Uma atitude

"Pois nenhum resultado duradouro pode ser construído sobre a capitulação. Como os anais da história social, política e militar provam abundantemente, a capitulação jamais pode ser a base do desenvolvimento histórico sustentável." István Mészaros

30 Maio, 2008

Uma análise sobre o Nepal, por Gilles Lapouge

Gilles Lapouge faz uma análise sobre o Nepal, que saiu de uma Monarquia Absoluta e Teocrática Hindú para o governo dos Maoístas.


"A volta surpreendente de Mao e Marx
Gilles Lapouge*

O Nepal, Estado do Himalaia entre a China e a Índia, deu uma reviravolta histórica fantástica. No lugar da monarquia de 239 anos, instalou uma república maoísta.


Na capital, Katmandu, célebre quando hippies do mundo inteiro ali chegavam para mendigar, se drogar, se amar e amar as flores, agora as ruas estão decoradas com fotos de um grupo de ressuscitados: Marx, Engels, Mao Tsé-tung, Lenin e Stalin. Parece que o país, congelado nas neves eternas, parou no tempo - se não regrediu.

Esse pequeno pedaço de montanha (147 mil quilômetros quadrados, do tamanho do Ceará, e 27 milhões de habitantes) é muito pobre (PIB de US$ 290 por habitante). As desigualdades eram tão gritantes que, em 1996, eclodiu uma revolta maoísta, seguida de uma guerra que deixou 13 mil mortos.

A família real não estava muito preocupada com a ameaça revolucionária. Não tinha tempo. Consagrava todo o tempo livre a se destroçar. Todo mundo se detestava no palácio real, mais ou menos como nas peças sangrentas de Shakespeare ou Sófocles.

Em 2001, o rei Birendra foi assassinado pelo príncipe herdeiro - que, no embalo, aproveitou para matar algumas tias e sobrinhos. O irmão do rei subiu então ao trono. Infelizmente esse irmão, Gyanendra, não valia nada.

Arrogante, desprezível, insensível às dores do povo.Em 2006, os maoístas exigiram a abolição da monarquia. Os demais partidos políticos uniram-se à demanda e foi assim que Mao, que se acreditava instalado na eternidade, fez seu retorno estrondoso. As primeiras declarações dos maoístas são tranqüilizadoras.

Citaram Lenin e Mao, mas não anunciaram uma "revolução cultural" ou economia bolchevista. O encarregado dos assuntos doutrinários precisou que não é questão de abolir a propriedade privada, assumindo uma posição surpreendente, que tranqüilizou o capital estrangeiro, e deixou em desespero os maoístas do mundo inteiro (ao menos, os que restam). O responsável maoísta explicou-se.

As sociedades passam necessariamente por três etapas sucessivas: o feudalismo, o capitalismo e o comunismo. É impossível inverter a ordem ou pular uma dessas etapas.

Ora, no Nepal a monarquia era feudal. Não pode, portanto, saltar, de um só golpe, para uma sociedade comunista, pois isso poderia provocar distorções. É assim que a revolução maoísta irrompe no Nepal, sob o falso esplendor do liberalismo econômico. Viva a dialética! "

* Gilles Lapouge é correspondente em Paris

Vitória

A pesquisa com células-tronco embrionárias foi permitida pelo Supremo. Vitória da ciência contra o obscurantismo religioso.

27 Maio, 2008

Nota de Esclarecimento

Reproduzo esta nota que foi postada no Blog do Crato.

"NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Associação Cearense do Ministério Público, entidade de classe que congrega Promotores e Procuradores de Justiça, usando de suas atribuições estatutárias, e em defesa do estado democrático de direito, em defesa da Instituição Ministerial e do direito à correta informação da população, expõe os seguintes fatos:
O Promotor de Justiça Antônio Marcos da Silva de Jesus, zeloso e comprometido com sua função institucional de fiscal da lei e defensor da sociedade, entre outras relevantes atribuições, no segundo semestre do no passado, recomendou ao Órgão municipal de trânsito em Crato a obediência ao Código de Trânsito, especificamente no que concerne à segurança no transporte de crianças em motocicletas.
Tal atuação foi apoiada por todos os Promotores e Promotoras de Justiça da Região, sendo respaldada pela Recomendação nº 06/2007 do Procurador Geral de Justiça – a qual determinou a todos os membros do Ministério Público do Ceará que realizassem o mesmo trabalho e posteriormente remeteu ofício ao Prefeito de Crato defendendo a atuação do Ministério Público no caso.
Foi convocada uma Audiência Pública no dia 30/05/2007, amplamente coberta pela imprensa, com o intuito de esclarecer a população e exigir que as autoridades públicas fizessem o mínimo que delas se espera: o cumprimento da Lei. Igualmente cobrou-se publicamente da sua Excelência Senhor Prefeito de Crato a regulamentação da Lei Municipal que trata da atividade dos mototaxistas – em benefício destes honrados trabalhadores.Entretanto, por força da cobrança do Ministério Público em Crato e noutros municípios, para o cumprimento da lei, passou a existir efetiva fiscalização e hoje a população começa a colher alguns frutos da segurança no trânsito.
Isto demonstra que o povo cearense reconhece o trabalho de seus Promotores e Promotoras e deseja ver as leis obedecidas por todos, assim como vidas poupadas dos acidentes que o desrespeito às normas de segurança no trânsito possam causar.
Para a surpresa geral, o assessor de Comunicação da Prefeitura de Crato, Antonio Tarso Araújo Bastos, postou no seu blog e em pelo menos 10 comunidades do ORKUT expressões ofensivas ao Ministério Público, literalmente afirmando que o Dr. Marcos “arranjou uma forma de prejudicar esses profissionais (os mototaxistas)” – expressão que vai muito além da crítica responsável e atinge a dignidade do profissional.
Foi oferecida pelo Titular da Promotoria dos Juizados Especiais denúncia por Difamação e a douta juíza, cautelarmente, determinou “a retirada do texto que não trata do assunto de maneira informativa, mas, sim, ofensiva e equivocada”.
O referido assessor da Prefeitura, demandado na ação penal, passou a postar em blogs na Internet textos, sugerindo que a liberdade de imprensa estaria sendo intimidada pelo processo “movido pelo Promotor”.
Obteve ainda carta em “defesa” da liberdade de imprensa escrita pelo Diretor da Rádio Araripe do Crato. Ocorre que aparentemente ambos esqueceram-se de que quem move a ação penal é outro membro do Ministério Público, com decisão cautelar da nobre juíza. Acaso também estes seriam seus “perseguidores”, juntamente com a Procuradoria Geral de Justiça?
A ACMP com toda a firmeza reitera o compromisso do Ministério Público com a liberdade de imprensa – a qual só é concebível no Estado Democrático de Direito, que pressupõe direitos garantidos e deveres exigidos. A ação por difamação em nada prejudica a atividade de quaisquer profissionais de imprensa.
Tanto a rádio como o referido assessor-repórter podem atuar livremente, esperando-se dos mesmos o cuidado básico de cumprir a legislação e não difamarem as pessoas ao invés de informarem-nas.
Ainda que tardio, será bem vindo o debate acerca da segurança no trânsito e da atividade dos mototaxistas, ao que conclamamos todos os veículos da imprensa.
No Encontro promovido pela UNESCO na Câmara dos Deputados, no dia mundial da liberdade de imprensa, em 2007, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Sepúlveda Pertence e o Presidente da Associação Nacional dos Jornais, Nelson Sirotsky concordaram que “A liberdade trás consigo a responsabilidade dos meios de comunicação, dos profissionais de imprensa e da sociedade que recebe esse tipo de informação”.
Quando necessário, a responsabilização ocorre pelo recurso aos competentes Órgãos do Estado. Se a Rádio Araripe ou o assessor da Prefeitura entender que houve algum desvio de conduta de qualquer membro do Ministério Público pode representar contra ele, remetendo sua carta à Procuradoria Geral de Justiça; da mesma forma, tem direito o Promotor - ou qualquer outra pessoa - de defender sua honra profissional, representando ao Judiciário. Este equilíbrio faz parte da Democracia.
Aliás, lembramos que, no processo há contraditório e ao citado assessor é dada oportunidade para provar se suas expressões correspondem à verdade.
No Jornal do Cariri, edição de 06.5.08, circulou artigo elogiando o papel da imprensa e do Poder Legislativo na investigação e denúncia da corrupção dos órgãos do Estado. A Constituição determinou e a história recente do país demonstra que o Ministério Público tem exercido, em parceria com a imprensa, este nobre papel.
Isto é possível pela atuação firme, sem vínculos políticos ou interesses econômicos, de todos os seus membros, os quais a ACMP homenageia agora, na pessoa do colega Antonio Marcos da Silva de Jesus, que no desempenho de suas funções, demonstra ser dedicado, responsável e consciente de sua difícil, mas dignificante missão, atendendo, assim, aos anseios da população do nosso Estado, em especial, da população cratense, que clama pela obediência das leis e pela concretização da justiça.
Fortaleza, 21 de maio de 2008.
A DIRETORIA"

26 Maio, 2008

Em defesa do fortalecimento da Universidade Pública.

A Universidade Regional do Cariri vai oferecer diversas bolsas para estudantes da instituição.
Algumas serão inéditas como as de Monitoria Remunerada e de Iniciação Científica. Outras serão ampliadas como as dos estágios em laboratórios.

Confira no site da URCA:

Bolsas para estágio em laboratório
http://www.urca.br/ViewCont/IndexDest.php?cod_news=1135&ref=0&idMenuP=1

Bolsas para Monitoria
http://www.urca.br/ViewCont/news/IndexNews.php?cod_news=1136&ref=0&idMenuP=1&reitor=nulo&filtro=nulo

Bolsas para Iniciação Científica
http://www.urca.br/ViewCont/IndexDest.php?cod_news=1137&ref=0&idMenuP=1

23 Maio, 2008

Mais recursos para a saúde

Editorial do Portal Vermelho, ao qual eu assino embaixo.


22 DE MAIO DE 2008 - 19h24
A nova CPMF: mais recursos à Saúde

"A irresponsável derrubada da CMPF pela oposição, em dezembro de 2007, sangrou em R$ 40 bilhões ao ano o Orçamento Federal.
O Sistema Público de Saúde, SUS, fundamental, à saúde do povo foi duramente prejudicado. O PSDB e o DEM, com auxílio de outras forças políticas como o PSOL, derrubaram a CPMF com uma pregação demagógica.
Diziam que se tratava de uma cruzada contra os impostos. Alardeavam que os preços ao consumidor seriam reduzidos. Nem uma coisa, nem a outra. A oposição agiu a serviço do poder econômico, em nada se importando com a situação dramática da maioria do povo a quem só tem o SUS para recorrer.

A mesma oposição que no Senado derrubou a CMPF, agora, ajudou aprovar o projeto que regulamenta a emenda constitucional 29. É, pois, explicita e escancarada, nesta matéria, a hipocrisia de demos e tucanos.

Todavia, independentemente do oportunismo da dupla PSDB-DEM, o SUS precisa de mais recursos e já. Agora!

Se a fome não espera, de igual modo a vida afetada por doenças.
A precariedade do atendimento do SUS provoca um sofrimento incalculável a milhões de brasileiros. Diariamente, muitas vidas de filhos do povo são ceifadas em conseqüência dessa precariedade. Por isso, o assunto tem pressa. O jargão parlamentar ''urgência, urgentíssima'', no caso concreto, é mais do que apropriado.

O projeto de regulamentação da emenda 29 já aprovado no Senado eleva o percentual da receita da União aplicado na saúde para 8,5% em 2008, 9% em 2009, 9,5% em 2010 e 10% em 2011. A regulamentação, também, define o é que gasto em saúde. Sem tal definição, administrações estaduais e municipais contabilizam investimentos em outras áreas como sendo da saúde.
O Palácio do Planalto mandou avisar que se o Congresso aprovar a emenda 29 terá que, ao mesmo tempo, indicar as fontes de financiamento.

A base do governo está determinada em recriar a CMPF com uma alíquota menor do que a anterior.

A liderança do PCdoB apóia essa medida e defende uma alíquota de 0,1%. Defende, ainda, que para este ano o governo aporte, de imediato, mais recursos provenientes da arrecadação recorde que vem ocorrendo. No primeiro trimestre de 2008 a arrecadação foi quase 13% superior ao mesmo período de 2007.

