Gilles Lapouge faz uma análise sobre o Nepal, que saiu de uma Monarquia Absoluta e Teocrática Hindú para o governo dos Maoístas.
"A volta surpreendente de Mao e Marx
Gilles Lapouge*
O Nepal, Estado do Himalaia entre a China e a Índia, deu uma reviravolta histórica fantástica. No lugar da monarquia de 239 anos, instalou uma república maoísta.
Na capital, Katmandu, célebre quando hippies do mundo inteiro ali chegavam para mendigar, se drogar, se amar e amar as flores, agora as ruas estão decoradas com fotos de um grupo de ressuscitados: Marx, Engels, Mao Tsé-tung, Lenin e Stalin. Parece que o país, congelado nas neves eternas, parou no tempo - se não regrediu.
Esse pequeno pedaço de montanha (147 mil quilômetros quadrados, do tamanho do Ceará, e 27 milhões de habitantes) é muito pobre (PIB de US$ 290 por habitante). As desigualdades eram tão gritantes que, em 1996, eclodiu uma revolta maoísta, seguida de uma guerra que deixou 13 mil mortos.
A família real não estava muito preocupada com a ameaça revolucionária. Não tinha tempo. Consagrava todo o tempo livre a se destroçar. Todo mundo se detestava no palácio real, mais ou menos como nas peças sangrentas de Shakespeare ou Sófocles.
Em 2001, o rei Birendra foi assassinado pelo príncipe herdeiro - que, no embalo, aproveitou para matar algumas tias e sobrinhos. O irmão do rei subiu então ao trono. Infelizmente esse irmão, Gyanendra, não valia nada.
Arrogante, desprezível, insensível às dores do povo.Em 2006, os maoístas exigiram a abolição da monarquia. Os demais partidos políticos uniram-se à demanda e foi assim que Mao, que se acreditava instalado na eternidade, fez seu retorno estrondoso. As primeiras declarações dos maoístas são tranqüilizadoras.
Citaram Lenin e Mao, mas não anunciaram uma "revolução cultural" ou economia bolchevista. O encarregado dos assuntos doutrinários precisou que não é questão de abolir a propriedade privada, assumindo uma posição surpreendente, que tranqüilizou o capital estrangeiro, e deixou em desespero os maoístas do mundo inteiro (ao menos, os que restam). O responsável maoísta explicou-se.
As sociedades passam necessariamente por três etapas sucessivas: o feudalismo, o capitalismo e o comunismo. É impossível inverter a ordem ou pular uma dessas etapas.
Ora, no Nepal a monarquia era feudal. Não pode, portanto, saltar, de um só golpe, para uma sociedade comunista, pois isso poderia provocar distorções. É assim que a revolução maoísta irrompe no Nepal, sob o falso esplendor do liberalismo econômico. Viva a dialética! "
* Gilles Lapouge é correspondente em Paris
Uma atitude
30 Maio, 2008
Uma análise sobre o Nepal, por Gilles Lapouge
Vitória
A pesquisa com células-tronco embrionárias foi permitida pelo Supremo. Vitória da ciência contra o obscurantismo religioso.
27 Maio, 2008
Nota de Esclarecimento
Reproduzo esta nota que foi postada no Blog do Crato.
"NOTA DE ESCLARECIMENTO
26 Maio, 2008
Em defesa do fortalecimento da Universidade Pública.
A Universidade Regional do Cariri vai oferecer diversas bolsas para estudantes da instituição.
Algumas serão inéditas como as de Monitoria Remunerada e de Iniciação Científica. Outras serão ampliadas como as dos estágios em laboratórios.
Confira no site da URCA:
Bolsas para estágio em laboratório
http://www.urca.br/ViewCont/IndexDest.php?cod_news=1135&ref=0&idMenuP=1
Bolsas para Monitoria
http://www.urca.br/ViewCont/news/IndexNews.php?cod_news=1136&ref=0&idMenuP=1&reitor=nulo&filtro=nulo
Bolsas para Iniciação Científica
http://www.urca.br/ViewCont/IndexDest.php?cod_news=1137&ref=0&idMenuP=1
23 Maio, 2008
Mais recursos para a saúde
Editorial do Portal Vermelho, ao qual eu assino embaixo.
22 DE MAIO DE 2008 - 19h24
A nova CPMF: mais recursos à Saúde
"A irresponsável derrubada da CMPF pela oposição, em dezembro de 2007, sangrou em R$ 40 bilhões ao ano o Orçamento Federal.
O Sistema Público de Saúde, SUS, fundamental, à saúde do povo foi duramente prejudicado. O PSDB e o DEM, com auxílio de outras forças políticas como o PSOL, derrubaram a CPMF com uma pregação demagógica.
Diziam que se tratava de uma cruzada contra os impostos. Alardeavam que os preços ao consumidor seriam reduzidos. Nem uma coisa, nem a outra. A oposição agiu a serviço do poder econômico, em nada se importando com a situação dramática da maioria do povo a quem só tem o SUS para recorrer.
A mesma oposição que no Senado derrubou a CMPF, agora, ajudou aprovar o projeto que regulamenta a emenda constitucional 29. É, pois, explicita e escancarada, nesta matéria, a hipocrisia de demos e tucanos.
