Uma atitude

"Pois nenhum resultado duradouro pode ser construído sobre a capitulação. Como os anais da história social, política e militar provam abundantemente, a capitulação jamais pode ser a base do desenvolvimento histórico sustentável." István Mészaros

30 Junho, 2008

Comunista disputará a prefeitura de BH

Fonte: Portal Vermelho:


"Foi em um ambiente de grande emoção que se realizou neste domingo, 29 de junho a convenção simultânea entre o PCdoB e o PRB.O evento formalizou a candidatura de Jô Moraes à Prefeitura de Belo Horizonte.A convenção definiu também o companheiro de chapa de Jô Moraes. O secretário geral do PRB, Cláudio Sampaio é o nome apresentado pelos republicanos para ser o vice-prefeito de Belo Horizonte.
Coligação BH agora é Jô tem Claudio Sampaio de Vice
O presidente do comitê municipal do PCdoB, Zito Vieira abriu os trabalhos da mesa, que logo em seguida iniciou o processo de intervenções dos delegados. O desafio eleitoral de 2008 e a consolidação do trabalho do partido na cidade, foram alguns dos temas abordados pelos delegados.

A força da militância foi lembrada pelo presidente, como a arma dos comunistas para o desafio que se apresentará. Zito destacou o importante papel do Partido Republicano Brasileiro na construção do projeto político que terá inicio com a candidatura de Jô Moraes. A importância da trajetória política do vice-presidente José Alencar (PRB), foi destacada como fundamental para o avanço das forças progressistas. “Zé Alencar é um dos maiores entusiastas da candidatura de Jô Moraes à prefeitura de Belo Horizonte”, afirmou Zito.

Aglutinação de forças

Presente na convenção, o ex-deputado estadual, Rogério Correa (PT), afirmou a importância do papel dos comunistas na construção do projeto de esquerda que levou ao poder o presidente Lula. “É impossível haver compatibilidade com o projeto progressista e o plano neoliberal”, afirmou o petista.

O presidente estadual do PRB, Rogério Colombini fez referencia a candidatura do socialista, Célio de Castro. Colombini lembrou que os processos políticos demandam de construção coletiva e que a Prefeitura de BH não poderá retroceder nos avanços conquistados nos últimos anos. Para Wadson Ribeiro, secretário executivo do ministério dos esportes, a eleição em BH aponta para uma possível reorganização das forças políticas “a candidatura de Jô Moraes e Cláudio Sampaio é a única que reúne condições para aglutinar todas as forças que compõe o governo lula, em um eventual segundo turno”, afirma o secretário.

No final centenas de militantes do PRB foram convidados pelo Presidente do PCdoB, Zito Vieira para se juntarem ao militantes do PCdoB, onde juntos cantaram a musica tema da campanha de Jô Moraes.

Em uma emocionada fala, a deputada federal Jô Moraes relembrou sua chegada na capital, ainda na ditadura militar. ”Belo Horizonte foi a cidade que me permitiu estar viva, aqui criei o melhor de mim, meus filhos, minha militância. Esta cidade tem uma forte tradição progressista e não podemos permitir que o processo iniciado pela administração de Patrús tenha fim.Temos um desafio que é governar para a maioria do nosso povo, faremos isso priorizando cada vez mais a participação popular, assim será o governo do povo, assim será a administração do PRB e do PCdoB”, afirmou Jô Moraes
De Belo Horizonte,Ana Carolina Cervantes e Pedro Leão."

29 Junho, 2008

EUA: Estado fora da lei

Por Wajahat Ali*






Wajahat Ali







"“Neste momento, estou completamente sobrecarregado por demandas, mas realmente gostaria de realizar esta entrevista, só que não sei quando poderá ser”, respondeu Noam Chomsky - 79 anos, prolífico autor, lingüista, acadêmico e ativista – na primeira de muitas mensagens trocadas ao longo de seis meses.


É o mais citado e, provavelmente, o mais controverso intelectual vivo, segundo Global Intellectuals Poll. Embora os meios de comunicação dominantes lhe neguem espaço, o New York Times garante que Chomsky continue sendo um dos intelectuais vivos mais influentes e mais solicitados por estudantes, universidades, ativistas, simpósios acadêmicos e, inclusive, por líderes mundiais, como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez."

"Meu primeiro encontro com este ativista, acadêmico, polemista e de má reputação para alguns remonta ao ano 2002, quando fui moderador em uma sessão de perguntas e respostas na qual ele participou, celebrada no meu antigo programa na Universidade da Califórnia (Berkeley). (O encontro seria, posteriormente, incluído no livro Power and Terror: Post 9-11 Talks and Interviews). Antes do programa, tivemos uma longa conversa de uma hora e fiquei impressionado com sua inesgotável memória, sua falta de afetação e o brilhante resumo de dados, nomes e datas que ele utilizou em resposta às minhas intermináveis perguntas. Quando perguntei qual era sua faceta dominante, se acadêmico ou ativista, respondeu que nenhuma das duas de modo exclusivo, e disse que a dissidência sempre tem sido parte dele, desde o primeiro artigo que escreveu, aos dez anos de idade, no qual condenava o triunfo do fascismo durante a Guerra Civil espanhola. Apesar de que a arrogância de muitos intelectuais e acadêmicos só é superada por sua própria insegurança, o que dá como resultado um elitismo frio e egoísta, sempre vi em Chomsky alguém generoso, adaptável e disposto a compartilhar seu tempo e seus conhecimentos.

Assim, não foi surpresa que, depois de seis meses de mensagens eletrônicas, o professor Chomsky pudesse dispor de um pouco de tempo para responder minhas perguntas, segundo suas próprias palavras. Nesta entrevista exclusiva, Chomsky discute acerca da ameaça do Irã, dos paralelismos e diferenças entre Vietnã e Iraque, dos meios de comunicação nos Estados Unidos, de seus críticos e detratores, Paquistão e a negação do título de professor para Norman Finkelstein."

Veja abaixo a entrevista.

Em 1969 o senhor publicou seu primeiro trabalho político de importância, American Power and the New Mandarins (O poder norte-americano e os novos mandarins) uma acerada crítica à intervenção dos Estados Unidos no Vietnã e no Sudeste asiático. Como sabe, muitos estabelecem paralelos entre a atual guerra do Iraque e a do Vietnã. Outros, é claro, rejeitam esta comparação. O senhor, como pessoa com grande experiência no estudo de ambos os momentos, tão significativos historicamente, considera que esse paralelismo é prematuro e ousado? Ou acredita que podem ser estabelecidas semelhanças importantes entre ambas as guerras no que se refere à intervenção norte-americana?

Chomsky


Chomsky: A primeira semelhança guarda relação com o modo de considerar as guerras nos Estados Unidos e no Ocidente em geral. Marginais a parte, as opiniões oscilam entre o que se conhece como falcões e pombas. Em ambos os casos, os falcões garantiam que uma intervenção maior dos Estados Unidos poderia levar à vitória. As pombas, também nos dois casos, participam da opinião expressa por Barack Obama sobre o Iraque (trata-se de uma gafe estratégica, que está saindo cara demais para nós) ou pelo destacado historiador de centro-esquerda e assessor de Kennedy, Arthur Schlesinger, em 1966, quando o Vietnã já aparecia como uma aventura custosa demais para os Estados Unidos. Schlesinger afirmou na época: todos rezamos para que os falcões tenham razão e que um número maior de tropas nos traga a vitória. E, se no fim, resultar que temos razão – dizia – todos elogiaremos a sabedoria e a liderança do governo norte-americano, que conseguiu uma vitória deixando para atrás esse trágico país destripado e devastado pelas bombas, queimado pelo napalm e desertificado pela defoliação química, um país de ruína e escombros, com seu tecido político e institucional totalmente destruído.

Mas Schlesinger não acreditava que a escalada teria sucesso, e sim, pelo contrário, que poderia nos custar caro demais, o que parecia indicar a necessidade de pensar novamente toda a estratégia. A posição das pombas em relação ao Iraque é bastante parecida. Se, por exemplo, o general Petraeus pudesse conseguir algo parecido ao que Putin conseguiu na Chechênia, seria elevado aos altares, com o aplauso das pombas progressistas.

É quase inconcebível, dentro dos rumos estabelecidos da cultura intelectual ocidental, a possibilidade de se fazer uma crítica da guerra baseada em questões de princípio, ou seja, o tipo de crítica que fazemos, reflexiva e adequadamente, quando algum país inimigo comete uma agressão: por exemplo, quando a Rússia invadiu a Checoslováquia, o Afeganistão ou a Chechênia. Não criticamos estas ações por razões de custo, erro, por terem sido uma grande gafe ou por estancamento. Em vez disso, condenamos essas ações como horrendos crimes de guerra, tanto se elas são bem-sucedidas quanto se não.

Em si mesmas, as guerras do Vietnã e do Iraque, contudo, são muito diferentes por seus motivos e caráter. O Vietnã não tinha, por si mesmo, nenhum valor para os Estados Unidos, embora o presidente Eisenhower tenha tentado conseguir apoio para a sua violação dos acordos de paz de Genebra recorrendo aos recursos, de estanho e borracha disponíveis naquele país. Se o Vietnã tivesse desaparecido do mapa, afundado no mar, isso não teria significado grande coisa para os planejadores norte-americanos. O Iraque é uma coisa totalmente diferente. Tem, provavelmente, as segundas maiores reservas petrolíferas do mundo, com a particularidade extra de que são de fácil extração. E, além disso, está exatamente no centro geográfico mundial dos maiores recursos energéticos mundiais, facilmente exploráveis.

No caso do Vietnã, a preocupação consistia em que um desenvolvimento independente e bem-sucedido desse país podia ser um vírus que poderia estender o contágio para outros, se aceitarmos a retórica de Henry Kissinger em relação ao socialismo democrático no Chile. Este raciocínio tem sido o motivo primordial de intervenção militar e de subversão em todo o mundo a partir da II Guerra Mundial, é a versão racional da teoria do dominó. O contágio consiste em que outros que sofrem dos mesmos males possam ver em um desenvolvimento independente e exitoso um modelo, e possam tentar seguir por esta mesma via, o que provocaria a erosão do sistema de dominação. Por isso, até o mais pequeno e débil país representa uma ameaça extrema à ordem.

Os assuntos internacionais são, em grande medida, como os assuntos da máfia: um Padrinho não pode tolerar a desobediência, nem sequer a de um pequeno lojista que se recuse a pagar pela proteção, porque a maçã podre poderia fazer apodrecer o barril inteiro, na terminologia dos planejadores norte-americanos: aqui, a podridão consiste em um desenvolvimento independente exitoso, à margem do controle norte-americano. Temia-se que o Vietnã pudesse infectar seus vizinhos, como a Indonésia, com seus ricos recursos. E que o Japão – que o destacado historiador da Ásia John Dower chamava de superdominó– pudesse acomodar-se a uma Ásia Oriental independente, transformando-se, com isso, em seu centro industrial e tecnológico, tornando realidade a nova ordem que o Japão fascista havia tentado construir pela força durante a II Guerra Mundial. Os Estados Unidos não estavam dispostos a perder a fase do Pacífico da II Guerra Mundial apenas poucos anos depois.

Quando se teme que o contágio possa se estender é preciso destruir o vírus e inocular aqueles que poderiam se infectar. E esta operação foi feita. O Vietnã sofreu uma quase total destruição (assim como toda a Indochina, quando os EUA estenderam sua guerra para o Laos e a Camboja). No fim de 1960, era evidente que nunca poderia ser modelo para ninguém e que a mera sobrevivência seria obra da providência. E a região foi inoculada por meio da imposição de tiranos assassinos: Suharto na Indonésia, Marcos nas Filipinas, etc. O golpe militar de Suharto, em 1965, foi particularmente importante, e foi descrito com toda precisão: o New York Times afirmou que se tratava de um “assassinato massivo horripilante” –e também como “um raio de luz na Ásia”–, em momentos em que o exército do ditador assassinava um número estimado em um milhão de pessoas, em sua maior parte camponeses sem terras; destruía o único partido político popular de massas do país, um partido dos pobres, como foi descrito pelo especialista australiano Harold Crouch, e abria a porta dos ricos recursos do país para sua exploração pelas corporações ocidentais. A euforia nem sequer foi dissimulada. Retrospectivamente, o assessor de segurança nacional de Kennedy e Johnson, McGeorge Bundy, afirmou que os Estados Unidos poderiam ter posto fim à guerra do Vietnã em 1965, depois desta grande vitória da liberdade e da justiça.

Os Estados Unidos conseguiram uma significativa vitória na Indochina, apesar de não terem conseguido seu objetivo máximo: instalar um Estado satélite. Por conseguinte, para a consciência imperial a guerra do Vietnã foi um desastre.

Como já disse, o Iraque é outra coisa. É valioso demais para ser destruído. É fundamental que permaneça sob o controle dos EUA, na medida de tudo o que for possível, em forma de Estado satélite obediente que abrigue importantes bases militares norte-americanas. Sempre foi evidente que este era o objetivo primordial da invasão, mas agora isso não precisa sequer ser discutido. Estes planos foram explicitados pelo governo Bush com sua declaração de novembro de 2007 e por afirmações posteriores, acompanhadas da descarada exigência de que as grandes corporações norte-americanas do petróleo tenham acesso privilegiado às enormes reservas de cru do Iraque.

Parece que o público norte-americano finalmente descobriu, depois de 60 anos, a existência do Paquistão. O general Musharraf é sincero quando afirma querer reconstituir a democracia em seu país? Concretamente, por que os Estados Unidos confiam em Musharraf mais do que em outros rivais potenciais, como Bhutto e Zardari, do PPP, Nawaaz Sharif, etc., em sua guerra contra o terrorismo e sua busca e captura de Bin Laden?

Chomsky: Não devemos perder tempo valorando as intenções de Musharraf de reconstituir a democracia. Os Estados Unidos apoiaram-no tanto tempo quanto possível, do mesmo modo que apoiaram outros tiranos, como Zia ul-Haq. A escolha de um determinado aliado é feita seguindo um critério muito simples: trata-se de buscar o satélite mais leal, aquele que mais nos garanta que vai obedecer ordens. Apesar de alguma exceção ocasional, a uniformidade é impressionante.

Recentemente, um relatório dos serviços secretos dos EUA afirmava que o Irã tinha finalizado com sucesso um programa de armas nucleares há quatro anos. O Irã afirma que, na verdade, nunca teve um programa deste tipo. Contudo, o presidente Bush, o presidente israelense Olmert e altos cargos de Washington garantem que o Irã continua sendo uma grande ameaça e que persegue a obtenção de armas nucleares. São sustentáveis estas opiniões dos EUA e Israel? E se não são, qual é a razão da retórica de enfrentamento com o Irã, e de que modo favorece a política exterior dos EUA na região do Oriente Próximo?

Chomsky: Estas afirmações deveriam ser avaliadas pela Agência Internacional de Energia Atômica. Eu, é claro, não tenho nenhum conhecimento especial. Não seria tão surpreendente que descobrissem que o Irã tem algum tipo de programa de armas nucleares, junto, talvez, com planos de emergência. As razões foram expostas por um dos mais importantes historiadores de Israel, Martin van Creveld, quando disse que o Irã estaria completamente louco se não desenvolvesse uma arma de dissuasão nuclear nas atuais circunstâncias: com as forças hostis de uma superpotência violenta em duas de suas fronteiras e uma potência regional hostil (Israel) que dispõe de centenas de armas nucleares clamando por uma mudança de regime no Irã. Contudo, as provas disponíveis indicam que se esse país já teve um programa assim, ele foi encerrado há alguns anos.

Da perspectiva norte-americana, o Irã cometeu um grave crime em 1979. Como é sabido, em 1953, os Estados Unidos e o Reino Unido desmantelaram a democracia parlamentar iraniana e instalaram um brutal tirano, o Xá, que foi um baluarte do controle norte-americano na rica região petrolífera até 1979, quando foi deposto após um levantamento popular. Tratava-se de um caso bastante parecido ao da derrocada do ditador Batista em Cuba, em 1959, e de outros atos de desafio exitoso aos princípios de Washington, segundo o termo cunhado em seus documentos internos. O Padrinho não pode tolerar um desafio exitoso. É uma ameaça grande demais ao que chamam de estabilidade, ou seja, à obediência aos senhores.

A independência iraniana não é um problema menor. Ameaça o controle norte-americano de um dos butins mais valiosos do mundo, o petróleo do Oriente Próximo. Como conseqüência, desde 1979 os Estados Unidos têm sido duramente hostis com o Irã. Washington respaldou o feroz e mortífero ataque de Sadam Hussein contra o Irã e, inclusive, uma vez terminada a guerra continuou apoiando esse aliado até o ponto de convidar engenheiros nucleares iraquianos para receberem formação avançada para o desenvolvimento de armas nucleares, em 1989. Mais tarde, promulgou graves sanções contra o Irã, ao mesmo tempo que lançava freqüentes ameaças de atacar esse país e derrocar seu governo.

E assim até hoje. Atualmente, 15 de junho de 2008, a agência de notícias Reuters informa o seguinte: “Os analistas estimam que se forem oferecidas ao Irã garantias de segurança –uma idéia lançada pela Rússia– seria possível sair do ponto morto atual, considerando que estas garantias constituem o objetivo fundamental do Irã, dada a política de Bush de mudança de regime referente a esse país. Mas os Estados Unidos afirmaram, no mês passado, que as grandes potências não tinham planos de compromisso em matéria de segurança com Teerã.”

Em poucas palavras, os EUA insistem em manter sua atitude de Estado fora da lei, rejeitando os princípios fundamentais do Direito Internacional, entre outros a Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força nos assuntos internacionais. Bush conta com o apoio dos dois principais candidatos presidenciais de 2008 e com o das elites dos EUA e da Europa, ainda que não com o da opinião pública norte-americana, que apóia com grande margem a diplomacia e opõe-se às ameaças de guerra. Mas a opinião pública é, em grande medida, irrelevante na hora de elaborar as políticas, e não apenas neste caso.

A classe política, em toda sua amplitude e com raras exceções, está comprometida com a manutenção do controle norte-americano dos principais recursos energéticos do mundo, e com o castigo dos desafios exitosos. Por conseguinte, os EUA têm feito grandes esforços para mobilizar uma aliança contra o Irã entre os Estados sunitas da região, embora sem muito sucesso. As duas viagens de Bush para a Arábia Saudita, no início de 2008, foram, neste sentido, fracassos sem paliativos.

A imprensa saudita, normalmente muito comedida com os visitantes importantes, condenou as políticas propostas por Bush e pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, como “não uma diplomacia em busca da paz, mas uma loucura em busca da guerra.” As monarquias do Golfo Pérsico não são amigas do Irã, mas aparentemente preferem acomodar-se e não entrar em confronto, o que constitui um duro golpe para as políticas norte-americanas. Washington está diante de problemas similares no Iraque e no Líbano. Em um segundo plano, existe uma preocupação mais profunda: que os países produtores de energia da região possam voltar-se para o Leste e, inclusive, que sigam o exemplo do Irã de estabelecer vínculos com a Organização de Cooperação de Shanghai (1), na qual a Índia, Paquistão e Irã participam como observadores, participação que foi negada a Washington.

O conflito entre sunitas e xiitas tem se agravado sensivelmente nestes últimos anos, especialmente no Iraque, devido à crescente insurgência e à guerra civil desatada pela queda de Sadam Hussein e o vazio de poder que seguiu. O senhor acha que esse conflito sunita-xiita pode se estender para todo o Oriente Próximo. Em caso afirmativo, como isso ocorreria, especialmente em países como Iraque, Irã e Líbano e em relação à guerra contra o terrorismo? Vamos testemunhar mais atos terroristas, mais extremismo e mais antiamericanismo, ou será que este “divide e vencerás” pode ajudar as forças norte-americanas e as políticas estrangeiras a pacificarem a região?