A oposição promete novamente derrubar a CMPF no Senado, caso ela se seja recriada na Câmara dos Deputados; setores do empresariado prometem uma nova cruzada. E a mídia, com certeza, acusará os governistas de partidários da derrama.

A oposição, setores da mídia, os parlamentares, os empresários, que não usam o SUS montam um estratagema sujo mesmo conscientes de que a vida e a saúde do povo é que estão em jogo.

Querem desgastar o governo, não importa que o preço seja esse.

Já o governo e sua base parlamentar precisam construir uma coesão em torno de saídas efetivas para o problema. Mais recursos à saúde, agora e já.

A fonte única e permanente para melhorar a saúde pública é a CPMF. Que a oposição fique com o ônus de negar ao povo o direito de um atendimento público médico-hospitalar de qualidade."

22 Maio, 2008

Já o Vasco...

Já o Vasco da Gama continua seu calvário. Perdeu para o Sport, em Recife.
Vamos ver o que acontecerá em São Januário.

Gostei de ver.

Sou vascaíno.

Mas gostei de ver a vitória do Fluminense ontem, contra o São Paulo. Eu assistia ao jogo pela Bandeirantes, e o Neto, corinthiano assumido, defendia o time do São Paulo. Aliás, desde o início.
Afirmava ele, que o São Paulo era melhor, que vacilou no primeiro tempo, mas que tinha melhorado, que o Rogério Ceni era o tal etc etc etc.
No último minuto dizia ainda que era justa a classificação do São Paulo etc etc (que perdia naquele momento por 2 a 1, mas que se classificava com aquele resultado).
Só que aos 47 minutos, o Fluminense fez o terceiro...
Os caras da "Band" atônitos...

Os paulistas não aceitam perder em nada.

Mas perderam.




Valeu, Fluminense.

Neto, "tu és bairrista, meu"... rsrs

Alexandre Garcia: funcionário do PIG



Série: funcionários do PIG.
Alexandre Garcia trabalha na Rede Globo de Televisão. É jornalista. É comentarista da Globo. Às vezes apresenta o Jornal Nacional, na folga do "casal 20".


Fou uma espécie de "porta-voz" do Governo Collor. Defendia aquele governo, trabalhou para que fosse eleito em 1989, manipulando o debate entre C ollor e LULA. História velha e conhecida.

Mas em seu auto-retrato ele não se define assim.

Vejamos:

A relação de Alexandre Garcia com o microfone começou quando ele tinha 7 anos de idade. E isso há mais de meio século...
Seu pai era de rádio e o chamava sempre que havia papel infantil em radionovelas. Era tudo ao vivo.
Aos 15 anos, foi escolhido para ser o locutor da missa dominical na Matriz de Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, onde nasceu. Aos domingos, fazia, pela Rádio Cachoeira, um programa ao vivo de hora e meia de duração.

Já em Porto Alegre, pagou seus estudos e pensão sendo locutor das 22 h às 1h na Rádio Difusora, que era dos Diários Associados. Aos sábados, apresentava, ao vivo, o programa Cotillon Club, direto de uma boate com o mesmo nome.

“De modo que quando fiz o vivo recordista de 22 minutos no Jornal Nacional, já estava acostumadíssimo com isso. Foi na derrubada do monopólio da Petrobras, no plenário da Câmara Federal”, lembra Alexandre.

Pela TV Globo, fez todas as eleições presidenciais ao vivo, tendo anunciado as eleições de Collor, Fernando Henrique e Lula. “Com o Joelmir, fizemos a série, ao vivo, Palanque Eletrônico, a que submetemos cada candidato da eleição presidencial de 1989”, conta.

Hoje, é comentarista e, eventualmente, apresentador no Bom Dia Brasil. É também repórter e apresentador de plantão do Jornal Nacional e faz o programa Espaço Aberto, da GloboNews. Em Brasília, coordena e apresenta o DFTV Primeira Edição. Foi diretor de jornalismo em Brasília por cinco anos, até 1995.

Alexandre se formou na PUC de Porto Alegre, tendo sido o primeiro no vestibular e nos quatro anos da Faculdade dos Meios de Comunicação Social. No último ano de faculdade, começou a trabalhar no Jornal do Brasil, pelo qual cobriu, por três anos, Argentina e Uruguai. Na Argentina, foi seqüestrado pelos Montoneros e ameaçado de morte pela Triple A. De Buenos Aires, fugiu para Brasília, para não ser morto, em 1976.

Por 18 meses foi subsecretário de imprensa da Presidência da República, em 1979/80.

Serviu para descobrir como funciona o outro lado. Hoje, isso facilita enormemente a percepção do que acontece no Palácio do Planalto.

No fim de 1981 se tornou chefe de jornalismo da Manchete em Brasília e colunista das revistas Manchete e Mulher de Hoje. Também fazia comentários na Rádio Manchete. Cobriu três guerras: no Líbano, em Angola e nas Malvinas.

Essa última lhe valeu uma condecoração dada pela Rainha Elisabeth: A Ordem do Império Britânico. Em 1983, começou sua carreira na TV, com a inauguração da TV Manchete. “Era o âncora do bloco de Brasília, entrando ao vivo, todos os dias, sem teleprompter”, lembra o jornalista.

Em março de 1988, veio para a Globo. Nas horas vagas, Alexandre Garcia dá palestras, faz comentários para 90 emissoras de rádio e escreve artigos para 40 jornais. “E tenho saudades do tempo que fazia a crônica para o Fantástico, ironizando os atos falhos dos políticos”, diz. "

Taí. Personagem que trabalhou pra ver como era o "outro lado"...

Hoje é arauto do conservadorismo, travestido de liberal, defensor do grande capital, funcionário de um dos principais elementos do PIG, a REDE GLOBO.



21 Maio, 2008

Barak Obama

Será que Barak Obama conseguirá a indicação efetiva para ser o primeiro candidato negro na História dos Estados Unidos?
Veremos.

19 Maio, 2008

Disputa em São Paulo


A corrida eleitoral mostra um quadro de acirramento. Se a eleição fosse hoje, Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM, Ex-PFL), estariam na frente.

O camarada Aldo Rebelo (PCdoB) teria apenas 1% das intenções de voto.

A pesquisa foi feita pelo DataFolha.

Assim o Portal Vermelho se pronunciou:

"Foram ouvidos 1087 moradores da cidade de São Paulo, a partir dos 16 anos de idade, no dia 15 de maio.
A margem de erro máxima, para as respostas que se referem ao total de entrevistados, é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
No primeiro cenário apresentado aos entrevistados, os percentuais de intenção de voto nos três primeiros colocados oscilaram para cima, em relação à pesquisa anterior, realizada em março.
Marta Suplicy oscilou de 29% para 30% e Geraldo Alckmin passou de 28% para 29% das preferências, mantendo-se dessa forma o empate entre os dois. Gilberto Kassab oscilou dois pontos para cima, passando de 13% para 15% das preferências. O empate entre Marta e Alckmin e a terceira colocação isolada de Kassab se repetem nos demais cenários pesquisados.
Paulo Maluf (PP) se manteve com 8% e Luiza Erundina (PSB), que admitiu recentemente desistir da disputa para ser vice de Marta Suplicy, oscilou de 7% para 5%, menor percentual obtido pela socialista nessa série de pesquisas.
Nesse cenário, Paulinho (PDT) oscilou de 3% para 2% e Soninha (PPS) passou de 1% para 2%, percentual atingido, mais uma vez, por Aldo Rebelo (PCdoB). Ivan Valente (PSOL) e Zulaiê Cobra (PHS), que não chegavam a atingir 1% na pesquisa anterior, chegam a esse patamar agora.
Para o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, a evolução das pesquisas registra uma trajetória ascendente de Kassab, que, em fevereiro, contava com 12%. "Mesmo dentro da margem de erro, Kassab vem numa linha ascendente", diz. Paulino ressalta, porém, que "seria significativo se Kassab tivesse tirado votos de Alckmin e Marta", que, hoje, estariam no segundo turno.
"Kassab está tirando votos dos que estão abaixo dele. Não de Alckmin nem de Marta", declara Paulino.
Maluf fora da disputa
O segundo cenário, que considera Paulo Maluf fora da disputa, mostra Alckmin com os mesmos 30% que obtinha nas pesquisas de fevereiro e março, percentual idêntico ao que Marta atinge agora (tinha 29% no levantamento anterior e 28% em fevereiro). Kassab vem ganhando pontos nesse cenário: tinha 13% em fevereiro, oscilou para 15% em março e chega hoje a 18%.
Erundina, por sua vez, perdeu três pontos em relação ao levantamento anterior, oscilando de 9% para 6%, taxa idêntica verificada em fevereiro.Nesse cenário, os entrevistados que haviam declarado seu voto em Paulo Maluf no primeiro cenário apresentado, se distribuíram, principalmente entre Geraldo Alckmin (36%) e Gilberto Kassab (20%).
O cenário que exclui o nome de Luiza Erundina, e mantém o de Paulo Maluf, também mostra empate entre Marta e Alckmin, mas é aquele no qual a petista obtém sua maior vantagem sobre o peessedebista. Nesse cenário, a ministra do Turismo obtém 32% (tinha 30% em março), ante 28% atingidos pelo ex-governador tucano (29% na pesquisa anterior). Kassab oscilou de 15% para 16% nesse cenário e Paulo Maluf se manteve com 9%.
No cenário que exclui os nomes de Erundina e Maluf, Marta oscilou de 32% para 33%; Alckmin se manteve com os mesmos 32% obtidos em março. Kassab se manteve estável, com 17%.
Cenário sem Erundina, Maluf e Paulinho
Um último cenário, incluído pela primeira vez nessa série de pesquisas, exclui os nomes de Erundina, Maluf e Paulinho. Nesse caso, Marta tem 34% e Alckmin fica com 32% das intenções de voto.
Kassab obtém 17%.
No que se refere à intenção de voto espontânea, Marta Suplicy continua ganhando pontos, chegando hoje a 18%, três pontos a mais do que o percentual que obtinha em março e oito pontos a mais do que em fevereiro. Kassab com 13% de menções espontâneas, empata com Alckmin, que obtém 9% das menções espontâneas.
Em relação à pesquisa anterior, o percentual dos que não sabem dizer espontaneamente em quem pretendem votar para prefeito em outubro caiu quatro pontos percentuais, tendo passado de 41% para 37%.
A taxa dos que afirmam de maneira espontânea que pretendem votar em branco ou anular oscilou de 13% para 10%.RejeiçãoNa pesquisa divulgada no sábado, Paulo Maluf tem a maior rejeição (53%), seguido de Marta (31%), Kassab (27%), Erundina (25%), Paulinho (24%), Alckmin (16%), Soninha (16%) e Aldo Rebelo (15%).Em todos os cenários entre os três primeiros nomes (Marta, Alckimin e Kassab) o atual prefeito de São Paulo perderia em um segundo turno.
Se o segundo turno fosse apenas entre Marta e Kassab, a ministra ganharia com vantagem a disputa, obtendo 51%, dez pontos de diferença com relação a Kassab, 41%.
O cenário se inverte quando é Alckmin e Marta que disputam o segundo turno, tendo Alckmin 52% e Marta 42%.Se Kassab e Alckmin fossem os candidatos do segundo turno a pesquisa aponta a maior vantagem dos três cenários para Alckmin, que teria 58% das intenções de voto, contra apenas 31% de Kassab.
Renda e escolaridade
Em comparação à pesquisa anterior, Marta subiu nove pontos entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, atingindo 41%. Nesse estrato, Alckmin caiu quatro pontos e conta com 21%.Já no segmento com renda superior a dez mínimos, Alckmin ganhou 13 pontos. Tem 41%. Marta sofreu queda de 13 e está com 11%.Alckmin lidera -com 41%- entre aqueles com nível de escolaridade superior.
Marta tem 16%. Com 34%, Marta está na frente entre os eleitores com nível fundamental. Alckmin tem 23% nessa faixa.
O empate entre os dois só é registrado no centro, onde Marta tem 29%, e Alckmin, 26%. O tucano lidera nas zonas norte (41% contra 17%) e oeste (37% a 20%).
Marta, por sua vez, tem dez pontos de vantagem sobre Alckmin nas zonas sul (38% a 28%) e leste (32% a 22%). O Datafolha ouviu 1.087 moradores.