Todavia, independentemente do oportunismo da dupla PSDB-DEM, o SUS precisa de mais recursos e já. Agora!
Se a fome não espera, de igual modo a vida afetada por doenças.
A precariedade do atendimento do SUS provoca um sofrimento incalculável a milhões de brasileiros. Diariamente, muitas vidas de filhos do povo são ceifadas em conseqüência dessa precariedade. Por isso, o assunto tem pressa. O jargão parlamentar ''urgência, urgentíssima'', no caso concreto, é mais do que apropriado.
O projeto de regulamentação da emenda 29 já aprovado no Senado eleva o percentual da receita da União aplicado na saúde para 8,5% em 2008, 9% em 2009, 9,5% em 2010 e 10% em 2011. A regulamentação, também, define o é que gasto em saúde. Sem tal definição, administrações estaduais e municipais contabilizam investimentos em outras áreas como sendo da saúde.
O Palácio do Planalto mandou avisar que se o Congresso aprovar a emenda 29 terá que, ao mesmo tempo, indicar as fontes de financiamento.
A base do governo está determinada em recriar a CMPF com uma alíquota menor do que a anterior.
A liderança do PCdoB apóia essa medida e defende uma alíquota de 0,1%. Defende, ainda, que para este ano o governo aporte, de imediato, mais recursos provenientes da arrecadação recorde que vem ocorrendo. No primeiro trimestre de 2008 a arrecadação foi quase 13% superior ao mesmo período de 2007.
A oposição promete novamente derrubar a CMPF no Senado, caso ela se seja recriada na Câmara dos Deputados; setores do empresariado prometem uma nova cruzada. E a mídia, com certeza, acusará os governistas de partidários da derrama.
A oposição, setores da mídia, os parlamentares, os empresários, que não usam o SUS montam um estratagema sujo mesmo conscientes de que a vida e a saúde do povo é que estão em jogo.
Querem desgastar o governo, não importa que o preço seja esse.
Já o governo e sua base parlamentar precisam construir uma coesão em torno de saídas efetivas para o problema. Mais recursos à saúde, agora e já.
A fonte única e permanente para melhorar a saúde pública é a CPMF. Que a oposição fique com o ônus de negar ao povo o direito de um atendimento público médico-hospitalar de qualidade."
22 Maio, 2008
Já o Vasco...
Já o Vasco da Gama continua seu calvário. Perdeu para o Sport, em Recife.
Vamos ver o que acontecerá em São Januário.
Gostei de ver.
Afirmava ele, que o São Paulo era melhor, que vacilou no primeiro tempo, mas que tinha melhorado, que o Rogério Ceni era o tal etc etc etc.
No último minuto dizia ainda que era justa a classificação do São Paulo etc etc (que perdia naquele momento por 2 a 1, mas que se classificava com aquele resultado).
Só que aos 47 minutos, o Fluminense fez o terceiro...
Os caras da "Band" atônitos...
Os paulistas não aceitam perder em nada.
Mas perderam.

Neto, "tu és bairrista, meu"... rsrs
Alexandre Garcia: funcionário do PIG
Fou uma espécie de "porta-voz" do Governo Collor. Defendia aquele governo, trabalhou para que fosse eleito em 1989, manipulando o debate entre C ollor e LULA. História velha e conhecida.
Mas em seu auto-retrato ele não se define assim.
Vejamos:
A relação de Alexandre Garcia com o microfone começou quando ele tinha 7 anos de idade. E isso há mais de meio século...
Seu pai era de rádio e o chamava sempre que havia papel infantil em radionovelas. Era tudo ao vivo.
Aos 15 anos, foi escolhido para ser o locutor da missa dominical na Matriz de Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, onde nasceu. Aos domingos, fazia, pela Rádio Cachoeira, um programa ao vivo de hora e meia de duração.
Já em Porto Alegre, pagou seus estudos e pensão sendo locutor das 22 h às 1h na Rádio Difusora, que era dos Diários Associados. Aos sábados, apresentava, ao vivo, o programa Cotillon Club, direto de uma boate com o mesmo nome.
“De modo que quando fiz o vivo recordista de 22 minutos no Jornal Nacional, já estava acostumadíssimo com isso. Foi na derrubada do monopólio da Petrobras, no plenário da Câmara Federal”, lembra Alexandre.
Pela TV Globo, fez todas as eleições presidenciais ao vivo, tendo anunciado as eleições de Collor, Fernando Henrique e Lula. “Com o Joelmir, fizemos a série, ao vivo, Palanque Eletrônico, a que submetemos cada candidato da eleição presidencial de 1989”, conta.
Hoje, é comentarista e, eventualmente, apresentador no Bom Dia Brasil. É também repórter e apresentador de plantão do Jornal Nacional e faz o programa Espaço Aberto, da GloboNews. Em Brasília, coordena e apresenta o DFTV Primeira Edição. Foi diretor de jornalismo em Brasília por cinco anos, até 1995.