Chomsky: Segundo estudos sobre a opinião pública iraquiana, realizados pelo Pentágono, os conflitos sectários do Iraque não foram causados “pela queda de Sadam Hussein e o vazio de poder que seguiu”, senão pela agressão norte-americana. Se você me permite citar o resumo, publicado pelo Washington Post, dos documentos do Pentágono publicados em dezembro de 2007, ele afirma: “Iraquianos de todos os grupos sectários e étnicos acreditam que a invasão militar norte-americana é a raiz primordial das violentas diferenças entre eles e consideram que a saída das forças de ocupação é fundamental para a reconciliação nacional.”

Como eu já disse, os Estados Unidos não tiveram muito sucesso em sua inspiração de um conflito regional entre sunitas e xiitas, mesmo que as tensões entre eles sejam bem reais e inquietantes. A invasão do Iraque potencializou os atos de terrorismo muito mais do que teria sido possível pensar de antemão, ao ponto de que algumas estimativas, como as realizadas pelos especialistas em terrorismo Peter Bergen e Paul Cruickshank após a análise de cifras semi-oficiais, chegam a considerar que se multiplicaram por sete. O que vai acontecer a seguir depende, em larga medida, de quais sejam as políticas norte-americanas, apesar de que também há muitos fatores internos próprios desta complexa região.

No dia 20 de setembro de 2006, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, promoveu seu livro Hegemony or Survival: America's Quest for Global Dominance (2) na Assembléia Geral das Nações Unidas, e elogiou o senhor por demostrar que o maior perigo para a paz mundial, nestes momentos, são os Estados Unidos. Imediatamente, houve um grande alvoroço nos meios de comunicação. O senhor, por sua vez, recusou os pedidos de entrevistas porque, na sua opinião, os entrevistadores nem sequer haviam se incomodado em ler o livro e discutir seu conteúdo e estavam, em vez disso, à procura de sensacionalismo. Existe nos meios de comunicação norte-americanos um lugar para o jornalismo informativo e educativo e para a informação contrastada que não esteja tingida de sensacionalismo ou retórica promocional? O surgimento da Internet –os blogs, YouTube, os webzines, etc.– permite contrabalançar o que o senhor tem chamado de fabricação do consenso, consistente em que organismos poderosos, como as grandes corporações e o governo norte-americano, forneçam à mídia e ao público informação preparada, propaganda e meias-verdades adequadas?

Chomsky: Se eu tivesse que me limitar a um único jornal, escolheria o New York Times, apesar de já ter escrito centenas de páginas nas quais documento em detalhe suas falsas representações, distorções e cruciais omissões à serviço do poder. E faria essa escolha por sua importância e recursos superiores aos demais. Aprende-se muito com uma leitura atenta e crítica dos meios de comunicação dominantes, apesar de que existem outras fontes também valiosas. A Internet permite ter acesso a uma grande variedade de informação, opinião e interpretação. Mas, como qualquer outra fonte, é útil só com a condição de que seja utilizada de um modo discriminado e reflexivo. Os melhores biólogos não são aqueles que leram mais publicações técnicas de seu âmbito, mas aqueles que dispõem de um marco de compreensão que lhes permite selecionar o que pode ser significativo, mesmo que de resto um determinado documento tenha pouco valor. Este mesmo tipo de discernimento é necessário no estudo dos assuntos humanos.

Seus críticos –e há muitos deles– afirmam que sua retórica e ideologia parece um disco riscado: uma interminável ladainha e um monte de ataques repetitivos à política exterior norte-americana e às suas ações militares. Como o senhor responde aos críticos que afirmam que sua descrição da política exterior dos EUA é simplista e cínica? Os Estados Unidos são, realmente, um império do mal? Não existem casos em que a intervenção norte-americana ou a ajuda desse país tenha respondido a critérios altruístas, seguindo os ideais da Constituição?

Chomsky: Este tipo de crítica de que você fala tem sido feita aos dissidentes de quase todas as sociedades na história da Humanidade, ou seja, não se deve dar a mínima para elas. Se os críticos têm argumentos e provas, vou estudá-los com prazer, neste âmbito assim como em qualquer outro. Quando o único que há são crises de birra do tipo que você menciona, podemos descartá-las como novos exemplos daquilo que o criador da teoria das relações internacionais realistas, Hans Morgenthau, chamou “nossa conformista obediência àqueles que têm o poder”, referindo-se aos intelectuais norte-americanos –e aos ocidentais em geral–, apesar das eventuais excepções. Eu não respondo a estas acusações de que descrevo os Estados Unidos como um império do mal, porque esta acusação é uma montagem infantil feita por apologistas desesperados do poder estatal.

De fato, costumo insistir em que os Estados Unidos são como qualquer outro sistema de poder. É verdade que esta afirmação é intolerável para nossos nacionalistas, que insistem no excepcionalismo dos EUA, assim como é para os líderes políticos e as classes intelectuais em outros Estados poderosos, passados e presentes, com muita freqüência. Quanto ao caráter genuinamente altruísta das nossas intervenções, é difícil encontrar exemplos no passado, tal como a pesquisa histórica demonstra, mesmo que, é claro, cada intervenção seja apresentada como altruísta por parte de seus perpetradores, por mais monstruosas que sejam. A imagem é mais ambígua no que se refere à ajuda, mas não muito diferente quando observamos em detalhe, e se ajusta também a um universal histórico, como eu tenho dito.

Na sua opinião, o veto que a Universidade DePaul impôs à nomeação do professor Norman Finkelstein, devido à sua mordaz crítica e refutação do livro de Alan Dershowitz, ''Case for Israel'' é indicativa do clima de probidade e integridade intelectual nos Estados Unidos? Será que é um aviso aos acadêmicos e intelectuais que não se ajustam às consignas e questionam abertamente a ideologia que defendem os poderosos grupos de interesses e os lobbies? Ou será que é só um incidente isolado, que não tem outras implicações em relação ao ambiente intelectual pós 11 de setembro?

Chomsky: O comportamento da Universidade DePaul ao rejeitar a recomendação dos professores para a nomeação de Finkelstein foi, sem dúvida, deplorável, mas este caso não pode ser generalizado. Tem características específicas, especialmente o papel do desesperado e fanático professor da Faculdade de Direito de Harvard, Alan Dershowitz. Finkelstein demonstrou com impecável rigor acadêmico que Dershowitz é um difamador, um mentiroso e um vulgar apologista dos crimes do Estado que defende. Em um primeiro momento, Dershowitz removeu céu e terra para impedir a publicação do escrito de Finkelstein; após fracassar nisso, lançou uma cruzada histérica para tentar suprimir seu conteúdo. Não é um idiota e sabe que não pode responder em termos de fatos e argumentos, ou seja que recorreu àquilo que é habitual nele: uma seqüência de ataques e insultos e uma extraordinária campanha de intimidação, à qual, finalmente, sucumbiu a direção da Universidade, aparentemente por temor a uma eventual mobilização de seus patrocinadores.

Esta depravada atuação tem sido analisada com muito detalhe em publicações apropriadas, como Chronicle of Higher Education , e não vou me estender mais aqui.

É verdade que há iniciativas importantes para impedir um debate honesto e independente dos assuntos do Oriente Próximo, especialmente os relativos a Israel. Não obstante, este é um caso especial, que não tem nenhuma relação com o ambiente intelectual posterior ao 11 de setembro.

* Wajahat Ali é cidadão paquistanês e norte-americano, muçulmano, autor teatral, ensaísta, humorista e advogado, cuja obra The Domestic Crusaders (Os cruzados do interior) é a primeira obra teatral que trata dos muçulmanos norte-americanos no período posterior ao 11 de Setembro.

Notas:

(1) A Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) é um organismo intergovernamental fundado em 14 de Junho de 2001 pela R.P. da China, Rússia, Kazaquistão, Kirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, dedicado a assuntos de cooperação econômica, cultural e de segurança. (N. do T.)

(2) Hegemonia ou sobrevivência : Estats Units a la recerca do domini global, Editorial Empuries, 2004 (em catalão); Hegemonia ou sobrevivência: a estratégia imperialista dos Estados Unidos, Edições B, 2005 (em espanhol).

Tradução para o espanhol para Rebelión por S. SeguíTradução para o português: Naila Freitas/Verso Tradutores
Agência Carta Maior

Gramsci e Maquiavel



Texto de Luciano Gruppi, do livro O Conceito de Hegemonia em Gramsci, onde se discute a questão do "moderno príncipe":
Nicolau Maquiavel
"O partido, para Gramsci, é o Príncipe moderno. Ele se reporta a Maquiavel e, situando-o historicamente, vê nele o téorico do Estado unitário moderno; o pensador que reflete sobre a experiência do Estado unitário monárquico francês, espanhol, inglês, e indica essa experiência à Itália como sendo o caminho para superar a crise que envolve a sociedade italiana.
Gramsci destaca bastante o fato de que o método de fazer política, tal como é ensinado por Maquiavel, parte da consciência adquirida que a política tem sua autonomia, obedece a leis próprias, que não podem derivar da moral tradicional, mas que inclusive fundam uma nova moral, uma moral imanentista, cuja finalidade não é a salvação da "alma" individual, mas da coletividade estatal. A violência e o engano, cujo uso é teorizado e justificado, são em verdade dirigidos contra as classes dominantes, contra a aristocracia, não contra o povo (a burguesia mercantil).
Essa colocação histórica de Maquiavel permite superar as discussões bizantinas sobre o maquiavelismo. O que me interessa destacar é que o moderno Príncipe é para Grasmci um unificador, um grande reformador intelectual e moral. Maquiavel tinha em mente um reformador desse tipo; mas em sua época, ele não pôde existir. Na nossa época, tal reformador é o partido. O príncipe de Maquiavel, segundo Gramsci, não é um simples indivíduo; é na realidade, expressão de um processo coletivo, de uma vontade coletiva dirigida para um determinado fim político."

28 Junho, 2008


Os Que Estão Assustados Com a Falência do Velho e os Que Lutam Pelo Novo

V. I. Lenin

9 de Janeiro de 1918


""Os bolcheviques já estão no poder há dois meses, e em vez do paraíso socialista vemos o inferno do caos, da guerra civil, de uma ruína ainda maior." Assim escrevem, falam e pensam os capitalistas juntamente com os seus partidários conscientes e semiconscientes.

Os bolcheviques só estão no poder há dois meses – responderemos nós –, e o passo em frente que já foi dado em direção ao socialismo é enorme.


Não vê isto quem não quer ver ou não sabe avaliar os acontecimentos históricos na sua conexão. Não querem ver que em algumas semanas foram destruídas quase até aos fundamentos as instituições não democráticas no exército, no campo na fábrica.


E não há nem pode haver outro caminho para o socialismo senão através dessa destruição. Não querem ver que em algumas semanas a mentira imperialista em matéria de política externa, que prolongava a guerra e encobria a pilhagem e a conquista, com os tratados secretos, foi substituída por uma política realmente democrática revolucionária de paz realmente democrática, que produziu já um êxito prático tão grande como o armistício e a centuplicação da força propagandística da nossa revolução.


Não querem ver que o controle operário e a nacionalização dos bancos começaram a ser aplicados, e isto são precisamente os primeiros passos para o socialismo.


Não são capazes de compreender a perspectiva histórica aqueles que foram esmagados pela rotina do capitalismo, aturdidos pela estrondosa falência do velho, pelo estrépito, pelo barulho, pelo "caos" (aparente caos) do desmoronamento e afundamento dos seculares edifícios do tsarismo e da burguesia, assustados com o fato de a luta de classes ter sido levada a uma extrema agudização, com a sua transformação em guerra civil, a única que é legítima, a única que é justa, a única que é sagrada – não no sentido clerical mas no sentido humano da palavra –, a guerra sagrada dos oprimidos contra os opressores, pelo seu derrubamento, pela libertação dos trabalhadores de toda a opressão.


No fundo todos estes esmagados, aturdidos e assustados burgueses, pequenos burgueses e "serventuários da burguesia" se guiam, muitas vezes sem eles próprios terem consciência disso, pela idéia velha, absurda, sentimental e intelectual-vulgar da "introdução do socialismo", que adquiriram "por ouvir dizer", apanhando fragmentos da doutrina socialista, repetindo a deturpação desta doutrina por ignorantes e semi-sábios, atribuindo-nos a nós, marxistas, a idéia e mesmo o plano de "introduzir" o socialismo.

Essas idéias, para já não falar de planos, são-nos alheias a nós, marxistas. Nós sempre soubemos, dissemos, repetimos, que não se pode "introduzir" o socialismo, que ele surge no decurso da mais tensa e mais aguda – indo até à raiva e ao desespero – luta de classes e guerra civil; que entre o capitalismo e o socialismo há um longo período de "dores de parto"; que a violência é sempre a parteira da velha sociedade; que ao período de transição da sociedade burguesa para a socialista corresponde um Estado particular (isto é, um sistema particular de violência organizada sobre uma certa classe), a saber, a ditadura do proletariado. E a ditadura pressupõe e significa uma situação de guerra contida, uma situação de medidas militares de luta contra os adversários do poder proletário.


A Comuna foi uma ditadura do proletariado, e Marx e Engels censuraram a Comuna, consideraram uma das causas da sua morte o fato de a Comuna ter utilizado com insuficiente energia a sua força armada para reprimir a resistência dos exploradores.


No fundo, todos estes brados de intelectuais a propósito da repressão da resistência dos capitalistas não constituem senão uma sobrevivência da velha "conciliação", para falar "educadamente". Mas para falar com franqueza proletária é preciso dizer: a continuação do servilismo perante o saco do dinheiro, é esse o fundo dos brados contra a atual violência operária empregue (infelizmente de modo ainda demasiado fraco e não enérgico) contra a burguesia, contra os sabotadores, contra os contra-revolucionários.


"A resistência dos capitalistas foi quebrada", proclamou o bom Pechekhónov, um dos ministros conciliadores, em Junho de 1917. Este bom homem nem suspeitava que a resistência tem realmente de ser quebrada, que ela será quebrada, de que é precisamente a esse quebrar que, em linguagem científica, se chama ditadura do proletariado, que todo um período histórico se caracteriza pela repressão da resistência dos capitalistas, se caracteriza, por conseguinte, por uma violência sistemática sobre toda uma classe (a burguesia), sobre os seus cúmplices.

A cobiça, a suja, raivosa, furiosa, cobiça do saco do dinheiro, o medo e servilismo dos seus parasitas – tal é a verdadeira base social do atual uivo dos intelectuais, do Retch à Nóvaia Jizn, contra a violência da parte do proletariado e do campesinato revolucionário. Tal é o significado objetivo do seu uivo, das suas tristes palavras, dos seus gritos de comediantes sobre a "liberdade" (a liberdade dos capitalistas de oprimir o povo), etc., etc. Eles estariam "dispostos" a reconhecer o socialismo se a humanidade saltasse para ele de golpe, com um salto espetacular, sem fricções, sem luta, sem ranger de dentes da parte dos exploradores, sem diversas tentativas da sua parte de defender os velhos tempos ou de voltar a eles por caminhos desviados, às ocultas, sem repetidas "respostas" da violência revolucionária proletária a essas tentativas. Estes parasitas intelectuais da burguesia estão "dispostos", como diz o conhecido provérbio alemão, a lavar a pele desde que a pele fique sempre seca.

Quando a burguesia e os funcionários, empregados, médicos, engenheiros, etc., que estão habituados a servi-la, recorrem às medidas mais extremas de resistência, isso horroriza os intelectuaizinhos. Eles tremem de medo e berram ainda mais estridentemente acerca da necessidade de voltar à "conciliação". Mas a nós, tal como a todos os amigos sinceros da classe oprimida, as medidas extremas de resistência dos exploradores só nos podem alegrar, pois nós não esperamos o amadurecimento do proletariado para o poder a partir das exortações e da persuasão, da escola das pregações adocicadas ou das declamações edificantes, mas da escola da vida, da escola da luta. Para se tornar a classe dominante e vencer definitivamente a burguesia, o proletariado tem de aprender isto porque ele não tem onde ir buscar este conhecimento já pronto.


E é preciso aprender na luta. E só uma luta séria, tenaz e desesperada é que ensina. Quanto mais extrema for a resistência dos exploradores, mais enérgica, firme, implacável e bem-sucedida será a sua repressão pelos explorados. Quanto mais diversas forem as tentativas e esforços dos exploradores para defenderem o velho, mais depressa o proletariado aprenderá a expulsar os seus inimigos de classe dos seus últimos recantos, a minar as raízes da sua dominação, a remover o próprio terreno em que a escravidão assalariada, a miséria das massas, o enriquecimento e o descaramento do saco do dinheiro podiam (e tinham de) crescer.

À medida que cresce a resistência da burguesia e dos seus parasitas cresce a força do proletariado e do campesinato que a ele se uniu. Os explorados fortalecer-se-ão, amadurecerão, crescerão, aprenderão, afastarão de si o "velho Adão" da escravidão assalariada à medida que crescer a resistência dos seus inimigos – os exploradores. A vitória estará do lado dos explorados, porque do seu lado está a vida, do seu lado está a força do número, a força da massa, a força das fontes inesgotáveis de tudo o que é abnegado, avançado e honesto, de tudo o que aspira a avançar, de tudo o que desperta para a construção do novo, de toda a gigantesca reserva de energia e de talentos do chamado "baixo povo", os operários e camponeses.


A vitória pertence-lhes."

Comunicado

Camaradas, amigos e companheiros,

Diante dos últimos acontecimentos, onde o pré-candidato do Partido Socialista Brasileiro retirou unilateralmente sua pré-candidatura à prefeitura do Crato, abandonando o pleito em favor do senhor Walter Peixoto (PMDB), o "Waltim", ex-prefeito por 03 vezes da cidade, a Direção Municipal do PCdoB, referendada por seus militantes em Convenção Eleitoral, decidiu por unanimidade:

1- Não se omitir do processo eleitoral e procurar a melhor alternativa para a cidade do Crato, calcada na defesa de uma sociedade mais justa e fraterna, na defesa dos trabalhadores e demais setores populares e com um projeto que permita o desenvolvimento social na cidade do Crato, combinando com crescimento econômico e diminuição da desigualdade social. Estamos juntos com nossos companheiros históricos e participaremos ativamente do processo eleitoral, que entra em uma nova fase.

2- Não colaborar ou participar de coligação ou qualquer tipo de apoio à chapa encabeçada pelo ex-prefeito, sr. Walter Peixoto, "o Waltim", desfazendo desse modo a coligação firmada com o PSB, posto que este decidiu no dia de ontem apoiar a chapa peemedebista.


3- Encaminhar a participação, tanto majoritária quanto proporcional, na coligação formada pelos seguintes partidos: PV (Partido Verde) , PT (Partido dos Trabalhadores), PMN (Partido da Mobilização Nacional), PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil) e PCdoB (Partido Comunista do Brasil).


4- Ratificar, por unanimidade, o nome do camarada Douglas Félix como candidato a vereador pelo Partido Comunista do Brasil.

5- Apoiar , por unanimidade, os candidatos a prefeito, André Barreto (PV) e a vice-prefeito, James Brito (PT).


6- Mobilizar todos os esforços, corações combinados com a coragem e a ousadia que marcam a trajetória comunista para a vitória de André Barreto- James Brito, bem como do Camarada Douglas Félix, que representará a vitória do povo do Crato.

7- Como afirmaram os companheiros, "O Crato pode ser mais". O Crato será muito mais.

Na certeza de um futuro comunista, deixo um abraço!

Atenciosamente,


Darlan de Oliveira Reis Junior
Presidente do Comitê Municipal do Partido Comunista do Brasil - PCdoB, em Crato, aos 28 dias do mês de junho.

26 Junho, 2008

Caio Júlio César (100 a.C. - 44 a.C.)

Texto extraído de Bellum Civile (A Guerra Civil), Livro Terceiro, 85.4, do General Caio Júlio César. O livro trata da titânica luta entre as tropas de Júlio César e Cneu Pompeu:









Tum Caesar apud suos, cum iam esset agmen in portis: "differendum est" inquit, "iter in praesentia nobis et de proelio cogitandum, sicut sempre depoposcimus; animo simus ad dimicandum parati: non facile occasionem postea reperiemus." Confestimque expeditas copias educit.



