Uma atitude
30 Abril, 2008
28 Abril, 2008
Neruda
"Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."
(Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto, conhecido popularmente como Pablo Neruda. Poeta chileno,1904-1973).
Radar do PIG - final de abril
Vejamos o radar do PIG - Partido da Imprensa Golpista neste fim de abril:
Revista Veja: " Aprovação do presidente Lula cresce em abril"
Globo.com : " 'Ninguém faz tudo em 8 ou 10 anos' diz Lula"
Folha online: "Ninguém consegue fazer tudo em oito, nove ou dez anos, diz Lula"
UOL: " 'Ninguém consegue fazer tudo em 8 anos' , diz Lula"
Luiz Carlos Azenha opina
No site Viomundo, Luzi CArlos Azenha deu uma opinião importante sobre o famoso subcomandante Marcos, líder insurgente dos índios mexicanos.
Vale a pena ler:
Depois de um longo sumiço da mídia, Marcos volta a ser notícia com o lançamento de um livro-entrevista escrito por Laura Castellanos. Nele, o subcomandante define a atriz Angelina Jolie como "meu amor impossível." E diz que, se está arrependido de alguma coisa, é de ter se exposto demais na mídia. Ele falou sobre alguns líderes políticos da América Latina:
"Tem o grande desafio de demonstrar que é falso que o poder transforma a gente honesta. E nós dizemos que o resultado do desafio vai depender da âncora que o sustenta... o movimento indígena. Sua proximidade, sua distância com o movimento que o levou ao poder vai determinar seu futuro. Mas ainda é cedo para falar de Evo. Diferente de Lula, que logo logo causou desilusão, Evo ainda tem o benefício da dúvida."
"Está com um pé entre uma política midiática, com pegadas de um caudilho, e com outro pé no movimento que está despertando na Venezuela, que está realizando um processo de transformação forte. Venezuela e Bolívia nos chamam a atenção e tratamos de seguí-los de perto".
"A história que vem de cima sempre vem editada pelo protagonista, seja Chávez, Morales, López Obrador [político da oposição mexicana], ou quem esteja nessa posição. E cada um decide a quem prestar contas. A isso o ELZN respondeu com a Sexta Declaração: "A quem vamos prestar contas?". Aos intelectuais, artistas e cientistas progressistas? Ou à gente como nós? López Obrador respondeu a essa pergunta, Chávez respondeu a seu modo, Evo Morales também, os Kirchner, cada qual disse a quem pretende prestar contas, e nisso apostam. Se não vão ficar bem com os de baixo, não lhes importa."
"É a prova da política como fenômeno midiático. Ela representa a imagem que querem os de cima para o governo de toda América Latina. Enquanto não se alteram as políticas econômicas, está bem. O que eles buscam são governantes que, diferentemente das ditaduras dos anos setenta, reorientem a mobilização social e que sigam adiante com o processo de destruição, neste caso na Argentina."
"Fidel Castro é uma questão importante para os historiadores. É um homem excepcional em todos os sentidos. Pode-se criticar seu papel na luta do povo cubano, mas não se pode negar. Nós que pensamos que os grandes processos históricos são obra de povos inteiros, não de indivíduos, não podemos negar que às vezes aparecem homens excepcionais. Um deles é Fidel Castro. Outro é o Che."
"O Che se adiantou. É homem de uma geração que ainda não nasceu. Não me refiro à luta revolucionária, mas ao modelo ético de um ser humano dedicado aos demais. Nem sequer o cristianismo prega isso, e não apenas isso, mas as consequências que resultam dessa forma de pensar. Muitos dizem que a morte salvou Che da desilusão, que, não fosse morto, seria como outro qualquer. A morte marca sua história, pelas circunstâncias que a cercam, se discute se morreu como idealista ou utópico, e se esquece o que havia feito antes."
A visão de um comunista sobre a questão indígena
"No debate em torno da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, o alagoano José Aldo Rebelo de Figueiredo, 52 anos, é uma voz imbuída do espírito de José Bonifácio (1763-1838), o patriarca da independência que propunha a "intransigência na causa, mas com flexibilidade nos caminhos".
Aldo Rebelo (PCdoB), deputado representante de São Paulo desde 1991 na Câmara, deve ser o paulista por adoção política que mais conhece a reserva indígena e que mais andou pela calha do Amazonas. Consolidou, por isso, um caminho que, a grosso modo, passa ao largo do nacionalismo alarmista e da antropologia paternalista.
Nesta entrevista ao jornal o Estado de S. Paulo, Aldo afirma que a União não pode simplesmente declarar extinção de municípios e solucionar conflito com exclusão de uma das partes. Ele pede que se protejam os índios da reserva demarcada em abril de 2005 pelo presidente Lula, mas que não se use o Exército para "desterrar" os não-índios como se eles fossem menos brasileiros que os demais brasileiros. A Operação Upakaton 3, da Polícia Federal, para retirar do 1,7 milhão de hectares os não-índios, está suspensa até que o Supremo Tribunal Federal (STF) tome uma decisão sobre o assunto.
Qual é a essência do problema do conflito em Roraima, na reserva Raposa Serra do Sol?
Aldo: Nós reduzimos o problema a um duelo de pontos de vista sobre se a demarcação contínua é certa ou errada. O certo é que a situação expõe razões que, se consideradas isoladamente, deformam o todo. O que nós queremos? Impor uma derrota aos índios que reivindicam a demarcação contínua? Queremos derrotar os que defendem a demarcação em reservas ilhadas? Simplesmente não corresponde à verdade dizer que há ali, na região, apenas meia dúzia de arrozeiros. Quem já esteve lá, e eu estive lá mais de uma vez, e quem leu o relatório da Comissão Externa da Câmara (leia abaixo) sabe e viu como foram construídos aqueles municípios dos não-índios em Roraima. Tem gente que chegou lá no século 19 e no início do século passado.
O sr. tem falado em "erro geopolítico" e "paroxismo" envolvendo a política da demarcação da reserva.Explique.
Aldo: Se não conseguimos julgar uma política com antecedência, devemos, então, julgá-la pelas conseqüências. E a conseqüência do que está acontecendo em Roraima é a instalação de um grave conflito entre populações do mesmo País.
O sr. acha que o Exército está sendo usado para fins políticos?
Aldo: O Exército pode dar proteção a participantes de uma conferência internacional, no Rio, por exemplo, contra o crime organizado. Mas o Exército não pode ser usado para proteger as populações indígenas brasileiras e, ao mesmo tempo, desterrar populações não-índias e igualmente brasileiras. Pior: o Exército costuma ser barrado quando quer entrar numa reserva.
Isso é paradoxal. E a questão geopolítica?
Aldo: Há populações na região da Reserva Raposa do Sol que vivem ali muito antes de parcela das populações indígenas que atravessaram as fronteiras vindas de guerras tribais do Caribe. Creio que devemos receber e acolher essas populações indígenas juntamente com as populações indígenas que já existiam no Brasil. Mas devemos acolher, também, os brasileiros não-índios que ali chegaram há muitos anos e ali construíram suas vidas. Como é que nós podemos simplesmente, em um processo de demarcação, declarar a extinção desses municípios, que é o caso do município de Normandia, que é de 1904, Pacaraima e mesmo Uiramutã. O de Uiramutã, nós (os parlamentares) conseguimos retirar da lista de extinção em meio a uma negociação difícil. As pessoas tinham ali as suas raízes, a sua infância, suas famílias, sua história. A prefeita de Uiramutã me contou que o avô dela chegou ali em 1908. Como é que nós vamos promover o desterro dessa população? A decisão embute um erro geopolítico. Quem não considera isso um problema grave não está considerando o conjunto do problema. Nós não podemos buscar a solução para o conflito com a exclusão de uma das partes.
Os índios ainda são vítimas de uma incompreensão generalizada da sociedade branca?
Aldo: Ainda que algumas pessoas não gostem de ouvir o que vou dizer, o certo é que o índio, no imaginário da sociedade brasileira, tem uma imagem positiva. As nossas cidades não estão cobertas de monumentos a exterminadores de índios, como estão as cidades norte-americanas. Não temos um herói como Buffalo Bill. Quando eu era menino, lembro que nos desfiles da escola havia sempre um grupo que desfilava representando os índios do País. Eu desfilava com orgulho, apesar de ser um pouquinho mais branco, nesse grupo que representava os índios.
Mas é comum ouvir que os dias de hoje continuam a refletir o início de uma história de colonização, de 500 anos atrás.
Aldo: Essa é uma visão pessimista e derrotista do nosso processo histórico. Sou mais otimista, sem deixar de ver que a nossa história é carregada de erros e deformações, mas também é cheia de virtudes e acertos. É claro que ainda há incompreensões para com a população indígena, mas também há incompreensões para com as populações não-indígenas, caboclas, miscigenadas que vivem, no caso da reserva Raposa Serra do Sol, em áreas próximas às dos índios.
O que é, então, uma decisão minimamente justa para esse caso?
Aldo: A responsabilidade da Nação, do Estado, dos intelectuais deve ir no sentido de compatibilizar a proteção e segurança das populações indígenas com a mesma proteção e segurança a conceder às população não-indígenas.
O sr. trata índios e não-índios como brasileiros, mas a antropologia pensou a demarcação como modo de preservar o diferente.
Aldo: Eu sou tributário da minha formação marxista, da luta pela igualdade. Hoje, há uma grande parcela da esquerda que, depois de capitular diante das dificuldades para transformar o mundo, dedica mais esforço a cultuar e a reforçar a diferença, em vez de buscar a igualdade. Sei que isso tem peso muito grande na formação das opiniões sobre, por exemplo, convivência étnica. Mas a realidade em Roraima não se manifesta assim, eu sei porque vi, percorri toda aquela calha da fronteira, entrei nas áreas indígenas.
O sr. viu o quê?