Alexandre se formou na PUC de Porto Alegre, tendo sido o primeiro no vestibular e nos quatro anos da Faculdade dos Meios de Comunicação Social. No último ano de faculdade, começou a trabalhar no Jornal do Brasil, pelo qual cobriu, por três anos, Argentina e Uruguai. Na Argentina, foi seqüestrado pelos Montoneros e ameaçado de morte pela Triple A. De Buenos Aires, fugiu para Brasília, para não ser morto, em 1976.
Por 18 meses foi subsecretário de imprensa da Presidência da República, em 1979/80.
Serviu para descobrir como funciona o outro lado. Hoje, isso facilita enormemente a percepção do que acontece no Palácio do Planalto.
No fim de 1981 se tornou chefe de jornalismo da Manchete em Brasília e colunista das revistas Manchete e Mulher de Hoje. Também fazia comentários na Rádio Manchete. Cobriu três guerras: no Líbano, em Angola e nas Malvinas.
Essa última lhe valeu uma condecoração dada pela Rainha Elisabeth: A Ordem do Império Britânico. Em 1983, começou sua carreira na TV, com a inauguração da TV Manchete. “Era o âncora do bloco de Brasília, entrando ao vivo, todos os dias, sem teleprompter”, lembra o jornalista.
Em março de 1988, veio para a Globo. Nas horas vagas, Alexandre Garcia dá palestras, faz comentários para 90 emissoras de rádio e escreve artigos para 40 jornais. “E tenho saudades do tempo que fazia a crônica para o Fantástico, ironizando os atos falhos dos políticos”, diz. "
Taí. Personagem que trabalhou pra ver como era o "outro lado"...
Hoje é arauto do conservadorismo, travestido de liberal, defensor do grande capital, funcionário de um dos principais elementos do PIG, a REDE GLOBO.
21 Maio, 2008
Barak Obama
Será que Barak Obama conseguirá a indicação efetiva para ser o primeiro candidato negro na História dos Estados Unidos?
Veremos.
19 Maio, 2008
Disputa em São Paulo

A corrida eleitoral mostra um quadro de acirramento. Se a eleição fosse hoje, Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM, Ex-PFL), estariam na frente.
O camarada Aldo Rebelo (PCdoB) teria apenas 1% das intenções de voto.
A pesquisa foi feita pelo DataFolha.
Assim o Portal Vermelho se pronunciou:
16 Maio, 2008
Personagens Históricos
Andrei Zhdanov
1896—1948
Aderiu aos bolcheviques em 1915. Partidário de Stalin, galgou postos na hierarquia do Partido e ajudou-o a estabelecer sua política cultural, atuando na criação da União dos Escritores Soviéticos e no estabelecimento da doutrina do "Realismo Socialista".
Após o assassinato de Kirov, foi nomeado Governador de Leningrado tendo desempenhado importante papel na defesa da cidade contra os alemães, na segunda guerra mundial. Depois da guerra, em 1947, Zhdanov organizou o Cominform.
Fonte: http://www.marxists.org/
20 anos do Museu de Paleontologia
Até hoje mais de cento e noventa mil visitantes estiveram no Museu, numa cidade que tem apenas cerca de 7 mil habitantes.
15 Maio, 2008
Der Spiegel
Mini-verdades da mídia na eleição nos EUA
"Barack Obama talvez esteja mais perto do que nunca de derrotar Hillary Clinton na corrida pela nomeação democrata, mas o verdadeiro perdedor da campanha eleitoral é o povo americano. Ele foi traído por jornalistas cínicos que constantemente optaram por estilo sobre a substância."
Por Gabor Steingart, no Der Spiegel
14 Maio, 2008
Série Discursos: Cidadãos!
J. V. Stálin
outubro de 1905
Primeira Edição: Publicado conforme o texto da proclamação impressa em outubro de 1905 na tipografia do Comitê de Tíflis do P.O.S.D.R.Fonte: J.V. Stálin – Obras – 1º vol. – traduzida da edição italiana da Obras Completas de Stálin publicada pela Edizioni Rinascita, Roma, 1949.
Cidadãos! Para a eliminação de um punhado de aristocratas das finanças e da terra, é do vosso interesse unir-vos ao grito de incitamento do proletariado, e, juntamente com ele, apressar essa insurreição salvadora de todo o povo.
Cidadãos!
Viva a República Democrática!
Viva o Proletariado da Rússia em luta!
Assinado: O Comitê de Tíflis."
Série Discursos: "Um Partido Vitorioso".
"Um Partido Vitorioso"
João Amazonas
12 de Dezembro de 2001
Fonte: trecho do pronunciamento realizado na plenária final do 10º Congresso.
Transcrição: Diego Grossi Pacheco
HTML: Fernando A. S. Araújo, Janeiro 2008.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.
"Camaradas,
temos um partido combativo, que não é fechado; um partido — em certo sentido — alegre porque luta por ideais elevados, com a certeza de que eles podem ser conquistados.
Por isso me alegra na realização deste 10º Congresso, sobretudo o entusiasmo e a numerosa participação de delegados de quase todo o Brasil.
E todos aqui se reúnem para discutir com seriedade o futuro da nossa organização.