(Foi então que César, quando as colunas já se postavam às portas, disse aos seus homens: Temos no momento que adiar a marcha e cuidar da batalha que sempre reclamamos. estejamos preparados para a luta; no futuro não encontraremos facilmente ocasião." E às pressas retirou do acampamento as tropas, livres das bagagens.)


História do PCdoB

História do PCdoB, pelo próprio partido (www.pcdob.org.br):

"25/3/1922, nasce o Partido Comunista do Brasil.
O congresso da fundação ocorre no Rio e em Niterói.
Nove delegados (veja a foto) representam os grupos comunistas de Porto Alegre, Recife, S. Paulo, Cruzeiro (SP), Niterói e Rio.
Santos e Juiz de Fora não conseguem comparecer.
O Partido nasce com 73 militantes. Aprova as 21 condições de ingresso na Internacional Comunista, os seus Estatutos e uma Comissão Central Executiva. Inicia uma campanha de solidariedade aos trabalhadores soviéticos. Termina com todos cantando (baixinho, por razões de segurança) o hino do proletariado do mundo, A Internacional."
http://www.vermelho.org.br/pcdob/80anos/trajetoria.asp

25 Junho, 2008

Complô contra o MST

Artigo de Altamiro Borges sobre a conspiração contra o MST


"O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), reconhecimento mundialmente por sua heróica e combativa luta pela reforma agrária no Brasil, está sendo alvo de uma conspiração das forças conservadoras do Rio Grande do Sul que visa explicitamente a sua "dissolução". O complô reacionário congrega o agronegócio local, a governadora Yeda Crusius, metida num mar de lama de corrupção, a truculenta Brigada Militar, a mídia venal e agentes do Poder Judiciário com mentalidade escancaradamente fascistóide. O cerco ao MST se fecha celeremente e exige resposta contundente de todas as forças democráticas e populares da sociedade brasileira.
Por Altamiro Borges
Em dezembro passado, onze procuradores da Justiça do Rio Grande do Sul participaram de uma sessão que decidiu, em caráter confidencial, "designar uma equipe de Promotores da Justiça para promover ação civil pública com vistas à dissolução do MST e à declaração da sua ilegalidade; suspensão das marchas, colunas e outros deslocamentos em massa de sem-terra; investigar os integrantes de acampamentos e da direção do MST pela prática de crime organizado; investigar o uso de verbas públicas e de subvenções oficiais; desativação dos acampamentos que estejam sendo utilizados como ‘base de operação’ para invasão de propriedades; examinar a existência de condutas tendentes ao desequilíbrio da situação eleitoral local", entre outras aberrações fascistas.
Uma excrescência jurídica
Foi com base nesta excrescência jurídica, que a Brigada Militar do Rio Grande do Sul despejou, na semana passada, centenas de famílias de dois acampamentos no município de Coqueiros do Sul. Barracos, plantações, criações de animais e até o posto de saúde e a escola montada pelos sem-terra foram destruídos. As famílias foram jogadas à beira da estrada em Sarandi, expostas ao frio e sem qualquer estrutura. Um dos promotores, Luis Felipe Tescheiner, presente na tal sessão secreta, justificou a desocupação afirmando que "não se trata de remover acampamentos, e sim de desmontar as bases que o MST usa para cometer reiterados atos criminosos".
A sentença do despejo relembra a besta nazi-fascista. Cita o uso na escola do MST de livros de Paulo Freire, Florestan Fernandes e do pedagogo soviético Anton Makarenko. Chega a defender que os jovens sejam proibidos de participar de cursos. Propõe explicitamente adotar os mesmos instrumentos da ditadura militar para colocar na ilegalidade as Ligas Camponesas. Trata o MST como uma "quadrilha criminosa", "uma ameaça à segurança nacional". Indignado, o procurador aposentado Jacques Távora considerou a sentença um atentado à prática do Ministério Público:
"MP vestiu a camisa dos latifundiários"
"Estamos diante de uma violação flagrante dos direitos humanos, de uma infidelidade manifesta do MP às suas finalidades. Quem lê a petição vê que o MP vestiu a camisa dos latifundiários... Na petição, os promotores se baseiam no fato de que o MST é um movimento anticapitalista e esquerdista... Voltamos à época da ditadura para se sustentar esse ataque". Jacques Távora não tem dúvidas de que se trata de uma ação orquestrada. "Está em curso no estado um abuso de poder e de autoridade. O relatório secreto do MP estava preparando essas ações desde dezembro de 2007. No relatório a expressão é a dissolução do MST. Uma reação popular não é tolerada".
Diante desta escalada fascista, os movimentos sociais e as forças de esquerda estão chamadas a se manifestar com urgência e contundência. O MST já divulgou um manifesto de repúdio e pede a adesão de todos os democratas. "Vimos a vossa presença para lhes pedir solidariedade. Nosso movimento está sofrendo uma verdadeira ofensiva das forças conservadoras do Rio Grande do Sul, que não só não querem ver a terra dividida, como manda a Constituição, mas querem criminalizar os que lutam pela reforma agrária e impedir a continuidade do MST... Estas forças estão representadas hoje no governo da Sra. Yeda Crusius, na Brigada Militar, no Judiciário e no poder do monopólio da mídia". Não há tempo a perder diante desta onda fascista!"
Da redação

23 Junho, 2008

Jornalista do PIG defende o Imperialismo

Mais uma vez, Paulo Henrique Amorim tem razão. Ele analisa o comentário de um jornalista do PIG - Partido da Imprensa Golpista. Leia:

"23/06/2008 12:38
GLOBO NÃO QUER A INDEPENDÊNCIA DOS PAÍSES DA ÁFRICA
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1206

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

. Em 1988, no Governo Geisel e por obra de um notável diplomata, o embaixador Italo Zappa (*), o Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola.
. Hoje, no Bom (?) Dia Brasil, a propósito do Zimbábue e da ditadura Mugabe, Renato Machado proferiu o mais completo discurso colonialista, desde quando o Governo brasileiro e a elite branca defendiam a política de ultra-mar de Portugal e o apartheid na África do Sul.
. Machado - não confundir com William Waack nem com Miriam Leitão, da mesma emissora - disse o seguinte:
- O Zimbábue e a ditadura Mugabe são a prova de que o nacionalismo E A INDEPENDÊNCIA da África não deram certo. Um sonho que não deu certo !
. Em nenhum outro lugar do mundo um âncora de uma rede aberta de televisão (aberta, portanto, uma concessão !) teria o direito de defender o regime colonial na África - impunemente.
. Pois, no Brasil, isso é possível.
. A Globo pode tudo.
. Por que o Ministério das Comunicações não adverte a Globo ?
. Por que o Ministério da Justiça não interpela a Globo ?
. A Globo está à direita do regime militar !
. O Conversa Afiada vai enviar esse M&M aos Ministérios da Justiça e das Comunicações para ver se eles têm alguma coisa a declarar.
. Depois, alguns leitores ser espantam, quando o Conversa Afiada chama os colunistas do PiG de "colonistas".
.
Leia aqui o verbete "colonista".



(*) Ítalo Zappa - (Diplomata brasileiro )1926 - 1997



Diplomata brasileiro nascido na pequena cidade italiana de Paola e criado em Barra do Piraí, interior do Estado do Rio de Janeiro, um dos principais artífices da política externa terceiro-mundista do governo de Ernesto Geisel (1974-1979). Foi, ao longo de sua carreira, embaixador em países decisivos para a construção das relações terceiro-mundista. Já entrou no Itamarati (1950), dizendo que lá era "o Ministério das Não Relações Exteriores”, pois o país não tinha relações com a União Soviética, com a Ásia e com a África. Adversário da política de alinhamento com os Estados Unidos nos anos 60, é considerado o principal responsável pelo processo de reconhecimento pelo Brasil da independência dos países africanos de língua portuguesa. Foi também ministro-conselheiro do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA). Aposentado (1991), voltou à ativa para reabrir a Embaixada Brasileira no Vietnã (1994), cuja retomada de relações havia sido trabalho seu. Conhecido como embaixador vermelho pelo êxito de seu trabalho na implantação de relações diplomáticas do Brasil com países como China, Vietnã, Cuba, Moçambique e Angola, ele dizia que não era contra nem a favor aos Estados Unidos. “Sou a favor do Brasil. Os americanos cuidam dos seus interesses; nós é que não cuidamos dos nossos." Em plena ditadura militar, era um dos raros embaixadores que mantinham um relacionamento respeitoso e cordial com os exilados políticos brasileiros. Quando se encontrava no Vietnã, infelizmente detectou um câncer que o fez voltar ao Brasil e que o mataria poucos anos depois, aos 71 anos, no Rio de Janeiro (RJ), após dedicar mais de 40 anos à diplomacia brasileira. (Fonte: Netsaber Biografias)"

20 Junho, 2008

Conspiração na Bolívia

Deu na Agência Reuters:

"América Latina
Sexta, 20 de junho de 2008, 12h56 Atualizada às 13h55

Bolívia denuncia tentativa de assassinato de Evo

O governo da Bolívia denunciou nesta sexta-feira uma "tentativa de magnicídio" contra o presidente Evo Morales, que supostamente seria levada a cabo no aeroporto de Santa Cruz pela oposição.
» Liberados suspeitos de complô contra Evo

A polícia prendeu na quinta-feira dois homens que portavam armas nas imediações do aeroporto, mas poucas horas depois eles foram postos em liberdade pela Justiça de Santa Cruz.

"Na quinta-feira foram detidas duas pessoas que portavam uma arma de guerra, um fuzil mauser, com mira telescópica, e 30 cartuchos, 30 projéteis de guerra, com efeito letal poderosíssimo em mãos de duas pessoas que estavam muito perto do eixo de deslocamento do presidente", informou o ministro da Justiça, Juan Ramón de la Quintana.

"Denunciamos ao país e ao mundo que por trás dessas ações de tentativa de magnicídio há uma trama, um plano sinistro cujo verdadeiro alcance ainda desconhecemos, embora conheçamos as motivações. Mas esse quebra-cabeças da conspiração já está começando a ser montado", acrescentou.


O governo denunciou anteriormente tentativas de atentados contra Morales, mas esta é a primeira vez em que são presos supostos envolvidos carregando armamento perto do presidente.


"Estão indo longe, longe demais aqueles que deveriam responder a este projeto político (do governo) no cenário do debate político e não no campo da ilegalidade, da criminalidade", acrescentou o ministro em uma entrevista a uma emissora estatal.
Ramón de la Quintana criticou a libertação dos suspeitos envolvidos no atentado, ordenada pelo promotor William Torres.


O ministro qualificou a decisão como montagem de uma estrutura de encobrimento em Santa Cruz, o rico departamento boliviano onde se concentra parte da oposição direitista a Morales, que é de origem indígena.


Santa Cruz aprovou no início de maio autonomia em relação ao governo federal, em um referendo visto como uma declaração de guerra da oposição aos planos do governo de instaurar o socialismo no país.
Reuters"

Charge de Junião para o Diário do Povo


Morreu o Visconde de Sabugosa

Morreu o primeiro Visconde de Sabugosa do Sítio do Picapau Amarelo, o ator André Valli. Lamento pelo falecimento de um grande ator que fez um grande personagem, que marcou a infância do pessoal com mais de 30 anos.
Aquela turma do Sítio do Picapau Amarelo era demais.

Entrevista com McCain e Obama

Osmar Freitas Jr fez reportagem com os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos. Saiu no JB Online:

http://jbonline.terra.com.br/especiais/eleicoeseua/

19 Junho, 2008

Trabalhadores do PSF - Crato

"A Associação dos Profissionais do Saúde da Família - APSF - do município do Crato-CE, vem a público divulgar e solicitar publicação de texto abaixo, no sentido de informar e esclarecer à comunidade de uma forma em geral quanto a luta travada pelos profissionais do PSF ( Médicos, Enfermeiros e Dentistas) desde a criação da associação em meados de junho de 2007.
Nesse momento todos os profissionais encontram-se em estado de greve, respeitando a lei 7.783 de 28 de junho de 1989, em um movimento reivindicatório por reajuste salarial digno, melhores condições de trabalho, insalubridade e plano de cargos, carreiras e salário.



"PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA DE CRATO EM GREVE


Há pouco mais de 01 ano médicos, enfermeiros e dentistas do Programa de Saúde da Família (PSF) de Crato, concursados e contratados, iniciava seu pleito reivindicatório junto à administração municipal, através de entidade representativa, a APSF (Associação de Profissionais de Saúde da Família).

Os pontos reivindicados concernem principalmente à remuneração e condições de trabalho.

Quanto à remuneração, pleiteia-se um reajuste salarial que em princípio reponha as perdas salariais de 10 anos sem aumento significativo, além de buscar isonomia com os demais municípios circunvizinhos.

Não é aceitável que uma cidade do porte do Crato, com sua importância histórica na prestação de serviços de saúde no cariri praticar remuneração não condizente com o desenvolvimento sócio-econômico que ora se anuncia. É bom lembrar que o Crato outrora foi o grande pólo de referência em serviços de saúde para toda a região centro-sul do Ceará e interior de outros estados. Hoje, assistimos ano após ano crescer a influência de outras cidades, como Barbalha e Juazeiro, enquanto o Crato delas se torna dependente para obter vários serviços na área de saúde, com flagrante diminuição do seu poder de resolutividade. Tal situação só não acontece na assistência básica, pois o PSF tem cumprido seu papel na melhoria de todos os indicadores de saúde do município a despeito das condições não adequadas de funcionamento.

No Crato, registra-se os piores salários da região do cariri, de tal forma que tem sido difícil atrair e fixar profissionais qualificados e realmente compromissados com a filosofia do PSF, que preza o benefício da população. Há portanto necessidade de valorização destes profissionais, além do fornecimento de condições de trabalho adequadas. Neste particular reivindica-se melhorias nos postos de saúde, no fornecimento de medicações e insumos e transporte seguro e eficiente das equipes. Tais reivindicações não podem ser interpretadas como intransigência, a luta é pela classe em favor da população.

Chegou-se ao estado de greve após a insensibilidade da administração às reivindicações do movimento e a falta de contraproposta, ponto crucial para o balizamento e avanço das negociações. Neste momento, continuamos acreditando na possibilidade de resolução do impasse, mediante um reajuste na logística orçamentária que não prejudique nenhuma das partes, em especial a parte mais sensível, a população, razão da existência do próprio PSF.

Estamos abertos à negociação e ansiosos pelo desfecho favorável, que pode ser firmado exclusivamente pelo único e maior responsável, o prefeito.


Associação dos Profissionais de Saúde da Família"

Discurso anticomunista

Publicado originalmente no Vermelho:

"Ação contra MST repete discurso anticomunista pré-1964

Dois promotores do MP-RS acusam MST de ''práticas criminosas'' e de ''ameaçar a segurança nacional'', citando um ''notável trabalho de inteligência''. Baseado em matérias da imprensa e em relatos do serviço secreto da PM gaúcha, o trabalho fala, em tom de denúncia, da presença de livros de Florestan Fernandes e Paulo Freire, entre outros autores, nos acampamentos do MST e acusa ''fraseologia agressiva inspirada no bloco soviético''.

Por Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior



A inicial da ação civil pública apresentada pelos promotores Luís Felipe de Aguiar Tesheiner e Benhur Biancon Junior, do Ministério Público do Rio Grande do Sul, pedindo a desocupação de dois acampamentos do MST, próximos à fazenda Coqueiros (região norte do Estado), parece uma peça saída dos tempos da ditadura, reproduzindo a paranóia delirante anti-comunista dos anos 50 e 60 que alimentou e deu sustentação ao golpe militar no Brasil. A Vara Cível de Carazinho deferiu a liminar requerida pelo MP. Na avaliação dos promotores, os acampamentos Jandir e Serraria são “verdadeiras bases operacionais destinadas à prática de crimes e ilícitos civis causadores de enormes prejuízos não apenas aos proprietários da Fazenda Coqueiros, mas a toda sociedade”. Essa terminologia resume uma lógica de argumentação que muitos julgavam estar extinta no Brasil.
Na primeira página da inicial da ação, os promotores comunicam que seu trabalho é resultado de uma decisão do Conselho Superior do Ministério Público do RS para investigar as ações do MST que “há muito tempo preocupam e chamam a atenção da sociedade gaúcha”. O documento anuncia que os promotores Luciano de Faria Brasil e Fábio Roque Sbardelotto realizaram um “notável trabalho de inteligência” sobre o tema. Uma nota de rodapé define o trabalho de “inteligência” realizado nos seguintes termos:

O art. 1º, § 2º, da Lei nº 9.883/99, que instituiu o Sistema Brasileiro de Inteligência e criou a ABIN, definiu a inteligência como sendo “a atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação de conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado”.
O relatório que segue faz jus a esse conceito, apresentando o MST como uma ameaça à sociedade e à própria segurança nacional. O resultado do trabalho de inteligência inspirado nos métodos da ABIN é composto, na sua maioria, por inúmeras matérias de jornais, relatórios do serviço secreto da Brigada Militar e materiais, incluindo livros e cartilhas, apreendidas em acampamentos do MST. Textos de autores como Florestan Fernandes, Paulo Freire, Chico Mendes, José Marti e Che Guevara são apresentados como exemplos da “estratégia confrontacional” adotada pelo MST. Na mesma categoria, são incluídas expressões como “construção de uma nova sociedade”, “poder popular” e “sufocando com força nossos opressores”. Também é “denunciada” a presença de um livro do pedagogo soviético Anton Makarenko no material encontrado nos acampamentos.
As subversivas Ligas Camponesas e o “movimento político-militar de 1964”
Na introdução da ação, os promotores fazem um “breve histórico do MST e dos movimentos sociais”. Esse histórico se refere à organização do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Master) no Rio Grande do Sul, nos anos 1960, e à “atmosfera de crescente radicalização ideológica”. As Ligas Camponesas de Francisco Julião, em Pernambuco, são acusadas de “sublevar o campo e incentivar a violência contra os proprietários de terra, criando um clima de guerra civil”. Essa “agressividade”, na avaliação dos promotores, contribuiu para o “movimento político-militar de 1964”. O “movimento político-militar de 1964” a que os promotores se referem é o golpe militar que derrubou o governo constitucional de João Goulart, suprimiu as liberdades no país e deu início à ditadura militar.
Logo em seguida, a ação apresenta uma caracterização do MST, toda ela baseada na visão de uma única pessoa, o sociólogo Zander Navarro. O trabalho de inteligência dos promotores também se baseia, em várias passagens, em uma “revista de circulação nacional” (Veja) e em matéria críticas ao MST publicadas em jornais como Folha de S.Paulo, Zero Hora e Estado de S. Paulo, entre outros. Após apresentar um “mapa” dos movimentos sociais no campo brasileiro, os promotores questionam, em tom de denúncia, as fontes de financiamento público desses movimentos. Eles revelam que “o Ministério Público encaminhou um questionamento ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, acerca da existência ou não de alguma fonte de financiamento ou ajuda, direta ou indireta, aos participantes do MST acampados no Rio Grande do Sul”.
Os promotores citam ainda o relatório da CPMI da Terra, realizada no Congresso Nacional, sustentando que há malversação de verbas públicas, “pelo repasse de dinheiro público efetuado diretamente pelo Incra, na forma de distribuição de lonas, cestas básicas e outros auxílios”. Além disso, citam a “doação de recursos por entidades estrangeiras, notadamente organizações não-governamentais ligadas a instituições religiosas, como a organização Caritas, mantida pela Igreja Católica”. E identificam, em tom crítico, a rede de apoio internacional ao MST que mostraria ao público estrangeiro “uma visão do Brasil frontalmente crítica à atuação do Poder Público e inteiramente de acordo com os objetivos estratégicos do MST”. Citando o jornal Zero Hora, os promotores apontam que a Escola Florestan Fernandes (do MST) foi construída “com vendas do livro Terra, com texto do escritor português José Saramago, fotografias de Sebastião Salgado e um disco de Chico Buarque, além de contribuições do exterior”.
Mídia, PM 2 e Denis Rosenfield: as fontes da argumentação dos promotores
Ao falar sobre a estratégia do MST, os promotores valem-se de relatórios do serviço secreto da Brigada Militar (a PM2). O relatório do coronel Waldir João Reis Cerutti, de 2 de junho de 2006, afirma que os acampamentos do movimento são mantidos com verbas públicas do governo federal, recursos de fontes internacionais e até das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O coronel Cerutti não apresenta qualquer comprovação da existência do “dinheiro das FARC” e segue falando da suposta influência da guerrilha colombiana sobre os sem-terra. Segundo ele, o MST estaria planejando instalar um “território liberado” dentro do Estado: “Análises de nosso sistema de inteligência permitem supor que o MST esteja em plena fase executiva de um arrojado plano estratégico, formulado a partir de tal “convênio”, que inclui o domínio de um território em que o governo manda nada ou quase nada e o MST e Via Campesina, tudo ou quase tudo”.
Em seguida é apresentado um novo relatório do Estado Maior da Brigada Militar sobre as ações do MST no Estado. Esse documento pretende analisar a “doutrina e o pensamento” do MST, identificando, entre outras coisas, as leituras feitas pelos sem-terra. Identifica um “panteão” de ícones inspiradores do movimento, “a maior parte ligada a movimentos revolucionários ou de contestação aberta à ordem vigente” (onde Florestan Fernandes e Paulo Freire estão incluídos, entre outros). E fala de “uma fraseologia agressiva, abertamente inspirada nos slogans dos países do antigo bloco soviético (“pátria livre, operária, camponesa”)”. A partir dessas informações, os promotores passam a discorrer sobre o caráter “leninista” do MST, invocando como base argumentativa o livro “A democracia ameaçada – o MST, o teológico-político e a liberdade”, de Denis Rosenfield, que “denuncia” que o objetivo do movimento é o socialismo.
Para os promotores, “já existem regiões do Brasil dominadas por grupos rebeldes” (p. 117 da ação). A prova? “A imprensa recentemente noticiou....” (uma referência as ações da Liga dos Camponeses Pobres, no norte do Brasil). Em razão da “gravidade do quadro em exame”, concluem os promotores, “impõe-se uma drástica mudança na forma de trato das questões relativas ao MST e movimentos afins”. A conclusão faz jus às fontes utilizadas no “notável trabalho de inteligência”: “o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra não constitui um movimento social, mas, isso sim, um movimento político”. O MST, prosseguem os promotores, “são uma organização revolucionária, que faz da prática criminosa um meio para desestabilizar a ordem vigente e revogar o regime democrático adotado pela Constituição Federal”. Em nenhum momento da ação, o “notável trabalho de inteligência” dos promotores trata de problemas sociais no campo gaúcho."