Aldo: Fui a uma reserva ianomâmi, perto de um pelotão de fronteira do Exército, e visitei uma maloca. Me deparei com umas 50 famílias convivendo dentro de um ambiente fechado, de penúria. Muitos fogos dentro da maloca para as famílias assarem bananas e mandiocas, muita poluição, muita fuligem, um ambiente com incidência muito grande de doenças infecciosas. Até tuberculose. Fui recepcionado por uma moça de uma organização não-governamental, a ONG Urihi. Perguntei por que não se puxava do pelotão água e luz para dentro da comunidade indígena, o que daria mais conforto à população. A moça da ONG disse que não, que isso ia deformar o modo de vida dos índios. Nessa visita, o comandante militar que estava comigo não pôde entrar na área indígena. Um grupo de crianças jogava futebol, e eu joguei um pouco com elas. Comentei com a moça da ONG: "Pelo menos o futebol é um fator de integração, pois todos torcemos pela mesma seleção." A moça me respondeu: "Não. O senhor torce pela seleção brasileira, e os índios torcem para a seleção deles." Nada mais falei e nada mais perguntei.
Isso é sintoma do quê?
Aldo: Vi que havia ali uma incompreensão. Em outro município, perto do Pico da Neblina, as ONGs barraram, com a ajuda do Judiciário, uma construção do Exército. Só depois que a decisão foi revogada na Justiça é que o Exército pôde fazer a obra.
Há mesmo índios que querem conviver com os não-índios?
Aldo: Uma parcela dos antropólogos defende, com razão, que a cosmogonia dos índios, a visão de seu surgimento e da evolução do universo, é incompatível com a convivência com os brancos e seus costumes. O problema em Roraima é que os índios já estão, de certa forma, integrados. As meninas índias de 15, 16 anos não querem viver mais da pesca, da coleta, não querem andar pela floresta com roupas tradicionais. A aspiração é ter uma vida social, vestir-se como se veste um adolescente. O isolamento para essas pessoas é uma ameaça, é a perda da possibilidade dessa convivência. A cosmogonia tem valor para as populações que não tiveram contato com os não-índios.
É alarmista falar da cobiça internacional sobre a Amazônia?
Aldo: As manifestações em favor da submissão da Amazônia a uma espécie de tutela internacional só podem causar repulsa aos brasileiros com um mínimo de dignidade. As declarações e os estudos cobiçando a Amazônia são reais, desde o século 17. Dom Pedro 2º, numa carta à Condessa de Barral, já explicava por que não atendeu ao pedido de um conterrâneo meu, o então deputado Tavares Bastos, para abrir a calha da Amazônia à navegação estrangeira. Se fizesse isso, disse dom Pedro, iríamos ter protetorados na Amazônia iguais ao que foram criados na China pelas potência estrangeiras. Sabia o que estava em jogo.
Qual é o desconforto objetivo que a demarcação contínua da Raposa do Sol provoca no Exército?
Aldo: O desconforto vem das restrições e das campanhas que se fazem dentro e fora do País contra a presença das Forças Armadas nas áreas indígenas.No caso da reserva Raposa do Sol, se a demarcação incluir os 150 quilômetros da terra que corre junto à fronteira da Guiana e da Venezuela, a ação do Exército fica muito dificultada, a fronteira não poderá ser vivificada. A melhor forma de controlar uma região fronteiriça é construir municípios na área, povoá-la, preenchendo-a com a presença de brasileiros índios e não-índios, gente que trabalhe, produza, que gere atividade econômica, política, social e cultural."
Fonte: Agência Estado
25 Abril, 2008
Comunicado Oficial
Leia o comunicado oficail do Reitor da URCA:
http://www.urca.br/textos/s1/NotciasEventos/pdf/comunicadoAuditoriaFUNDETEC.pdf
Relatório de Auditoria é entregue ao MP.
Como disse ontem, o Reitor da URCA entregou ao MInistério Públicos os relatórios da Auditoria feita na FUNDETEC. Conforme noticia o site da Universidade:
Como forma de dar celeridade à análise do material da Comissão de Auditoria e tomar depoimentos serão designados quatro promotores de justiça, incluindo Ximenes. Além dele, Pedro Luis Lima Camelo, do Juizado Especial, Antônio Marcos da Silva de Jesus, da 4ª Promotoria, e Plácido Barroso Rios, da 3ª Promotoria. Essa, conforme Élder Ximenes, é uma forma de apressar os resultados e dar uma resposta rápida à sociedade. "Qualquer notícia de fatos de relevância pública, o MP tem o dever constitucional de apurar tudo até o final", diz. O promotor destacou a URCA, enquanto instituição de grande relevância na região, maior do que todos.
Denúncias de irregularidades na expedição de diplomas em convênios celebrados com a instituição, orientada pelo Ministério da Educação para a parceria; inexistência de prestação de contas do uso dos recursos advindos dos programas auto-sustentáveis e de convênios geridos pela Fundação, além da urgente necessidade de implementar medidas afirmativas, estiveram entre as medidas que deram origem à Comissão de Auditoria.
O reitor da URCA, Plácido Cidade Nuvens, afirma ser este um momento histórico para a universidade, representando a luta pela implementação dos ideais republicanos na instituição. Com o resultado da auditoria, Plácido Cidade diz que a administração vem atender aos clamores da coletividade, para que, através do MP, seja dado encaminhamento necessário. Os documentos também foram entregues ao governo do Estado, Cid Gomes, e ao Secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, René Barreira.
Conforme Elder Ximenes, o MP não pode se adiantar atribuindo ou retirando culpa de ninguém. "Temos que apurar profundamente tudo que nos foi comunicado", disse. Não há um tempo determinado para realizar a apuração, por ter um farto volume de documentos a serem analisados. O reitor ainda destaca que a parte da Universidade foi feita e é como um desencargo de consciência, no sentido de retomar as conquistas do bom trato com a coisa pública. "Não estamos aqui para nos servir do patrimônio público, mas a partir dele prestar um serviço de qualidade à comunidade regional", disse, ao acrescentar que agora o MP é que fica na tarefa e zelo dos interesses superiores da população. Plácido Cidade Nuvens ressaltou a disposição da Universidade em colaborar no que for necessário durante as apurações dos fatos.
Estiveram presentes no Ministério Público, além do reitor, a vice-reitora, Otonite Cortez, pró-reitores, diretores de centro e chefes de departamento, representante da Procuradoria Jurídica da URCA, a diretora superintende da Fundetec, Meiriane Aragão. A comissão foi presidida pelo juiz aposentado e professor do Departamento de Direito da Universidade, Manoel Soares Martins, tendo como relator José Patrício Pereira Melo."
24 Abril, 2008
Reitor da URCA entrega ao MP resultado de auditoria.
23 Abril, 2008
Dia de pixinguinha.
Entrevista de Stédile
O que o levou a participar do processo de criação e construção do MST?
Nos anos duros da ditadura militar, vinculei-me ao trabalho da CPT (Comissão Pastoral da Terra). Foi quando aconteceu um conflito de terras no Rio Grande do Sul, em que os Kaingang (povo indígena do sul do país) expulsaram de suas terras mais de 700 famílias de posseiros pobres, sem terra. Então, a CPT me pediu para ir até lá para trabalhar com esses posseiros.
Esse episódio resultou numa ocupação de terra em duas fazendas, a Macali e a Brilhante, em 1979. Esse processo, não premeditado, desembocou, alguns anos depois, na formação do MST.
Dentro dos moldes de governabilidade e representatividade que temos no Brasil, em que medida é possível uma reforma agrária significativa?Há muitos tipos de reforma agrária. No Brasil, todas as forças progressistas, ao longo do século 20, sempre trabalharam com a perspectiva de realizar a do tipo clássico. Ou seja, uma reforma agrária que representasse, para os camponeses, a democratização do acesso à terra, sua vinculação ao mercado interno e um processo de combate à pobreza no campo. Um instrumento de distribuição de renda e de estímulo ao mercado interno e industrial. Todos os países hoje desenvolvidos fizeram reformas agrárias clássicas — ou seja, nos marcos do capitalismo, mas como um processo republicano de democratização do acesso aos bens da natureza.
No Brasil, perdeu-se a oportunidade de fazer esse tipo de reforma agrária, quando terminou a escravidão, em 1888. Os Estados Unidos, por exemplo, a fizeram nessa conjuntura. Depois, perdeu-se a segunda oportunidade na Revolução de 30, quando iniciamos nosso processo de industrialização. Perdemos a terceira oportunidade durante a crise desse modelo, na década de 60, quando o então ministro Celso Furtado convenceu o governo Goulart de que a saída seria uma reforma agrária. A resposta da direita foi um golpe militar.
Perdemos a oportunidade na redemocratização formal em 1985, quando Tancredo havia convidado o saudoso José Gomes da Silva para fazer o primeiro PNRA (Plano Nacional de Reforma Agrária). Ele entregou o plano que previa assentar 1,4 milhões de famílias no dia 4 de outubro e caiu em 13 de outubro.
A chance que teríamos de fazer uma reforma agrária clássica seria se o governo Lula combatesse o modelo neoliberal, articulando forças sociais e políticas do país para um projeto de desenvolvimento nacional e industrial, com distribuição de renda e combate à desigualdade. Como o governo Lula manteve uma política e um modelo econômico que subordina a nossa economia ao capital financeiro e às grandes empresas transnacionais, a reforma agrária está bloqueada. Só haverá chance se derrotarmos o neoliberalismo.
Como o MST avalia o governo Lula quanto ao processo de reforma agrária?
Do ponto de vista administrativo, acho que a área do governo Lula mais incompetente são os ministérios que têm relação com reforma agrária. Nada funciona. Tudo é demorado e incompetente. E, para não ser injusto, os únicos programas que beneficiaram as áreas dos sem-terra foram o Luz para Todos — que é um processo de eletrificação do meio rural — e um programa de compra de alimentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ambos são complementares e não afetam a reforma agrária.
Sabemos que os números reais de famílias assentadas foram maquiados pelo governo FHC e, ao que parece, a ficção foi mantida pelo governo Lula. Quais são os números corretos, na avaliação do MST?
Nós sempre mantivemos diálogo com todos os governos, tanto o federal quanto estadual e municipal, independentemente do ano ou partido. Os movimentos sociais precisam negociar, dialogar e interagir com as autoridades constituídas. Faz parte de nosso trabalho, mas mantendo autonomia no cumprimento dessa missão. Autonomia dos partidos, dos governos e do Estado: é isso que o MST procura fazer.