Não tenho dúvidas sobre o nosso futuro, pois nosso Partido está vivendo um momento, como acentuou aqui o companheiro Renato Rabelo, de expansão — está vivendo um momento de crescimento organizado. O nosso Partido vive uma situação de real importância para os destinos do nosso país.
Saímos, nestes oitenta anos de luta, daqueles períodos duros em que o Partido não passava de uma força — sem dúvida — combativa e cheia de heroísmo, porém fechada e com dificuldades para se relacionar e se impor na sociedade brasileira como uma organização respeitável e digna de ser ouvida e seguida pelos brasileiros.
Por isso, companheiros, devo dizer que este Congresso assinala um ponto de viragem para o nosso Partido. Estou certo de que nas próximas eleições vai ficar definido melhor ainda como o PCdoB vai conquistando posições sólidas na sociedade brasileira — um partido que se impõe pela defesa não somente dos ideais grandiosos, como é a conquista do socialismo, mas sobretudo por saber dar soluções aos problemas cruciais que se colocam a cada momento na vida do nosso país.
Companheiros, dirijo este Partido — como principal dirigente, digamos assim — desde 1962.
Claro que não era somente eu, pois se tratava de uma direção coletiva de companheiros abnegados, de quem não posso falar sem lembrar com saudades e com respeito pela sua combatividade — companheiros como Maurício Grabois, Pedro Pomar, Lincoln Oest, Carlos Danielli, Ângelo Arroyo, Luis Guilhardini e outros tantos que estiveram presentes na direção deste Partido e que pagaram alto preço pela coragem de desafiar um regime de traição e brutalidade em nosso país, para defender os interesses do nosso povo. Esses companheiros foram todos assassinados pela repressão e morreram com honra no seu posto de luta. Portanto, camaradas, devo dizer que dirijo este Partido desde 1962, com a sua reorganização, e assumindo maiores responsabilidades ainda com a morte dos principais dirigentes daquela época.
Agora vou fazer — em abril de 2002 — 67 anos de militância no PCdoB; e militância ininterrupta.
Jamais interrompi a minha militância em nenhum momento. Fui sempre um combatente esforçado para realizar as tarefas do nosso Partido. Quero colocar diante de vocês uma questão, que é uma questão também de princípios.
Devo dizer que dentro de duas semanas (em 1º de janeiro) completo 90 anos de idade; por isso peço aos camaradas que me dispensem da função de principal dirigente do Partido — quer dizer, de presidente nacional do Partido Comunista do Brasil. No nosso Partido não há cargos vitalícios e eu tampouco, com isso, estou pedindo aposentadoria.
Quero morrer, companheiros, na minha banca de trabalho, continuando a lutar pelos ideais que procurei defender durante a vida. Mas penso que não tenho mais condições de poder dirigi-lo como principal posição de direção. E, por isso, companheiros, peço dispensa desse cargo e aponto para minha substituição o companheiro Renato Rabelo, um bom camarada que vem se destacando no nosso Partido e procurando seguir as suas tradições de luta.
Vou continuar como membro do Comitê Central na minha banca de trabalho, mas já não tenho condições físicas para continuar à frente do principal cargo de direção.
Devo dizer, companheiros, que essa substituição se faz normalmente e se faz como é devido. Por isso quero aqui agradecer a vocês todos o grande apoio que sempre tive nas fileiras do nosso glorioso e heróico Partido Comunista do Brasil."
A República tem que ser laica.
O ESTADO DO RIO NÃO É LAICO
Atualizado e Publicado em 13 de maio de 2008 às 23:47
por Stela Guedes Caputo, na Carta Maior
13 Maio, 2008
Escravidão - 1ªparte
A estimativa da população escrava na província cearense em 1864 era de 36 mil habitantes. O censo de 1872 apresentava 31.975 escravos, perfazendo 4,4% da população escravizada no Brasil, ao passo que a província do Rio de Janeiro detinha 39,7% dos escravos. Tal questão levou os historiadores a se debruçarem sobre o assunto, não só na análise dos motivos que tornaram o Ceará uma província onde a escravidão teve menor presença, mas também sobre as relações de trabalho não-escravistas que existiram para atender à necessidade dos proprietários de terras cearenses.
A realidade no Cariri cearense não se demonstrava diferente do restante da província. Qual foi a presença da mão-de-obra escrava na Vila Real do Crato, durante as décadas de 20 e 30 do século XIX, período de transição, no processo histórico de independência do Brasil?
Nas diversas obras, desde as contemporâneas à escravidão como as posteriores, muito se escreveu sobre as atividades econômicas desenvolvidas na região do Cariri durante o século XIX, mas quase nada se falou sobre as pessoas que realizavam as atividades. Quando muito, referências gerais sobre os trabalhadores, sejam livres ou escravos.
Um escravo em qualquer lugar do Brasil possuía as mesmas características. Ao mesmo tempo em que do ponto de vista jurídico era considerado como uma propriedade, sua humanidade se manifestava em seus desejos, revoltas, submissões, sonhos, amores e trajetórias. Todos os escravos tinham uma história. História que não pode ser silenciada.