O que é o centralismo democrático.

Vamos discutir didaticamente o conceito de centralismo democrático. Visto que muitos "opinam" sobre o tema sem ao menos conhecê-lo, vamos começar pela definição através de um partido político que, em seu estatuto, aplica o conceito.

Antes uma observação: o centralismo democrático aplica-se somente ao partido político e no caso do PCdoB, só diz respeito aos seus militantes. Não se aplica a nenhum outro órgão ou entidade.

Vejamos o que diz o Estatuto do PCdoB:

"Artigo 11 –A estruturação e o desenvolvimento da vida partidária assentam-se no princípio do Centralismo Democrático. O Centralismo Democrático estimula a expressão das opiniões pessoais de forma livre e responsável, e a ampla iniciativa de ação por parte de cada militante e de todas as suas organizações, como fator ativo da construção das orientações partidárias, sob um único centro dirigente: o Congresso do Partido e, entre um e outro Congresso, o Comitê Central.
O Partido age como um todo uno, sob o primado de uma disciplina livre e conscientemente assumida. A unidade é a força do Partido.Com a aplicação e o desenvolvimento criativos do Centralismo Democrático, se visa a coesão política e ideológica do Partido, como construção coletiva, sob o primado da unidade de ação política de todo o Partido.
I – A democracia é um bem fundamental da vida interna do Partido e significa:
a) igualdade de direitos e deveres entre todos os seus membros, segundo sua condição de filiado(a) ou militante; direito de eleger e ser eleito(a) para as instâncias partidárias, estando em dia com suas obrigações perante o Partido;
b) eleição de todos os organismos dirigentes do Partido de baixo para cima, sendo que a instância que elege pode destituir os(as) eleitos(as);
c) debate amplo, com liberdade de opinião pessoal, nos organismos sobre as orientações partidárias;
d) prestação de contas periódica e informação regular dos organismos dirigentes do Partido às instâncias que os elegeram e ao coletivo partidário;
e) estrito respeito à institucionalidade, à probidade e à impessoalidade na condução das atividades do Partido, nos termos deste Estatuto, das normas e regimentos do Comitê Central.
II – O centralismo assegura a indispensável unidade de ação política de todo o Partido e significa que:
a) as decisões coletivas, tomadas por consenso ou maioria, são válidas para todos; o interesse individual, ou da minoria, subordina-se ao do coletivo, ou da maioria;
b) as decisões adotadas por organismos superiores são válidas para todas as organizações sob sua jurisdição; decisões adotadas pelo Congresso e pelo Comitê Central são obrigatórias para todo o Partido;
c) as divergências de opiniões não eximem seus membros da obrigação de aplicar, defender e difundir as orientações partidárias;
d) não são admitidas tendências e facções, entendidas como atividade organizada de membros ou organizações do Partido à margem da estrutura partidária, em torno de propostas ou plataformas próprias, pessoais ou coletivas, temporárias ou permanentes."
Fora disso, no que diz respeito aos militantes do PCdoB é conversa, balela, ponto para causar polêmica.

Convenção do PCdoB será dia 27 de junho

Edital

O Comitê Municipal do Partido Comunista do Brasil – PCdoB – do município do Crato, através de seu presidente abaixo assinado, e de acordo com o que estabelecem os Estatutos Partidários e a Legislação Eleitoral, convoca a Convenção Eleitoral Municipal, a ser realizada no dia 27 de junho de 2008, às 18 horas e 30 minutos, no Crato Tênis Clube, Rua Coronel Antônio Luiz, Crato - CE , tendo a seguinte pauta:
1) Discussão e deliberação sobre os coligações (majoritária e proporcional) que o PCdoB deverá integrar;
2) Discussão e deliberação sobre os candidatos (majoritários e proporcionais) que o PCdoB deverá lançar no pleito de 2008.
Para a qual convida todos os filiados do Partido neste município.
Crato,aos 19 dias do mês de junho de 2008.
Darlan de Oliveira Reis Junior
Presidente

Vocabulário Gramsciano

No site http://www.gramsci.org/ , encontram-se boas informações sobre a obra e repercussões deste filósofo e camarada italiano. Ali dá para entender um pouco porque a extrema-direita tem tanto ódio de Gramsci...
Um dos serviços que oferece é um vocabulário gramsciano. Interessante e oportuno para quem quer iniciar-se no pensamento deste grande marxista.

Um exemplo:

Filosofia da práxis
por Nicola Badaloni


"O conceito de “práxis”, como agir individual e social, está no centro de toda a filosofia inaugurada por Karl Marx e pelo seu modo de abordar os problemas da produção e da ciência. Nos chamados Manuscritos econômico-filosóficos de 1844, que Gramsci não teve a possibilidade de conhecer, Marx escrevia: “Assim como a sociedade produz o homem enquanto homem, ela é produzida por ele”.
Essa idéia de que a “produção” ou “práxis humana” engloba não apenas o trabalho, mas também todas as atividades que se objetivam em relações sociais, instituições, carecimentos, ciência, arte, etc., atravessa todo o pensamento de Marx e constitui o seu princípio fundamental.
Antonio Labriola desenvolveu este aspecto, afirmando — num de seus ensaios sobre A concepção materialista da história — que o materialismo histórico “parte da práxis, ou seja, do desenvolvimento da operosidade; e, como é teoria do homem que trabalha, considera a própria ciência como um trabalho”. Para Labriola, “todo ato de pensamento é um esforço, ou seja, um novo trabalho”, ao passo que “o trabalho realizado, ou seja, o pensamento produzido, facilita os novos esforços voltados para a produção de um novo pensamento”.
Esta premissa serve para demonstrar que o termo “filosofia da práxis”, do qual fala Gramsci, não é um expediente lingüístico, mas uma concepção que ele assimila como unidade entre teoria e prática. Discutindo sobre a undécima tese de Marx, que propõe mudar o mundo e não mais interpretá-lo, Gramsci escreve nos Cadernos que essa tese “não pode ser interpretada como um gesto de repúdio a qualquer espécie de filosofia”, mas como “enérgica afirmação de uma unidade entre teoria e prática. [...] Deduz-se daí, também, que o caráter da filosofia da práxis é sobretudo o de ser uma concepção de massa”.
E, em outro local, repete: “Para a filosofia da práxis, o ser não pode ser separado do pensamento, o homem da natureza, a atividade da matéria, o sujeito do objeto; se essa separação for feita, cai-se numa das muitas formas de religião ou na abstração sem sentido”.
A unidade de teoria e de prática serve a Gramsci para delinear uma série de conceitos científicos capazes de interpretar o mundo que lhe era contemporâneo (hegemonia, bloco histórico, novo senso comum, conformismo de massa em sua ligação com novas formas de liberdade individuais e coletivas, revolução passiva, etc.).
Aqui, numa formulação geral, iremos nos limitar às seguintes considerações sobre a filosofia da práxis:
1) Nem a filosofia da práxis nem nenhuma ciência a ela ligada nos permitem fazer previsões que tenham caráter determinista. Há um único modo possível de prever: aquele que vê a previsão como um ato prático que implica a formação e a organização de uma vontade coletiva. Desta tese, Gramsci deduz sua crítica a Croce, na medida em que a religião crociana da liberdade não contribui para a criação de resultados previsíveis, já que evita formular um projeto de transformação e uma vontade política correspondente a tal projeto. Essa mesma teoria da “previsão” põe em crise as concepções deterministas típicas do cientificismo da Segunda Internacional, que são também fonte de passividade.
2) A vontade de que fala Gramsci (e, portanto, a práxis) não é algo em estado puro, mas contém os elementos materiais que o próprio homem objetivou. Isso significa, em primeiro lugar, que a filosofia da práxis é, para Gramsci, a consciência plena das contradições da sociedade que lhe era contemporânea, de modo que — como ele diz nos Cadernos — “o próprio filósofo, entendido individualmente ou como todo um grupo social, não só compreende as contradições, mas põe a si mesmo como elemento da contradição, eleva este elemento a princípio de conhecimento e, portanto, de ação”.
Ciências do homem (distintas entre si) e também ciências da natureza, para além da sua independência recíproca, encontram um momento de unidade, ao se tornarem política. Gramsci sintetiza isso nos seguintes termos: “A filosofia da práxis é o ´historicismo absoluto`, a mundanização e terrenalidade absoluta do pensamento, um humanismo absoluto da história”. Para entender esta última afirmação, o leitor deverá recordar a tese acima mencionada sobre a verdade como correspondência a uma realidade objetivada pelo próprio homem.
3) Gramsci define “o homem como uma série de relações ativas (um processo)”, de modo que ele “não entra em relação com a natureza simplesmente pelo fato de ser ele mesmo natureza, mas ativamente, por meio do trabalho e da técnica”. Em outras palavras, todo indivíduo “não só é a síntese das relações existentes, mas também da história dessas relações, ou seja, é o resumo de todo o passado”. Como é possível mudar o mundo se o indivíduo depende de tal modo do seu passado? A resposta de Gramsci é que “o indivíduo pode se associar com todos os que querem a mesma mudança; e, se essa mudança for racional, o indivíduo [...] pode obter uma mudança bem mais radical do que aquela que, à primeira vista, pode parecer possível”.
Concluindo, a filosofia da práxis é, para Gramsci, construção de vontades coletivas correspondentes às necessidades que emergem das forças produtivas objetivadas ou em processo de objetivação, bem como da contradição entre estas forças e o grau de cultura e de civilização expresso pelas relações sociais. Está implícita nela, que aparece como uma concepção filosófica, uma série de ciências da natureza e do homem. Tomadas isoladamente, tais ciências podem ser consideradas como independentes; consideradas como expressão da possível contradição entre atividades criativas e relações comunicativas de tipo social, passam a fazer parte da filosofia da práxis e, desse modo, podem influir sobre a política, isto é, sobre aquelas mudanças que nos fazem entrever um novo modo de viver e níveis superiores de civilização."

18 Junho, 2008

Série discursos: Kalinin.



Mikhail Ivanovich Kalinin (1875-1946) - Sapateiro profissional, redator do Rabochaya Mysl.

Em 1905 ingressou no grupo bolchevique, ajudou a criar a Central Sindical dos Trabalhores Metalúrgicos.

Por sua posição crítica em relação à Primeira Guerra Mundial foi preso e exilado na Sibéria em novembro de 1916 sendo posteriormente libertado pelo Governo Provisório, retornou à Petrogrado e participou da Revolução de Outubro.
Em 1919 passou a integrar o Comitê Central do Partido Comunista até 1938, e de 1938 a 1946 integrou o
Presidium do Soviet Supremo da URSS.

(FONTE: Marxists Internet Archive)

"Camaradas:

Há 20 anos, precisamente a 2 de outubro de 1920, Lênin pronunciou um discurso sobre a educação comunista do III Congresso da União das Juventudes Comunistas da Rússia. Dirigindo-se ao Komsomol, Lênin disse que era pouco provável que nossa geração, educada na sociedade capitalista, pudesse levar a cabo a edificação da sociedade comunista. Essa tarefa deveria tocar à juventude.

Pois bem: hoje, quando aplaudiam, recordei involuntariamente essas palavras e me ocorreu pensar que diante de mim encontram-se antigos jovens do Komsomol, essa geração a que se dirigia Lênin.



E que esses jovens, já convertidos em adultos e com uma experiência da vida, participam ativamente da edificação socialista. E uno meus aplausos aos vossos para louvar especificamente a vós, os edificadores do socialismo.
Em nosso país se presta muita atenção à educação comunista. Não é em vão que a palavra “educação” se destaca nas colunas de nossa imprensa.
Não obstante, e pretendemos dar uma definição relativamente clara e concisa do que é em geral a educação, tropeçamos com dificuldades consideráveis. Não poucas vezes confunde-se a educação com o ensino. É claro que a educação tem muita semelhança com o ensino, mas de modo nenhum são sinônimos.


Certos pedagogos autorizados consideram que a educação é um conceito muitos mais amplo que a instrução. A educação tem suas particularidades.
Em meu entender, a educação consiste em exercer uma ação determinada, sistemática e com um objetivo definido sobre a psicologia do educando, com o fim de inculcar-lhe as qualidades desejadas pelo educador.


Parece-me que esta definição (que naturalmente não é obrigatória para ninguém) abarca em termos gerais tudo o que entendemos por educação, a saber: difundir uma determinada concepção do mundo, uma determinada moral e certas normas de convivência humana, forjar determinados traços do caráter e da vontade, criar certos hábitos e certos gostos, desenvolver determinadas qualidades físicas, etc.


A educação constitui umas das tarefas mais difíceis. Os melhores pedagogos a consideram tanto uma ciência como uma arte. Referem-se à educação escolar, que, está claro, é relativamente limitada. Mas além desta existe a escola da vida, na qual se verifica um processo ininterrupto de educação das massas, onde o educador é a própria vida, o Estado e o Partido, e o educando, milhões de pessoas adultas, diferentes umas das outras por sua experiência política. Essa educação é muito mais complicada.
Vou falar hoje precisamente dessa educação, da educação das massas.

Em seu livro Anti-Dühring Engels diz:
“... os homens, seja consciente ou inconscientemente, tiram suas idéias morais, em última instância, das condições práticas em que se baseia sua situação de classe: das relações econômicas em que produzem e trocam seus produtos... A moral tem sido sempre uma moral de classe; ou justificava a dominação e os interesses da classe dominante, ou representava, quando a classe oprimida se tornava bastante poderosa, a rebelião contra essa dominação e defendia os interesse do futuro dos oprimidos”.


Assim pois, na sociedade de classes nunca existiu nem pode existir uma educação que esteja à margem ou por cima das classes.
Na sociedade burguesa, está impregnada até a medula da hipocrisia e dos interesses egoístas das classes dominantes e tem um caráter profundamente contraditório, que reflete os antagonismos da sociedade capitalista.


O ideal dos capitalistas é que os operários e os camponeses sejam uns servos submissos que suportem sem protestar o jugo da exploração. Partindo dessas considerações, os capitalistas não quiseram desenvolver nos operários e camponeses o valor e a intrepidez, não quiseram dar-lhes a menor instrução, pois é mais fácil dominar gente atrasada e embrutecida. Mas com essa gente não se pode alcançar a vitória nas guerras de conquistas, e esse mesmo povo, sem conhecimentos elementares, não pode trabalhar máquinas. A concorrência entre os capitalistas, as condições de progresso técnico, a corrida armamentista, etc., por um lado, e por outro a luta dos operários e camponeses por sua instrução, obrigam a burguesia a proporcionar aos trabalhadores pelo menos algumas migalhas de conhecimentos; e as guerras de rapina a obrigam a inculcar-lhes valor, firmeza e outras qualidades perigosas para a burguesia.


Pois bem; apesar dessas contradições que, como já disse, residem na própria natureza da sociedade burguesa, as classes dominantes levam a cabo uma luta desesperada para subjugar as massas populares, utilizando para isso todos os meios, desde a repressão aberta até ao engano sutil.



Na sociedade burguesa, o trabalhador encontra-se, desde o berço até a sepultura, submetido à influência constante das idéias, sentimentos e hábitos que convêm à classe dominante. Essa influência se exerce por inúmeros canais e adquire às vezes formas mal perceptíveis. A Igreja, a escola, a arte, a imprensa, o cinema, o teatro e diversas organizações, tudo isso serve de instrumento para levar à consciência das massas a ideologia burguesa, sua moral, seus hábitos.


Tomemos, por exemplo, o cinema. Referindo-se às películas norte-americanas, um diretor cinematográfico burguês escreve:
“Muitas das películas modernas constituem uma espécie de narcótico destinado a pessoas que se acham tão fatigadas que só desejam sentar-se numa fofa poltrona e serem alimentadas a colheradinhas”.

Tal é a essência da educação burguesa.



A essa educação, elaborada durante séculos e destinada a fortalecer a posição da classe capitalista dominante e a conseguir que os oprimidos se resignem à sua situação, o Partido Comunista – o destacamento de vanguarda do proletariado – opõe seus princípios educativos dirigidos em primeiro lugar contra o domínio da burguesia e a favor da ditadura do proletariado.

A educação comunista difere radicalmente da educação burguesa não só no que diz respeito a seus objetivos, o que se compreende sem necessidade de demonstração, mas também por seus métodos. A educação comunista está indissoluvelmente ligada ao desenvolvimento da consciência política e da cultura geral e à elevação do nível intelectual das massas. Este é o objetivo visado por um Partido Comunista. "

17 Junho, 2008

Falece Violeta Arraes

Faleceu hoje, Violeta Arraes, ex-Reitora da URCA. Deixo aqui meus pêsames pela perda dessa grande mulher.

Leia a Nota Oficial da Universidade:

"NOTA OFICIAL



A Universidade Regional do Cariri - URCA cumpre o sagrado dever de comunicar a toda a comunidade acadêmica e regional, o falecimento da Dra. MARIA VIOLETA ARRAES DE ALENCAR GERVAISEAU, Ex-Reitora desta Universidade. O acontecimento ocorreu às sete horas e cinqüenta e cinco minutos do dia dezessete deste mês de junho, na cidade do Rio de Janeiro. Comunica também que o sepultamento será nesta cidade do Crato, precedido pelo velório e Missa de réquiem, a se realizarem no salão nobre desta Universidade, conforme programa a ser divulgado.


Crato, 17 de junho de 2008.