16 Maio, 2008

Personagens Históricos




As Tarefas dos Partidos Comunistas

"O perigo principal para a classe operária consiste, atualmente, na subestimação das próprias forças e na superestimação das forças do adversário.


Como no passado, a política de Munich encorajou a agressão hitlerista, também hoje as concessões à nova política dos EE. UU. da América e do campo imperialista podem tornar os seus inspiradores ainda mais insolentes e agressivos.


Por isso, os Partidos Comunistas devem pôr-se à frente da resistência aos planos imperialistas de expansão e de agressão em todos os campos: governativo, político, econômico e ideológico.


Eles devem cerrar fileiras, unir os seus esforços na base de uma plataforma anti-imperialista e democrática comum e reunir em torno de si as forças democráticas patrióticas do povo."

A. Zhdanov: Do informe à Conferência dos Nove Partidos Comunistas em Varsóvia.


Andrei Zhdanov
1896—1948


Aderiu aos bolcheviques em 1915. Partidário de Stalin, galgou postos na hierarquia do Partido e ajudou-o a estabelecer sua política cultural, atuando na criação da União dos Escritores Soviéticos e no estabelecimento da doutrina do "Realismo Socialista".


Após o assassinato de Kirov, foi nomeado Governador de Leningrado tendo desempenhado importante papel na defesa da cidade contra os alemães, na segunda guerra mundial. Depois da guerra, em 1947, Zhdanov organizou o Cominform.


Fonte: http://www.marxists.org/

20 anos do Museu de Paleontologia



Vem aí o Simpósio sobre os 20 anos do Museu de Paleontologia:



"O Simpósio Nacional sobre atualidades da pesquisa paleontológica na Chapada do Araripe ocorre em comemoração aos 20 anos da inauguração do Museu de Paleontologia da URCA em Santana do Cariri.

Há vinte anos a história da Paleontologia na Chapada do Araripe tomou um novo rumo. Era inaugurado o Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, sob os auspícios da Prefeitura Municipal de Santana do Cariri, que tinha à frente, então, o Professor Plácido Cidade Nuvens.


Naquela oportunidade, a Prefeitura Municipal de Santana do Cariri fez a doação do Museu à Universidade Regional do Cariri - URCA, mediante um Contrato de Comodato.


Em seguida, em 1998, houve a doação definitiva do Museu pela Prefeitura, com a devida aprovação da Câmara Municipal, conforme Ata da Sessão realizada a 12 de maio de 1998.
Até hoje mais de cento e noventa mil visitantes estiveram no Museu, numa cidade que tem apenas cerca de 7 mil habitantes.

Inaugurado, como é do conhecimento geral, a 26 de julho de 1988, o Museu de Paleontologia da Urca experimentou uma ampla reforma, reinaugurado a 28 de abril de 1998 com a presença do Governador do Estado do Ceará, Tasso Jereissati, esposa e filho e do então Secretário da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, atual Ministro da Ciência e Tecnologia.

Hoje detém um precioso acervo de aproximadamente 10 mil peças fósseis, entre os quais todos os peixes já descritos da paleoictiofauna da Chapada do Araripe, restos de Pterossauro, tartarugas, lagartos, insetos, troncos silicificados, folhas, flores e frutos, no âmbito da paleobotânica, além de anuros, crocodilianos e penas."



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15 Maio, 2008

Der Spiegel

Mini-verdades da mídia na eleição nos EUA

"Barack Obama talvez esteja mais perto do que nunca de derrotar Hillary Clinton na corrida pela nomeação democrata, mas o verdadeiro perdedor da campanha eleitoral é o povo americano. Ele foi traído por jornalistas cínicos que constantemente optaram por estilo sobre a substância."

Por Gabor Steingart, no Der Spiegel


"Rudolf Augstein, fundador do Spiegel, revista para a qual eu trabalho, certa vez disse que um bom jornalista não se sujeita a ninguém -somente aos seus próprios preconceitos e erros. O direito de errar foi exercitado extensivamente durante a campanha.
Algumas vezes, inclusive, pelo autor desta coluna."Todas as pessoas que vêm sonhando com o primeiro presidente negro americano têm de acordar lentamente.
Acontecerá um dia, espera-se, mas não nesta eleição", escrevi depois das derrotas de Barack Obama em New Hampshire e Nevada.
A coluna chamava-se: "O fim da revolução Obama".
As chances de que o próximo presidente americano seja negro e democrata são melhores do que nunca na história americana. A revolução continua -mesmo que o ceticismo permaneça. Entretanto, não é de uma série de erros que estamos falando aqui.
É de traição.
Durante esta campanha de eleição, uma grande parte da mídia americana não se dedicou a seguir cuidadosamente os princípios da profissão.
De fato, alguns foram tão leais a esses princípios quanto Eliot Spitzer a sua mulher.Os dois pontos de referência para um jornalista devem ser o verdadeiro e o importante. Mas, por meses, o foco da cobertura de eleição foi a trivialidade.
Cada detalhe insignificante foi exagerado fora de proporção, e cada mico se tornou um Godzilla. De acordo com um artigo do Projeto pela Excelência Jornalística, mais de 60% da cobertura das eleições pela mídia americana concentrou-se em estratégia de campanha, táticas ou personalidades -mas não em conteúdo político de fato.
Os repórteres concentraram a maior parte da atenção a questões tão importantes quanto se Barack Obama usava um broche de lapela com a bandeira americana, se John McCain teve uma amante oito anos atrás ou se a ex-primeira-dama Hillary Clinton lembrou-se corretamente de sua viagem para a Bósnia em 1996.
Clinton disse que se lembrava de ouvir tiros enquanto seu avião pousava na Bósnia. De fato, mais tarde cenas de televisão mostraram que foi recebida por uma menina que recitou um poema na pista de pouso. Isso pode ter sido embaraçoso para Hillary Clinton, mas é insignificante para os eleitores.
Mesmo o pastor excêntrico da igreja de Obama, Jeremiah Wright, não vale tanta confusão. "Que se dane a América", pregou.
E daí? O padre da minha igreja católica é reacionário, enquanto meu professor era comunista.
Talvez o louco e o cego, de direita e esquerda, em nosso caminho pela vida estejam ali simplesmente para nos mostrar onde é o caminho do meio.
O público americano não foi apenas mal guiado durante esta campanha de eleição, mas também recebeu um constante fluxo de informação irrelevante.
Em um de seus romances, o autor britânico, ensaísta e jornalista George Orwell inventou o Ministério das Verdades, que ele chamava de "mini-verdades", com as quais se tenta confundir o público com pequenas partes da verdade, que mesmo quando somadas não dão a imagem completa.Isso tudo apesar de não faltarem questões relevantes a discutir. A eleição presidencial americana que se aproxima deveria abordar questões de guerra, paz e a crescente desigualdade criada por forças de globalização.
Muitas questões poderiam ser colocadas que são difíceis de derrotar em termos de drama. O que aconteceria se os democratas realmente retirassem o exército do Iraque? Como Barack Obama pretende lidar com a ameaça que os campos de morte do Camboja possam se repetir em Basra e Bagdá?
Ele tem algum plano ou uma idéia de como lidar com o dia seguinte?Como os republicanos planejam pôr fim ao escândalo dos não assegurados?
Cerca de 47 milhões de pessoas hoje não têm seguro de saúde. Cerca de 9 milhões foram acrescentados a esse total durante os sete anos nos quais George W. Bush esteve no poder. Este é o maior fracasso de mercado desde a invenção do capitalismo moderno.
No entanto, não se pode culpar apenas os jornalistas pelo declínio do jornalismo. Sua importância diminuiu mais do que em qualquer eleição anterior.
Agora, eles compartilham as páginas de jornal e tempo de televisão com pessoas que se dizem estrategistas ou consultores e que recebem de algum partido ou já receberam no passado.Os jornalistas e estrategistas fazem seus comentários lado a lado e em harmonia na CNN e na Fox News.
E abram caminho para Karl Rove, o arquiteto das duas vitórias eleitorais de George W. Bush, que agora está sob contrato da Fox News, Newsweek e Wall Street Journal.Subam a cortina para Dick Morris, que foi o assessor mais próximo de Bill Clinton, e agora está praticamente em todos os canais de televisão.
Virem os holofotes para Donna Brazile, que aparece na CNN como comentadora em cada noite eleitoral -o público somente descobre por acaso que ela de fato faz parte do exclusivo Comitê Democrata Nacional e é uma das superdelegadas do partido.A descrição de jornalistas e estrategistas de partido não poderia ser mais diferente. Um é buscador da verdade, o outro é um manipulador da realidade.
O que esses estrategistas oferecem ao público pode soar como análise, mas é de fato propaganda. Talvez venha escrito jornalismo no rótulo, mas o conteúdo é puramente estratégia de partido.
Morris critica continuamente Hillary Clinton. Donna Brazile promove os democratas. Rove fala bem das políticas de Bush. E todos os três dão grandes doses de meias verdades orwellianas.Para esses estrategistas, a realidade é meramente a matéria-prima que usam para formar o que quer que seja útil para seu candidato.
Eles consideram o amor à verdade uma nostalgia e manipular a realidade, uma capacidade valiosa.E muitos jornalistas desempenham alegremente seu papel na diminuição de sua profissão. A White House Press Corps, que já foi lendária, hoje faz parte do parque de diversões da mídia.
Na elite do jornalismo, há uma histeria artificial que vende cada campanha semi-inteligente como uma sensação. O estilo triunfa sobre a substância, o que no final reflete nos jornalistas. Os repórteres que dizem que o critério decisivo da eleição é se o candidato é capaz de "inspirar o povo americano" não deve se surpreender se demandas similares forem colocadas sobre eles.
Talvez não seja bom, mas é justo. "
Fonte: UOL Mídia Global

14 Maio, 2008

Série Discursos: Cidadãos!



Cidadãos!
J. V. Stálin
outubro de 1905
Primeira Edição: Publicado conforme o texto da proclamação impressa em outubro de 1905 na tipografia do Comitê de Tíflis do P.O.S.D.R.Fonte: J.V. Stálin – Obras – 1º vol. – traduzida da edição italiana da Obras Completas de Stálin publicada pela Edizioni Rinascita, Roma, 1949.

Tradução de:........

Transcrição e HTML de: Fernando A. S. Araújo, dezembro 2005.

Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


"Um poderoso gigante, o proletariado de toda a Rússia, pôs-se novamente em marcha… Um vasto movimento geral de greves abrange toda a Rússia.

Como a um sinal de uma vara de condão, a vida parou de repente em toda a imensa extensão da Rússia. Só em Petersburgo e nas suas ferrovias entraram em greve mais de um milhão de operários. Moscou – a antiga, plácida capital, imóvel, fiel aos Romanov – está toda ela ardendo no incêndio revolucionário, Khárkov, Kiev, Iekaterinoslav e os outros centros industriais e culturais, toda a Rússia central e meridional, toda a Polônia e, finalmente, todo o Cáucaso se imobilizaram e fitam ameaçadoramente a autocracia.

Que acontecerá? Com ânsia e frêmito a Rússia espera uma resposta a esta pergunta. O proletariado lança um desafio ao maldito monstro de duas cabeças: seguir-se-á a este desafio a peleja real e verdadeira, transformar-se-á a greve em aberta insurreição armada, ou acabará "pacificamente" e "se acalmará" como as primeiras greves?

Cidadãos!


Qualquer que seja a resposta a esta pergunta, acabe como acabar a presente greve, uma só coisa deve ficar certa e clara para todos: encontramo-nos às vésperas da insurreição de todo o povo de toda a Rússia e a hora dessa insurreição está próxima. A greve política geral atualmente em curso, greve sem precedentes, sem par pela sua grandiosidade, não só na história da Rússia, mas na de todo o mundo, poderá talvez terminar hoje sem desembocar na insurreição de todo o povo, mas isso apenas para sacudir novamente amanhã e com maior força o país, e desembocar nessa grandiosa insurreição armada que deve decidir a luta secular do povo russo com a autocracia tzarista e esmagar a cabeça desse monstro abominável.