Dessa maneira, mesmo que o número de escravos tenha sido menor no Ceará em relação a outras províncias como a do Rio de Janeiro, isso não nos exime, como historiadores, de estudar e compreender o fenômeno da escravidão em terras cearenses. Homens, mulheres e crianças viveram sob o jugo da escravidão. Sofreram os mesmos maus tratos e exploração que os escravos em outros locais. Trabalharam, desenvolveram laços de amizade e união, lutaram e rebelaram-se como escravos nas demais províncias. Na Vila Real do Crato não foi diferente. Existiu aqui, tanto a formação de quilombos, como a presença de mão-de-obra escrava e negra sendo utilizada nas mais diversas atividades.
Tendo o escravo como referencial, partimos para o estudo da importância desse tipo de trabalhador na economia cratense, nas décadas de 20 e 30 do século XIX. Buscamos descobrir qual era o percentual de escravos envolvidos em atividades produtivas e não-produtivas e a importância desse tipo de trabalhador no universo das propriedades existentes. A partir da confirmação da presença do trabalhador cativo nas atividades econômicas na Vila Real do Crato, poderemos proceder à análise de sua importância para aquela formação social. Conhecida mais pelas suas manifestações culturais (em um sentido estrito) e religiosas e também pelos movimentos políticos, como o da Confederação do Equador, sobre a escravidão que existiu ali, pouco se escreveu, assim como sobre as condições de vida dos escravos e as relações sociais que se estabeleceram.
Eles não desistem.
Míriam Leitão, agente do PIG
12 Maio, 2008
Alienação e trabalho.
Vídeo muito bem feito sobre alienação e trabalho.
http://br.youtube.com/watch?v=7-3GNPM9Wok&feature=related
PHA enfrenta o PIG e o PSDB
Leia na íntegra em http://www.paulohenriqueamorim.com.br/
"COMEÇA A CHEGAR A CONTA DOS TUCANOS
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1125
" Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
. Os americanos usam com freqüência a expressão “chickens come home to roost “ – ou “a galinha sempre volta ao poleiro”.
. Quer dizer: o que você fez de errado no passado um dia vai te atormentar.
. Outra forma de dizer: quem dorme com cachorro acorda com as pulgas.
. O PiG sempre blindou os tucanos.
. Era muito fácil: bastava ligar para o Dr. Roberto, para o “Seu” Frias e para o Ruy Mesquita (ao Roberto Civita bastava um assessor passar o recado).
. Com três telefonemas se fazia a censura à imprensa brasileira.
. O presidente eleito José Serquércia, por exemplo: não precisa nem da TV Cultura: ele tem a Globo de São Paulo ...
. Embora o Governo Lula tenha cometido o erro histórico de não enfrentar ou buscar alternativas ao PiG, a situação se modificou um pouco.
. Clique aqui para ler na Carta Capital sobre “TV Pública, o dilema”.
Magistrados suíços resolveram investigar a Alstom francesa.
. O PiG, como sempre, vai tentar circunscrever a roubalheira a um espaço fora das administrações Covas/Alckmin em São Paulo.
. Clique aqui para ler sobre a Alstom, aqui no Conversa Afiada.
. Vai ser difícil.
. Os magistrados suíços não devem ler o PiG.
. Além do mais, a Alstom fez contratos milionários com o metrô do Rio, no tempo em que Daniel Dantas controlava o metrô do Rio.
. (Clique aqui para ler “Falta alguém na Alstom”)
. (Clique aqui para ler por que o PiG não fala mal de Dantas. Note que a irmã de Dantas financiou uma empresa da filha de Serra)
. (Clique aqui para ler sobre os vários chapéus do Gaspari)
. Eventualmente, os magistrados suíços podem esbarrar no Dantas, já que na Justiça brasileira ele não perde uma ...
. Porém, há novas denúncias que envolvem ilustres tucanos.
. O Estadão (sábado, pág A9 – clique aqui para ler e domingo, pág A9 – clique aqui para ler) mostra que o Ministério Público denuncia um senador do PSDB de Goiás, o ex-governador Marconi Perillo, de “formação de quadrilha, fraude processual, peculato, caixa dois, e outros crimes eleitorais cometidos durante a campanha de 2006 e no início de 2007”.
. É o chamado básico dos crimes eleitorais.
. Uma espécie de “melhores momentos” dos crimes eleitorais.
. Este senador, como se sabe, preside a Comissão de Infra-Estrutura do Senado e foi ele quem convocou a Ministra Dilma Rousseff para aquele celebre depoimento em que o senador Agripino Maia lançou a candidatura de Rousseff a Presidente.
. Clique aqui para ler “Dilma arrasa a oposição” e “Quem afunda a oposição “.
. O senador Perillo também foi intermediário de uma negociação entre o Governo e a oposição para salvar a CPMF – o Governo se comprometia a usar TODO o dinheiro na Saúde e o Senado mantinha a CPMF.
. Perillo concordou com a idéia.
. E em seguida fez um dos mais veementes discursos contra a CPMF ...
. Clique aqui para ler sobre o “jogo duplo” do ínclito senador.(*)
. Outra denúncia de corrupção atinge a tucana Yeda Crusius, governadora do Rio Grande do Sul.