Plácido Cidade Nuvens
Reitor"

Só pra lembrar... Charge de Angeli


Arrogância da elite branca

Deu no site do Azenha. Mais uma vez, sou obrigado a reproduzir. Trata-se de análise sobre a ação dos "especialistas", no caso, uma "especialista" sobre política e ética, da Rádio CBN, da Rede Globo, forte membro do PIG - Partido da Imprensa Golpista.


"A AUDIÊNCIA CAI DEVIDO A PESSOAS PRECONCEITUOSAS"

Atualizado em 16 de junho de 2008 às 21:35 Publicado em 16 de junho de 2008 às 21:16
por Emerson Luis, no
Nas Retinas, em 16 de junho de 2008



Vejam, ou melhor ouçam, a classe da colunista (?) Lucia Hippolito na CBN. Quem merece acordar pela manhã, ligar o rádio, e ouvir coisas tão absurdas nas análises desta “especialista”?
Os proprietários dos veículos conservadores não entendem porque a cada dia perdem audiência para a Internet e outros veículos alternativos. Eu explico: a audiência cai devido a pessoas preconceituosas como Lucia Hippolito.
Em seu comentário pela manhã na CBN ela simplesmente conseguiu aliar a derrota da seleção brasileira ao presidente Lula, desqualificando-o para exercer o cargo de presidente da república. Ou seja, se a seleção perdeu, a culpa é do despreparado do Lula.
É a fina flor do jornalismo de caserna. Ao acordar de mau humor numa segunda-feira, Lucia usa o microfone para exercer o preconceito de classe, como pessoa culta e preparada que é. Obviamente, não admite que um cidadão com histórico político ganhe as eleições e assuma o cargo de chefe máximo da nação.
Lucia, uma dica: 2010 está ai. Pq vc, que é uma pessoa preparada, equilibrada, culta, que tem faculdade, doutorado e mestrado não se candidata para o cargo?
Indo mais além na sua forma sabotadora de comunicação, aliada a apatia de uma das rádios mais sem criatividade que já surgiram no Brasil, Lucia ainda chama a ministra Dilma, que nem é candidata a nada, de despreparada, a roldão do presidente Lula.
Leiam o trecho citado, literalmente: “Uma das coisas que talvez o presidente Lula tenha feito mal para o país, porque as pessoas acham que podem, de repente, se candidatar presidência da República sem nunca ter feito nada. Olhe o Dunga, nunca foi técnico nem do time da esquina da rua dele. Agora já virou técnico da seleção brasileira e acha que sabe tudo. Olhe a ministra Dilma [Roussef], nunca administrou nada a não ser a Casa Civil, com esses problemas todos que ela está tendo, já acha que pode ser presidente da República. Dureza, hein?”
Literalmente foi isso que se ouviu hoje pela manhã em uma das principais redes de rádio do país, que administra uma concessão pública de radiodifusão, ou seja, do Estado. Fiquei pensando no trecho “nunca ter feito nada”, que ela usou para se referir as atividades do presidente.
Se Lucia fosse algo mais ou menos parecido com um jornalista, ela definiria exatamente o que quis dizer nestas entrelinhas. Defender direitos trabalhistas durante uma ditadura é fazer nada? Ser preso pela ditadura é fazer nada? Percorrer o país em caravana para ter base sólida e conhecimento do país é nada? Ter sido deputado constituinte é nada? Ter disputado cinco eleições com sabotagem da imprensa é nada? Ter colaborado pela redemocratização do país é nada?
Lucia, com todo o respeito que uma dama merece, quem precisa fazer alguma coisa é você, talvez um curso de cidadania em programas públicos, visitas em assentamentos de terra, a projetos de inclusão digital, aos albergues, programas de alfabetização, enfim, uma visitinha a qualquer periferia que está ai bem perto de você, para aprender que propagar preconceito de classe usando os meios de comunicação é péssimo para o país."

16 Junho, 2008

Editorial do Portal Vermelho

"14 DE JUNHO DE 2008 - 13h57
A CSS e a hipocrisia dos mais ricos
A aprovação da CSS (Contribuição Social para a Saúde) pela Câmara dos Deputados, dia 11, recoloca em pauta o mesmo debate que, no final de 2007, expôs a hipocrisia da elite brasileira, dos partidos da direita e seus porta-vozes nos grandes jornalões e canais de televisão. O projeto agora vai ao Senado, onde a batalha por sua aprovação promete ser intensa; se aprovado, entrará em vigor em janeiro de 2009.
Em todas os lugares e todos os tempos, os ricos sempre foram contra impostos e contribuições sociais. Não há novidade na gritaria, portanto. Os ricos tem uma concepção privatista da riqueza, não aceitam considerá-la como resultado da produção social, nem que a distribuição dos seus resultados - via remuneração do trabalho, gastos sociais dos governos e impostos para financiá-los - corresponda à correlação de forças entre as classes sociais.
Este é o pano de fundo ideológico da gritaria. Mas não é só por isso que ela se repete. Há outros aspectos envolvidos, reveladores da manipulação de dados e informações para que a defesa dos interesses particularistas dos mais ricos possa ser apresentada como a defesa dos interesses gerais, de todos.
Em primeiro lugar, a gritaria é desproporcional ao tamanho da nova contribuição: sua aliquota é de 0,1%, o que representa apenas 10 centavos em cada 100 reais de movimentação financeira.
Mesmo assim, a direita argumenta que a CSS vai corroer a renda dos trabalhadores e as finanças das empresas; que a Saúde não precisa de mais verbas pois o governo arrecadaria recursos suficientes; diz também que a nova contribuição só poderia ser criada por emenda constitucional, e não por lei complementar, como ocorreu na Câmara.
Esta argumentação é um frágil biombo para ocultar as verdadeiras razões da direita. Uma delas é de natureza política. Os partidos que representam os mais ricos, e seus representantes na imprensa, querem dificultar a garantia de mais verbas para serviços públicos essenciais, como a Saúde, e assim criar obstáculos para a manutenção dos altos índices de aprovação popular ao governo.
Outra, mais sólida para explicar a aversão da direita à CSS - semelhante à oposição, no passado, contra a CPMF - foi lembrada pelo deputado Flávio Dino (PCdoB/MA). “A CSS é um poderoso instrumento de combate à sonegação na medida que identifica o trânsito do dinheiro por dentro do sistema bancário”, disse. E este é o fantasma mais assustador para os sonegadores e para as ''lavanderias'' de dinheiro ilegal, adquirido ilicitamente. É essa possibilidade de monitoramento do sistema financeiro que assusta a burguesia. Os argumentos ''tributaristas'' e ''antiinflacionários'' não passam, assim, de jogo de cena."

PCdoB indica apoio ao pré-candidato do PSB em Crato

Camaradas, companheiros(as) e colegas,


O Partido Comunista do Brasil em reunião de seu Comitê Municipal na cidade do Crato, decidiu por indicar à Convenção Municipal, o apoio ao PSB e seu pré-candidato a prefeito, Dep. Sineval Roque.

Conclamando pela unidade dos partidos que fazem parte da base aliada no Governo Federal e Estadual, o PCdoB acredita numa frente para disputar o pleito municipal.

Ainda é tempo da unidade entre os partidos da base aliada, e o PCdoB defende que o nome mais indicado para a construção de um projeto viável é a partir da candidatura do Partido Socialista Brasileiro.

Não descarta a aliança com os demais partidos que no momento ainda defendem outras candidaturas, mas que historicamente sempre marcharam juntos na defesa de uma sociedade mais justa e fraterna, na defesa dos trabalhadores e demais setores populares.

O PCdoB defende um projeto que permita o desenvolvimento social na cidade do Crato, combinado com crescimento econômico e diminuição da desigualdade social. Isso passa pela organização da sociedade em suas entidades comunitárias, sindicais e partidárias. E passa pela construção de um projeto político que permita que os setores comprometidos com esses compromissos, efetivamente chegue ao poder municipal, através do processo eleitoral, no enfrentamento com os setores mais conservadores e comprometidos com a manutenção do status quo.

No campo da disputa para vereadores, será indicado o nome do camarada Douglas Félix como pré-candidato a vereador do Partido, que sairá unificado em torno do mesmo para a disputa proporcional. Todos os comunistas participarão ativamente para a eleição de um vereador comunista na Cidade do Crato, o que sem dúvida, contribuirá na luta em defesa dos interesses dos setores populares em nossa cidade.

Atenciosamente,

Darlan Reis
Secretário Político do C.M.

Uma verdade que incomoda.

Luiz Carlos Azenha publicou em seu site (www.viomundo.com.br), uma reflexão sobre a ação da mídia na construção do imaginário brasileiro. E foi específico ao tratar de um tema importante: o do racismo brasileiro e a maneira que uma emissora trata a questão: politicamente conservadora, mas sob o manto da "liberdade de expressão" e da "imparcialidade", mitos do direito burguês e do pensamento liberal.

Vale a pena ler:

"EM BOA VISTA, ATO CIVILIZATÓRIO É COMER NA PRAÇA VENDO TV
Atualizado em 14 de junho de 2008 às 20:05 Publicado em 14 de junho de 2008 às 19:35

Boa Vista, Roraima, é candidata a ser a Twin Peaks brasileira.
Twin Peaks é a cidade inventada pelo diretor David Lynch para um seriado de televisão que foi muito popular nos Estados Unidos.
A cidade em que nada é o que parece.

Foi uma alegoria que Lynch usou para falar da vida no interior dos Estados Unidos, em que sob a aparente placidez social existe um submundo sórdido.
O subúrbio americano, seja das grandes ou pequenas cidades, é o retrato do conformismo social.
O conformismo arquitetônico é literal: os prédios do McDonald's, do Bob's, do White Castle, do Wal Mart, do K Mart e de toda a parafernália consumista obedecem a um mesmo padrão.
É por isso que se diz que, tirando Nova York, São Francisco e Chicago, todas as cidades americanas são iguais.


Elas são organizadas para ser iguais pelo simples motivo de que servem para um único objetivo: o consumo.
Pais consumidores, filhos consumidores, cães consumidores.
São cidades de consumidores, não de cidadãos.
Os direitos dos consumidores estão acima dos direitos dos cidadãos.
Você pode trocar o eletrodoméstico que acaba de comprar pelo simples fato de que desgostou dele - mas não pode trocar o presidente que fez em seu nome uma guerra com a qual você não concorda, ainda que o eletrodoméstico não tenha matado ninguém e o presidente tenha matado o seu filho.


Em Boa Vista, Roraima, fui à praça central à noite.
No centro da praça central há uma praça de alimentação.
A praça de alimentação é coberta.
Em torno da praça de alimentação há oito aparelhos de televisão ligados na Globo.
As famílias saem de casa para passear, sentam-se na praça de alimentação e comem assistindo à novela.
O som dos aparelhos de TV se sobrepõe ao dos humanos.
A praça, a TV, o asfalto, os carros novos, as roupas de marca, o Bob's - Boa Vista é vitrine da civilização num canto da Amazônia.
No imaginário de Roraima, ela é o moderno.
Tudo o que a nega é o primitivo - os indígenas, por exemplo, que insistem em disputar a terra, em atrasar o estado, em não concordar com nossa idéia de país.
A barbárie travestida de ato civilizatório é o que liga nossa Boa Vista à Twin Peaks dos gringos. É roubar a terra do índio ou matá-lo em nome da modernidade.
Eu estava na praça de Boa Vista quando um personagem da novela Duas Caras, negro, se rendeu à superioridade branca gritando vivas à dona Branca e admitindo que "radicalismo não leva a nada".
Dona Branca era, para quem não viu, branca.
Nas palavras do autor da novela, Aguinaldo Silva, reproduzidas pelo jornal Extra: "Ele (o militante estudantil negro) vai se apaixonar pela burguesinha. E ela vai ensinar que o marxismo é mais embaixo".
No Brasil do Aguinaldo o útero branco livra o pênis preto da infecção marxista.
Ou quem é do contra é mal comido.
A redenção para os negros é o sexo com os brancos.
Cidadania=gozo."

13 Junho, 2008

Tem gente contra o combate aos sonegadores.

A classe dominante brasileira é assim. Não aceita a CSS. Não aceita porque não quer o combate à sonegação fiscal e não aceita mais recursos para a saúde.
E o PIG - Partido da Imprensa Golpista, escancarou de vez e se aliou ao PSDB e DEM na cruzada em favor do mercado...

12 Junho, 2008

Paulo Henrique bota o dedo na ferida.

Paulo Henrique Amorim critica a "indignação" tucana no caso Varig-Log. E critica o senador Tasso Jereissati, do PSDB - CE.

Leia:

"11/06/2008 19:13
QUE VERGONHA ESSE NEGÓCIO, SENADOR JEREISSATI !
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1176





. A Varig-Log fez um grande negócio.
. E todos os amigos do Presidente se saíram bem.
. É falta de ética um advogado trabalhar para os dois lados ao mesmo tempo ?
. Essas perguntas do senador Tasso Jereissati à Dra. Denise Abreu são formidáveis.
. Revelam uma indignação invejável.
. Trata-se de um homem público exemplar, enojado com a promiscuidade do negócio público e com o privado.
. Essa pouca vergonha que é uns poucos – amigos do Poder – fazerem negócios da China !
. O senador Jereissati merece a nossa ilimitada admiração.
. Agora, vamos supor que a indignação do nobre senador se manifestasse de forma igualmente exaltada, mas levemente alterada.
. A Telemar/Oi fez um excelente negócio, diria o senador.
. Meu irmão, Carlos Jereissati, não botou um tusta e vai ficar com 70% do mercado nacional de telefonia fixa.
. Que negócio, hein, senador ?
. Muito melhor do que o da Varig-Log.
. E todos os amigos do Presidente, como o meu irmão Carlos, se saem muitíssimo bem.
. Até porque, na Telemar/Oi, fizeram um negocinho interessante com o filho do Presidente, a Gamecorp.
. E como pode, num mesmo negócio, um advogado servir aos dois lados, não é isso, senador Jereissati ?
. E num mesmo negócio, o que o senhor acha de um fundo de investimentos, o Angra, de um Sr. K – a letra aponta para direções divergentes – servir a três senhores: à Brasil Telecom, à Telemar/Oi, do seu irmão Carlos, e ao AG Angra, do sócio do seu irmão Carlos, o Sr. Sérgio Andrade ?
. Que coisa esquisita, hein, nobre senador ?
. E se nessa salada toda estiverem os fundos de pensão dos trabalhadores da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica ?
. E, aí, hein, senador, como ficaria a sua indignação ?
. Quer dizer que o chinês da Varig-Log não pode fazer um “bom negócio”, mas, o seu irmão, Carlos, pode ?
. Seus admiradores aguardam sua próxima manifestação indignada."

11 Junho, 2008

Definições no Domingo.

No próximo domingo, o Comitê Municipal do PCdoB em Crato, irá tirar um posicionamento sobre as eleições 2008 e definir o apoio a um dos pré-candidatos a prefeito da cidade.
Além disso, discutirá a tática eleitoral para a candidatura proporcional.

10 Junho, 2008

A luta de classes não acabou.



O MST relata as agressões. A luta de classes no campo e nas cidades brasileiras continua.

Dizem que Karl Marx sempre esteve equivocado. Que isso não existe, são só elocubrações perversas...

Mas a luta acontece. Diariamente.

E o PIG - Partido da Imprensa Golpista, omite. Como sempre faz, quando o assunto é a luta dos trabalhadores contra o Capital. Cumpre na verdade, seu papel histórico de defender o Capital.

Confira no site do MST a matéria:


http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5438



Leia a cabeça da manchete:



"Vídeo retrata repressão a trabalhadoras que protestavam contra transnacional
05/06/2008

Assista ao vídeo que retrata a repressão policial contra 900 mulheres da Via Campesina quando, em 4 de março deste ano, ocuparam uma fazenda ilegal da empresa Stora Enso, no Rio Grande do Sul. As trabalhadoras protestavam contra o monocultivo de eucalipto praticado nas instalações da transnacional, localizadas em zona de fronteira. Durante a ação, as mulheres plantaram árvores nativas no lugar dos eucaliptos.

A ação fez parte da Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, 60 camponesas tiveram seus corpos marcados por ferimentos causados pelas tropas da Brigada Militar e duas foram presas. "

09 Junho, 2008

Stédile: ''A mídia é arma poderosa na mão do capital''

Entrevista de Stédile.



por Raquel Junia e Arthur William, do Núcleo Piratininga de Comunicação

Leia a íntegra da entrevista:

O Senhor comentou sobre essa questão da mídia assumir hoje o papel de disseminar a ideologia da classe dominante. A solução a esse contexto seria a criação de uma mídia da classe trabalhadora?
Quando a sociedade brasileira, estava ainda sob a égide do capital industrial, os trabalhadores tinham diversas formas de organização social, tinham o sindicato, a associação de bairro, o partido e a escola. O capital industrial reproduzia a sua ideologia, a sua hegemonia, a sua forma de ver o mundo nesses espaços onde a classe trabalhadora estava organizada. O capital dirigia a escola, dirigia o sindicato e influenciava por aí o partido porque os partidos nasceram na República não só para eleger pessoas, mas para reproduzir o projeto da burguesia. Agora nós estamos em uma outra etapa do capital, em que ele usa outras formas de dominação. Basicamente é o capital financeiro, são as empresas internacionalizadas, e para esse capital financeiro e para as empresas internacionais é muito difícil dirigir ideologicamente os trabalhadores porque, inclusive, eles não estão mais organizados como antes.
Aqui mesmo, no Brasil, só 51% da população economicamente ativa tem carteira assinada, isso significa que a metade dos trabalhadores está dispersa no trabalho informal, sem nenhuma forma de organização.
Nessa etapa que ficou mais conhecida como neoliberalismo, como o capital reproduz a sua forma de ver o mundo? Através da televisão, dos grandes meios de comunicação, jornal e revista mais para a classe média, pequena burguesia, setores intelectualizados, das universidades, e a televisão e o rádio para a grande massa, que agora está dispersa.
Então, o balanço crítico que nós fizemos, as reflexões que temos com esses setores que acompanham mais a imprensa, é que a grande imprensa se transformou em uma arma poderosa na mão do capital. Primeiro porque ela não se preocupa com a neutralidade da informação, ela usa a informação como uma mercadoria, então, ela tem que ganhar dinheiro vendendo uma idéia.
O segundo problema é que a imprensa virou um monopólio, sete ou oito grupos no Brasil, nos Estados Unidos, no Japão, na Europa. Esse monopólio é importante para a classe dominante porque é a maneira deles controlarem; por isso é que no Brasil, quando algum jornal resolve nos atacar, todos atacam porque é um monopólio.
O terceiro fato é que a imprensa está misturada com grandes grupos econômicos, não são mais aquelas famílias, aqueles jornalistas históricos, nem sequer são os Marinho, os Marinho são frutos do período anterior. Agora a grande imprensa se mistura como grupo econômico, em todos os grupos econômicos do capital financeiro e internacional.
Não é por nada que a Abril foi vendida para um banco da África do Sul, não é por nada que a Telefônica tem ações na Folha, e assim sucessivamente, ou seja, o grande capital controla por meio de acumulação.
Bem, para fazer frente a isso, é preciso primeiro que a classe trabalhadora se conscientize, saia daquela visão, daquela ilusão de que a imprensa é democrática, republicana, ouve os dois lados e é neutra e ao mesmo tempo construa novos meios de comunicação. Esses novos meios têm que representar em primeiro lugar um avanço em termos democráticos, ou seja, eles têm que levar a informação mais ampla possível para as massas. Segundo, tem um componente ideológico que é explicar o mundo e os fatos pelo olhar dos trabalhadores.