Como se sustenta o diálogo do MST com os demais movimentos sociais, incluindo os urbanos? Por que essa busca é necessária?
O MST participa da Via Campesina Brasil como uma forma de construir a unidade no campo. Participa também do Fórum Nacional de Reforma Agrária e da Coordenação Nacional de Movimentos Sociais. Mas priorizamos a construção das Assembléias Populares, por serem um espaço mais amplo de unidade popular entre todas as forças. Foi com esse espírito que atuamos no plebiscito pela reestatização da Vale, impulsionado pela Assembléia Popular.
O MST, junto com outros movimentos sociais, lançou o jornal Brasil de Fato. Que outras iniciativas o movimento tem em relação ao setor de comunicação?
Temos de fazer muito mais esforço para termos nossas rádios, nossos jornais, nossos boletins, ocupar espaço na internet e termos nossos programas de televisão. E, para tudo isso, é preciso ter diretriz política, construir esses meios e priorizá-los. Espero que os movimentos e a esquerda aprendam isso, o quanto antes.
Em que se fundamenta a preocupação com comunicação no MST?
Quando Veja, Estadão e Rede Globo falam mal de nós, fazem seu papel e nós não nos preocupamos com isso, mas sim com o fato de que a sociedade brasileira tenha meios de comunicação de massa − em especial rádio e televisão − que a representem. Esperamos que a nova TV pública consiga mudar um pouco esse quadro.
O senhor acredita que exista liberdade de imprensa no Brasil? Em termos mais amplos: há realmente democracia em nosso país?
Nós ainda estamos distantes de uma democracia formal, burguesa. Esperamos que haja, ao menos, um processo de mobilização, num futuro próximo, para promover reformas políticas que garantam ao povo mecanismos de decisão, de poder político, porque hoje o povo é mero espectador do que a classe dominante faz. Um amigo meu disse, esses tempos: “o povo, no Brasil, está exilado da política”.
No Brasil, é preciso fazer uma ampla reforma no processo de concessão da radiodifusão para termos democracia. E mais, garantir que todos os setores e grupos sociais tenham seus próprios veículos e se comuniquem com a sociedade. Hoje, vivemos numa ditadura do monopólio de sete grupos econômicos, que controlam, obtêm lucros e manipulam o que quiserem.
As verbas de publicidade deveriam ser dirigidas para os veículos pertencentes às entidades sociais e sem fins lucrativos. E deveríamos, ainda, ter uma política clara de proibição de campanhas publicitárias responsáveis por problemas sociais, como propagandas de cigarros, bebidas alcoólicas, remédios e agrotóxicos.
Vez ou outra, surge alguém na ''grande mídia'' para acusar o MST de pretender criar um partido socialista para liderar uma revolução no Brasil. O movimento pretende mesmo criar um partido? E qual a sua posição sobre o socialismo?
O socialismo tem várias formas de ser analisado e compreendido. Como modo de produção, será um estágio mais avançado da civilização humana, porque vai organizar a propriedade social dos meios de produção e combater a exploração do trabalho. Como regime político, as experiências socialistas que já tivemos estiveram muito aquém do que idealizavam os clássicos.
Acho que o socialismo deveria ser um estágio superior de democracia popular, em que as pessoas, os grupos sociais e a classe trabalhadora tivessem, de fato, poder sobre o Estado. E as leis e decisões contassem com a maior participação possível da população, de forma direta.
Há mais um aspecto do qual uma sociedade socialista depende: a elevação do nível cultural e a consciência das amplas camadas da população, para que seja uma sociedade fundada nos princípios da prática da solidariedade, justiça social e igualdade, cotidianamente.
Tenho viajado e lido muito sobre as experiências dos mais diferentes regimes políticos adotados. Estou convencido de que o sistema vigente em Cuba é, ainda, o que pratica mais democracia popular. Isso não se mede pelo exercício do voto ou escolha dos representantes. Devemos medir a democracia cubana pelo real direito de oportunidades que todos têm; pelo acesso à educação, em todos os níveis; ao conhecimento, à informação, ao trabalho e à cultura. Hoje, o povo cubano, em sua amplitude, é um dos povos mais cultos de nosso planeta.
Também devemos medir a democracia pelo poder real das pessoas ao se organizarem em grupo para controlar seus bairros, suas cidades. Ou seja, exercendo um poder real.
Qual é sua avaliação sobre o enaltecimento do etanol, atualmente feito pela ''grande mídia'' e pelo governo Lula?
O etanol e os óleos vegetais, que podem substituir o petróleo, são fontes que poderiam ser sustentáveis do ponto de vista ambiental, além de socialmente mais justas. Mas tudo depende da forma como serão produzidos e quem as controlará.
No caso brasileiro, o governo aceitou entregar a produção para o regime do agronegócio. Ele é agressor do meio-ambiente, porque produz cana ou soja, por exemplo, na forma de monocultivo e usa intensivamente máquinas e agrotóxicos.
Nós poderíamos ter um amplo programa de produção de agrocombustíveis, controlado por uma empresa estatal e voltado para uma política de soberania energética — ou seja, um programa onde cada município produziria sua própria energia. Por isso, nós defendemos que os agrocombustíveis somente seriam viáveis se fossem produzidos em policultura, em apenas 20% da área de cada fazenda, para não afetar a produção de alimentos. Seria uma produção voltada para a distribuição de renda, somada à soberania alimentar e energética.
Para isso, propomos a fundação de uma empresa brasileira de agroenergia. Uma empresa estatal e pública, sob controle da sociedade, para desenvolver essa política. A Petrobras, além de ser uma empresa que se preocupa, em primeiro lugar, com o lucro de seus acionistas (40% já são do exterior), nunca terá uma política de soberania energética e muito menos de distribuição de renda.
A ocupação de um laboratório da Aracruz por mulheres do MST causou grande impacto nacional. O movimento foi acusado de promover a desordem, de ser inimigo da ciência e do desenvolvimento tecnológico e de apostar no atraso brasileiro. Como o sr. se posiciona?
A Aracruz roubou, na década de 1970, 14 mil hectares de terras indígenas e outros 24 mil hectares de terras quilombolas. Nós entramos num viveiro da Aracruz para destruir mudas e impedir a expansão da monocultura do eucalipto. Pois bem, a imprensa transformou as mulheres da via campesina, que fizeram a manifestação, em bárbaras, prostitutas, contra a ciência... Pura manipulação.
Lá, não havia nenhum laboratório de pesquisa. Podem pesquisar nas páginas do MCT (Ministério da Ciência & Tecnologia) ou da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e verão. A senhora que analisava se as mudas tinham fungo tem apenas o segundo grau. A imprensa a transformou em cientista!
Agora, o Ministério da Justiça baixou a portaria mandando a Aracruz devolver os 14 mil hectares de terras roubadas dos povos tupiniquim e guarani. Nenhuma palavra no Jornal Nacional. Isso foi uma grande vitória daquela manifestação. Seguiremos lutando; agora, para que eles devolvam o que roubaram das comunidades negras.
Nós somos contra as sementes transgênicas por muitas razões. Primeiro, porque são apenas uma forma das empresas transnacionais combinarem o uso de sementes com seus agrotóxicos. Segundo, porque as sementes transgênicas destroem a biodiversidade. Só sobrevive aquela determinada planta. Terceiro, porque eles usam essas sementes para poder patenteá-las como propriedade privada e cobrar royalties dos agricultores.
E, por último, porque não há nenhuma comprovação de que essas sementes não fazem mal à saúde das pessoas. Ao contrário, temos já diversas provas de que algumas delas fazem mal às pessoas e aos animais que se alimentam delas. Por isso, defendemos a idéia de seguir pesquisando, mas sem fins comerciais. Queremos usar a transgenia apenas para fins terapêuticos — ou seja, produzir plantas que possam ter uso medicinal.
O senhor ambiciona ser, algum dia, presidente deste país?
Gramsci e a "natureza humana".
21 Abril, 2008
Slavoj Zizek
Análise de Slavoj Zizek sobre o Tibete.
O filósofo comenta sobre a "crise do Tibete", alimentada pelo governo dos EUA e seus aliados e também pela grande mídia internacional e aqui no Brasil pelo PIG - Partido da Imprensa Golpista.
Leia aqui:
19 Abril, 2008
Apoio aos chineses.
Deu no portal Vermelho:
"Uma sórdida campanha de demonização da República Popular Chinesa percorre o planeta. Quem a dirige e orquestra são governos e órgãos de imprensa inteiramente dedicados a dar aval ao martírio interminável do povo palestino, e sempre prontos a desencadear e apoiar guerras preventivas como a que no Iraque produziu centenas de milhares de mortes e milhões de refugiados".
No final do século 19, na China, na entrada das concessões ocidentais deixava-se bem visível a placa: "Proibido o ingresso aos cães e aos chineses". Esta interdição não desapareceu, sofreu apenas alguma variação, como demonstra a campanha para sabotar ou comprometer de qualquer maneira as Olimpíadas de Pequim: "Proibidas as Olimpíadas aos cães e aos chineses".
Para assinar a favor da campanha "Um Apelo a Favor da China", hospedada em http://appellocina.blogspot.com/ e que já foi endossada inclusive pelo arquiteto Oscar Niemeyer, enderece e-mail para appellocina@libero.it "
18 Abril, 2008
Comunistas dos Estados Unidos
PC dos EUA vê eleição deste ano como "oportunidade única"
Sam Webb, líder do PCEUA: "levante de massas"
É difícil acreditar que nós nos reunimos há apenas quatro meses. Quanta coisa aconteceu desde então, quanta coisa mudou. Todos nós pensávamos que este ano seria emocionante, e possivelmente um momento de transição para um novo estágio da luta. Mas alguém antecipou uma tão dramática virada? Alguém previu uma tal explosão de ativismo político? Alguém adivinhou uma tão titânica luta pela indicação presidencial do Partido Democrata?
Eu não. E suspeito que tenho um grande número de acompanhantes.