A insurreição armada de todo o povo, eis a conclusão fatal a que conduz com inelutabilidade histórica todo o conjunto dos acontecimentos desenrolados na vida social e política do nosso país nestes últimos tempos! A insurreição armada de todo o povo, eis a grande tarefa que se apresenta hoje perante o proletariado da Rússia e imperiosamente exige solução!
Cidadãos! Para a eliminação de um punhado de aristocratas das finanças e da terra, é do vosso interesse unir-vos ao grito de incitamento do proletariado, e, juntamente com ele, apressar essa insurreição salvadora de todo o povo.

A criminosa autocracia tzarista conduziu nosso país à beira do abismo. A ruína de uma massa de cem milhões de camponeses da Rússia, a condição de opressão e de miséria da classe operária, as enormes dívidas estatais e os pesados impostos, a população inteira privada de direitos, os infinitos arbítrios e a violência que reinam em todas as esferas da vida, finalmente, a absoluta precariedade da vida e dos bens dos cidadãos: eis o quadro terrível que a Rússia hoje nos oferece!


Não é possível continuar assim por muito tempo! A autocracia, que criou todos esses horrores tenebrosos, deve ser destruída! E será destruída! A autocracia está consciente disso e quanto mais consciente vai ficando, mais tenebrosos se tornam esses horrores, mais pavorosa se faz a dança infernal que ela organiza em torno de si. Além das centenas e dos milhares de pacíficos cidadãos que ela assassinou nas ruas da cidade, além das dezenas de milhares de operários e de intelectuais – os melhores filhos do povo – que definham nos cárceres e na deportação, além dos assassinatos e das contínuas violências que os esbirros do tzar cometem nos campos, entre os camponeses, em toda a extensão da Rússia, a autocracia inventou por fim novos horrores.


Começou a semear a inimizade e o ódio o próprio povo e a lançar umas contra as outras camadas inteiras do povo e nacionalidades inteiras. Armou e açulou arruaceiros russos contra os operários e os intelectuais russos, as massas obscurantistas e esfomeadas dos russos e dos moldávios na Bessarábia contra os judeus e, finalmente, a massa ignorante e fanática dos tártaros contra os armênios.

Servindo-se dos tártaros, destruiu um centro revolucionário da Rússia, o centro mais revolucionário do Cáucaso, Baku, e conservou longe da revolução toda a província armênia. Transformou todo o Cáucaso, com seus habitantes de origens diversas, num campo de batalha, onde a população espera ataques a cada instante, não só por parte da autocracia., mas ainda por parte dos habitantes vizinhos, vítimas infelizes da autocracia. Continuar assim não é mais possível!


E só a revolução é que pode dar fim a isso!

Seria estranhável e ridículo esperar que a autocracia, que suscitou todos esses horrores infernais, queira e possa, ela mesma, fazê-los cessar. Nenhuma reforma, nenhum remendo da autocracia – do gênero da Duma de Estado, dos zemstvos, etc. – a que se quer limitar o partido liberal, poderia dar fim a esses horrores. Ao contrário, todas as tentativas nesse sentido e todas as ações contra o impulso revolucionário do proletariado contribuirão para agravar esses horrores.
Cidadãos!


O proletariado, a classe mais revolucionária da nossa sociedade, que até o dia de hoje carregou sobre os ombros todo o peso da luta contra a autocracia de quem é, até o âmago, o adversário mais decidido e sem reservas, prepara-se para a ofensiva armada aberta. E ele vos convida, a todas as classes da sociedade, a ajudá-lo e apoiá-lo. Armai-vos, ajudai-o a armar-se e preparai-vos para o combate decisivo.

Cidadãos!

Aproxima-se a hora da insurreição!


É necessário que a enfrentemos com todas as armas! Só neste caso, só mediante uma insurreição armada geral e simultânea em todas as localidades poderemos vencer nosso inimigo abominável, a maldita autocracia tzarista, e erigir sobre suas ruínas a livre república democrática de que necessitamos.

Abaixo a autocracia! Viva a insurreição armada geral!
Viva a República Democrática!
Viva o Proletariado da Rússia em luta!
Assinado: O Comitê de Tíflis."

Série Discursos: "Um Partido Vitorioso".



Publico texto do Camarada João Amazonas, o qual tive orgulho de ser comandado.

"Um Partido Vitorioso"
João Amazonas
12 de Dezembro de 2001
Fonte: trecho do pronunciamento realizado na plenária final do 10º Congresso.
Transcrição: Diego Grossi Pacheco
HTML: Fernando A. S. Araújo, Janeiro 2008.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

"Camaradas,

temos um partido combativo, que não é fechado; um partido — em certo sentido — alegre porque luta por ideais elevados, com a certeza de que eles podem ser conquistados.
Por isso me alegra na realização deste 10º Congresso, sobretudo o entusiasmo e a numerosa participação de delegados de quase todo o Brasil.


E todos aqui se reúnem para discutir com seriedade o futuro da nossa organização.

Não tenho dúvidas sobre o nosso futuro, pois nosso Partido está vivendo um momento, como acentuou aqui o companheiro Renato Rabelo, de expansão — está vivendo um momento de crescimento organizado. O nosso Partido vive uma situação de real importância para os destinos do nosso país.

Saímos, nestes oitenta anos de luta, daqueles períodos duros em que o Partido não passava de uma força — sem dúvida — combativa e cheia de heroísmo, porém fechada e com dificuldades para se relacionar e se impor na sociedade brasileira como uma organização respeitável e digna de ser ouvida e seguida pelos brasileiros.

Por isso, companheiros, devo dizer que este Congresso assinala um ponto de viragem para o nosso Partido. Estou certo de que nas próximas eleições vai ficar definido melhor ainda como o PCdoB vai conquistando posições sólidas na sociedade brasileira — um partido que se impõe pela defesa não somente dos ideais grandiosos, como é a conquista do socialismo, mas sobretudo por saber dar soluções aos problemas cruciais que se colocam a cada momento na vida do nosso país.

Companheiros, dirijo este Partido — como principal dirigente, digamos assim — desde 1962.

Claro que não era somente eu, pois se tratava de uma direção coletiva de companheiros abnegados, de quem não posso falar sem lembrar com saudades e com respeito pela sua combatividade — companheiros como Maurício Grabois, Pedro Pomar, Lincoln Oest, Carlos Danielli, Ângelo Arroyo, Luis Guilhardini e outros tantos que estiveram presentes na direção deste Partido e que pagaram alto preço pela coragem de desafiar um regime de traição e brutalidade em nosso país, para defender os interesses do nosso povo. Esses companheiros foram todos assassinados pela repressão e morreram com honra no seu posto de luta. Portanto, camaradas, devo dizer que dirijo este Partido desde 1962, com a sua reorganização, e assumindo maiores responsabilidades ainda com a morte dos principais dirigentes daquela época.

Agora vou fazer — em abril de 2002 — 67 anos de militância no PCdoB; e militância ininterrupta.

Jamais interrompi a minha militância em nenhum momento. Fui sempre um combatente esforçado para realizar as tarefas do nosso Partido. Quero colocar diante de vocês uma questão, que é uma questão também de princípios.

Devo dizer que dentro de duas semanas (em 1º de janeiro) completo 90 anos de idade; por isso peço aos camaradas que me dispensem da função de principal dirigente do Partido — quer dizer, de presidente nacional do Partido Comunista do Brasil. No nosso Partido não há cargos vitalícios e eu tampouco, com isso, estou pedindo aposentadoria.

Quero morrer, companheiros, na minha banca de trabalho, continuando a lutar pelos ideais que procurei defender durante a vida. Mas penso que não tenho mais condições de poder dirigi-lo como principal posição de direção. E, por isso, companheiros, peço dispensa desse cargo e aponto para minha substituição o companheiro Renato Rabelo, um bom camarada que vem se destacando no nosso Partido e procurando seguir as suas tradições de luta.

Vou continuar como membro do Comitê Central na minha banca de trabalho, mas já não tenho condições físicas para continuar à frente do principal cargo de direção.

Devo dizer, companheiros, que essa substituição se faz normalmente e se faz como é devido. Por isso quero aqui agradecer a vocês todos o grande apoio que sempre tive nas fileiras do nosso glorioso e heróico Partido Comunista do Brasil."

A República tem que ser laica.



Reproduzo matéria que o Azenha colocou no site dele.

O ESTADO DO RIO NÃO É LAICO
Atualizado e Publicado em 13 de maio de 2008 às 23:47

por Stela Guedes Caputo, na Carta Maior


"Aproveitando a brecha aberta através da lei estadual 3.459/2000, que regulamentou o Ensino Religioso como confessional no Rio de Janeiro, no final do ano passado, a Arquidiocese lançou quatro livros didáticos católicos de ensino religioso.

A coleção é coordenada por Dom Filippo Santoro, Bispo da Educação e do Ensino Religioso e ilustrada também pelo cartunista Ziraldo. “O lançamento desses livros do Ensino Religioso Confessional e Plural das Escolas Públicas do Rio de Janeiro é muito importante porque indica uma perspectiva na qual se comunica uma mensagem muito clara, um conteúdo”, afirmou Dom Filippo Santoro, em matéria publicada no jornal O Testemunho da Fé, em agosto de 2007.


As obras desrespeitam a Constituição, burlam a própria lei do Ensino Religioso, discriminam religiões afro-descendentes e representam um retrocesso em importantes conquistas de educadores e educadoras preocupados (as) com a diversidade do país. Na página 56, do volume “A Igreja de Cristo”, por exemplo, há um ataque declarado aos praticantes de religiões afro-descendentes.


Diz o texto: “A umbanda não faz uso de sacrifícios de animais em seus rituais, porque respeita a vida e a natureza”.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Templos de Umbanda e Candomblé, Pai Guimarães de Ogum, a afirmação, além de equivocada, discrimina. “A umbanda é uma religião brasileira que mistura pajelança, candomblé, kardecismo, catolicismo, xamanismo, orientalismo cigano. Cada casa vai desenvolver uma linha mais de acordo com seu dirigente e todas são umbanda. Nas mais próximas ao candomblé haverá a oferta de animais. Nossa identidade não se define em função das oferendas, mas pela relação com as entidades e com o divino”.


O problema começou em 1549, com a chegada dos jesuítas que já marcaram o início da escolarização brasileira com objetivos colonizadores e de catequese. A proclamação da República, em 1889, separa Estado e Igreja Católica e só a Constituição de 1891 vai garantir o ensino laico nas escolas públicas.

O Ensino Religioso sairá de cena, mas por apenas quatro décadas.
De lá para cá a mobilização e pressão da Igreja Católica vem garantindo sucessivas vitórias políticas sobre os setores laicos da educação. Mais próximo aos nossos dias, é na Constituição de 1988 que estes setores sofrem a primeira grande derrota, já que a lei manteve o caráter obrigatório para a oferta do Ensino Religioso nos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.
Minimizando o dano, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, reincorpora o dispositivo “sem ônus para os cofres públicos”, mas o lobby da Igreja Católica não deixaria por menos e a LDB é modificada e considera o Ensino Religioso “parte integrante da formação básica do cidadão”.


A restrição aos gastos públicos com o Ensino Religioso desaparece e caberá aos estados regulamentarem os procedimentos para definir o conteúdo dessas disciplinas, bem como a forma de selecionar e contratar seus professores.
Estava aberta a brecha para cada um fazer o que quiser, como bem entender e, por que não, como bem mandar a fé de governos, professores e diretores de escolas?Presbiterianos e eleitos com grande apoio das igrejas evangélicas, o “casal Garotinho” aproveitou a chance. Em setembro de 2000, o marido sanciona a Lei 3.459, do ex-deputado católico Carlos Dias (PP-RJ) que estabelece o ensino religioso confessional na rede estadual. Em 2004, a esposa Rosinha, já governadora, realiza concurso público e contrata 500 professores de Ensino Religioso.


A relação é: Católicos (68,2%); evangélicos (26,31%) e “outras religiões” (5,26%). Não existem professores de candomblé, por exemplo. Para explicar porque o candomblé ficou de fora, a Coordenação de Ensino Religioso informa que não existe registro na pesquisa realizada em 2001 de alunos que praticam esta religião, mas garante que não há proselitismo na disciplina.Entrevistas com professores de Ensino Religioso, com diretores de escola onde se reza o Pai-Nosso na entrada e com alunos de candomblé revelam o contrário.