Então não seria uma imprensa neutra?
Tampouco é uma imprensa neutra. Isso no ideológico, mas ela tem que ser democrática no sentido de apresentar as várias formas que a classe trabalhadora tem de interpretar o mundo, também não há uma só visão da classe trabalhadora de ver o mundo. Há várias visões, então nisso ela tem que ser plural, não pode ser única, mas ela tem que ser um olhar das maiorias da classe trabalhadora.
E combater o uso da imprensa como mercadoria, como forma de ganhar dinheiro, de explorar, que é isso que está, inclusive, na base das distorções dos próprios profissionais de imprensa, que reproduziu a mesma desigualdade social nos meios de comunicação. Os editores que são os zeladores da linha editorial ganham fortunas. Uma editora aqui no Brasil ganha mais do que nos Estados Unidos e na Europa. E por outro lado, como vocês dizem, os foquinhas, os repórteres recém formados, ganham salários abaixo do que a classe trabalhadora humilde ganha – mil e duzentos reais, três salários mínimos – isso não é nada.

O senhor mencionou a televisão, mas talvez esse meio, juntamente com o rádio, apresente dificuldades maiores para que seja de fato da classe trabalhadora, por causa da legislação restritiva e outros fatores. Quais seriam os caminhos, então, para construirmos efetivamente essa mídia da classe trabalhadora?
Eu acho que a maior restrição da televisão é o poder econômico mesmo, porque no caso brasileiro, inclusive o território é grande, para você chegar a amplas massas tem que ter canais de difusão potentíssimos, que custam milhões de dólares, e isso a classe trabalhadora não tem. Mas para a nossa sorte aquela forma da classe dominante de usar os meios de comunicação tem contradições também, não é assim, passe de mágica.
Tudo no mundo tem contradições e uma das contradições da televisão é que ela é efêmera, ela te dá uma informação e tu esqueces porque tu viras um espectador. A segunda contradição é que a juventude já cansou, a juventude sempre quer mudar, então entre quatorze e vinte e oito anos os índices da audiência são baixíssimos, são ridículos; a televisão hoje consegue influenciar ideologicamente as camadas de maioridade, acima de 50 anos, e abaixo de dez anos. Então, a juventude procura outras alternativas, e isso é positivo para nós.
Agora, a segunda parte da sua pergunta, essas mudanças em construir outros e novos tipos de comunicação, essas mudanças para deixar a nossa sociedade mais democrática, não aconteceram separadas das mudanças gerais da sociedade. Só vão acontecer quando o Brasil fizer um grande movimento de massas que derrote o neoliberalismo, derrote o capital financeiro e o capital internacional, ou seja, derrote essa forma de dominação do capital. Com isso então abrirá espaços para mudanças estruturais na sociedade brasileira nos vários campos, abrirá espaços para termos uma educação universalizada para todo o jovem entrar na universidade, abrirá espaço para todo mundo ter direito à sua casa, uma moradia digna, abrirá espaço para a reforma agrária e abrirá espaço, então, para que a sociedade organize de uma maneira diferente a forma de se comunicar.

A TV Brasil, chamada de TV Pública, atende essa demanda dos movimentos sociais ou está aquém disso?
A TV pública é uma boa iniciativa no sentido do Estado chamar para si, sem ser governamental. Mas se o Estado, o público no Brasil, ainda é dominado pelo capital financeiro e internacional, o espaço de manobra da TV Pública, embora na sua origem a idéia é boa, vai ser limitadíssimo. Porque o Estado é que vai controlá-la, não são os movimentos sociais, e o Estado está sob a hegemonia ideológica e do poder econômico do capital financeiro e internacional. Então eu acho que é uma idéia que só vai alcançar plenitude quando houver essas outras mudanças que eu falei, quando houver mudanças do modelo econômico do Brasil. Paralelamente eu poderia comparar com a Petrobrás. A Petrobrás é uma empresa estatal, embora já metade do seu capital seja estrangeiro; na idéia é importante, o petróleo que é uma energia importante tem que estar sob o controle do estado para beneficiar a todos, mas o jeito que o capital financeiro fez, manteve 51% da administração do Estado e se apropriou das ações para ter o lucro da Petrobrás. Então a Petrobrás do jeito que está hoje apenas reproduziu o modelo do capital financeiro, ela não serve. Ah, então você é contra a Petrobrás? Não, mas eu acho que a idéia boa da Petrobrás só vai se realizar em plenitude quando tivermos um outro modelo econômico, que reorganize a economia para atender as necessidades da população, aí sim vai ser fundamental termos uma empresa pública como a Petrobrás a serviço do povo.

Qual deve ser o papel dos comunicadores com vistas a esse novo modelo? Só para complementar a pergunta, o senhor é a favor da obrigatoriedade do diploma para jornalista?
Não faz sentido, todo o povo se comunica. É claro que existem técnicas de você fazer o melhor, mas as pessoas não necessariamente podem dominar essas técnicas em um banco escolar. Eu acho que nós devemos estimular que todos os militantes sociais sejam comunicadores, que eles escrevam notícias, que eles falem, que eles saibam editar um programa de rádio. Sem desmerecer o papel que a universidade como um centro acadêmico tem de aprimorar as técnicas, de preparar profissionais mais capacitados, mas esse papel não pode ser exclusivo, sobretudo porque a comunicação é, acima de tudo, um direito, uma forma de expressão cultural do povo, então não pode ser restrita a alguns profissionais só porque tem o diploma.

Mas então qual seria o diferencial dessa pessoa que tem um diploma, uma formação acadêmica, dos demais comunicadores populares, diríamos?
Eu acho que ele tem muitas funções em um outro modelo, ele pode ajudar a formar melhor os comunicadores populares que não têm formação acadêmica, ele pode aprimorar a técnica nas redações, nas rádios, ele pode contribuir para que as coisas sejam feitas de uma maneira mais profissional, mas não pode ser exclusiva dele essa missão. Vou comparar com outro exemplo, para você pregar uma doutrina religiosa não precisa ser padre, não precisa ter o título de teólogo, qualquer pessoa se estudar um pouco, ler, pode ser um pregador de uma idéia religiosa, e para isso não precisa ser teólogo. E às vezes os melhores pregadores são os pregadores populares que dominam a cultura. Isso não quer dizer que não é necessário teólogos, eles vão se aprimorar, vão fazer a exegese, no caso de vocês, como profissionais da comunicação, vão fazer a exegese da luta de classe, vão interpretar melhor, mas não pode ser exclusivo de quem passa na universidade.

Essa seria, então, nossa função? Se o senhor estivesse em nossas universidades o que o senhor falaria para os estudantes de comunicação sobre a forma pela qual eles podem contribuir, por exemplo, para a luta do MST?
Não pretendo ser pedante, nem existe manual com regra, faça isso, faça aquilo. Mas eu acho que os estudantes de comunicação, assim como qualquer outro estudante universitário de outras carreiras, a sua missão principal na conjuntura atual, e é disso que nós estamos falando, é serem pessoas conscientes, terem conhecimento da realidade em que vivem.
Esse é o primeiro passo, deixar de ser alienado, de ser manipulado por outros, e isso as pessoas só adquirem com estudo, participando da luta social, vivenciando os problemas da nossa sociedade. É assim que as pessoas viram conscientes, ou seja, como vem do latim, conhecer a realidade, isso é que é ser consciente. Então esse é o primeiro passo, até porque os estudantes universitários são privilegiados na sociedade atual, só oito, dez por cento de jovens chegam às universidades, então, os que chegam deveriam ter a consciência de conhecer melhor a realidade e ajudar a organizar para que outras pessoas também se conscientizem para mudá-la.
Evidentemente que eu não estou colocando a responsabilidade de achar que os estudantes universitários vão mudar a realidade brasileira, isso é uma tarefa de milhões e do povo, mas os estudantes universitários, por serem um setor social privilegiado que tem acesso ao conhecimento, podem colocar os seus conhecimentos para ajudar a conscientizar outras pessoas e organizá-las. Isso seria então a segunda missão histórica, embora nessa conjuntura, ajudar a conscientizar outras pessoas. E você ajuda de muitas formas, fazendo um boletim, fazendo um programa de rádio, fazendo uma reunião no centro acadêmico, fazendo uma reunião onde tu mora; as formas dependem do meio onde tu vive, e são infinitas, não há regras e nem grau de prioridade. Terceiro, como missão, eu acho que os estudantes de comunicação deveriam então contribuir também para levar essa leitura de que todos os movimentos e setores da classe precisam se comunicar, terem seus meios de comunicação. E assim, com a sua profissão e a sua consciência, ajudar que a classe organize esses meios de comunicação para que ela se comunique com a base, com seus vizinhos e com a sociedade em geral. Tudo isso só tem um sentido se as pessoas obviamente se colocarem também, como missão histórica, de que querem lutar contra as injustiças e mudar a sociedade. Se você está satisfeito com a sociedade brasileira, com o jeito que ela funciona, então, as três missões anteriores não tem sentido nenhum. Então, faz parte também da missão do jovem consciente, se dispor a lutar para mudar a sociedade.
Tem uma música do Rappa que diz que hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa. As tecnologias permitiram uma pulverização da produção da mídia o que acabou sendo uma individualização, a pessoa que tem um computador pode produzir um vídeo, um blog, uma mídia qualquer, só que a recepção é muito menor, poucas pessoas ouvem as web radios, poucas pessoas acessam os blogs.

O que você acha desse fenômeno de facilidade de produção, mas também dificuldade de recepção dessa produção midiática?
É essa pluralidade que eu estava falando antes, eu acho que nós não podemos nos ater, ah o prioritário é isso ou aquilo, mas procurar potencializar todas as formas de comunicação. É claro que algumas são mais massivas, outras são mais individualistas, mas eu acho que na soma todas são importantes.

Mas também não é uma luta de Davi contra Golias, de um lado a grande imprensa, de outro, as pequenas imprensas alternativas, com dificuldades de financiamento e sem conseguirem ter uma audiência tão grande quanto a grande mídia?
Não se preocupe com isso, com você bem usou o exemplo bíblico, no final da história o Davi vai ganhar. Vocês são jovens e não viveram o período da ditadura militar, o período da ditadura militar foi ainda mais hegemônico do capital e dos meios de comunicação, tanto é que essa estrutura atual, se formou lá. Aí as pessoas que queriam mudar a sociedade, que queriam lutar contra a ditadura se sentiam ainda mais fracas, frágeis diante do tamanho do Golias. Mas se você considerar que o que muda a sociedade é a consciência das pessoas, e que a consciência das pessoas não se compra, nem se vende, em algum momento as massas vão despertando, vão tendo conhecimentos que levam a elas se moverem contra as injustiças. E aí é que tu vê que tudo que você fizer para levar algum conhecimento para as massas é importante. O que eu acho é que nós devemos ser criteriosos nessa pluralidade dos meios de comunicação é com o foco para levar informação, levar consciência. Nesse sentido devemos priorizar os trabalhadores, os pobres. Se você ficar fazendo comunicação de internet para informar outro pequeno burguês ou camada da classe média que já está acomodada, aí a sua comunicação não serve para nada porque ela vai ser uma comunicação pequeno burguesa, no fundo vai ser alienante. Aí seria unicamente pelo exercício de exercitar, para ser redundante, um meio de comunicação novedoso como a internet, como um blog. Então, eu acho que aí o diferencial não está no instrumento, mas para quem ele se dirige, tu pode fazer um bom programa de rádio para as massas populares, e pode fazer um programa de rádio muito bem feito mas uma porcaria, porque vai ser só para a classe media que está interessada na última moda de Paris. Você pode fazer um bom programa jornalístico, explicando as tendências da moda, quais são os principais estilistas, qual foi o último lançamento em Paris, e ser um programa de rádio agradável, todo mundo ficar ouvindo, mas serve para que? Quem é que está ouvindo? Mais do que o instrumento é para quem se dirige. Então, se é para eu dar algum conselho eu daria esse: se preocupem em fazer comunicação que ajude a classe trabalhadora, que ajude os pobres, para que eles possam entender melhor o mundo, porque somente eles poderão transformá-lo. Não há outra força que possa transformar a sociedade, mudar a sociedade, deixar a sociedade mais progressista, mais democrática, mais justa, se não a força das massas organizadas.

O Senhor pode comentar a atitude recente da companhia Vale do Rio Doce em entrar com uma ação na justiça contra o senhor...
Primeiro para os leitores ou ouvintes de vocês entenderem a natureza da nossa luta contra a Vale é preciso explicar que há dois tipos de luta que estão sendo travadas agora. Uma de caráter mais macro, mais político, que é a luta de todo o povo brasileiro para reestatizar a Vale, da qual o MST é um mero figurante. O plebiscito que consultou o povo do qual participaram cinco, seis milhões de pessoas, foi organizado por 280 movimentos, alguns locais, outros nacionais, participaram como mesárias de urnas, 150 mil pessoas, portanto é um movimento popular, cívico, e essa luta pela reestatização tem vários componentes. Tem um componente jurídico, que nós já ganhamos uma sentença no Tribunal Regional Federal de Brasília anulando o leilão, tem componentes políticos, tem componentes sindicais porque a previdência do Banco do Brasil é dona de 15% das ações da Vale, a Caixa Econômica eu acho que também tem, então, até parcelas do movimento sindical estão envolvidas nesse processo, e essa luta vai ser prolongada. Não é uma luta do MST, é uma luta do povo brasileiro, quando vai ter um desfecho? De novo, eu acho que vai ter um desfecho feliz para o povo com a reestatização da Vale, mas vai depender desse reacenso do movimento de massas que leve a outras mudanças na sociedade brasileira. Para daí o povo se dar conta que os minérios e o subsolo não podem estar a cargo de uma empresa privada, tem que ser a velha Vale estatal, para que o lucro da Vale seja distribuído para todos os brasileiros e não só para os seus acionistas. E há um outro contencioso com a Vale, que são os problemas localizados que a Vale, por suas operações econômicas cada vez mais buscando unicamente o lucro, tem afetado comunidades que tem relação com o MST. Vou citar três exemplos que são emblemáticos. Nós temos um assentamento em Açailândia, com 250 famílias, em uma fazenda de 10 mil hectares que nós ocupamos, foi desapropriada e as famílias estão lá há dez anos. A Vale comprou uma fazenda vizinha, instalou uma carvoaria com 70 fornos industriais e aquela fuligem do carvão alterou o clima completamente, os companheiros não conseguem produzir mais na agricultura, nem arroz dá, e agora começou a dar doenças, então, está aí um conflito. Ou a Vale põe filtro, ou sai de lá, ou desapropria uma outra fazenda, mas do jeito que está as pessoas vão morrer. E essas pessoas têm direito, até porque chegaram antes no assentamento do Incra, a lutar contra a Vale, então essa carvoaria foi ocupada no dia 8 de março. Outro exemplo, também relacionado com o 8 de março, a Vale está construindo com a Camargo Correia, uma hidrelétrica no Rio Tocantins, na região do estreito no Maranhão e Tocantins. Isso vai atingir 13 mil famílias, entre elas, três assentamentos nossos, três reservas indígenas, ribeirinhos, fazendeiros, quilombolas, tudo o que puder imaginar. A Vale não apresentou nenhum plano de reassentamento, as pessoas até se dão conta, “bom nós não vamos conseguir parar a barragem, né, mas e onde nós vamos morar? Qual é a terra? Para onde vão me levar? Quem vai me indenizar?” Ninguém falou nada para essas pessoas, então, elas ocuparam o canteiro de obras, e exigiram um processo de negociação. A maioria delas nem é do Movimento. Então, se não resolver o problema do reassentamento, o conflito vai ser permanente, porque é a vida delas, é um problema de direitos humanos. Bem, depois a Vale tem outros contenciosos com outras comunidades, seja de garimpeiros, seja dos próprios trabalhadores que estão mais próximos do trem. Essas comunidades que tem alguma demanda contra a Vale pararam o trem duas vezes. Eles param o trem como se fosse fazer uma greve, para forçar a Vale a negociar, e muitos desses movimentos que aconteceram lá no município onde está a Serra dos Carajás, a própria prefeitura local apoiou. Por que? Porque a Vale está devendo para a prefeitura de Paraopebas 500 milhões de reais em impostos atrasados. Isso não sai em lugar nenhum, está lá na dívida ativa da prefeitura, isso nos últimos dez anos, depois da privatização. Então, nós temos três assentamentos nesse município, o prefeito puxa lá o balanço da prefeitura e diz “oh, não temos dinheiro, estamos em déficit, porque que nós estamos em déficit? Porque a Vale não pagou imposto”. Então a turma faz a associação: “vamos pressionar a Vale para pagar a prefeitura aí teremos escola”. Claro, não precisa ser muito inteligente para isso. Estou eu um dia dando a aula magna no inicio do ano letivo na universidade e chega a oficial de justiça com uma intimação da juíza. A Vale entrou com um processo como se eu fosse o responsável por aquelas mobilizações, eu e o MST. A sacanagem é que esses processos em geral são demorados, mas em dois dias a Vale entrou, eles tem o maior escritório de advocacia do Rio, eu nem moro aqui, mas eles monitoraram tudo, sabiam que eu estaria na universidade, vieram, inclusive, com uma produtora de vídeo independente para filmar tudo, e me coagiram a assinar, embora não seja meu domicílio aqui, e ao assinar, pelos prazos legais eu tive só oito dias para contestar. O mais absurdo é a natureza da ação. Eles alegam o seguinte: essas populações param o trem, a carvoaria e causam prejuízos econômicos, portanto, eu tenho que ressarcí-los. E a multa por esses prejuízos econômicos, eles pediram inicialmente para a juíza, quinhentos mil reais por ação, a juíza no despacho da sentença já botou menos, cinco mil reais. Mas não é o problema do valor, o problema da natureza, ou seja, eu moro em São Paulo, toda a opinião pública sabe, qualquer sociólogo num primeiro ano de faculdade sabe que o movimento social decide as coisas por assembléia, eles que decidem o que fazer, quando fazer, como fazer, não é de minha responsabilidade. Agora o mais grave é, você até pode ilustrar a sua matéria, compre a revista Exame dessa semana[ 5 a 11 de maio], a revista tem uma matéria que era para sair na Veja. A Veja tentou fazer aquelas páginas amarelas comigo, eu mandei eles tomarem banho. O editor da Veja, um tal de Alexandre me ligou, querendo me entrevistar para as páginas amarelas, aí nós explicamos para ele que o movimento não tem a prática de dar entrevistas para meios de comunicação mentirosos e não idôneos como é a Veja. A matéria, que é uma paulada no MST, que eu acho que ia sair na Veja, eles deslocaram para a Exame. Porque é a mesma linha, né, bem direitista. A Vale fala na matéria que organizou um sistema de vigilância 24 horas sobre o MST e os movimentos, que inclui escuta telefônica, espionagem, acompanhamento das lideranças, filmagem, eles atribuíram a si agora o poder de polícia, o poder de estado, o poder de justiça, quem são eles para fazer isso. Eu acho que cabe um pedido de explicação judicial.

A ação continua correndo?
Sim, nossos advogados contestaram. A primeira contestação que nós fizemos foi a seguinte: meu domicílio é em São Paulo então o processo não pode ser aqui, ou é lá em Açailandia ou em São Paulo. Mas o Tribunal de Justiça do Rio, tão ponderado que é, diz que não, que pode ser aqui. Sabe-se lá porque né? Só porque passei aqui, poderia ter passado em Nova York. Então já por aí você vê as influencias. No escritório de advocacia da Vale tem o ex ministro Sepúlveda [Pertence], tem aquela mulher que era do BNDES que fez a privatização da Vale, a [Elena] Landau, então é um escritório poderoso. Tem filhos de ministros do supremo e, evidentemente, as influencias que eles tem são enormes. Segundo passo, eles contestaram então a natureza da ação e isso está correndo. E os advogados me informaram que como na sexta-feira houve mais uma ação de garimpeiros na Vale, a Vale entrou com uma espécie de agravo no processo dizendo “estão vendo como ele não obedece” e pedindo para aumentar para um milhão.