O povo americano, ao tomar os temas em suas próprias mãos, confundiu os acólitos políticos de todas as cores, reconfigurou o terreno e o clima da política, e pôs em movimento um processo que bem pode configurar uma triunfal vitória nas eleições de novembro. Uma tal vitória sobre o extremismo de ultradireita redefiniria a correlação de forças e lançaria as bases para se marchar em uma outra direção.
Nesse novo estágio, o poder das corporações transnacionais em seu conjunto pode rapidamente emergir com todo destaque como o principal obstáculo ao progresso social.
A virada política
A virada política que ricocheteia pelo país não tem comparação nas últimas décadas. Seu fôlego e profundidade são notáveis. Sua linha política é progressista. Ela está ditando os contornos do discurso político. Rejeita os velhos estereótipos racistas e sexistas. É uma rebelião de massas contra a política da administração Bush.
O objeto deste levante são as primárias presidenciais democratas. No entanto, a reviravolta foi muito além das expectativas de qualquer um. Recordes estão sendo batidos em quase todas as primárias estaduais. Cada setor do povo está marchando para as urnas. Os jovens eleitores agarram o touro eleitoral pelos chifres.
A elevada octanagem dessa rebelião é de tirar o fôlego. Em toda parte temos concentrações de gente. Os candidatos, as primárias e as alternativas são objeto de animadas conversações.
Se alguém pensa que essas alternativas têm fôlego curto ou que se trata apenas de personalidades, só posso dizer que essas pessoas estão apenas assistindo, mas não sentindo, nem ouvindo o vendaval que atravessa o país.
Graças a essa escalada, uma mulher ou um afro-americano está no pórtico da indicação presidencial. Isto reflete a crescente maturidade política do povo americano. Deve ser celebrado como um grande resultado democrático. Tudo que reduza este fato deve ser vigorosamente contestado.
Não importa se as dezenas de milhões de votantes nas primárias democratas apóiam Barak Obama ou Hillary Clinton, pois o sentido político de seus votos é claro: o povo quer mudança, e não qualquer tipo de mudança, mas aquela que coloca as necessidades populares à frente da beligerância, da divisão, das aparências e dos lucros empresariais.
Lutas em outras arenas certamente vão prosseguir, mas todas elas terão sua parte no grande drama que agora se desvenda no estágio da política eleitoral. Embora o desfecho deste drama ainda não tenha sido escrito, pode-se dizer que uma decidida vitória do povo irá refedinir todas as arenas de combate, em benefício do movimento popular.
Qualquer organização ou movimento que não se insira de modo pleno e prático neste processo extremamente dinâmico será deixada para trás por seus próprios membros e pelos acontecimentos. Terá perdido uma oportunidade que rarissimamente aparece na vida política.
Portanto, todo comunista deve se tornar um participante ativo na rebelião eleitoral, se é que ele ou ala já não o fez. Os acontecimentos são muitos e as possibilidades quase ilimitadas.
Examinemos a situação.
O fator espontâneo
Enquanto a classe operária e todos os demais segmentos do movimento popular estão engajados na rebelião, suas estruturas e tendências organizadas estão bem atrás. Que seja algo mais espontâneo que organizado não deve espantar ninguém. Qualquer convulsão desta magnitude é algo em construção e possui um vasto elemento de espontaneidade.
Como tudo mais, na natureza e na sociedade, uma rebelião de massas deve ser encarada dinamicamente, em seus movimentos contraditórios. A vida, para parafrasear Lênin, é sempre mais complexa e multifacética do que podemos sequer imaginar. A teoria, por necessária que seja, é apenas um guia para a ação.
Desgraçadamente, essa lição não foi plenamente assimilada por alguns na esquerda. Eles vêem pouco ou nenhum potencial progressista na política eleitoral ou no Partido Democrata, têm dificuldades em aquilatar e responder apropriadamente a padrões políticos pouco familiares, como a presente revolta no quadro das primárias democratas. É algo que não encaixa nem pode ser forçado a encaixar facilmente em seu modelo político de mudança social.
Não é preciso dizer que não partilhamos dessas opiniões. Na verdade, essa rebelião na arena eleitoral é o principal vetor político da luta deste ano.
Temos em nosso crédito o fato de termos dito, na última reunião do Comitê Nacional, que as eleições poderiam desencadear um processo conduzindo a uma nova era de luta de classe e democrática, num nível mais elevado. Ao mesmo tempo, temos que admitir que subestimamos a fúria e o alcance do levante. E tampouco antecipamos o fenômeno Obama.
O ingresso dos jovens e independentes
Um dos pais alentadores aspectos desse levante do povo é o ingresso dos jovens, que ou não tinham idade para votar nas últimas eleições ou optaram por se abster. Ao ingressarem em massa no processo das primárias democratas, a nova geração está se tornando um agente de mudança. Nunca, desde os anos 60, vimos a juventude trazer tanta energia e idealismo ao processo político.
As razões para a mudança qualitativa estão bastante claras. Sentindo algo diferente na candidatura Obama, os jovens afluem para as primárias do Partido Democrata em número recorde, como votantes e organizadores. Eles não apenas concebem a possibilidade de um novo mundo; imaginam sua realização durante as suas vidas.
Os independentes [não filiados ao Partido Democrata ou ao Republicano] também estão entrando nesta rebelião. Para muitos deles as primárias presidenciais democratas são um espaço de ação e idéias novas. A política de ontem não encontra eco em suas mentes; estão em busca de respostas para renitentes problemas como o insuportável custo dos planos de saúde, que pesa sobre sua qualidade de vida.
Não por último, a classe operária, os oprimidos por sua nacionalidade ou raça e as mulheres estão saltando nesta rebelião como não se via há muitos anos. Cada um destes segmentos comparece às urnas em quantidade inédita.
Os padrões eleitorais.
O que revelam os padrões eleitorais?
Primeiro, o povo trabalhador em grande medida dividiu seu voto entre Obama, Hillary, Edwards, Kucinich e Richardson. Dizer que Hillary concentrou quase todo o voto operário é simplesmente um erro. Por um motivo: os negros são em sua esmagadora maioria classe operária, e deram seu voto a Obama. E por outro: Obama recebeu a parte do leão do voto operário, no sentido amplo, em muitas primárias e no cômputo geral. Ao mesmo tempo, nota-se que Hillary teve bom desempenho entre os sindicalistas, as mulheres trabalhadoras e os latinos trabalhadores.
Segundo, o segmento afro-americano deu um arrasador apoio a Obama. Em quase todas as primárias, cerca de nove em cada dez eleitores afro-americanos votaram nele. Isto se deve não só ao compreensível orgulho pela possibilidade de eleger pela primeira vez um presidente negro, mas também porque Obama representaria os seus interesses, uniria nosso país e o introduziria em uma nova era de eqüidade, justiça e paz.
Terceiro, muitas mulheres apoiaram Hillary, embora as mais jovens, e as afro-americanas de todas as idades, tendam a votar em Barak. Mas o realmente notável é a massiva afluência de mulheres de todas as nacionalidades, raças e condições sociais.
Quarto, muitos brancos, homens e mulheres, votaram em um afro-americano. Isto pode ser o aspecto isolado mais notável, por menos que tenha sido destacado na mídia. Na verdade, pelo que se noticia parece que Obama está em primeiro lugar exclusivamente com base no voto negro. Mas qualquer um que reflita sobre o tema sabe que isso é falso. Obama venceu em vários estados com reduzida população afro-americana, e saiu-se bem em estados sulistas, especialmente a Virgínia, com o voto da maioria dos eleitores brancos.
Mais: os milhões de brancos que votaram em Obama o fizeram porque gostaram dele – de seu jeito, seu estilo, sua oposição à guerra, sua preocupação com a marmita, sua habilidade de unificar nosso país atravessando as divisas raciais e outras, sua novidade, sua juventude.
Quinto, o voto latino foi majoritariamente para Hillary Clinton. Porém o mais impactante foi o crescimento do voto latino nas primárias democratas de 2008. Sua percentagem no total passou de 10%, enquanto nas eleições gerais de 2004 ela foi de 6,7%. Na Califórnia, a fatia latina dos votantes das primárias democratas chegou a 30%, contra 16% em 2004; no Texas, 32%, contra 24%. Mudanças semelhantes ocorreram nos demais estados do sudoeste.
Também notável é que a participação dos latinos nas primárias é de 78% para o Partido Democrata e 22% para o Republicano, quando em 2004 a relação era 63% e 37%. As implicações são óbvias: o voto latino é uma parte essencial e crescente do esforço mais amplo para obter uma esmagadora vitória sobre a direita em novembro.
Sexto, os votos dos jovens e os dos idosos seguiram direções distintas, com a juventude apoiando entusiasticamente Obama e os mais velhos, exceto os negros, votando em Hillary. Isso não é difícil de explicar: os mais idosos preferem um candidato conhecido, como Hillary. Obama, em contraste, é um recém-chegado.
O fenômeno Obama
A mais clara expressão deste movimento em curso gira em torno da candidatura de Barak Obama, cuja inspiradora mensagem política cativou a imaginação de milhões. A tal ponto que muitos comentaristas e políticos usam as palavras "transformacional" ou "transformador" para descrever a candidatura – por sua capacidade de reunir uma ampla maioria popular para reconfigurar de modo fundamental os termos e o terreno da política neste país.
A campanha de Obama não só trouxe novas forças para este processo. Também as catalisou em novos formatos organizativos.
A onda em torno da candidatura Obama, enquanto principal corrente da primária democrata, tem muito de espontânea. Mas o que a diferencia é que dá a impressão de "um movimento". Seu apoiadores enxergam em Obama alguém que não traz a bagagem da velha geração de políticos e que fala o que eles desejam ouvir.
Tenho ouvido comentaristas políticos dizerem que a obamamania não possui um programa político definido, carece de coerência organizativa e não dá garantias de que continuará para além do dia da eleição. Ao ouvir essas observações, pergunto-me: onde alguém poderia pensar que este movimento em curso, com alguns meses de vida, poderia ser como uma máquina bem azeitada?