Uma professora católica diz como seleciona conteúdos: “Uso textos do Padre Marcelo Rossi e também a bíblia, selecionando os trechos comuns a católicos e evangélicos”. E outra, evangélica, acrescenta: “No ano passado eu tinha uns 8 alunos que eram ogans, que se convenceram que estavam errados e hoje são cristãos. Quando somos tolerantes eles acabam entendendo que estão errados”.
Não é à toa que muitas crianças de candomblé, por exemplo, nos terreiros sentem orgulho de sua fé, mas, na escola, dizem que são católicas para não serem discriminadas.Missa de Pentecostes nas escolas, Dia do Papa, Dia do Pároco e aulas sobre a Campanha da Fraternidade.


Tudo isso faz parte do calendário de atividades para o professor de Ensino Religioso, presente em todos os volumes. Trata-se da segunda maior vitória política da Igreja Católica, já que o tema da Campanha da Fraternidade deste ano é: “Fraternidade e Defesa da Vida”, e o lema “Escolhe, pois, a vida”.
Para ficar mais claro: “A escolha do tema deste ano é a expressão da preocupação com a vida humana, ameaçada desde o início pelo aborto até sua consumação com a eutanásia. Tema preciso e desafiador! Somos colocados diante de uma escolha entre a morte (aborto e eutanásia) e a vida”, disse Dom Jacyr Francisco Braido, bispo de Santos, na ocasião do lançamento da Campanha.
Não estranhemos se os próximos volumes desses livros didáticos condenarem os métodos contraceptivos, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a pesquisa com embriões humanos, o divórcio. Tudo isso faz parte da Agenda do Vaticano.Quando o Papa Bento Ratzinger XVI esteve por aqui, em maio de 2007, os principais jornais do país, divulgaram a tentativa do pontífice em fechar um acordo entre Brasil e Vaticano para regulamentar os direitos da Igreja no país que contempla patrimônio, ensino e formação religiosos.


Os jornais destacaram a “firmeza do presidente Lula”, que não assinou o acordo por defender o Estado laico, e a frustração de Ratzinger.
Ora, se o ensino religioso já é obrigatório, se no Rio é confessional, se os mais caros princípios católicos estão impressos em caríssimo papel couché, belamente ilustrados e disponíveis para as escolas públicas, por que o Papa saiu daqui frustrado? Além de desejar aprofundar o que já é ruim por aqui,Ratzinger não foi embora sem antes recomendar que a Igreja ficasse longe da política.
Contudo, no volume “Os sinais do Espírito”, no capítulo “Um jeito novo de ser responsável na Igreja”, lemos: “Escolha candidatos competentes que tenham boa conduta pessoal e sejam coerentes. É indispensável, ainda, que sejam comprometidos com a ética social, com os valores cristãos, com o resgate das dívidas sociais e com as posições defendidas pela Igreja, tais como: o ensino religioso nas escolas, a condenação do aborto, dos jogos de azar, a eutanásia, etc.”


A restrição de Ratzinger diz respeito apenas aos setores progressistas da política porque política conservadora pode.
É claro que a coisa não pára por aí.
A aliança católico-evangélica já estabelecida na seleção de conteúdos comuns no Ensino Religioso é reforçada pela publicação dessas obras que também divulga conteúdos comuns. A mesma aliança pode ser notada na própria Coordenação de Ensino Religioso, órgão da Secretaria Estadual de Educação onde apenas católicos e evangélicos possuem representação em Departamentos.
A chefia da Coordenação é católica e nomeada pela Arquidiocese, que também nomeia a diretora do Departamento Arquidiocesano de Ensino Religioso Católico. Já a diretora do Departamento de Ensino Religioso Evangélico é nomeada pela Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil.
Por telefone, a diretora desse último, que preferiu se identificar apenas por Vera Lúcia disse: “Nós não temos ainda nosso próprio material específico didático. Por enquanto, usamos os livros que foram cedidos pela Sociedade Bíblica do Rio de Janeiro. Fizemos um levantamento de seus livros didáticos e escolhemos os que tinham a ver com nosso plano básico. Trabalhamos de maneira amigável com os católicos”.


O senador Marcelo Crivella, ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e pré-candidato do PRB à Prefeitura do Rio, deve sacramentar a aliança com o PTB, que apresenta como candidato a vice o ex-deputado estadual Carlos Dias, ninguém mais, ninguém menos que o autor da lei do Ensino Religioso Confessional do Rio.
A escola, nesse momento, representa um mercado religioso a ser dividido e conquistado por esta aliança que deixa de lado antigas divergências em benefício de interesses religiosos e políticos estratégicos dentro e fora da escola.Logo depois de assumir, o ex-secretário de Educação do Rio, Nelson Maculan, declarava aos jornais, no dia 13/4/2006, que pretendia acabar com o ensino religioso confessional e nunca mais tocou no assunto.
Parece que o problema também não existe para a nova secretária Tereza Porto. O silêncio só interessa aos setores envolvidos na aliança católico-evangélica, que, devagar e em surdina conseguiu acabar com a laicidade do Estado do Rio."


Jornalista, Doutora em Educação e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ.Fonte: CARTA MAIOR

13 Maio, 2008

Escravidão - 1ªparte

A instituição escravista esteve presente na vida social e econômica brasileira por mais de três séculos. A escravidão tornou-se a engrenagem central do sistema produtivo, tanto no período colonial como após a independência política em relação a Portugal. Em várias regiões do território, marcadas por diferenças nos mais variados aspectos - sejam elas geográficas, culturais, econômicas, étnicas – um dos elementos condicionantes da formação social era a presença da instituição da escravidão, tanto indígena como negra.

A estimativa da população escrava na província cearense em 1864 era de 36 mil habitantes. O censo de 1872 apresentava 31.975 escravos, perfazendo 4,4% da população escravizada no Brasil, ao passo que a província do Rio de Janeiro detinha 39,7% dos escravos. Tal questão levou os historiadores a se debruçarem sobre o assunto, não só na análise dos motivos que tornaram o Ceará uma província onde a escravidão teve menor presença, mas também sobre as relações de trabalho não-escravistas que existiram para atender à necessidade dos proprietários de terras cearenses.

A realidade no Cariri cearense não se demonstrava diferente do restante da província. Qual foi a presença da mão-de-obra escrava na Vila Real do Crato, durante as décadas de 20 e 30 do século XIX, período de transição, no processo histórico de independência do Brasil?

Nas diversas obras, desde as contemporâneas à escravidão como as posteriores, muito se escreveu sobre as atividades econômicas desenvolvidas na região do Cariri durante o século XIX, mas quase nada se falou sobre as pessoas que realizavam as atividades. Quando muito, referências gerais sobre os trabalhadores, sejam livres ou escravos.

Um escravo em qualquer lugar do Brasil possuía as mesmas características. Ao mesmo tempo em que do ponto de vista jurídico era considerado como uma propriedade, sua humanidade se manifestava em seus desejos, revoltas, submissões, sonhos, amores e trajetórias. Todos os escravos tinham uma história. História que não pode ser silenciada.

Dessa maneira, mesmo que o número de escravos tenha sido menor no Ceará em relação a outras províncias como a do Rio de Janeiro, isso não nos exime, como historiadores, de estudar e compreender o fenômeno da escravidão em terras cearenses. Homens, mulheres e crianças viveram sob o jugo da escravidão. Sofreram os mesmos maus tratos e exploração que os escravos em outros locais. Trabalharam, desenvolveram laços de amizade e união, lutaram e rebelaram-se como escravos nas demais províncias. Na Vila Real do Crato não foi diferente. Existiu aqui, tanto a formação de quilombos, como a presença de mão-de-obra escrava e negra sendo utilizada nas mais diversas atividades.

Tendo o escravo como referencial, partimos para o estudo da importância desse tipo de trabalhador na economia cratense, nas décadas de 20 e 30 do século XIX. Buscamos descobrir qual era o percentual de escravos envolvidos em atividades produtivas e não-produtivas e a importância desse tipo de trabalhador no universo das propriedades existentes. A partir da confirmação da presença do trabalhador cativo nas atividades econômicas na Vila Real do Crato, poderemos proceder à análise de sua importância para aquela formação social. Conhecida mais pelas suas manifestações culturais (em um sentido estrito) e religiosas e também pelos movimentos políticos, como o da Confederação do Equador, sobre a escravidão que existiu ali, pouco se escreveu, assim como sobre as condições de vida dos escravos e as relações sociais que se estabeleceram.

Eles não desistem.

Continuam os ataques virtuais aos comunistas. Seja no Portal Vermelho, seja pelos agenciadores locais da direita cratense. A mesma que se locupletou por anos na URCA e que se sente ameaçada sempre que os setores populares se organizam.
Manipulam, distorcem, são parciais, criminalizam movimentos e usam da mentira repetida mil vezes, a tática para tentar enganar as massas.
Mas não adianta. E se enganam redondamente quando pensam que atacando uma das plantas, vão impedir a chegada da primavera, a dos povos, na luta pelo socialismo.
Viva o Glorioso Partido Comunista do Brasil - PCdoB !
Viva o Socialismo!

Míriam Leitão, agente do PIG

A jornalista Míriam Leitão, agente do PIG, discorda do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento. Segundo ela, o PAC é um "fracasso". Aliás, assistindo hoje ao Bom dia Brasil ,da Rede Globo, "descobri" que a falta de infra-estrutura no Brasil é culpa do governo!!!
Do governo Lula? Será mesmo?
E o trânsito de São Paulo é caótico por culpa de quem? Adivinhem!!!!
É assim que age o PIG - Partido da Imprensa Golpista. "Esquece" do governo tucano, aliás, de Covas, Alckimin, Serra e joga a culpa do trãnsito caótico de São Paulo como responsabilidade do Governo Lula.
E torce pra que o PAC não dê certo.
É muito desespero e ação política deliberada desse órgão, porta-voz da Direita nacional.

12 Maio, 2008

Alienação e trabalho.

Vídeo muito bem feito sobre alienação e trabalho.


http://br.youtube.com/watch?v=7-3GNPM9Wok&feature=related

PHA enfrenta o PIG e o PSDB

Paulo Henrique Amorim continua sua série de investigações sobre a relação do PIG - Partido da Imprensa Golpista e o PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira.


Leia na íntegra em http://www.paulohenriqueamorim.com.br/


"COMEÇA A CHEGAR A CONTA DOS TUCANOS

Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1125

" Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o
PiG, Partido da Imprensa Golpista.


. Os americanos usam com freqüência a expressão “chickens come home to roost “ – ou “a galinha sempre volta ao poleiro”.

. Quer dizer: o que você fez de errado no passado um dia vai te atormentar.

. Outra forma de dizer: quem dorme com cachorro acorda com as pulgas.

. O PiG sempre blindou os tucanos.

. Era muito fácil: bastava ligar para o Dr. Roberto, para o “Seu” Frias e para o Ruy Mesquita (ao Roberto Civita bastava um assessor passar o recado).

. Com três telefonemas se fazia a censura à imprensa brasileira.

. O presidente eleito José Serquércia, por exemplo: não precisa nem da TV Cultura: ele tem a Globo de São Paulo ...

. Embora o Governo Lula tenha cometido o erro histórico de não enfrentar ou buscar alternativas ao PiG, a situação se modificou um pouco.

.
Clique aqui para ler na Carta Capital sobre “TV Pública, o dilema”.

Magistrados suíços resolveram investigar a Alstom francesa.

. O PiG, como sempre, vai tentar circunscrever a roubalheira a um espaço fora das administrações Covas/Alckmin em São Paulo.

. Clique aqui para ler sobre a Alstom, aqui no Conversa Afiada.

. Vai ser difícil.

. Os magistrados suíços não devem ler o PiG.

. Além do mais, a Alstom fez contratos milionários com o metrô do Rio, no tempo em que Daniel Dantas controlava o metrô do Rio.

. (Clique aqui para ler “Falta alguém na Alstom”)

. (Clique aqui para ler por que o PiG não fala mal de Dantas. Note que a irmã de Dantas financiou uma empresa da filha de Serra)

. (Clique aqui para ler sobre os vários chapéus do Gaspari)

. Eventualmente, os magistrados suíços podem esbarrar no Dantas, já que na Justiça brasileira ele não perde uma ...

. Porém, há novas denúncias que envolvem ilustres tucanos.