. Clique aqui para ler “A Via-Crúcis de Yeda – Rio Grade do Sul – Fraudes no Detran complicam a vida da governadora tucana”, na Carta Capital que está nas bancas.
. Personagem importante da reportagem de Leandro Fortes é Lair Frest, acusado de montar o caixa dois tucano no Rio Grande do Sul.
. A Polícia Federal prendeu 13 pessoas e indiciou outras 39 por desvio de R$ 40 milhões diz a Carta.
. É coisa de tucano: muita grana e pouca publicidade ...
. Daqui a pouco a galinha dos tucanos de São Paulo volta para o poleiro...
(*) Esse é um dos arquivos antigos que postei quando trabalhava no iG. Se a “limpeza ideológica” promovida por Caio T(“T” de Tartufo) Costa tivesse dado certo – e não deu certo por causa de uma decisão judicial obtida em 24 horas – esse arquivo teria ido para o espaço ...
Clique aqui para ler sobre a “limpeza ideológica” e a vitória que obtive na Justiça."
A IV Frota vem aí. O Império está de olho.
A Quarta Frota do Império, utilizada para "monitorar" a América Latina está de volta. A partir de 1º de julho, irá patrulhar nossos mares.
Os Estados Unidos estão "preocupados" com nossa segurança...
Segundo o Pentágono, " é uma demonstração do compromisso dos Estados Unidos com seus aliados da região”.
Estão de olho em Hugo Chavez e outros "inconvenientes".
A luta de classes e a luta contra o imperialismo estão mais vivas do que nunca.
Regressismo
O Vermelho resiste
O Portal Vermelho que sofreu ataque continuado nos último dias, através da tentativa de invasão e instalação de vírus, continua no ar. Com algumas restrições ainda, mas no ar.
Não adianta tentar impedir os comunistas de propagarem suas idéias. Resistiremos.
Leia:
11 Maio, 2008
Ataque ao Portal Vermelho
O Portal Vermelho está fora do ar desde sábado. Na sexta-feira já havia passado por problemas de ataques virtuais.
Assim o Portal noticiou a situação:
"O Vermelho voltou a ser alvo de ataques virtuais. Nossa equipe técnica está trabalhando para solucionar o problema. Enquanto isso, bloqueamos o acesso ao portal para evitar transtornos aos internautas. Assim que a situação estiver normalizada, o acesso ao portal será liberado.
Pedimos desculpas e esperamos contar com a compreensão de todos.
A equipe do Vermelho"
09 Maio, 2008
Racistas do PIG
Reproduzo artigo publicado na Revista Caros Amigos.
Em azul, a opinião ao articulista. Em marrom, os trechos dos racistas que fazem parte do PIG - Partido da Imprensa Golpista.
"Diogo Mainardi encampa discurso neo-racista brasileiro
por Ismar C. de Souza
Cotas raciais nos EUA e no Brasil A campanha pelos direitos civis nos Estados Unidos, que ganhou notoriedade internacional com a marcha de quase meio milhão de pessoas até Washington em 1963, foi o embrião da política oficial de cotas raciais, implementada a partir de 1970.
entre os da raça negra, quase metade (48%) já foi revistada alguma vez. Desses, 21% já foram ofendidos verbalmente e 14%, agredidos fisicamente por policiais;
os pardos superam os negros em ofensas: 27% deles foram ofendidos verbalmente e 12% agredidos fisicamente. Ao todo, 46% já foram revistados alguma vez;
a população branca é menos visada pela polícia. Entre estes, 34% já passaram por uma revista, 17% ouviram ofensas e 6% já foram agredidos, menos da metade da incidência entre negros.
Mas estão deletando a si próprios da civilização, eles sim refugiados num passado vergonhoso: aquele em que os preconceitos raciais ainda podiam ser expressos impunemente. Hoje, pelo contrário, só despertam perplexidade, indignação e asco."
08 Maio, 2008
Política no Crato
Sobre a sucessão política na cidade do Crato, começam os ataques típicos das épocas eleitorais.
Setores vinculados ao PSDB local se "escandalizam" quando ocorre uma reunião com representantes do PV, PT e PMDB, sendo que as pessoas que representam tais partidos já foram adversários anteriormente.
Eu como comunista e presidente do PCdoB no município acho que na política é normal que ocorram reuniões entre partidos e lideranças.
Política é mediação.
É conversar.
Até adversários podem e devem dialogar.
O que eu não entendo é o escândalo porque algumas lideranças políticas estão conversando. Já sobre o conteúdo da conversa, o que me intriga é saber como é que se tem o conhecimento da fala das pessoas?
O que há demais nas pessoas que são de partidos políticos que compõem a mesma base tanto a nível federal e estadual conversarem?
Não vejo problema nenhum e sim uma tempestade em copo d'água.
07 Maio, 2008
Colocando os filhotes da ditadura em seu lugar
Deu no site do Paulo Henrique Amorim (www.paulohenriqueamorim.com.br)
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1118
. A oposição deu um tiro no pé ao convocar Dilma Rousseff para se afogar nos cartões corporativos.
. O senador Agripino Maia, do PFL-RN, voltou aos bons tempos de provocador e deu a entender que tudo o que Rousseff dissesse ali poderia ser uma mentira.