O MST está preocupado com isso?
Nem um pouco, eu falei no dia que era uma idiotice, e falo agora de novo. Digo que é idiotice não para ficar ofendendo o poder judiciário, idiotice no sentido de falta de idéia da Vale, isso que é idiota, o cara que não tem idéia. Porque é obvio, qualquer pessoa que pensa um pouquinho, que tem idéia, deve se dar conta de que se há uma população que vai ser despejada por uma hidrelétrica da Vale, enquanto não for resolvido o problema dessa população, pode prender o João Pedro, pode botar multa, que a população vai continuar protestando. Se há um assentamento sem terra ao lado de uma carvoaria e que as pessoas e as crianças amanhecem todo o dia tossindo, cuspindo cimento preto, é obvio que aquela população vai continuar protestando contra a Vale, não sou eu o responsável. Então, só tem uma maneira de resolver problemas sociais, se tu resolver, se não o problema vai continuar lá. Por isso é uma idiotice, no fundo o verdadeiro objetivo da ação judicial é amedrontar as lideranças, e dar uma resposta para os acionistas da Vale, “vejam como estamos tomando medidas energéticas”. Porque como devem ter vendido a imagem do Brasil para os acionistas estrangeiros que aqui é o paraíso, que voltou a ser colônia, ninguém reclama, aqui é Barbada, tu investe e só leva dinheiro de volta. Esqueceram de combinar com o povo!

O MST está participando do movimento pró Conferencia Nacional de Comunicação. Quais as expectativas de vocês?
Em geral eu acho que nossa participação nesse tipo de evento é coadjuvante, nossos companheiros vão lá para se somar a esse esforço político de democratizar a comunicação e ao mesmo tempo trazer o acúmulo do debate que vai gerando para dentro do movimento. Mas nós não queremos ser hegemonia, nem dirigir, nem ter um papel vanguardista, por isso sempre ficamos mais na retaguarda aprendendo com esses companheiros que tem uma visão mais aprofundada, que tem uma clareza maior sobre quais são os caminhos para democratizar os meios de comunicação.

Fonte: Observatório do Direito à Comunicação

Respeitado. E temido.

Publicado originalmente em www.vermelho.org.br , no dia 08 de junho de 2008, às 20horas e 40 minutos.


"O PCdoB é respeitado, mas também é temido". Esta é a conclusão a que o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, chegou em uma palestra realizada neste último sábado, (7/06), em Belo Horizonte, diante de reunião da direção municipal do Partido na capital mineira. De fato, disse o presidente, nesta campanha de base de 2008 o Partido Comunista do Brasil alcançou um nível elevado nas disputas para cargos majoritários em boa parte das capitais e também em cidades com grande número de eleitores", disse Renato.

Por Pedro de Oliveira, de Belo Horizonte


O presidente do PCdoB considera um problema o fato de que a trajetória dos partidos políticos brasileiros, de maneira geral, está ligada a carreiras pessoais ou mesmo impregnada de interesses regionalizados, locais. "Isso dificulta que se estabeleçam acordos políticos nacionais, com base em plataformas programáticas. Em muitos casos, os interesses personalistas ou particularistas se colocam acima dos interesses nacionais, globais das organizações partidárias", afirma Renato.

"Estamos na fase decisiva para fechar os acordos nacionais, combatendo uma tendência atual de pulverização de candidaturas. Estamos próximos da formalização das candidaturas em convenções municipais. Para isso precisamos agilizar a mobilização e os debates em torno das candidaturas progressistas e comunistas", declarou o presidente do PCdoB, lembrando que o Partido irá apresentar cerca de 16 candidatos(as) nas capitais, e em outras cidades com mais de cem mil habitantes.

Agora, disse Renato, é que as forças mais poderosas entram em campo para definir o jogo político. A situação nos principais estados ainda está indefinida, como no Rio de Janeiro, onde aconteceu uma reviravolta nos últimos dias que mudou totalmente o cenário político no município. Houve um rompimento por parte do governador Sérgio Cabral do acordo firmado com o PT em torno da candidatura Molon, do Partido dos Trabalhadores.

Em Minas Gerais o grande acordo entre PSDB do governador Aécio Neves e o PT do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, foi liquidado por uma decisão do diretório nacional do PT e pela reação local de vários dirigentes do PT de Minas que não concordam com esta aliança, como os ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci, além do ministro Hélio Costa.


Outra importante figura política do cenário nacional com grande influência em Minas, o vice-presidente da República, José Alencar, do PRB, já declarou apoio público à candidatura Jô Moraes, do PCdoB. Na verdade, a deputada federal Jô Moraes capitalizou este descontentamento de várias forças políticas insatisfeitas com o acórdão PSDB-PT. E assim ganhou uma dimensão muito maior nos últimos 15 dias. O PRB acabou de declarar apoio à pré-candidata comunista, como também o ex-deputado Rogério Correia (PT).

Renato encerrou sua palestra sintetizando em três pontos a atual situação do PCdoB nesta fase de preparação das convenções que deverão aprovar os projetos eleitorais do Partido em cada Município. Em primeiro lugar é preciso constatar o novo papel que os comunistas estão jogando na cena política nacional, lançando candidatos qualificados e com grande prestígio popular em grandes capitais pelo Brasil afora, como é o caso do Rio de Janeiro, com Jandira Feghali, em Aracaju, com o atual prefeito Edvaldo Nogueira, em Porto Alegre, com a deputada federal Manoela D´Ávila, em Belo Horizonte, com Jô Moraes, em São Paulo, com Aldo Rebelo, ex-presidente da Câmara dos Deputados, em São Luís, com o deputado federal Flávio Dino, em Florianópolis, com a vereadora Ângela Albino, em Manaus, com a deputada Vanessa Grazziottin, em Salvador, com a vereadora Olívia Santana, em Olinda, com o deputado federal Renildo Calheiros, em Recife, com o a candidatura do vice-prefeito Luciano Siqueira, entre outras cidades.

Em segundo lugar, alertou o presidente Renato Rabelo, os comunistas não podem ter ilusões, achando que colherão safras completas em todos os lugares. As disputas serão acirradíssimas e as batalhas, cruentas. Por último, finalizou o Renato, o PCdoB precisará se preparar concretamente para estes pleitos majoritários. "Deveremos ser agora comandantes de divisões, na linguagem militar, e não apenas comandantes de batalhões, como era o caso das campanhas proporcionais, Teremos que conseguir o apoio da maioria esmagadora da população, e não apenas de setores da sociedade em cada um desses municípios".

08 Junho, 2008

Charge de Simon Taylor para Charge Online


Matéria excelente.

Matéria excelente saiu no site da Revista Caros Amigos. Na verdade, foi colocada novamente no ar. É de 2005. Mas mostra bem como age o PIG.

Trata-se de matéria de Marina Amaral e mostra como se criam as notícias na Grande Imprensa, ou no PIG - partido da imprensa golpista.

Eu reproduzo aqui: ( http://carosamigos.terra.com.br/)

"Bairro de elite de uma grande cidade brasileira. Convite para almoço. O apartamento, decorado com obras de arte verdadeiras, é sofisticado e aconchegante, como a mesa farta a cargo da cozinheira com muitos anos de casa.
A conversa não fica atrás: o assunto é política, temperada com sexo, dinheiro, negócios escusos, traição. Basta lançar o nome de um rico ou poderoso no ar e a ficha vem no ato: “Fulano? Esse começou a vida em tal lugar etc. e tal”.
Nosso homem respira e transpira informação. “Tudo em off”, ele avisa no começo da conversa, condição de sobrevivência para o tipo de trabalho que faz. Sua especialidade: “Gerenciador de crises, assessor de imprensa, lobista”, diz, o que na prática significa produzir notícias do interesse de seus clientes, políticos e empresários (às vezes representados por escritórios de advocacia ou agências de publicidade) que buscam projeção ou reversão de prejuízos causados por denúncias na mídia.
Ele explica que a função do lobista que atua na imprensa é influenciar jornalistas à imagem e semelhança dos lobistas contratados para trabalhar no Congresso, esses com a missão de “sensibilizar” parlamentares.
Também há pontos comuns entre seu trabalho e o do assessor de imprensa convencional, a principal diferença está no modo como atua: em vez de mandar releases e disparar telefonemas burocráticos, o lobista da comunicação se converte em “fonte” dos jornalistas, oferecendo notícias, dando a “ficha” de personalidades emergentes na imprensa, repassando as últimas sobre o assunto em voga. A reputação de homem bem-informado que sempre tem algo a oferecer aos jornalistas é a alma do negócio.
Gerenciador de crises, assessor de imprensa, lobista”, diz, o que na prática significa produzir notícias do interesse de seus clientes, políticos e empresários.
“Toda fonte é lobista e todo lobby envolve dinheiro”, afirma, referindo-se aos que, como ele, são consultados diariamente pelos jornalistas e colunistas em busca de novidade. “A fonte passa informações porque é a melhor maneira de interferir nas notícias, esteja ela a serviço dos interesses de seus clientes ou de seus próprios negócios. Os maiores lobistas são os políticos.
Os senadores Jorge Bornhausen e Antônio Carlos Magalhães, por exemplo, que estão entre as grandes fontes dos jornalistas políticos brasileiros, têm interesses empresariais, não apenas políticos. O Bornhausen é lobista da Febraban, o ACM defende suas empreiteiras, suas construtoras.”
“E os jornalistas confiam no que eles dizem?” Ele dá sua explicação: “A informação é a moeda de troca com o jornalista. A fonte não pode mentir nem passar notícias não comprovadas sem deixar claro que não tem certeza do que está dizendo, e o jornalista jamais pode revelar a fonte. É uma relação de confiança mútua.
Há coisas que não há como checar, uma pista falsa pode atrasar muito uma matéria, têm de confiar e pronto. E eles conhecem os interesses das fontes, publicam também os assuntos que sugerimos. Mas não há nada de errado nisso, porque as fontes com credibilidade passam informações verdadeiras e que realmente são notícia. O lobista, como o jornalista, tem a vertigem da notícia”.
“Sempre é assim?”, insisto. Ele responde: “Todo jornalista um dia vai ouvir da fonte: ‘Eu preciso que você me faça um favor’. Isso significa que a fonte precisa “plantar” uma nota, que pode ser uma meia-verdade ou quase uma inverdade, e aí cabe ao jornalista decidir o que faz”.
A maioria dos lobistas trabalha em parceria com as colunas de política de Brasília, de gente como o ex-secretário de Comunicação de Collor, o jornalista Cláudio Humberto, ou ex-publicitários como Ucho Haddad e Giba Um.
Aqueles que têm maior “sintonia” com a fonte recebem de presente as notas mais quentes, aquelas que antecipam escândalos e dão peso às colunas, que atuam na fronteira entre o boato e a informação. Algumas são escritas em linguagem cifrada com o objetivo de “avisar” políticos e empresários de que tem gente na “cola” deles, o que quase sempre significa emprego para mais um lobista, encarregado de “desaparecer” com a informação antes que ela ganhe as colunas políticas e sociais dos jornais, de maior credibilidade.
“Eu leio jornal e sei direitinho quem está trabalhando pra quem, quem está ‘plantando’ contra quem.
Um dos piores erros do PT foi a plantação de notícias de um dirigente contra outro, abriram o flanco para a mídia, acreditaram que tinham na mão gente que eles não controlam de fato”, diz nosso homem, que incluiu também a Internet entre suas ferramentas de trabalho. Todos os dias, ele envia e-mails com informações que favorecem seus clientes a 90.000 endereços usando remetentes frios e provedores de fora do Brasil.
“E isso funciona?” “Faz um barulho danado”, ele responde, explicando que compensa a falta de credibilidade do anonimato postando apenas “as matérias que já consegui publicar em veículos respeitados”.
Em vez de mandar releases e disparar telefonemas burocráticos, o lobista da comunicação se converte em “fonte” dos jornalistas.
Enquanto conversamos, o celular toca sem parar. Colunistas políticos, repórteres da grande imprensa, clientes ou amigos interessados no desenrolar do escândalo do “mensalão” são recebidos com a piada sobre os três ternos que o vice Alencar mandou fazer (um preto, para o caso de suicídio do presidente, um azul-marinho, para posse, e um cinza, para o primeiro dia de trabalho).
Aos colunistas, ele passa notas quase prontas; aos repórteres dos jornais e das semanais indica fontes dispostas a botar lenha na fogueira – a amante de fulano, a secretária de sicrano, a ex-mulher de beltrano. Também dá dicas de histórias que, garante, valem uma checagem: a sugestão do dia é investigar uma empresa de informática que o filho do presidente abriu no Brás, assunto que apareceria na mídia três semanas depois. Aos clientes, alguns de capitais distantes, reserva a análise de conjuntura antecipada pela piada dos ternos de Alencar: “Sim, o presidente Lula vai cair”. Seguido da explicação: “CPI é que nem suruba, depois que começa, ninguém controla”.
Se depender dele, a suruba continua. Para quem vive de informação, como bem sabem os donos das empresas de comunicação, escândalos e campanhas eleitorais são os grandes momentos de ganhar dinheiro tanto pelo que se divulga como pelo que se deixa de divulgar. Também é um ambiente favorável para abafar outros escândalos e relevar pecadilhos como sonegação de impostos, concorrência desleal, e outros tormentos jurídicos. “E como o lobista se informa?”, pergunto, perplexa com a quantidade de notícias que ele tira da cartola a cada telefonema.
“Depende do meio que ele circula”, explica. “Eu trabalho principalmente com o meu círculo de amigos. Entrei na política aos 18 anos, fui assessor parlamentar, secretário de prefeito, fiz muitas campanhas eleitorais. Você tem idéia de quantos dossiês circulam em uma campanha eleitoral? Então, as eleições passam e os dossiês ficam, a gente acaba sabendo de tudo. Também fui assessor de imprensa e lobista de grandes empresas, venho acumulando informação há décadas. Conheço todo mundo que interessa, circulo nos lugares certos, levanto a ficha de qualquer um na hora em que quiser. Sei exatamente para quem ligar conforme o caso”, diz, sem esconder o orgulho profissional.
E nesse caso? Ele acredita na corrupção do PT? “Todo governo é corrupto, não há como ganhar eleição sem caixa dois e quem está no governo faz o caixa no governo, com o dinheiro público que escoa por três ralos: obras públicas, propaganda e informática. As empreiteiras tiveram seu auge no governo militar, perderam com as privatizações e a redução de obras nos últimos anos, e entraram no ramo dos serviços públicos, daí os escândalos nos contratos de lixo, por exemplo, de tantas prefeituras. Mas agora o grosso do caixa dois dos partidos vem dos contratos de publicidade – esse Marcos Valério, por exemplo, operava para os tucanos mineiros desde 1997.
A informática é o filão mais recente de grandes contratos públicos e está se tornando um grande formador de caixa. O PT aderiu ao esquema dos contratos de publicidade superfaturados, das propinas nas estatais, de conseguir dinheiro nos bancos investindo naqueles que colaboram com o partido a bolada dos fundos de pensão”, opina.
Há coisas que não há como checar, uma pista falsa pode atrasar muito uma matéria, têm de confiar e pronto.E eles conhecem os interesses das fontes, publicamtambém os assuntos que sugerimos.
Mais uma ligação, mas dessa vez nosso homem não passa informação, recebe. A fonte é o repórter de uma revista semanal envolvido com uma polêmica entrevista com aquela que seria apresentada como testemunha-chave da CPI dos Correios. No próximo telefonema, a informação recebida segue seu caminho, repassada a outro jornalista: “Sim, a ‘testemunha’ vai confirmar, não tem outro jeito, as três fitas gravadas com a entrevista estão no cofre da editora há nove meses, se o repórter for convocado a depor, as fitas serão entregues aos membros da CPI”.
O que pode parecer um vazamento de informação é na verdade prestação de serviço para dois amigos: o que fez a entrevista – cuja autenticidade vinha sendo questionada pelo longo tempo em que ficou “na gaveta” e por ter sido desmentida anteriormente pela entrevistada – e o que recebeu a notícia, aparentemente em primeira mão. Pergunto quanto do seu trabalho é pago, já que perde tanto tempo fazendo favores aos amigos. “Noventa por cento”, revela para em seguida corrigir, com humor: “Agora, o percentual caiu, porque não estou ganhando nada para ajudar a derrubar o governo, é trabalho voluntário”.
Foi na segunda visita que fiz a seu apartamento, já com a CPI dos Correios a pleno vapor, que ele me mostrou até onde ia seu empenho como “voluntário”. Com a televisão ligada no depoimento de um dos acusados de operar o “esquema do mensalão”, ele se comunicava com alguém que estava na CPI através de um de seus três celulares. “Os arapongas estão assanhados, a Polícia Federal também, um dos meus telefones está grampeado”, explica.
Antes de testemunhar mais uma tarde de seu trabalho, peço autorização para escrever sobre o que presenciei em minha outra visita e perguntar mais sobre a sua profissão. Explico que, mais do que as informações sobre o escândalo, o que me interessa é mostrar de que modo circulam as informações, como os escândalos que caem nas graças da imprensa são alimentados com tanta rapidez. Ele concorda, desde que sua identidade seja preservada. Vai até o computador, abre o correio eletrônico e me chama para ver uma mensagem recém-enviada a um assessor parlamentar de um deputado da oposição, com quem falava no celular quando cheguei.
Para minha surpresa, é um e-mail enorme, contendo dez perguntas dirigidas ao sujeito que depõe nesse mesmo momento na CPI, acompanhadas de detalhes sobre a vida do “alvo” sustentando o questionário. O patrimônio, os contatos, as viagens de avião (acompanhadas dos prefixos dos jatos), os nomes que teriam sido indicados pelo acusado para ocupar cargos públicos, as empresas que teriam contribuído com o caixa dois, está tudo ali, de bandeja.
“Dinamite pura, hein? Esse governo cai”, comemora.
Aos colunistas, ele passa notas quase prontas;aos repórteres dos jornais e das semanais indicafontes dispostas a botar lenha na fogueira.
“E por que derrubar o governo?”, pergunto, começando a duvidar que tanto empenho seja realmente “voluntário”, como ele diz.
A resposta não poderia ser mais surpreendente vinda de um homem que se declara de direita e que ganha dinheiro como lobista profissional: “Porque o Lula foi uma decepção, não fez nada pelos pobres, se vendeu ao FMI”.
Ele acha graça ao perceber minha expressão de descrença. “Você pode não acreditar, mas, mesmo sendo de direita, defendo a necessidade de existir um partido de esquerda, um partido que esteja fora do esquema, como era o PT antes de assumir o governo. Claro, o PT roubou muito menos do que os outros governos.
Em uma única jogada, o governo Fernando Henrique ganhou três vezes mais, comprando ações lá fora da Petrobras, por exemplo, dias antes de comunicar ao mercado a exploração de mais um campo de petróleo, vendendo os papéis logo depois de fazer o anúncio oficial da descoberta, o que triplicou o valor das ações.
Cada notícia de que uma estatal seria privatizada era precedida da mesma operação: o Sérgio Motta anunciava que a empresa seria leiloada, as ações subiam vertiginosamente, e eles vendiam no primeiro dia da alta. Nada de tentar ganhar mais e se arriscar ao flagrante. Os caras sabiam o que faziam.
O PT, não, o PT não sabe nem pode roubar. A esquerda tem de ser franciscana, não pode se corromper, tem que fazer como os partidos comunistas europeus, administrar as prefeituras e ser oposição em âmbito federal. Quem quer ser governo tem de conhecer o esquema, ter aliados reais, cúmplice de muitos negócios. O PT não sabe nem como operar: imagine esse Delúbio, que é um caipirão goiano, um sindicalista militante do PT, e esse outro Silvinho, que não consegue nem falar português decentemente, operando esquema! Isso aí é coisa pra quem sabe, pra Sarney, ACM, Sérgio Motta. Estava na cara que eles iam ser apanhados.”
Comento que a imprensa parece escolher sempre a hora de um escândalo eclodir. Afinal, em setembro do ano passado, o Jornal do Brasil já havia publicado a história do “mensalão” e a Veja uma matéria falando das divergências financeiras entre PT e PTB. Por que, a exemplo da entrevista com a testemunha feita por seu amigo repórter, o escândalo levou nove meses para explodir? Por que as mesmas informações não provocaram aquele frenético fluxo de notícias do qual ele faz parte, como tantas outras “fontes”, lobistas, aquilo que ele chama de “mercado” da informação?
“Porque o escândalo ainda não estava maduro”, ele diz, um tanto enigmaticamente. “Veja, no caso Collor foi a mesma coisa, um jornalista de uma revista semanal já havia seguido o PC, antecipado tudo que se diria depois, publicado a matéria, e mesmo assim o caso só ganhou força com a entrevista do Pedro Collor, seis meses depois. Era o momento de o Collor cair, já não interessava mais mantê-lo ali.”
“Não interessava a quem?”, insisto, mesmo sabendo a resposta. “Não interessava a quem dá as cartas de fato, aos donos do poder, do dinheiro, do esquema. O governo do PT estava se tornando uma ditadura pior que a dos milicos, tentou enquadrar a imprensa com aquele conselho de ética, usa a Polícia Federal para fazer terrorismo, invadindo escritórios de advocacia, prendendo empresários trabalhadores por sonegação, por caixa dois, coisa que todo mundo faz neste país, até porque a carga tributária impede o trabalho cem por cento honesto”, justifica.
“Eles não merecem confiança, são bolcheviques, roubam para a causa. Claro, tem gente ganhando pra si também, mas não é essa a cabeça deles, pensam que estão acima do bem e do mal, que têm o monopólio da ética. São arrogantes, tratam todo mundo como se fossem melhores do que os outros, só podia acontecer isso mesmo”, comenta.
“Todo governo é corrupto, não há como ganhar eleição sem caixa dois e quem está no governo faz o caixa no governo”.
Antes de me despedir, uma pergunta: “Você disse que lobby sempre envolve dinheiro. E no caso dos jornalistas isso não rola?”
Ele defende os companheiros de trabalho: “Hoje em dia é muito raro, os jornalistas são sérios, o que querem é informação. Claro, um colunista que tem o patrocínio de determinada empresa não vai escrever contra ela, assim como os donos de jornais e revistas têm suas preferências políticas. Não são movidos a propina, mas têm seus aliados. No governo FHC houve uma quantidade enorme de escândalos abafados”.
Vai até uma gaveta, tira uns papéis e empilha na mesa. “Olha, tudo isso aqui me foi entregue na última campanha por um político do PFL”, conta. Dou uma olhada nos papéis. Há denúncias contra o filho de FHC que teria ganhado dinheiro como lobista durante os governos do pai, um dossiê contra um ex-ministro que seria sócio oculto de empresas que atuavam no setor que fiscalizava, documentações de transações suspeitas envolvendo membros de governos anteriores e empresas privadas, notícias de desvio de dinheiro que teria sido feito por familiares e assessores de governantes.
“Isso ficou parado porque o político para quem eu trabalhava não quis usar, e eu sabia que não interessava à grande imprensa, claramente a favor dos tucanos”, explica.
Cito o nome de um repórter, apontado como “contratado” de um grande grupo privado para plantar matérias do interesse do cliente na revista em que trabalha, cujo dono também é acusado de vender matérias de capa a empresários em dificuldades. Acrescento que há conversas gravadas e e-mails por trás das denúncias publicadas por outra revista semanal, essa fora de seu círculo de relações. Ele afirma ser amigo de ambos os denunciados e acrescenta, irônico: “Foi nessa revista que saiu? Então não faz mal. Essa ninguém lê”. Ele sentencia isso, embora a tiragem de ambas as revistas – denunciada e denunciante – seja praticamente a mesma.
O telefone toca mais uma vez. Ele pede um momento ao interlocutor, e me acompanha até a porta. Mas não resiste a antecipar a novidade com que brindará mais esse jornalista: “Vão pegar a filha do presidente agora, um contrato dela com uma empresa sustentada por um banco estadual federalizado. Pode anotar, o Lula já era”. "
Marina Amaral é jornalista.