. O Estadão (sábado, pág A9 – clique aqui para ler e domingo, pág A9 – clique aqui para ler) mostra que o Ministério Público denuncia um senador do PSDB de Goiás, o ex-governador Marconi Perillo, de “formação de quadrilha, fraude processual, peculato, caixa dois, e outros crimes eleitorais cometidos durante a campanha de 2006 e no início de 2007”.

. É o chamado básico dos crimes eleitorais.

. Uma espécie de “melhores momentos” dos crimes eleitorais.

. Este senador, como se sabe, preside a Comissão de Infra-Estrutura do Senado e foi ele quem convocou a Ministra Dilma Rousseff para aquele celebre depoimento em que o senador Agripino Maia lançou a candidatura de Rousseff a Presidente.

. Clique aqui para ler “Dilma arrasa a oposição” e “Quem afunda a oposição “.

. O senador Perillo também foi intermediário de uma negociação entre o Governo e a oposição para salvar a CPMF – o Governo se comprometia a usar TODO o dinheiro na Saúde e o Senado mantinha a CPMF.

. Perillo concordou com a idéia.

. E em seguida fez um dos mais veementes discursos contra a CPMF ...

. Clique aqui para ler sobre o “jogo duplo” do ínclito senador.(*)

. Outra denúncia de corrupção atinge a tucana Yeda Crusius, governadora do Rio Grande do Sul.

. Clique aqui para ler “A Via-Crúcis de Yeda – Rio Grade do Sul – Fraudes no Detran complicam a vida da governadora tucana”, na Carta Capital que está nas bancas.

. Personagem importante da reportagem de Leandro Fortes é Lair Frest, acusado de montar o caixa dois tucano no Rio Grande do Sul.

. A Polícia Federal prendeu 13 pessoas e indiciou outras 39 por desvio de R$ 40 milhões diz a Carta.

. É coisa de tucano: muita grana e pouca publicidade ...

. Daqui a pouco a galinha dos tucanos de São Paulo volta para o poleiro...

(*) Esse é um dos arquivos antigos que postei quando trabalhava no iG. Se a “limpeza ideológica” promovida por Caio T(“T” de Tartufo) Costa tivesse dado certo – e não deu certo por causa de uma decisão judicial obtida em 24 horas – esse arquivo teria ido para o espaço ...

Clique aqui para ler sobre a “limpeza ideológica” e a vitória que obtive na Justiça."

A IV Frota vem aí. O Império está de olho.

A Quarta Frota do Império, utilizada para "monitorar" a América Latina está de volta. A partir de 1º de julho, irá patrulhar nossos mares.
Os Estados Unidos estão "preocupados" com nossa segurança...
Segundo o Pentágono, " é uma demonstração do compromisso dos Estados Unidos com seus aliados da região”.

Estão de olho em Hugo Chavez e outros "inconvenientes".

A luta de classes e a luta contra o imperialismo estão mais vivas do que nunca.

Regressismo

Questionado que fui pelo colega blogueiro Dhielson Mendonça (Blog do Crato) sobre o uso do termo "progressista" e das alianças dos partidos progressistas na Cidade do Crato contra o atual prefeito, do PSDB, vou usar este espaço para explicar.


O colega me questiona se existiria algum partido "regressista".



Existiu e ainda existem.



No período Regencial, o que havia de mais conservador e retrógrado usava o lema "Regresso à Ordem". Hoje, os "regressistas" são aqueles que acreditam que a desigualdade social é algo natural e defendem que a questão social não é na verdade social, mas sim de sociabilidade...






De qualquer maneira, reproduzo um quadro que está no site Libertária, de Lúcia Helena Storto e Sidney Aguiar Filho. É um quadro explicativo sobre os partidos no século XIX.




Os comunistas defendem que os partidos progressistas se unam para enfrentar o projeto conservador, que em nossa opinião está representado pelo PSDB e outros setores.

O Vermelho resiste

O Portal Vermelho que sofreu ataque continuado nos último dias, através da tentativa de invasão e instalação de vírus, continua no ar. Com algumas restrições ainda, mas no ar.

Não adianta tentar impedir os comunistas de propagarem suas idéias. Resistiremos.

Leia:

"Caro internauta,
Diante dos ataques virtuais que continuamos a sofrer, adotamos uma programação de emergência para o *Vermelho*. Agora você pode navegar pelo portal com segurança e tranqüilidade, sem risco de virus.
Garantimos o mais importante, o noticiário de atualidade: o galo vermelho continua vivo, cantando e brigando no espaço que conquistou na internet.Sentimos muito pelo transtorno.
Agradecemos as mensagens de solidariedade. Assim que blindarmos o portal contra as repetidas tentativas de invasão, voltaremos ao formato normal."

11 Maio, 2008

Ataque ao Portal Vermelho

O Portal Vermelho está fora do ar desde sábado. Na sexta-feira já havia passado por problemas de ataques virtuais.

Assim o Portal noticiou a situação:

"O Vermelho voltou a ser alvo de ataques virtuais. Nossa equipe técnica está trabalhando para solucionar o problema. Enquanto isso, bloqueamos o acesso ao portal para evitar transtornos aos internautas. Assim que a situação estiver normalizada, o acesso ao portal será liberado.
Pedimos desculpas e esperamos contar com a compreensão de todos.
A equipe do Vermelho"

09 Maio, 2008

Racistas do PIG

Reproduzo artigo publicado na Revista Caros Amigos.

Em azul, a opinião ao articulista. Em marrom, os trechos dos racistas que fazem parte do PIG - Partido da Imprensa Golpista.


"Diogo Mainardi encampa discurso neo-racista brasileiro

por Ismar C. de Souza

Com ataques cuidadosamente dosados contra a política de cotas universitárias implantadas no Brasil – que está sob julgamento no Supremo Tribunal Federal –, e, na verdade, querendo atingir todas as lutas do negro brasileiro, o colunista da revista Veja, Diogo Mainardi, encampou de vez o discurso neo-racista brasileiro.
“É uma chance para acabar de vez com o quilombolismo retardatário que se entrincheirou no matagal ideológico das universidades brasileiras", afirma ele em "O quilombo do mundo" (edição 2057, 23/04/2008).
Mainardi se soma a outros jornalistas da Veja (impressa e on line) e a demais pessoas que recebem espaço na revista de maior circulação nacional para mover um combate sem tréguas à aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, à política de cotas universitárias, à figura de Zumbi dos Palmares, ao Dia da Consciência Negra e, enfim, à causa da reparação das injustiças cometidas contra a comunidade negra ao longo da História brasileira.
Entremeando afirmações tendenciosas e citações do livro “Não Somos Racistas” (acredite quem quiser...) do guru do combate ao movimento negro brasileiro, o diretor de Jornalismo da Rede Globo Ali Kamel, Mainardi se mostra ainda mais parcial quando tenta apoiar sua tortuosa racionália numa frase do senador de ascendência africana Barak Obama:
– Se olharem minhas filhas, Malia e Sasha, e disserem que elas estão numa situação bastante confortável, então (raça) não deveria ser um fator. Por outro lado, se houver um jovem branco que trabalhe, que se esforce, e que tenha superado grandes dificuldades, isso é algo que deveria ser levado em consideração.
Tratou-se de um comentário superficial e meio confuso, proferido durante um debate eleitoral. A conclusão de que Obama “quebrou um tabu e defendeu abertamente o fim das cotas raciais” é uma óbvia forçação de barra. Mainardi subestima a inteligência dos seus leitores.
Agora vejamos o que a Veja, preconceituosamente, em sua página de internet, via outro jornalista da turma do Mainardi (Reinaldo Azevedo, postado em www.veja.com.br/reinaldo, no dia 07/01/2008, 15h51), opinou sobre o mesmo senador e candidato a candidato do Partido Democrata:
– Que diabo se passa com o Partido Democrata americano, que tem como favoritos uma mulher e um negro com sobrenome islâmico e nenhum homem branco para enfrentá-los? (...) Para bom entendedor: tomo o par “homem branco” como apelo simbólico à tradição e à conservação de um modelo que, inegavelmente, deu certo e fez a maior, mais importante e mais rica democracia do mundo, que venceu, por exemplo, o embate civilizatório com o comunismo.
Como esse preconceito mal dissimulado ofende a qualquer ser humano digno desse nome, só restou à tropa de elite da Veja buscar o apoio da trupe dos conservadores raivosos, dos reacionários empedernidos e de alguns parlamentares influenciáveis que estão tentando barrar a implantação do Estatuto da Igualdade Racial.
Políticas de incentivo à integração do negro
Foi apenas em junho de 1998 que o Brasil empossou seu primeiro ministro de Estado negro, o mineiro Carlos Alberto Reis de Paula. Num país de aproximadamente 183 milhões de habitantes, com 11,5 milhões (6,3%) de negros, isto comprova que o Brasil é sim, um país racista, ainda que de uma forma dissimulada.
O certo é que só recentemente o problema da integração e participação digna do negro na sociedade passou a ter visibilidade nacional como política de Estado. E já produziu efeitos, pois agora são cinco os negros que participam como ministros do Governo Federal. Antes, só entravam como empregados subalternos.
Os interesses e idiossincrasias de nossa elite conservadora produziram convicções escravocratas que se tornaram estereótipos, ultrapassando os limites do simbólico e incidindo sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão dos negros na escala social, por menor que seja, sempre deu lugar a manifestações veladas ou ostensivas de ressentimentos.
Ao mesmo tempo, a opinião pública foi, por muito tempo, treinada para desdenhar e, mesmo, não tolerar a inconformidade, vista como um injustificável complexo de inferioridade, já que o Brasil, segundo a doutrina oficial, jamais acolheu a discriminação ou preconceito.
Cotas raciais nos EUA e no Brasil A campanha pelos direitos civis nos Estados Unidos, que ganhou notoriedade internacional com a marcha de quase meio milhão de pessoas até Washington em 1963, foi o embrião da política oficial de cotas raciais, implementada a partir de 1970.
Em 1965, quando foi assinada a lei permitindo o voto e a eleição de negros nos EUA, a esmagadora maioria era pobre; assim, na primeira eleição, pouco mais de uma centena deles conquistou mandatos públicos. Hoje são mais de 8 mil.
Primeiro país a implantar o sistema de cotas, os EUA contam (abril/2008) com uma candidata negra, Cynthia Mckinney, candidata pelo Green Party (Partido Verde estadunidense) à presidência da república e com Obama tendo grande chance de se tornar o postulante do Partido Democrata.
Se lá, como aqui, o sistema de cotas possui falhas e não resolveu todos os problemas raciais da nação, com certeza motivou um grande debate nacional e alavancou uma melhor participação dos negros em sua sociedade, tanto que estes já têm presença marcante na classe média, ao contrário do Brasil.
O reacionário Mainardi, contra tudo e contra todos
Na contramão dos grandes pesquisadores e educadores brasileiros, o colunista da Veja chegou ao cúmulo de propor que o Brasil siga o exemplo dos EUA, extinguindo totalmente a gratuidade no ensino superior:
– Se é para macaquear os Estados Unidos, temos de macaqueá-los por inteiro. A universidade pública americana cobra mensalidade dos alunos. Quem pode pagar, paga. Os outros se arranjam com bolsas, empréstimos ou bicos.
Como se fosse possível equiparar dois países em estágios de desenvolvimento econômico tão diferentes! E como se os estudantes daqui tivessem a mesma facilidade em levantar recursos por meio de “bolsas, empréstimos ou bicos”!
Bem se vê que Mainardi, habitando ou não no Brasil, estará sempre a anos-luz de distância de nossa sofrida realidade... o que não o impede de tentar, arrogantemente, ensinar a nós, nativos, como devemos viver, segundo o figurino da metrópole.
A violência policial e o silêncio cúmplice dos neo-racistasNegros de qualquer classe social, no Brasil, são tratados da forma mais preconceituosa e arbitrária pelas autoridades policiais – vide o caso do dentista Flávio Ferreira Sant'Ana, assassinado em 2004 na zona norte paulistana apenas por suspeitarem que tivesse roubado o luxuoso carro que dirigia.
É nas estatísticas da violência policial contra os negros que as contradições da sociedade brasileira se mostram mais agudas, como se depreende, por exemplo, de uma pesquisa que o
Datafolha realizou em 1997 na cidade de São Paulo:
a escolaridade e condição financeira têm pouca influência sobre a freqüência e incidência das revistas policiais e da violência praticada pela polícia;
entre os da raça negra, quase metade (48%) já foi revistada alguma vez. Desses, 21% já foram ofendidos verbalmente e 14%, agredidos fisicamente por policiais;
os pardos superam os negros em ofensas: 27% deles foram ofendidos verbalmente e 12% agredidos fisicamente. Ao todo, 46% já foram revistados alguma vez;
a população branca é menos visada pela polícia. Entre estes, 34% já passaram por uma revista, 17% ouviram ofensas e 6% já foram agredidos, menos da metade da incidência entre negros.
Sobre a violência seletiva aplicada em muito maior escala e intensidade contra a população negra pelas polícias estaduais, os neo-racistas se calam, não escrevendo uma palavra sequer. Tais fatos não entram nas elocubrações deles, as vidas ou direitos destas pessoas não lhes interessam, pois na verdade não têm o que dizer sobre este assunto. Nem mesmo o guru Ali Kamel, que parece ter fixação por estatísticas, encontrou justificativa para estas.
Final rancoroso e melancólico
Como já fizera no título, Mainardi termina seu artigo dando uma conotação pejorativa à palavra quilombo:
– O Brasil se refugiou no passado. O Brasil é o quilombo do mundo.
Quilombo, segundo o dicionário Aurélio, é “estado de tipo africano formado, nos sertões brasileiros, por escravos fugidos”. Para nós, quilombo simboliza toda uma luta por liberdade e justiça. Ademais, como em alguns quilombos também viviam índios e brancos simpatizantes, pode ter sido o primeiro lugar no Brasil onde pessoas de raças diferentes conviveram harmoniosamente.
Destruidor de quilombos foi o bandeirante Domingos Jorge Velho, matador de negros do século XVII, até hoje relacionado entre os maiores assassinos de nossa História. Seus seguidores, como Mainardi, Reinaldo de Azevedo e Ali Kamel, atiram-se com o mesmo furor homicida contra a imagem dos quilombos. Só que, em vez de apertar gatilhos, comprimem teclas.
Não percebem, entretanto, que jamais conseguirão deletar as páginas de heroísmo escritas pelos negros, nem sua possibilidade de obterem agora o que lhes foi negado durante séculos.
Mas estão deletando a si próprios da civilização, eles sim refugiados num passado vergonhoso: aquele em que os preconceitos raciais ainda podiam ser expressos impunemente. Hoje, pelo contrário, só despertam perplexidade, indignação e asco."
Ismar C. de Souza é militante do Movimento Negro
e articulista free lancer.