. O senador lembrou que, numa entrevista recente, Rousseff confessou que mentiu quando esteve presa no regime militar.
. Uma mentira que Rousseff contou quando tinha 19 anos.
. Ela foi torturada e ficou três anos presa.
. Diante da provocação do senador pefelista, Rousseff subiu.
. Rousseff atingiu o ponto certo da resposta, com firmeza e serenidade, e colocou o senador na posição histórica que ocupam os que acionavam a maquininha do choque elétrico.
. Rousseff falou:
. Não há dialogo com o pescoço na forca.
. Não há verdade na ditadura.
. O que se trava aqui no Senado, agora, é o dialogo democrático, entre iguais, entre cidadãos em igualdades de condição.
. Eu me orgulho de ter mentido para salvar companheiros da tortura e da morte.
. No pau de arara e com choque elétrico não há possibilidade de dialogo civilizado.
. Tenho imenso orgulho do que fiz: mentir aos torturadores.
. Em resumo, a oposição errou: deu a possibilidade de se conhecer essa Rousseff, que parecia adormecida sob o sucesso do PAC.
. A oposição foi tosquiar e saiu tosquiada.
Geopark Araripe
Um projeto que volta para o leito institucional.
"Em: 07.05.2008 - às 16:03
Estado do Ceará entra na disputa pela realização de Conferência Internacional na região do Cariri Conferência Internacional
A Conferência Internacional
O Reitor da Universidade Regional do Cariri (URCA), Plácido Cidade Nuvens, fará parte da comitiva que irá Osnabruck, na Alemanha, no mês de junho, participar da 3ª Conferência Internacional de Geoparks. Na ocasião, será pleiteada a realização da 4ª Conferência em 2010 no Brasil, na região do Cariri.
Esse tem sido o propósito da nova administração da universidade, que desde o momento que assumiu a URCA vem atuando no sentido de fortalecer a instituição de forma aberta e democrática, com transparência de suas ações. Também participa da comitiva o gerente do Geopark Araripe, João de Aquino.
A escolha da sede da 4ª Conferência será realizada durante a 3ª Conferência Internacional de Geoparks. Na oportunidade, o Estado também estará participando da 1ª Feira Mundial de Geoparks, com um stand do Geopark Araripe. A Conferência Internacional de Geoparks é um importante evento científico organizado de dois em dois anos pela Rede Global de Geoparks. O Geopark Araripe é o único geopark reconhecido pela Unesco nas Américas e também no Hemisfério Sul.
A propositura a ser apresentada a Unesco está sendo elaborada por um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria das Cidades, que também conta com representantes das secretarias da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), do Turismo (Setur), da Universidade Regional do Cariri (Urca), do Geopark Araripe e da consultora do Banco Mundial, Mônica Amorim.
Inclusão Social
A intenção da Administração da URCA é aproximar e incluir as comunidades da região no projeto do Geopark Araripe, para que as mesmas se sintam responsáveis pelo mesmo e também se sintam valorizadas nas ações do projeto.
A popularização do Geopark Araripe e participação popular são desafios que se apresentam atualmente e o Reitor da URCA, Prof. Plácido Cidade Nuvens, estabeleceu como metas para serem atingidas pela atual Gerência do Geopark, já que não faziam parte das diretrizes fixadas anteriormente, mas que são compromissos assumidos pela atual reitoria, na busca do desenvolvimento regional.
De acordo com o secretário das Cidades, Joaquim Cartaxo, a realização da Conferência Internacional de Geopark garantiria ao Estado um reconhecimento internacional das ações relacionadas à preservação patrimonial, educação científica, meio-ambiente, e desenvolvimento/turismo sustentável. Em outubro do ano passado, o reitor da URCA esteve em Brasília para receber o Prêmio Rodrigo de Melo Franco, do Ministério da Cultura (Minc)/Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O arquiteto responsável pelo projeto, José Sales, também foi premiado.
Nova Sede
Nesta nova administração, o Geopark receberá sua sede própria. A construção está prevista para começar no segundo semestre deste ano, iniciando com isso o desenvolvimento, de fato, da parte de infra-estrutura do projeto e possibilitando que os recursos gastos com o aluguel da sua atual sede sejam disponibilizados para outros setores.
É permitida a reprodução de textos e fotos, desde que citada a fonte.
Textos: Reitoria da URCA - Email: urca@urca.br - Tel: (88) 3102 1212"
05 Maio, 2008
Reflexões do comandante Fidel
Karl Marx
Em 05 de maio de 1818 nascia Karl Marx, dirigente da I Internacional e líder dos trabalhadores na luta pelo Socialismo.
04 Maio, 2008
Ação Imperialista
Morales partem para a sabotagem e para um "referendo" com a clara tentativa de desestabilizar o país andino. E com a clara interveniência dos EUA.
Veja também:
01 Maio, 2008
Artigo de Altamiro Borges
" “Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”.
A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias. Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia realizaram a primeira greve com esta bandeira. Em 1832, ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia. Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto de redução da jornada para os funcionários públicos.