Qualquer um com senso de história sabe que os movimentos, ao nascerem e às vezes mesmo mais tarde, não são nem nítidos e nem ordeiros. Os modelos ideais nunca encontram representação concreta na vida real.
Ainda que este movimento tenha sua dinâmica própria, ele é inseparável da personalidade e do perfil político de Barak Obama. Embora não seja um candidato da esquerda, ou alguém que endossemos – nós [do PCEUA] não endossamos candidatos ou partidos –, é, sim, uma novidade na cena política. Seus conceitos estratégicos e táticos são de amplo espectro e sua política olha para adiante. Seu chamamento à mudança ressoa em milhões de pessoas. E seu desejo de superar as divisões entre negros e brancos, negros e pardos, brancos e não-brancos, estado vermelho e estado azul [as cores dos partidos Republicano e Democrata], imigrante e nativo, cristão e muçulmano, muçulmano e judeu, colarinho azul e colarinho branco [trabalhador da produção e de escritório], homem e mulher, gay e hetero, urbano e rural, tocou uma profunda corda entre os americanos. Após três décadas de ácido rancor e divisão, as pessoas se sensibilizam com um país mais cordato, mais gentil e justo.
No papel, é verdade que algumas posições de Hillary Clinton, para não mencionar as de Edwards e Kucinich [postulantes democratas à esquerda] são melhores que as de Obama. Mas em muitos sentidos os compromissos políticos e plataformas partidárias não são o principal para se julgar o potencial de um candidato presidencial ou sua aptidão de mudança. Isso seria olhar a política com excessiva estreiteza.
Olhar as coisas assim não leva em conta quem pode unir e inspirar essa rebelião massiva, ou quem consegue articular uma visão moral e política para dezenas de milhões, ou quem possui a capacidade de reunir maiorias políticas no período pós-eleitoral, ou quem tem a habilidade para obter uma arrasadora vitória sobre McCain e os republicanos em novembro.
Nessa contagem a vantagem vai para Obama, aos olhos de muitos eleitores. Isso não significa dizer que Hillary não seria um duro adversário para McCain. Seria. Nem implica em sugerir que ela não pode vencer. Pode. Mas seria bem mais difícil.Eu também suspeito que Hillary governaria à esquerda do que foi a administração Bill Clinton, em grande medida porque agora as condições e as expectativas são diferentes.
Porém já escutei coisas assim: Obama não é um político burguês? Não conseguiu um monte de dinheiro de Wall Street? Não é um centrista e uma cria do Partido Democrata?
Todas essas assertivas merecem ser discutidas, mas nenhuma pode ser facilmente respondida com um sim ou um não. E ainda que pudessem, isso não nos diria necessariamente quem é Obama, com que o seu governo se pareceria e como interagiria com o amplo trabalho que o movimento popular conduz.
Conceito de classe dinâmico e aberto
Com certeza não queremos dispensar categorias como classe e luta de classe, mas também não queremos fazer delas conceitos petrificados e sem vida. Classe e luta de classe devem ser entendidos como processos dinâmicos e categorias não rotuláveis e não simplesmente como uma relação com os meios de produção que inevitavelmente conduz à luta e à consciência de classe.
Devidamente empregada, a categoria classe fornece-nos a chave para atitudes, tendências, predisposições e comportamentos dos atores políticos, de um indivíduo ou grupo social. Mas não enquadra estes mesmos atores em concepções de mundo e linhas de ação irrevogáveis. Usá-la isolada dos processos políticos, econômicos e culturais mais amplos é converter o marxismo em um dogma.
Caso se colocasse apenas perguntas concebidas com estreiteza, caso desconsiderasse a fluidez do terreno da política, a lógica de conjunto do combate e a facilidade com que os indivíduos mudam em momentos assim, o movimento popular se isolaria de espaços e oportunidades para obter vitórias históricas em um momento dado. Empregar uma tal metodologia hoje em relação a Obama acarretaria este perigo.
Luta pela unidade
Por bastante tempo os apoiadores de Hillary e Obama têm dito sem ambigüidades que cerrarão fileiras em torno do candidato escolhido. Partindo do princípio de que isso ocorra, é fácil imaginar a formação de um movimento eleitoral com sentido e profundidade sem igual no século 20.
Uma formação política com bases tão amplas tem condições para infligir uma esmagadora derrota em McCain e no Partido Republicano, assim como para abrir um novo caminho.
Contudo, ainda não está dado que isso vai acontecer. Para não falar do papel divisionista da direita, algumas tensões irromperam na contestação da primária democrata, abrindo espaço para que os simpatizantes de cada pretendente migrem para o opositor caso o seu preferido não seja o candidato.
Ao mesmo tempo, preconceitos de raça e de gênero não estiveram ausentes nas primárias. Isso deve ser reconhecido e rejeitado com vigor, para que não encontrem espaço neste momento excepcional da vida política de nossa nação.
Era de se esperar que nossos adversários políticos da direita iriam exacerbar as tensões raciais e de gênero. Mas o surpreendente é que gente que se pensaria estar do nosso lado use táticas semelhantes, quando não idênticas, como a campanha Hillary Clinton tem feito nas primárias [Sam Webb cita aqui alguns exemplos do que considera "comentários com subtexto racial"].
A campanha Hillary parece não entender o que está em jogo nesta eleição. Está jogando um jogo perigoso. Os simpatizantes de ambos os campos deviam insistir energicamente na rejeição dessa tentativa cada vez mais transparente de polarizar o eleitorado conforme padrões raciais. Caso não tenha resposta, isso poderia converter um momento de oportunidade e vitória numa amarga derrota, com toda a desmoralização, divisão e abuso verbal que inevitavelmente se seguiriam.
Nós não podemos silenciar. Acomodar-se com a discórdia racial e de gênero, em nome da unidade, não é um comportamento comunista. Nossa estratégia política é derrotar decisivamente a direita nesta eleição. Apenas um movimento unido pode fazê-lo.
O papel da mídia
A mídia também está amplificando essas fissuras nas primárias democratas. Primeiro, parecia haver uma quadrilha midiática, usando formas sutis ou frontais de marxismo para menosprezar Hillary Clinton e sua candidatura. Nos últimos meses, quando a campanha de Obama inesperadamente tomou a dianteira e um movimento emergiu no contexto de sua candidatura, o foco da mídia, especialmente a direitista, é desprestigiá-la [seguem-se alguns exemplos].
Parece-me que setores da classe dominante e dos democratas de direita anseiam por reduzir a estatura de Obama por temerem que sua candidatura e sua mensagem não apenas o conduzam à Casa Branca, mas também ponham em movimento um processo que vá muito além de qualquer coisa que eles tolerem confortavelmente.
Alguns setores da classe dominante preferem McCain, outros Hillary Clinton e outros ainda Obama, mas algo que desgosta a todos eles é uma vitória arrasadora. Aos olhos deles, Obama mais provavelmente que Hillary poderia vencer por uma larga margem.Dada a crise econômica em aprofundamento e a crescente exigência de ação federal, esses patifes do dinheiro e do poder temem o clamor público por um novo New Deal ["Novo Acordo", nome da política de Franklin Roosevelt para enfrentar a crise dos anos 30]. Perdem o sono com as demandas populares de uma nova regulamentação da economia e democratização do Estado. Incomodam-se com as expectativas das massas, de reformas políticas e econômicas em profundidade.
A guerra e a economia
Sé é que existe uma perfeita tempestade econômica, eu diria que estamos próximos dela. [...]. E, depois de alguns indiscutíveis êxitos no inchaço do poder, prestígio, riqueza e lucratividade do imperialismo americano (facilitados pela dissolução da União Soviética), agora parece que essa contra-ofensiva está tropeçando, se é que não chegou a um ponto de exaustão. Os limites do militarismo são evidentes. A crise econômica e as contrações se intensificam. Novas configurações do poder econômico ganham força. E novos movimentos de oposição eclodem em muitas regiões do mundo, assim como no coração do imperialismo.
No curso do debate eleitoral, por postos de trabalho, auxílio desemprego, moratória para as hipotecas residenciais, um programa maciço de infraestrutura, uma política industrial e urbana, correção ambiental, produção energética alternativa e a regulamentação das instituições financeiras e fluxos de capitais, poderíamos também unir movimentos e combates lutando por soluções imediatas.
O mesmo pode ser dito do movimento pela paz, que continua a pressionar por uma rápida retirada do Iraque. Dezenas de milhões de americanos dizem que se gastou sangue e dinheiro demais e é hora de chamar as tropas de volta, acabando com a ocupação. A janela para por fim à guerra hoje está aberta, mas requer que todas as pessoas amantes da paz e o movimento antibelicista se dêem as mãos para derrotar decisivamente McCain em novembro.
O que é preciso para vencer
A conquista da presidência e do Congresso com uma boa margem é possível. Mas admitimos que não será fácil. Podemos esperar [da parte de McCain e da direita republicana] a mais suja campanha de que tem memória.
No entanto, o vento sopra a favor do movimento popular e do Partido Democrata. A posição do público está mudando em um sentido progressista e democratizante. A energia e o entusiasmo nas bases são palpáveis. O comparecimento de eleitores do lado democrata sobrepuja o dos republicanos. O sentimento anti-corporações é forte. A não ser que haja uma debacle daqui para a Convenção, os democratas e o movimento popular em seu sentido amplo têm condições de se unificar em torno do nome que for escolhido.
Portanto, uma vitória esmagadora em novembro está ao nosso alcance. Mas isso não depende apenas do candidato, mas também da iniciativa e energia das principais forças do movimento popular.
Estas forças impulsionaram as primárias. Na mesma medida ou mais, impulsionarão a luta para derrotar McCain e os republicanos em novembro. É com estas forças e suas organizações principais que o movimento de esquerda e progressista deve se posicionar. Afinal, ele atinge, influencia e mobiliza dezenas de milhões.
Ao mesmo tempo, novas formas de organização continuarão a emergir, especialmente caso Obama seja escolhido candidato.