08 Maio, 2008

Política no Crato

Sobre a sucessão política na cidade do Crato, começam os ataques típicos das épocas eleitorais.
Setores vinculados ao PSDB local se "escandalizam" quando ocorre uma reunião com representantes do PV, PT e PMDB, sendo que as pessoas que representam tais partidos já foram adversários anteriormente.


Eu como comunista e presidente do PCdoB no município acho que na política é normal que ocorram reuniões entre partidos e lideranças.

Política é mediação.

É conversar.

Até adversários podem e devem dialogar.

O que eu não entendo é o escândalo porque algumas lideranças políticas estão conversando. Já sobre o conteúdo da conversa, o que me intriga é saber como é que se tem o conhecimento da fala das pessoas?

O que há demais nas pessoas que são de partidos políticos que compõem a mesma base tanto a nível federal e estadual conversarem?

Não vejo problema nenhum e sim uma tempestade em copo d'água.

07 Maio, 2008

Charge de Novaes para a Gazeta Mercantil


Colocando os filhotes da ditadura em seu lugar

Deu no site do Paulo Henrique Amorim (www.paulohenriqueamorim.com.br)


"DILMA ARRASA A OPOSIÇÃO
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1118

. A oposição deu um tiro no pé ao convocar Dilma Rousseff para se afogar nos cartões corporativos.
. O senador Agripino Maia, do PFL-RN, voltou aos bons tempos de provocador e deu a entender que tudo o que Rousseff dissesse ali poderia ser uma mentira.
. O senador lembrou que, numa entrevista recente, Rousseff confessou que mentiu quando esteve presa no regime militar.
. Uma mentira que Rousseff contou quando tinha 19 anos.
. Ela foi torturada e ficou três anos presa.
. Diante da provocação do senador pefelista, Rousseff subiu.
. Rousseff atingiu o ponto certo da resposta, com firmeza e serenidade, e colocou o senador na posição histórica que ocupam os que acionavam a maquininha do choque elétrico.
. Rousseff falou:
. Não há dialogo com o pescoço na forca.
. Não há verdade na ditadura.
. O que se trava aqui no Senado, agora, é o dialogo democrático, entre iguais, entre cidadãos em igualdades de condição.
. Eu me orgulho de ter mentido para salvar companheiros da tortura e da morte.
. No pau de arara e com choque elétrico não há possibilidade de dialogo civilizado.
. Tenho imenso orgulho do que fiz: mentir aos torturadores.
. Em resumo, a oposição errou: deu a possibilidade de se conhecer essa Rousseff, que parecia adormecida sob o sucesso do PAC.
. A oposição foi tosquiar e saiu tosquiada.
Em tempo: um amigo meu, especialista em construir e analisar cenários políticos, me telefonou assim que viu Rousseff arrasar Maia: “além da competência técnica, você tem que ter sorte. Você pode fazer tudo certo. Mas, se não tiver sorte, não adianta nada. A sorte da Dilma foi pegar o Maia”. "

Geopark Araripe

Um projeto que volta para o leito institucional.


"Em: 07.05.2008 - às 16:03

Estado do Ceará entra na disputa pela realização de Conferência Internacional na região do Cariri Conferência Internacional

A Conferência Internacional


O Reitor da Universidade Regional do Cariri (URCA), Plácido Cidade Nuvens, fará parte da comitiva que irá Osnabruck, na Alemanha, no mês de junho, participar da 3ª Conferência Internacional de Geoparks. Na ocasião, será pleiteada a realização da 4ª Conferência em 2010 no Brasil, na região do Cariri.

Esse tem sido o propósito da nova administração da universidade, que desde o momento que assumiu a URCA vem atuando no sentido de fortalecer a instituição de forma aberta e democrática, com transparência de suas ações. Também participa da comitiva o gerente do Geopark Araripe, João de Aquino.


A escolha da sede da 4ª Conferência será realizada durante a 3ª Conferência Internacional de Geoparks. Na oportunidade, o Estado também estará participando da 1ª Feira Mundial de Geoparks, com um stand do Geopark Araripe. A Conferência Internacional de Geoparks é um importante evento científico organizado de dois em dois anos pela Rede Global de Geoparks. O Geopark Araripe é o único geopark reconhecido pela Unesco nas Américas e também no Hemisfério Sul.
A propositura a ser apresentada a Unesco está sendo elaborada por um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria das Cidades, que também conta com representantes das secretarias da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), do Turismo (Setur), da Universidade Regional do Cariri (Urca), do Geopark Araripe e da consultora do Banco Mundial, Mônica Amorim.
Inclusão Social
A intenção da Administração da URCA é aproximar e incluir as comunidades da região no projeto do Geopark Araripe, para que as mesmas se sintam responsáveis pelo mesmo e também se sintam valorizadas nas ações do projeto.
A popularização do Geopark Araripe e participação popular são desafios que se apresentam atualmente e o Reitor da URCA, Prof. Plácido Cidade Nuvens, estabeleceu como metas para serem atingidas pela atual Gerência do Geopark, já que não faziam parte das diretrizes fixadas anteriormente, mas que são compromissos assumidos pela atual reitoria, na busca do desenvolvimento regional.
De acordo com o secretário das Cidades, Joaquim Cartaxo, a realização da Conferência Internacional de Geopark garantiria ao Estado um reconhecimento internacional das ações relacionadas à preservação patrimonial, educação científica, meio-ambiente, e desenvolvimento/turismo sustentável. Em outubro do ano passado, o reitor da URCA esteve em Brasília para receber o Prêmio Rodrigo de Melo Franco, do Ministério da Cultura (Minc)/Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O arquiteto responsável pelo projeto, José Sales, também foi premiado.


Nova Sede

Nesta nova administração, o Geopark receberá sua sede própria. A construção está prevista para começar no segundo semestre deste ano, iniciando com isso o desenvolvimento, de fato, da parte de infra-estrutura do projeto e possibilitando que os recursos gastos com o aluguel da sua atual sede sejam disponibilizados para outros setores.

É permitida a reprodução de textos e fotos, desde que citada a fonte.
Textos: Reitoria da URCA - Email: urca@urca.br - Tel: (88) 3102 1212"

05 Maio, 2008

Reflexões do comandante Fidel



"A 4ª Frota de Intervenção dos Estados Unidos surgira em 1943, para combater os submarinos nazistas e proteger a navegação durante a 2ª Guerra Mundial. Foi desativada em 1950, como desnecessária: o Comando Sul supria as necessidades hegemônicas dos EUA nesta área. No entanto, 48 anos depois, acaba de renascer, e não é preciso demonstrar seus fins intervencionistas. Os próprios chefes militares o divulgam em suas declarações, de forma natural, espontânea e até direta.


As preocupações com os problemas do preço dos alimentos, da energia, do intercâmbio desigual, da recessão econômica no mercado mais importante para seus produtos, da inflação, das mudanças climáticas e dos investimentos requeridos por seus sonhos consumistas consomem o tempo e as energias de dirigentes e dirigidos.

O real é que a decisão de restabelecer a 4ª Frota foi anunciada na primeira semana de abril, um mês depois que o território do Equador foi atacado por bombas e tecnologia dos Estados Unidos, e por pressão destes, matando e ferindo cidadãos de diversos países, o que causou profunda repulsa entre os líderes latino-americanos na reunião do Grupo do Rio, que teve lugar na capital da República Dominicana.

Pior ainda: o fato ocorre quando é quase unânime o repúdio à desintegração da Bolívia promovida pelos EUA. Os próprios chefes militares explicam que terão sob sua responsabilidade mais de 30 países, cobrindo 15,6 milhões de milhas quadradas nas águas adjacentes à América Central do Sul, Mar do Caribe com suas 12 ilhas, México e os territórios europeus deste lado do Atlântico.

Os EUA possuem dez porta-aviões do tipo Nimitz, cujos parâmetros a grosso modo são: deslocamento de 101 mil a 104 mil toneladas de carga máxima; convés de 333 metros de comprimento e 76,8 metros de largura; dois reatores nucleares; velocidade que pode chegar a 56 quilômetros por hora; e 90 aviões de guerra. O último deles leva o nome de George H. W. Bush, pai do atual presidente; já foi batizado com champanhe pelo próprio homenageado; dentro de dois meses deve estar pronto para se somar às outras naves.

Nem um só país do mundo possui um único navio semelhante a estes, todos equipados com sofisticadas armas nucleares, que podem se aproximar até poucas milhas de qualquer um dos nossos países. O próximo porta-aviões, o USS Gerald Ford, será de novo tipo: tecnologia Stealth invisível a radares e armas eletromagnéticas.

A principal armadora de ambos os modelos é a Northrop Grumman, cujo atual presidente também faz parte da junta diretora da petroleira estadunidense, a Chevron-Texaco. O custo do último Nimitz foi de US$ 6 bilhões, sem incluir os aviões, os mísseis e os gastos operacionais, que também podem subir a bilhões. Parece um conto de ficção científica. Com esse dinheiro seria possível salvar a vida de milhões de crianças.

Qual é o objetivo declarado da 4ª Frota? "Combater o terrorismo e as atividades ilícitas, como o narcotráfico". Assim como enviar um recado à Venezuela e ao resto da região. Anuncia-se que ela entrará em operação no próximo 1º de julho.O chefe do Comando Sul dos EUA, almirante James Stavrides, declarou que seu país precisa trabalhar com mais força no "mercado das idéias, para ganhar os corações e mentes" das populações da região.