Greve geral pela redução da jornada
Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir de 1850, surgem as famosas Ligas das Oito Horas, comandando a campanha em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas. Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução para todos os assalariados, ''sem distinção de sexo, ofício ou idade''. A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 – maio era o mês da maioria das renovações dos contratos coletivos de trabalho nos EUA.
A greve geral superou as expectativas, confirmando que esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado. Segundo relato de Camilo Taufic, no livro ''Crônica do 1º de Maio'', mais de 5 mil fábricas foram paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às ruas para exigir a redução. Muitas empresas, sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas.
“Chumbo contra os grevistas”, prega a imprensa
Mas a batalha não foi fácil. Em muitas locais, a burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários. O bando dos ''Irmãos Pinkerton'' ficou famoso pelos métodos truculentos utilizados contra os grevistas. O governo federal acionou o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou: “O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda”.
A polarização social atingiu seu ápice em Chicago, um dos pólos industriais mais dinâmicos do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das fábricas. Diante da intransigência patronal, ela prosseguiu nos dias seguintes. Em 4 de maio, durante um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram feridos.
Os oito mártires de Chicago
Apesar da origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos interrogatórios. Como desdobramento desta onda de terror, oito líderes do movimento – o jornalista Auguste Spies, do ''Diário dos Trabalhadores'', e os sindicalistas Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe – foram detidos e levados a julgamento. Eles entrariam para a história como ''Os Oito Mártires de Chicago''.
O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história dos EUA. Seu único objetivo foi condenar o movimento grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis pela bomba ou pela morte do policial. O juiz Joseph Gary, nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio, o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente escolhidas. Três líderes grevistas foram comprados pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de um deles (Waller).
A maior farsa judicial dos EUA
Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte; Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas para prisão perpétua. Em 11 de novembro de 1887, na cadeia de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a polícia alegou “suicídio”. No mesmo dia, os cinco ''Mártires de Chicago'' foram enterrados num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas, as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas em sinal de luto e protesto.
Seis anos depois, o próprio governador de Illinois, John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham sido vitimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes líderes operários não tinha sido em vão. Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias. Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário.
Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação de luta de classes e de reivindicação das oito horas de trabalho”. A partir do congresso, que teve a presença de 367 delegados de mais de 20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista."
*Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro recém-lançado “Sindicalismo, resistência e alternativas” (Editora Anita Garibaldi).
PCdoB defende redução da jornada de trabalho.
A luta por um mundo mais justo para os trabalhadores. Neste 1º de maio o PCdoB conclama a todos lutarem por mais conquistas para o proletariado. Uma deles é a redução da jornada de trabalho:
"Estimativas indicam a participação de 8 milhões nos atos comemorativos deste Primeiro de Maio no Brasil. O número é expressivo e mais do que ele, o que se destaca é a bandeira que estes atos levantam. As centrais sindicais, unitariamente, decidiram que o tema central deles é a luta pela redução da jornada de trabalho sem a redução do salário.
Este Primeiro de Maio reforçará a campanha de coleta assinaturas de um abaixo-assinado endereçado ao Congresso Nacional que reivindica a aprovação imediata do Projeto de Emenda Constitucional (PEC)de autoria dos parlamentares Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Paulo Paim(PT-RS) que estabelece a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. As centrais pretendem colher mais 1 milhão de assinaturas.
Em outras circunstâncias, a bandeira é a mesma dos mártires de Chicago que em 1886 desencadearam uma luta que tempos depois se tornou vitoriosa: a redução da jornada para 8 horas diárias. Nos séculos XVIII e no decorrer do século XIX as jornadas dos operários se estendiam até 17 horas. De lá para cá, decorrentes de décadas e décadas de batalhas, os trabalhadores foram arrancando do Capital um conjunto de conquistas. Em vários países a jornada já foi fixada, inclusive, abaixo das 40 horas.
No Brasil, a convicção de que chegou a hora da redução da jornada começa pelo presidente da República, que deu uma declaração favorável à medida. Todavia, será preciso muita pressão para dobrar a resistência do patronato. A PEC que propõe a redução “rasteja” há mais de sete anos pelas comissões do Congresso Nacional.
São consistentes os argumentos dos que advogam a redução. A produtividade da indústria cresceu mais de 150% nos últimos quinze anos. Ao lado disso, persistem, apesar dos avanços obtidos no governo do presidente Lula, altas taxas de desemprego e longas jornadas de trabalho. Cálculos de várias instituições prevêem que a medida resultaria na criação de mais 2 milhões de novos postos de trabalho. Além de melhorar a qualidade de vida do que trabalham, a redução da jornada seria boa para o país pois, propiciando mais empregos e melhor distribuição de renda, fortaleceria o mercado interno.
As comemorações do Dia Mundial dos Trabalhadores, que ocorrem em todos os continentes, pela paz e contra a guerra imperialista, contra a exploração capitalista, pelo direito dos povos ao desenvolvimento e a soberania, e pelos ideais do socialismo, confirmam a predição que August Spies, um dos operários mártires de Chicago, deixou lavrada na sua última defesa:
''Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário – este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção – se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagar”."