Como nas últimas eleições, a classe operária e o movimento trabalhista arregaçarão as mangas para a batalha do voto. Quantias inéditas de dinheiro foram coletadas. Um número sem precedentes de sindicalistas será mobilizado. Uma quantidade recorde de sedes sindicais servirá à mobilização, e assim por diante [Webb fornece aqui alguns exemplos de iniciativas sindical-eleitorais já em curso, como a campanha da AFL-CIO "McCain às claras" e os "Esquadrões da Verdade".
A tática política nas novas condições
O objetivo da tática é tornar efetiva a nossa estratégia política. Neste momento, nossa tarefa estratégica é contribuir com a rebelião popular com a missão de obter uma arrasadora vitória sobre McCain e os republicanos em novembro.
Isto coloca a questão: por que dar tanta importância a derrotar os republicanos por uma margem esmagadora?
É a margem de supremacia que dá amplitude ao movimento, para não falar do estímulo ao novo presidente e aos democratas progressistas no período pós-eleitoral. As experiências históricas de 1936 e 1964 evidenciam este fato.
É a margem de supremacia que desloca a correlação de forças de classe e sociais no país, decisivamente, em favor do movimento popular. É ela que embaraça e desarvora a direita.
Numa palavra, uma vitória esmagadora é o resultado que abre o caminho para o movimento popular liderado pelos trabalhadores transitar para um novo estágio da luta, onde as corporações transnacionais sejam identificadas como o principal obstáculo à paz, igualdade, segurança econômica e democracia.
Em contraste, uma vitória democrata por margem estreita dificultará o avanço em todos estes sentidos. Vedará as aberturas e oportunidades para reestruturar o campo da política e da luta de classe.
Nada me irrita mais que as pessoas de esquerdas que declaram não poder apoiar Obama ou Hillary porque nenhum dos dois abraça posições consistentemente de esquerda. Por que o fariam? Eles não são candidatos da esquerda e portanto não o farão. Ambos esperam ser o candidato de uma ampla, diversificada, frouxa e ondulante coalizão eleitoral. mesmo que estejamos nos seus calcanhares, não estou certo de que venham a estruturar esse programa estritamente de esquerda. Na verdade, penso que a esquerda e as forças progressistas que tenham sensibilidade deviam permitir-lhes um pouco de jogo de cintura.
O objetivo desta eleição não é eleger um candidato presidencial da esquerda ou um Congresso de esquerda. Isto não é possível neste momento. Gostaríamos que fosse, mas no espírito do marxismo os objetivos devem se basear na realidade concreta, não em desejos, não em fantasias que podem te lisonjear momentaneamente mas no final te deixam vencido.
A realidade atual é a seguinte: a direita dominou a cena política durante três décadas; a tarefa do movimento popular é desalojá-la do poder e criar um terreno político mais favorável para dezenas de milhões de pessoas lutarem, vencerem e seguirem avante. Nas circunstâncias presentes, o único caminho para fazer isto é a coalizão que se forma para eleger um presidente do Partido Democrata e incrementar a maioria democrata no Congresso.
Nem todos vêem as coisas assim. Alguns dizem que a tarefa é romper com o Partido Democrata. O único problema dessa tática é que as dezenas de milhões, inclusive todas as forças essenciais do movimento popular, não mostram interesse por ela.Outros dizem que os democratas são duvidosos e não devemos confiar que aplicarão políticas progressistas caso vençam. Mas uma vitória esmagadora não criará uma dinâmica mais favorável?
Outros ainda, nas fileiras progressistas e de esquerda, parecem tão envolvidos em suas nuances específicas, quanto às estratégias internas e externas para o day after da eleição, que perdem de vista a tarefa prática de vencê-la. Por interessante que seja essa especulação, deve-se dizer que o day after não servirá de nada se não vencermos no dia da eleição.
Por fim, há os que dizem que o papel do movimento de esquerda e progressista é dirigir o debate e elevá-lo. Aos seus olhos, o foco principal seria pressionar Obama ou Hillary no sentido da esquerda, nesse ou naquele tema – o Iraque, a Palestina e Israel, a saúde pública, o impeachment. Eu gostaria de dizer que concordo com essa tática, mas, francamente, discordo, por um motivo: as forças de esquerda e progressistas são pequenas demais para conduzir o debate. Os candidatos, a mídia e o povo americano já o estão conduzindo. A esquerda e os progressistas deviam se somar a ele, trazendo as suas posições programáticas.
Sim, devemos apresentar saídas e posições mais avançadas no processo eleitoral e não seguir a reboque da plataforma do Partido Democrata. Mas devemos fazê-lo dentro do contexto da tarefa principal, de derrotar a direita – não tanto para influir nas posições dos candidatos, mas para mobilizar o povo, impulsionar o comparecimento no dia da eleição e iniciar o processo de balizar a agenda política pós-eleitoral.
Nosso papel
Nosso papel nesta eleição é simples: participar e fornecer uma liderança para a tempestade que se avizinha e cujas ondas se encapelarão em novembro. O maior perigo para nós é subestimar esta possibilidade, em ambos os sentidos.
Eu não chegaria a dizer que as oportunidades para construir o movimento e o partido sejam ilimitadas, mas elas cresceram imensamente. São condições muito mais favoráveis que as que temos tido há um bom tempo. Confrontemo-nos com o seguinte: o movimento está surgindo; e nossas idéias já não são tão radicais, estão migrando para o main stream, devemos fazer o mesmo.
A principal questão que precisamos discutir agora é: como cada organização de base [do PCEUA] deve se movimentar mais depressa e avançar mais? Como nos ligarmos à juventude que ingressa em massa na arena eleitoral? Como aprofundar nossas conexões com os trabalhadores, os americanos oprimidos racial e nacionalmente, as mulheres, os idosos, ps movimentos pela paz, ambientais e estudantis? Como elevar nossa visibilidade, como construir o partido e sua imprensa?
Conclusão
Os próximos nove meses são uma oportunidade única. Temos que atuar sobre esta base e levar esta mesma mensagem a cada pessoa que encontrarmos.
Quando chegar o Ano Novo, é possível visualizar que o gorila do extremismo de direita já não esteja nas costas do povo americano e dos povos do mundo; que um movimento de enormes proporções tenha se imposto; e que o capital tenha minguado qualitativamente na balança de poder em nossa nação. Neste caso – e penso que assim será –, além de saudar o Ano Novo com uma taça de champanhe, uma caneca de cerveja ou uma dose de uísque, poderemos voltar nossa atenção para o trabalho de traduzir uma histórica e esmagadora vitória em termos de agenda legislativa popular."
Fonte: http://cpusa.org
16 Abril, 2008
Como age o PIG - Partido da Imprensa Golpista
Leia o texto de Igor Romanov, do Blog Coxidaponte:
Mas por que os ataques virulentos à Blogosfera? O que os move nessa diabólica e mefistotélica cruzada do Mal contra o Bem?
Descartando teorias conspiratórias e teses diversas, vou logo ao cerne da questão: A Blogosfera retirou do PIG o poder que o PIG tinha de: eleger governos, de derrubar governos, de construir e demolir mitos políticos, de manipular desavergonhadamente a notícia e torcê-la em seu benefício; e de, ao fazer tudo isso, colocar seus agentes nos postos-chaves dos governos, em todas as instâncias, plugando suas ventosas no dorso magro do Estado e sugando, para si e seus agentes, os recursos que deveriam ser aplicados em benefício de todos. Em suma, a Blogosfera está retirando o ar do PIG (o processo é gradual)!
Eis aí caros leitores, exposto de forma sucinta e castiça, os reais motivos pelos quais o PIG ataca a Blogosfera! E que, por tabela, são os mesmos motivos pelos quais ataca violentamente o governo Lula. É que Lula, embora de forma inda tímida, promove a inclusão digital, ampliando o acesso dos brasileiros ao computador e à internet banda-larga!
Por isso a oposição golpista instrumentaliza o PIG e por ele se deixa instrumentalizar, numa parceria nefasta para prenderem o país e mantê-lo manietado em nome da defesa de privilégios de uma casta de calhordas que sangraram e sangram os recursos do país desde sempre.
E nós, a Blogosfera, implodimos essa parceria! Já não mais manipulam impunemente a informação! Já não mais derrubam governos (Lula é um exemplo claro disso: quanto mais o atacam, mais alavanca sua popularidade)! A Blogosfera retirou o véu e a teia de enganos em que eles (oposição e PIG) mantinham a imensa massa de pobres deste país!
Por isso, este blog cumprimenta e parabeniza toda a Blogosfera de resistência!
Cada um de nós, com seu blog, está ajudando a construir um país mais livre e mais justo!"
15 Abril, 2008
Materialismo Histórico II
"A intenção original do materialismo histórico era oferecer fundamentação teórica para se interpretar o mundo a fim de mudá-lo. Isso não era apenas um slogan. Tinha um significado muito preciso. Queria dizer que o marxismo procurava um tipo especial de conhecimento, o único capaz de esclarecer os princípios do movimento histórico e, pelo menos implicitamente, os pontos nos quais a ação política poderia intervir com mais eficácia. O que não significa que o objetivo da teoria marxista fosse a descoberta de um programa “científico” ou de uma técnica de ação política. Ao contrário, o objetivo era oferecer um modo de análise especialmente preparado para se explorar o terreno em que ocorre a ação política." (WOOD, Ellen Meiksins. Democracia contra Capitalismo – a renovação do materialismo histórico. São Paulo: Boitempo, 2003, p.27)
Quando Paulo Henrique Amorim foi perseguido pelo PIG
Lembrei-me da matéria que Paulo Henrique Amorim escreveu quando foi literalmente perseguido pelo PIG - Partido da Imprensa Golpista.
Veja só o que fizeram com ele:
Deu no Portal Vermelho
O Pentágono se preocupa até com cartunista brasileiro. É o imperialismo em ação.
Pentágono monitora cartunista brasileiro e antiimperialista
Escrevo porque precisamos repercutir essa vigilância contra o cartunista Carlos Latuff. Seus desenhos têm sido cada vez mais utilizados pelas resistências iraquiana, palestina, zapatista e outras que enfrentam o imperialismo estadunidense. Depois de ser ameaçado de morte por um grupo ligado ao Likud, partido israelense de extrema-direita, agora agentes dos Pentágono e do Departamento de Defesa dos Estados Unidos estão monitorando seu blog.