Os EUA contam com a 2ª, 3ª, 5ª, 6ª e 7ª frotas, deslocadas para o Atlântico Ocidental, Pacífico Oriental, Oriente Médio, Mediterrâneo e Atlântico Oriental, Pacífico Ocidental. Só faltava a 4ª Frota para patrulhar todos os mares do planeta.Total: nove porta-aviões Nimitz, em atividade ou muito perto de entrar em plenas condições de combate, como o George H. W. Bush. Dispõe de uma reserva suficiente para triplicar ou até quadruplicar o poderio de qualquer uma de suas frotas em determinado teatro de operações.

Os porta-aviões e bombas nucleares que ameaçam nossos países servem para semear o terror e a morte, mas não para combater o terrorismo ou as atividades ilícitas. Deveriam servir também para envergonhar os cúmplices do império e multiplicar a solidariedade entre os povos."


Fidel Castro - Publicado no Granma dessa segunda-feira.

Karl Marx

Em 05 de maio de 1818 nascia Karl Marx, dirigente da I Internacional e líder dos trabalhadores na luta pelo Socialismo.

04 Maio, 2008

Ação Imperialista

O Imperialismo age novamente. Agora é na Bolívia onde os lacaios locais defendem o separatismo da região de Santa Cruz. Derrotados nas urnas com a vitória de Evo
Morales partem para a sabotagem e para um "referendo" com a clara tentativa de desestabilizar o país andino. E com a clara interveniência dos EUA.
Leia artigo do Vermelho:
"Sob o lema ''Bolívia unida, nunca dividida'', diversos movimentos sociais concentraram dezenas de milhares de pessoas neste domingo (4) em El Alto, imensa cidade-dormitório a 30 km de La Paz, para rejeitar a consulta separatista promovida pelo governador oposicionista do departamento de Santa Cruz, Rubén Costas. Na capital boliviana, outra grande multidão reuniu-se para protestar contra o ''referendo'' separatista.
Megaprotesto a 4 mil metros de altitude
A manifestação de El Alto foi convocada pela Confederação Sindical de Colonos da Bolívia, filiada à histórica COB (Central Operária Boliviana), pelo Movimento Cocaleiro, a Federação Agrária Nacional e outras organizações que rechaçam a ''consulta eleitoral'' no departamento de Santa Cruz.Líder indígena pede prisão de separatistasGenaro Quispe, militante indigena aimará (a mais numerosa da Bolívia, ao lado da quechua), vindo de Camacho, no departamento de La Paz, foi um dos oradores da concentração em El Alto. Ele considerou que a liegalidade da consulta separatista, programada para este domingo em Santa Cruz se reflete no fato de que em nenhum país democrático se realizou uma manobra semelhante.''Viemos rechaçar esse estatuto ilegal, cuja ilegalidade se reflete no fato de que em nenhum país democrático já se realizou um intento separatista desse tipo'', disse Quispe.
O militante indígena assinalou que o ''estatuto autonômico'' proposto pelo governador cruzenho viola os princípios democráticos da Bolívia, ''princípios vigentes há mais de 20 anos neste país'', além de desafiar a autoridade do organismo eleitoral superior da Bolívia, a Corte Nacional Eleitoral.Quispe também exigiu a prisão dos membros da Corte Eleitoral departamental de Santa Cruz, do governador do departamento, Ruben Costas, e dos integrantes do chamado ComitIe Cívico, que patrocinam a consulta ilegal às urnas. El Alto, uma cidade rebeldeO programa da concentração de El Alto é deslocar os seus participantes para que se somem aos manifestantes de La Paz, na Praça San Francisco. Ali se realizará uma assembléia aberta dos movimentos populares, para análisar a crise provocada pelos separatistas de Santa Cruz.A cidade dormitório, com 820 mil habitantes (quase a mesma população de La Paz) e a aparência de uma grande favela de blocos de concreto, toma o seu nome do fato de se situar a 4.100 metros de altitude – mil metros acima de La Paz. Ela teve um papel decisivo durante a ''Guerra do Gás'', movimento de rebeldia que derrubou o presidente Sánchez de Lozada, ''el Gringo'', em 2003. As forças repressivas sob comando do presidente direitista assassinaram mais de 70 pessoas em El Alto, antes de serem derrotadas por uma verdadeira sublevação popular, em 17 de outubro.Consulta às urnas pretende provocar golpe
A ''consulta autonômica'' pretende fazer com que o departamento de Santa Cruz assuma competências que a Constituição boliviana considera de caráter nacional, como o pleno gerenciamento das reservas de gás e petróleo, que fazem da região a mais rica da Bolívia. Analistas acreditam que o objetivo da iniciativa é estimular um golpe para depor o presidente Evo Morales. Nesta manhã, verificaram-se incidentes violentos no bairro de Plan 3000, cidade de Santa Cruz (hoje a mais populosa da Bolívia, com 1,3 milhão de habitantes): destacamentos da ''União Juvenil Cruzenhista'', adestrados por paramilitares colombianos, agrediram ativistas sociais que tentavam empedir o referendo inconstitucional. Evo culpa embaixada americanaO presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou neste domingo os Estados Unidos de conspirar pela divisão de seu país. ''O embaixador norte-americano (Philip Goldberg) é o grande defensor da divisão da Bolívia'', disse Evo em entrevista à TV Telesur. ''É a embaixada dos Estados Unidos que encabeça a conspiração. Imaginem o que se passou na OEA'', agregou o presidente.Reunida neste sábado em Washington, a Organização dos Estados Americanos (OEA) terminou não condenando nem rejeitando a ''consulta'' em Santa Cruz. A diplomacia estadunidense se mobilizou nesse sentido, embora nenhum país reconheça oficialmente a manobra separatista da oligarquia cruzenha.No entanto, o ''referendo'' recebeu uma desautorização decisiva neste domingo: o comandante-em-chefe das forças armadas da Bolívia, general Luis Trigo, rejeitou o ''estatuto autonômico'', por avaliar que ele feta a segurança nacional. Observadores consideram que o verdadeiro intento da manobra em Santa cruz é abrir caminho para um golpe militar que derrube o governo de Evo.
Da redação, com agências"

Veja também:

01 Maio, 2008

Artigo de Altamiro Borges


" “Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”.
Augusto Spies, 31 anos, diretor do jornal Arbertter Zeitung.
“Se tenho que ser enforcado por professar minhas idéias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas idéias, estais muito enganados, pois elas são imortais''.
Adolf Fischer, 30 anos, jornalista.
“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para a implantação de um sistema social no qual seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos das máquinas, amontoam milhões, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são para todos, também a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as roubais às massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar”.
George Engel, 50 anos, tipógrafo.
“Acreditais que quando nossos cadáveres tenham sido jogados na fossa tudo terá se acabado? Acreditais que a guerra social se acabará estrangulando-nos barbaramente. Pois estais muito enganados. Sobre o vosso veredicto cairá o do povo americano e do povo de todo o mundo, para demonstrar vossa injustiça e as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”.
Albert Parsons lutou na guerra da secessão nos EUA.

As corajosas e veementes palavras destes quatro líderes do jovem movimento operário dos EUA foram proferidas em 20 de agosto de 1886, pouco após ouvirem a sentença do juiz condenando-os à morte. Elas deram origem ao 1º de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores. Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico e reverenciar a postura classista destes heróis do proletariado. A sua saga serve de referência aos que lutam pela superação da barbárie capitalista.

A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias. Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia realizaram a primeira greve com esta bandeira. Em 1832, ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia. Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto de redução da jornada para os funcionários públicos.

Greve geral pela redução da jornada

Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir de 1850, surgem as famosas Ligas das Oito Horas, comandando a campanha em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas. Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução para todos os assalariados, ''sem distinção de sexo, ofício ou idade''. A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 – maio era o mês da maioria das renovações dos contratos coletivos de trabalho nos EUA.

A greve geral superou as expectativas, confirmando que esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado. Segundo relato de Camilo Taufic, no livro ''Crônica do 1º de Maio'', mais de 5 mil fábricas foram paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às ruas para exigir a redução. Muitas empresas, sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas.

“Chumbo contra os grevistas”, prega a imprensa

Mas a batalha não foi fácil. Em muitas locais, a burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários. O bando dos ''Irmãos Pinkerton'' ficou famoso pelos métodos truculentos utilizados contra os grevistas. O governo federal acionou o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou: “O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda”.

A polarização social atingiu seu ápice em Chicago, um dos pólos industriais mais dinâmicos do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das fábricas. Diante da intransigência patronal, ela prosseguiu nos dias seguintes. Em 4 de maio, durante um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram feridos.

Os oito mártires de Chicago

Apesar da origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos interrogatórios. Como desdobramento desta onda de terror, oito líderes do movimento – o jornalista Auguste Spies, do ''Diário dos Trabalhadores'', e os sindicalistas Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe – foram detidos e levados a julgamento. Eles entrariam para a história como ''Os Oito Mártires de Chicago''.

O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história dos EUA. Seu único objetivo foi condenar o movimento grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis pela bomba ou pela morte do policial. O juiz Joseph Gary, nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio, o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente escolhidas. Três líderes grevistas foram comprados pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de um deles (Waller).

A maior farsa judicial dos EUA

Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte; Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas para prisão perpétua. Em 11 de novembro de 1887, na cadeia de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a polícia alegou “suicídio”. No mesmo dia, os cinco ''Mártires de Chicago'' foram enterrados num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas, as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas em sinal de luto e protesto.

Seis anos depois, o próprio governador de Illinois, John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham sido vitimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes líderes operários não tinha sido em vão. Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias. Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário.

Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação de luta de classes e de reivindicação das oito horas de trabalho”. A partir do congresso, que teve a presença de 367 delegados de mais de 20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista."

*Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro recém-lançado “Sindicalismo, resistência e alternativas” (Editora Anita Garibaldi).

PCdoB defende redução da jornada de trabalho.

A luta por um mundo mais justo para os trabalhadores. Neste 1º de maio o PCdoB conclama a todos lutarem por mais conquistas para o proletariado. Uma deles é a redução da jornada de trabalho:


"Estimativas indicam a participação de 8 milhões nos atos comemorativos deste Primeiro de Maio no Brasil. O número é expressivo e mais do que ele, o que se destaca é a bandeira que estes atos levantam. As centrais sindicais, unitariamente, decidiram que o tema central deles é a luta pela redução da jornada de trabalho sem a redução do salário.


Este Primeiro de Maio reforçará a campanha de coleta assinaturas de um abaixo-assinado endereçado ao Congresso Nacional que reivindica a aprovação imediata do Projeto de Emenda Constitucional (PEC)de autoria dos parlamentares Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Paulo Paim(PT-RS) que estabelece a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. As centrais pretendem colher mais 1 milhão de assinaturas.


Em outras circunstâncias, a bandeira é a mesma dos mártires de Chicago que em 1886 desencadearam uma luta que tempos depois se tornou vitoriosa: a redução da jornada para 8 horas diárias. Nos séculos XVIII e no decorrer do século XIX as jornadas dos operários se estendiam até 17 horas. De lá para cá, decorrentes de décadas e décadas de batalhas, os trabalhadores foram arrancando do Capital um conjunto de conquistas. Em vários países a jornada já foi fixada, inclusive, abaixo das 40 horas.


No Brasil, a convicção de que chegou a hora da redução da jornada começa pelo presidente da República, que deu uma declaração favorável à medida. Todavia, será preciso muita pressão para dobrar a resistência do patronato. A PEC que propõe a redução “rasteja” há mais de sete anos pelas comissões do Congresso Nacional.


São consistentes os argumentos dos que advogam a redução. A produtividade da indústria cresceu mais de 150% nos últimos quinze anos. Ao lado disso, persistem, apesar dos avanços obtidos no governo do presidente Lula, altas taxas de desemprego e longas jornadas de trabalho. Cálculos de várias instituições prevêem que a medida resultaria na criação de mais 2 milhões de novos postos de trabalho. Além de melhorar a qualidade de vida do que trabalham, a redução da jornada seria boa para o país pois, propiciando mais empregos e melhor distribuição de renda, fortaleceria o mercado interno.


As comemorações do Dia Mundial dos Trabalhadores, que ocorrem em todos os continentes, pela paz e contra a guerra imperialista, contra a exploração capitalista, pelo direito dos povos ao desenvolvimento e a soberania, e pelos ideais do socialismo, confirmam a predição que August Spies, um dos operários mártires de Chicago, deixou lavrada na sua última defesa:


''Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário – este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção – se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagar”."