu ícone FHC com os EUA, torceu pelo sucesso da proposta neocolonial da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e sempre jogou contra o Mercosul e as negociações Sul-Sul. Para ele, a atual “política externa cobre o país de vergonha” e Amorim “é um desastre e seu histórico de insucessos é impressionante”. Na sua avaliação - mais dura do que alguns críticos à esquerda que condenaram, acertadamente, a postura dúbia e vacilante do Brasil nas negociações da OMC –, o atual ministro “foi um dos maestros da pantomima dos desafinados” na Rodada Doha."