Por Marcelo Salles, no Fazendo Media
É compreensível que Carlos Latuff seja uma preocupação para os espiões de Bush. Sua arte está a serviço da luta antiimperialista e seus traços são capazes de mover exércitos. Não é à toa que o agente do Pentágono tenha acessado diretamente uma determinada charge que incentiva os iraquianos a não obedecer às ordens das tropas ianques – o desenho vem sendo espalhado nos muros de Bagdá (o título, em árabe, quer dizer algo como ''Não seja um cachorro dos ianques'').
Sua imagem de Che Guevara com trajes árabes tem sido sistematicamente espalhada pelas ruas da Palestina; um membro do Exército Zapatista de Libertação Nacional o encontrou na UERJ, no Rio, e agradeceu pelas ilustrações exaltando a guerrilha.
Carlos Latuff, desta forma, globaliza a resistência. Exatamente como previram Milton Santos e Dênis de Moraes: se a opressão é globalizada, o enfrentamento só pode ser globalizado. Assim é que o rabisco de um carioca suburbano vai parar no Oriente Médio.
Em entrevista concedida ao Fazendo Media, Latuff garante que não vai se deixar abater pelas ameaças. “Eu dei a minha palavra para um palestino que conheci em Ebrom, seu Adris, eu sempre cito isso. O meu compromisso é com os palestinos, eu não estou preocupado com o que vai acontecer comigo. Não vou mudar em nada a minha rotina, o que eu penso, o que eu faço, vou continuar defendendo, seja no tribunal, seja numa entrevista, sempre estarei defendendo o povo palestino. É mais fácil me matarem do que eu mudar de idéia. Agora, uma coisa que eu acho genial é que não faz diferença eu estar vivo ou morto. Porque os meus trabalhos estão espalhados pelo mundo inteiro, eles não dependem da minha existência”.
O desprendimento do Latuff é comovente, mas nós podemos fazer alguma coisa para protegê-lo. Divulgar as ameaças para nossas listas de contato. Informar a cada conhecido sobre a mobilização da espionagem ianque contra este artista brasileiro.
Esta noite entrei em contato com o diretor da Telesul no Brasil, Beto Almeida, que se interessou em divulgar uma reportagem sobre o assunto. Espera-se também que a TV Educativa do Paraná entre na pauta. Se cada um aqui repercutir nos veículos a que tiver acesso e em seus próprios blogs, com certeza Carlos Latuff estará mais protegido. E a resistência, fortalecida! "
14 Abril, 2008
O Materialismo Histórico
Alguns colegas e alunos me perguntam e pedem que eu explique de forma simplificada o que é o Materialismo Histórico.
Tentarei ser didático, mesmo sabendo que não é num blog que dá para se explicar a questão.
"Inútil falar da ciência e da filosofias burguesas, ensinadas escolasticamente pelos professores oficiais para embrutecer as novas gerações das classes possuídoras e ‘amestrá-las’ contra os inimigos de fora e de dentro. Esta ciência não quer nem ouvir falar de marxismo, declarando-o refutado e destruído; tanto os jovens homens de ciência que fazem carreira refutando o socialismo, como os velhos decrépitos, guardiães dos legados de toda a espécie de ‘sistemas’ caducos, se lançam sobre Marx com o mesmo zelo."
Depois, se alguém se interessar, eu volto a discutir o tema.
A reunião da direita.
Deu no site do Paulo Henrique Amorim que a direita está se reunindo em São Paulo. O comentário do jornalista, maior crítico do PIG - Partido da Imprensa Golpista, é o seguinte:
"14/04 - 13h35
A HERANÇA DO FAROL: A TREVA
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1068
. Extraído de uma entrevista recente de Delfim Netto:
. Ao chegar a seu fim melancólico, o Governo do Farol de Alexandria rodava com uma inflação anual de 30%.
. Hoje, ronda os 4,5%.
. As exportações com o Farol cresciam 4,5% ao ano.
. No primeiro ano do Governo Lula, cresceram 22%.
. Agora, crescem a 17%.
. A dívida externa do Farol crescia 6,5% ao ano.
. O Farol quebrou três vezes o Brasil e três vezes se ajoelhou nas escadarias no FMI.
. Ano passado o Brasil se tornou credor líquido – pagou tudo e sobrou um troco.
. As reservas eram de US$ 17 bilhões – hoje são de US$ 193 bilhões.
. Em tempo: hoje, segunda-feira, dia 14 de abril, o Farol se reúne em São Paulo – clique aqui para ler M&M sobre a ausência de Le Pen – para debater o futuro da oposição do Brasil. Receberá Jorge Bornhausen, ACM Neto, Agripino Maia e Arthur Virgilio Cardoso. Só a reunião de Yalta reuniu, de uma só vez, tantos estadistas. A Historia saberá registrar esse encontro como um dos marcos da República brasileira. O único perigo é os convidados ficarem presos no trânsito de São Paulo, essa obra prima de 13 anos de governos tucanos. A propósito, clique aqui para ler o artigo de Marcos Cintra – “O custo econômico do congestionamento”, na Folha de hoje). "
O PIG não toma jeito. Nem o pessoal do Farol de Alexandria.
Dr. Tarso Araújo me ataca no Blog do Crato
O Dr. Tarso Araújo utilizou de sua prerrogativa no Blog do Crato para me atacar.
Não preciso dar respostas a ele. Só o próprio texto dele é a minha defesa. Muita agressão e toda a raiva do mundo contra mim. Um comunista incomoda muita gente.
Leia:
http://blogdocrato.blogspot.com/2008/04/obscurantismo-e-atraso-no-blog-do-prof.html
13 Abril, 2008
PIG Nacional
Manchete do PIG nacional: (no site da "revista" VEJA - a maior revista norte-americana de língua portuguesa), às 23 horas e 57 minutos :
"Escândalo dos cartões
Dossiê vai além de FHC.
E Planalto sabia de tudo
Além de despesas do ex-presidente, governo compilou também gastos ‘exóticos’ de ministros da administração tucana. Tudo acertado pela cúpula petista do Planalto."
E assim caminha a humanidade. Ataque deliberado ao governo LULA, que o PIG - Partido da Imprensa Golpista tenta desmoralizar.
Obrigado, Botafogo.
Como legítimo vascaíno, só posso agradecer ao Botafogo, que fez o que o meu Vascão não conseguiu.
Obrigado, Botafogo!!!
Darlan Reis
Agradeço aos que têm visitado o meu blog. Até me surprendi com os que me disseram que visitaram. Valeu.
Imprensa marrom
12 Abril, 2008
Deu no Blog do Bourdokan
"Sexta-feira, 11 de Abril de 2008
EUA consideram Mandela terrorista
Nelson Mandela só consegue entrar nos Estados Unidos com autorização especial. É que ele é considerado “terrorista” pela lei daquele país. Por causa disso a secretária de estado Condoleezza Rice, pediu que restrições "embaraçosas" que impedem sua entrada e de outros líderes sul-africanos nos Estados Unidos sejam suspensas.O problema não é somente esse. Nelson Mandela continua acusando Israel de genocídio contra os palestinos e isso irrita o lobby judaico nos Estados Unidos. Esse lobby é tão poderoso que Bush não faz nada sem consultar seus dirigentes.O perdão a Mandela poderá vir através do Congresso onde o lobby judaico também é poderoso, mas dificilmente conseguirá impor sua vontade contra o “perdão”ao ex-presidente sul-africano. "
É o que faltava. Nelson Mandela é considerado terrorista...
11 Abril, 2008
Boas perspectivas
Injúria
Deu no blog do Nassif:
"11/04/08
17:58
O preço da injúria
Segundo o balanço da companhia, não há nenhum processo individual de valor relevante.
Se não há, supõe-se que são inúmeros os processos abertos por calúnia, injúria e difamação. Pequeno no valor, imenso na quantidade. E imenso na quantidade porque pequeno no valor.
O balanço da Abril não separa o que é passivo gerado pelas campanhas de Veja e o que é das demais publicações. Meu palpite: mais de 90% são da Veja."
09 Abril, 2008
PHA comenta Ciro Gomes
Paulo Henrique Amorim comenta sobre Ciro Gomes:
" CIRO PEITA O PiG – É O ÚNICO
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 1059
Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista.
. A Folha publica declarações do deputado federal mais votado do Brasil, Ciro Gomes, do Partido Socialista Brasileiro, do Ceará (clique aqui para ler).
. Ciro diz que a imprensa de São Paulo – aqui denominada de PiG – difama e desmoraliza a Ministra Dilma Rousseff numa atividade clandestina com o objetivo de minar sua candidatura a Presidente.
. Eu conversei com Ciro Gomes por telefone.
. Ciro explicou melhor o seu raciocínio.
. Já se sabe de duas coisas.
. Primeiro: que a Casa Civil fez um levantamento de despesas com o cartão corporativo.
. Aliás, o senador tucano Arthur Virgilio, também tentou saber, em 2005, as despesas com o cartão corporativo durante o governo do Farol de Alexandria (clique aqui para ler).
. De volta ao raciocínio de Ciro Gomes.
. A Casa Civil fez um levantamento.
. Segundo: o senador tucano Álvaro Dias confessou que vazou uma parte do levantamento.
. É um gesto nobre e que engrandece o Senado da República.
. Continua o raciocínio do deputado Ciro Gomes:
. Como a Ministra Dilma entregou o documento ao senador Álvaro Dias ?
. Por que a Ministra Dilma entregou o documento ao senador Álvaro Dias ?
. Qual o interesse da Ministra Dilma em entregar o documento ao senador Álvaro Dias ?
. Cui prodest ?
. A atividade clandestina com o objetivo de difamar e desmoralizar a Ministra Dilma Rousseff não
consegue responder a essas perguntas do deputado federal mais votado do Brasil.
. O deputado Ciro Gomes me disse também que não entende por que o Governo tenha medo – a expressão dele é “tenha medo” – e se sinta “derrotado” e “acuado” diante desse movimento clandestino de reles difamação.