Saiu o resultado dos tartufos.

Foi publicado o resultado dos Tartufos. O campeão absoluto é Fernando Henrique Cardoso, o FHC.

Veja a lista:

FESTIVAL TARTUFO: (resultado dos votos aceitos até o dia 31 de março de 2008)

CATEGORIA HORS CONCOURS
1º lugar: Fernando Henrique Cardoso
2º lugar: Organizações Globo
3º lugar: Revista Veja
4º lugar: Senador Álvaro Dias


CATEGORIA TUNGSTÊNIO
1º lugar: Fernando Henrique Cardoso
2º lugar: Senador Arthur Virgílio
3º lugar: José Serra
4º lugar: Organizações Globo
5º lugar: Ministro do STF Marco Aurélio de Mello 5º lugar: Revista Veja
6º lugar: Diogo Mainardi
7º lugar: Miriam Leitão (Rede Globo) – 23 votos
8º lugar: Mídia nativa em geral
9º lugar: Arnaldo Jabor
10º lugar: Luiz Inácio Lula da Silva


CATEGORIA MOLIBDÊNIO
1º lugar: Arthur Virgílio
2º lugar: José Serra
3º lugar: Diogo Mainardi
4 º lugar: Miriam Leitão
5 º lugar: Revista Veja
6º lugar: Ministro Marco Aurélio de Mello
7º lugar: Fernando Henrique Cardoso
8º lugar: Mídia nativa em geral
9º lugar: Organizações Globo
10 º lugar: Arnaldo Jabor


CATEGORIA FERRO GUSA
1º lugar: Arthur Virgílio
2º lugar: Miriam Leitão
3º lugar: José Serra
4º lugar: DEM
5º lugar: Fernando Henrique Cardoso
6º lugar: Organizações Globo
7º lugar: Revista Veja
8 º lugar: José Agripino Maia 8 º lugar: Diogo Mainardi 8 º lugar: PSDB
9 º lugar: Arnaldo Jabor


CATEGORIA MUSA DO FESTIVAL
1º lugar: Regina Duarte
2º lugar: Hebe Camargo2º lugar: Miriam Leitão
3º lugar: Ivete Sangalo 3º lugar: Eliane Cantanhêde
4º lugar: Ellen Gracie
5º. Lugar: Heloisa Helena


CATEGORIA APRESENTADORES DA CERIMÔNIA DO FESTIVAL (ainda aguarda patrocinador pela Lei Rouanet)
1º lugar: Casal JN
2º lugar: Miriam Leitão

CONFIRA TUDO EM http://www.paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=244

06 Junho, 2008

Charge de Bessinha para Charge Online


"Que viva Cuba!" Subcomandante Marcos




"Há no Caribe, estendido ao sol, qual verde caimão, uma engrandecida ilha. Chama-se ”Cuba” o território e “Cubano” o povo que aí vive e luta.


A sua história, como a de todos os povos da América, é um longo emaranhado de dor e dignidade.
Mas há qualquer coisa que faz com que esse solo brilhe.


Diz-se, não sem verdade, que é o primeiro território livre da América.


Durante quase meio século, esse povo manteve um desafio descomunal: o de construir um destino próprio como Nação.


”Socialismo” chamou esse povo ao seu caminho e motor. Existe, é real, pode medir-se em estatísticas, pontos percentuais, índices de vida, acesso à saúde, à educação, à habitação, à alimentação, ao desenvolvimento científico e tecnológico. Isto é, pode-se ver, ouvir, cheirar, saborear, tocar, pensar, sentir.


A sua impertinente rebeldia custou-lhe sofrer um bloqueio económico, invasões militares, sabotagens industriais e climáticos, tentativas de assassinato contra os seus líderes, calúnias, mentiras e a mais gigantesca campanha mediática de desprestígio.


Todos estes ataques provieram de um centro: o poder norte-americano.


A resistência deste povo, o cubano, não requer só conhecimento e análise, mas também respeito e apoio.


Agora que tanto se fala de defunções, há que recordar que há já 40 anos tentam enterrar Che Guevara; que já por várias vezes declararam a morte de Fidel Castro; que à Revolução Cubana marcaram, inutilmente até agora, dezenas de calendários de extinção; que nas geografias onde se desenham as actuais estratégias do capitalismo selvagem, não aparece Cuba, por mais que se esforcem.


Mais do que como ajuda efectiva, como sinal de reconhecimento, respeito e admiração, as comunidades indígenas zapatistas enviaram um pouco de milho não transgénico e um pouco de gasolina.



Para nós, foi a nossa forma de fazer saber a esse povo que sabemos que as maiores dificuldades que padece, têm um centro emissor: o governo dos Estados Unidos da América.


Como zapatistas pensamos que devemos ter os olhos, os ouvidos e o coração voltados para esse povo.



Para que não vá ser que como a nós, se diga que o movimento é muito importante e essencial e blá, blá, blá; e quando, como agora, somos agredidos, não há uma linha, nem uma revolta, nem um sinal de protesto.


Cuba é muito mais que o estendido e verde caimão do Caribe.


É um referente cuja experiência será vital para os povos que lutam, sobretudo nos tempos de obscurantismo que se vivem hoje e continuarão ainda por algum tempo.


Contra os calendários e geografias da destruição, em Cuba há um calendário e uma geografia de esperança.


Por tudo isto dizemos, sem estridências, não como palavra-de-ordem, com sentimento: Que viva Cuba!

Muito obrigado
San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, México
Dezembro de 2007"

Um Estado para os Ricos


Saiu na Revista do Brasil. PHA publicou em seu site. Eu modestamente contribuo para a divulgação do texto, republicando em meu blog:




O Estado a serviço dos ricos
Por Mauro Santayana (*)

"Segundo os estudiosos, o Estado é a conseqüência direta das formas simbólicas, criadas pelos primeiros homens, a fim de substituir o instinto da hostilidade pela convivência pacífica. O primeiro objetivo do Estado foi defender os pobres contra os ricos, os fracos contra os fortes.


A polícia, parte do Estado, devia servir para proteger as pessoas contra os violentos e contra os ladrões – os comuns e os de colarinho branco. O Estado existe para que os pobres participem não só da construção, mas também, como é de seu direito, do gozo dos benefícios da civilização.

Entretanto, o Estado que conhecemos, e Marx já denunciara, tem servido para proteger o poder dos ricos sobre a nação – e contra os pobres.


Isso ficou pior nos últimos 30 anos, com o lema de “Estado mínimo”, do neoliberalismo, que exige, principalmente nos países em desenvolvimento, a liberdade de cobrar juros de agiota; de produzir e de comprar e vender sem obedecer regras; de especular na bolsa; de planejar crises econômicas, com seus capitais “pirata”; de desnacionalizar bancos e empresas privadas e estatais; de controlar os preços internacionais dos produtos exportados; e de impedir seu acesso à ciência e tecnologia.


Assim reduzem a tarefa do Estado à manutenção dos privilégios do capital contra o direito à vida dos trabalhadores. Como a maioria das pessoas não tem outra coisa que vender senão a força de seus braços, a “liberdade de mercado” só interessa aos patrões. E se os explorados protestarem, ou entrarem em greve, a polícia do Estado é chamada a manter a ordem.

Na segunda metade do século 19, a Inglaterra era o país mais industrializado do mundo. As crianças e as mulheres eram obrigadas a trabalhar como homens no fundo das minas de carvão e nas fábricas, de 12 a 16 horas por dia, sete dias por semana. Recebiam apenas para comer – e mal. Era tão forte a exploração que os trabalhadores, desnutridos, passaram a diminuir de tamanho.


O Exército da Inglaterra foi obrigado a reduzir de 1,60 metro para 1,52 a estatura dos recrutas, porque os ingleses pobres estavam ficando anões.


A criação do Partido Trabalhista da Inglaterra, o Labour Party, para as eleições de 1906, possibilitou que fossem votadas leis que aliviaram a situação da classe operária e permitiram à Grã-Bretanha enfrentar as tropas alemãs na Primeira Guerra Mundial (1914-1918).


Outro fator favorável, e mais importante, foi a Revolução Soviética, de 1917. O medo de que os trabalhadores do mundo inteiro acompanhassem o movimento socialista levou os países capitalistas a adotar a jornada de oito horas, o fim do trabalho aos domingos e, em alguns, o sistema de férias e a previdência oficial.


No Brasil, a partir de Vargas os trabalhadores contavam com estabilidade, salário mínimo profissional, férias anuais, descanso semanal remunerado e sistema de aposentadoria.



Em 1989, ao cair o Muro de Berlim, economistas do FMI, do Banco Mundial e do Departamento de Tesouro dos EUA se reuniram em Washington e redigiram um programa “de reestruturação” para os países em desenvolvimento, o chamado Consenso de Washington, que resultou na privatização das grandes empresas estatais e na desregulamentação das relações de trabalho.



Agora, com a nova crise do capitalismo, os mesmos neoliberais que determinaram o fim do Estado como regulador das atividades econômicas batem às portas do Tesouro norte-americano para salvar os bancos quebrados. Resumo da história: quando o mercado está favorável, os banqueiros especulam e ganham bilhões; quando, em conseqüência de suas fraudes e irresponsabilidades, se tornam insolventes, correm para o Estado. Foi assim com o Proer, no governo Fernando Henrique, e está sendo assim nos EUA hoje.


Mas os trabalhadores estão sempre no prejuízo. Ainda agora, tramita e prospera, no Congresso, novo projeto de reforma das leis do trabalho. Entre outras propostas, há a de acabar com o décimo terceiro salário."

(*) Mauro Santayana trabalhou nos principais jornais brasileiros a partir de 1954. Foi colaborador de Tancredo Neves e adido cultural do Brasil em Roma nos anos 1980

05 Junho, 2008

Série Discursos: Che Guevara.

"A Fidel Castro
Havana. "Ano da Agricultura"

Fidel;
Neste momento lembro-me de muitas coisas - de quando o conheci no México, na casa de María Antonia, quando me propôs juntar-me a você; de todas as tensões causadas pelos preparativos.
Um dia vieram me perguntar quem devia ser notificado em caso de morte, e a possibilidade real desse fato causou um impacto. Mais tarde, soubemos que era verdade, que numa revolução se vence ou se morre (se ela for autêntica).
Atualmente, tudo tem um tom menos dramático, porque somos mais maduros. Mas o fato se repete. Sinto que cumpri com a parte do meu dever que me prendia à revolução cubana em seu território e me despeço de você, dos camaradas, do seu povo, que agora é meu.
Renuncio formalmente a meus cargos no Partido, a meu posto de ministro, à minha patente de comandante e à minha cidadania cubana.
Legalmente nada me vincula a Cuba, só laços de outra ordem que não se podem quebrar com nomeações.
Recordando minha vida passada, acho que trabalhei com suficiente integridade e dedicação para consolidar o triunfo revolucionário.
Minha única deficiência grave foi não ter tido mais confiança em você desde os primeiros momentos na Sierra Maestra e não ter percebido com devida rapidez suas qualidades de líder revolucionário.
Vivi dias magníficos e, ao seu lado, senti o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias brilhantes, embora tristes, da crise caribenha (dos mísseis).
Raramente um estadista foi mais brilhante do que você naqueles dias, orgulho-me também de te ter seguido sem vacilar, identificado com a tua maneira de pensar e de ver e apreciar os perigos e os princípios.
Outras serras do mundo requerem meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que lhe é vedado devido à sua responsabilidade à frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.
Quero que se saiba que o faço com uma mescla de alegria e pena. Deixo aqui minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como filho. Isso fere uma parte do meu espírito.
Carrego para novas frentes de batalha a fé que você me ensinou, o espírito revolucionário do meu povo, a sensação de estar cumprindo com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que seja. Isso me consola e mais do que cura as feridas mais profundas.
Declaro uma vez mais que eximo Cuba de qualquer responsabilidade, a não ser aquela que provém do seu exemplo.
Se minha hora final me encontrar debaixo de outros céus, meu último pensamento será para o povo e especialmente para ti, que te digo obrigado pelos teus ensinamentos e pelo teu exemplo, ao que tentarei ser fiel até ás últimas consequências dos meus atos;
que estive sempre identificado com a politica externa da nossa revolução, e continuo a estar; que onde quer que me detenha sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano, e como tal atuarei.
Não lamento por nada deixar nada material para minha mulher e meus filhos. Estou feliz que seja assim. Nada peço para eles, pois o Estado os proverá com o suficiente para viver e para ter instrução.
Teria muitas coisas que dizer a ti e ao nosso povo, mas sinto que não são necessárias as palavras e não podem expressar o que eu desejaria; não vale a pena deitar mais borrões no papel.
Hasta la victoria siempre! Patria o muerte!
Abraço-te com todo o meu fervor revolucionário".

Ernesto Che Guevara - 1965

E o Fluminense venceu.

O Fluminense venceu. Venceu a arrogância dos paulistas que não aceitam que um time não-paulista chegue à uma final de Libertadores.
Venceu o Boca Juniors, que tem um bom time.
Venceu a "fla-Boca", criação dos recalcados que acham que tem o melhor time do mundo e quando estão fora sempre fazem isso. Não foi a primeira vez. Não será a última.
Acho que a "fla-boca" acabou.
Viva o futebol.
É isso aí.

03 Junho, 2008

Lista de Gestores com contas rejeitadas, publicadas pelo TCM

Uma das lista mais aguardadas dos últimos tempos.
É a lista de gestores com contas rejeitas pelo Tribunal de Contas dos Municípios.

Leia a informação do TCM:

"Relação de Prefeitos/Gestores Municipais com Contas Rejeitadas pelo TCM/CE, por decisão definitiva, ou que receberam parecer prévio desfavorável à aprovação do TCM, no período de 01/01/2003 a 29/05/2008 (*), encaminhada à Justiça Eleitoral, em cumprimento à disposição contida no parágrafo 5º, do Art. 11 da Lei Federal nº 9.504/1997

Quem são os Prefeitos/Gestores Municipais arrolados na relação encaminhada à Justiça Eleitoral?

1. Prefeitos Municipais responsáveis por Prestações de Contas de Governo que receberam do TCM Pareceres Prévios Desfavoráveis que:a) tenham sido mantidos pela Câmara Municipal;b) estejam aguardando julgamento da Câmara Municipal, ou c) os resultados de julgamento da Câmara Municipal não tenham sido informados ao TCM.

2. Prefeitos/Gestores Municipais responsáveis por Prestações/Tomadas de Contas de Gestão rejeitadas pelo TCM, por decisão definitiva.

3. Prefeitos/Gestores Municipais responsáveis por Tomadas de Contas Especiais ou Processos de natureza semelhante, instaurados para exame de ATOS DE GESTÃO praticados em decorrência da aplicação de recursos públicos, e que tenham sido julgados, por decisão definitiva pela procedência ou pela procedência parcial."

Agora confira um pequeno exemplo: a lista sobre o Município do Crato.

Gestores de Crato (17)
Nome do Gestor
1
ANGELO BRIGIDO DE ARAUJO
2
ANTONIO CARLOS FERREIRA ARAUJO
3
ANTONIO DE MATOS E SILVA
4
ANTONIO PRIMO DE BRITO
5
CARLOS BARRETO DE CARVALHO
6
FLORISVAL SOBREIRA CORIOLANO
7
FRANCISCO ASSIS BEZERRA DA CUNHA
8
FRANCISCO DA SILVA LEAL
9
FRANCISCO WALTER PEIXOTO
10
JOSE ALDEGUNDES MUNIZ GOMES DE MATOS
11
JOSE GILSON RIBEIRO DE ALENCAR PARENTE
12
JOSE YARLEY DE BRITO GONCALVES
13
LUCIANA MARIA BRITO RODRIGUES
14
MARIA ALDEI ALENCAR DE FARIAS
15
MARIA ISA PINHEIRO CARDOSO
16
MOACIR SOARES DE SIQUEIRA
17
VICENTE CARLOS DE ALENCAR


Taí. é só conferir.

02 Junho, 2008

Juízes que votaram a favor da Lei de Biossegurança

Eis a lista dos juízes que votaram a favor da Lei de Biossegurança. E garantiram que a República continua laica. Por enquanto. O conservadorismo atua contra e tenta impor seus dogmas religiosos.


Mas vamos à lista:

Celso de Mello,
Carlos Ayres Brito,
Carmen Lúcia,
Joaquim Barbosa,
Marco Aurélio de Mello e
Ellen Gracie.

PIG seletivo.


Charge de Bessinha para Charge Online.

O PIG - Partido da Imprensa Golpista é seletivo. Esconde as mazelas do PSDB ...