. Essa pergunta – por que o Governo Lula e o PT têm medo do PiG ? – o Conversa Afiada faz frequentemente (leia os textos no fim deste artigo).
. Louve-se a coragem do deputado Ciro Gomes de denunciar o golpismo do PiG.
. Ele é o único da base aliada que faz isso.
. O Governo Lula preferiu criar a TV Pública, que não resiste a uma manifestação de vedetismo frustrado de um âncora de terceira linha, Luiz Lobo (clique aqui para ler)."
08 Abril, 2008
O PIG já tem candidato?
Um dos representantes do PIG - Partido da Imprensa Golpista parece que já escolheu o seu candidato para a presidência da República.
Veja essas imagens:

É isso mesmo. A "Revista I$to É" simplemente apagou a frase "Fora Serra" utilizando o recurso do Fotoshop. A foto é de autoria do fotógrafo Cristiano Machado.
Fora isso, não bastasse isso, a matéria da "I$to É" diz que os "sem-terra" (leia-se MST)
" ameaçam empresas e investimentos que geram empregos e qualidade de vida".
O que dizer de uma maneira dessa de "noticiar" as coisas?
07 Abril, 2008
Radar do PIG
Vejamos as manchetes do PIG - Partido da Imprensa Golpista, nessa segunda-feira, cerca de dez horas e cinco minutos da noite:
Folha online: "Planejamento confirma corte de mais R$ 19,4 bi no orçamento"
Veja : " Juiz decide suspender o sigilo do caso Isabella"
Globo.com: " Perícia: Isabella foi agredida e asfixiada antes de morrer"
Estadão: "Corte de R$ 19,4 bilhões no Orçamento é o maior no governo Lula"
UOL: "Norte Nordeste - Chuva mata 36 e deixa ao menos 130 mil sem teto"
IG: " Isabella apanhou antes de morrer, dizem peritos"
JB online: " Chuva faz 190 mil vítimas no Nordeste"
Se você ler um , nem precisa se dar ao trabalho de ler o outro. Tudo igual...
Outra versão.
A Xinhua, agência de notícias oficial da China, revelou que a foto das brigadas militares chinesas divulgada pelo dalai lama era mentirosa. Alguns detalhes que os ocidentais não podem notar são suficientes para revelar a farsa.
A fotografia, divulgada pelos seguidores do dalai lama, mostra alguns soldados chineses carregando roupas de lamas. Os separatistas afirmaram que os lamas violentos no incidente de 14 de março foram forjados pelo exército.
Na realidade, a imagem é de seis anos atrás e mostra as brigadas militares participando de um filme que se chama ''História de Tianmai''. As roupas eram de figurino. Duas pessoas na foto confirmaram a situação.
Os soldados na foto não têm galões no uniforme, nem qualquer tipo de identificação. Entretanto, desde maio de 2004, todas as brigadas militares chinesas começaram a usar uniformes com galões no ombro e no braço.
Veja abaixo a foto nas mãos de dois participantes das filmagens de então e, mais abaixo, a imagem divulgada pelos separatistas (Fonte: Xinhuanet).


Liu Pengbo, um dos militares que aparecem na foto, era sargento de primeira categoria de uma unidade da Polícia Armada Chinesa (PAC), estacionada naquela época em Lhasa, e desempenha atualmente o cargo de instrutor político de uma unidade da PAC estacionada en Lhasa."
Xinhua - China News
04 Abril, 2008
Cuidado com os falsos convênios.
Notícia veículada no site da URCA:
" Diante do fato de inúmeras pessoas procurarem a Universidade Regional do Cariri, seja por meio eletrônico ou pessoalmente buscando informações sobre possíveis convênios da URCA com diversas instituições de todo país, o Reitor da URCA, Prof. Plácido Cidade Nuvens emitiu comunicado oficial sobre o tema.
O último episódio envolveu a "FATEV - Faculdade Integrada de Teologia Viva" que em sua homepage anuncia que oferece cursos em parceria com a URCA, conforme pode ser observado: http://www.fatev.com.br/parceiros.php .
O Gabinete solicita que as pessoas interessadas em estudar nos diversos cursos da URCA, consultem nosso site ou através dos Editais Oficiais publicados.
Leia o comunicado:
COMUNICADO OFICIAL
Declaro para os devidos fins que a Universidade Regional do Cariri - URCA não firmou nenhum convênio de cooperação ou de validação de diplomas com a Faculdade Integrada de Teologia Viva - FATEV, nem oferece cursos em convênio com a referida instituição.
Ficam, portanto, desautorizadas instituições ou pessoas que estejam divulgando tais iniciativas. A prática da Universidade Regional do Cariri - URCA é celebrar convênios com entidades públicas em parcerias oficiais em atos públicos, prevalecendo sempre a transparência.
Reitoria da URCA em Crato, aos 04 dias do mês de abril de 2008.
Plácido Cidade Nuvens - Reitor "
03 Abril, 2008
Martin Luther King
Discurso
pronunciado em agosto de 1963
"Estou contente por juntar-me a vocês hoje, o dia que entrará para a história como o da maior manifestação pela liberdade na vida da nossa nação.
Há cem anos, um grande americano, sob cuja sombra simbólica nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação (da escravatura). Esse decreto fundamental foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro. Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre.
Cem anos mais tarde, a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, exilado na sua própria terra.
Por isso, encontramo-nos aqui hoje: para dramaticamente mostrarmos esta extraordinária condição. Num certo sentido, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitectos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de independência, estavam assinando uma promissória que cada cidadão americano iria herdar.
Este documento era uma promessa de que todos os homens teriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à procura da felicidade. É óbvio que a América ainda hoje não pagou tal promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar este compromisso sagrado, a América deu ao Negro um cheque sem fundos; um cheque que foi devolvido com a inscrição: "saldo insuficiente". Porém nós recusamo-nos a aceitar a idéia de que o banco da justiça esteja falido. Recusamo-nos a acreditar que não exista dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidades deste país.
Por isso viemos aqui cobrar este cheque - um cheque que nos dará, quando o recebermos, as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do agora. Não é o momento de se dedicar à luxúria do adiamento, nem de se tomar a pílula tranquilizante do gradualismo. Agora é tempo de tornar reais as promessas da Democracia. Agora é o tempo de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o iluminado caminho da justiça racial. Agora é tempo de abrir as portas da oportunidade para todos os filhos de Deus. Agora é tempo para retirar o nosso país das areias movediças da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade.
Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência do momento e subestimar a determinação do Negro. Este sufocante verão do legítimo descontentamento do Negro não passará até que chegue o revigorante outono da liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo. Aqueles que crêem que o Negro precisava só de desabafar, e que a partir de agora ficará sossegado, irão acordar sobressaltados. Não haverá tranquilidade nem descanso na América até que o Negro tenha garantido todos os seus direitos de cidadania.
Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir as fundações do nosso país até que desponte o luminoso dia da justiça. Existe algo, porém, que devo dizer ao meu povo que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça. No percurso de ganharmos o nosso legítimo lugar não devemos ser culpados de actos errados. Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio. Temos de conduzir a nossa luta sempre no nível elevado da dignidade e disciplina. Não devemos deixar que o nosso protesto realizado de uma forma criativa degenere na violência física. Teremos de nos erguer uma e outra vez a alturas majestosas para enfrentar a força física com a força da consciência.
Esta maravilhosa nova militância que envolveu a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos dos nossos irmãos brancos, como é claro pela sua presença aqui, hoje, estão conscientes de que os seus destinos estão ligados ao nosso destino, e que a sua liberdade está intrinsecamente ligada à nossa liberdade.
Não podemos caminhar sozinhos. À medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos em frente. Não podemos retroceder. Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: "Quando é que ficarão satisfeitos?" Não estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos incontáveis horrores da brutalidade policial. Não poderemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, cansados das fadigas da viagem, não conseguirem ter acesso a um lugar de descanso nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades. Não poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade fundamental do Negro for passar de um gueto pequeno para um maior. Nunca poderemos estar satisfeitos enquanto um Negro no Mississipi não pode votar e um Negro em Nova York achar que não há nada pelo qual valha a pena votar. Não, não, não estamos satisfeitos, e só ficaremos satisfeitos quando a justiça correr como a água e a rectidão como uma poderosa corrente.
Sei muito bem que alguns de vocês chegaram aqui após muitas dificuldades e tribulações. Alguns de vocês saíram recentemente de pequenas celas de prisão. Alguns de vocês vieram de áreas onde a procura da liberdade deixou neles as marcas provocadas pelas tempestades da perseguição e sofrimentos provocados pelos ventos da brutalidade policial. Vocês são veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento injusto é redentor.
Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para a Luisiana, voltem para as favelas e para os guetos das nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e será alterada. Não nos embrenhemos no vale do desespero.
Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Tenho um sonho de que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais".
Tenho um sonho de que um dia, nas montanhas rubras da Geórgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade.
Tenho um sonho de que um dia o Mississipi, um estado deserto, sufocado pelo calor da injustiça e da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça. Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caráter.
Tenho um sonho, hoje.
Tenho um sonho de que um dia o estado de Alabama, com os seus racistas malignos, onde os lábios do governador atualmente pronunciam palavras de recusa, seja transformado num lugar onde meninos negros, e meninas negras, possam dar as mãos a outros meninos brancos, e meninas brancas, caminhando juntos, lado a lado, como irmãos e irmãs.
Tenho um sonho, hoje.
Tenho um sonho de que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de tirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.
Esse será o dia em que todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: "O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que em cada lugar ressoe a liberdade".
E se a América quiser ser uma grande nação isto tem que se tornar realidade. Que a liberdade ressoe então dos prodigiosos cumes de New Hampshire. Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque. Que a liberdade ressoe dos elevados Alleghenies da Pensilvania!
Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado!
Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia!
Mas não só isso; que a liberdade ressoe da Montanha de Pedra da Geórgia!
Que a liberdade ressoe da Montanha Lookout do Tennessee!
Que a liberdade ressoe de cada montanha e de cada pequena colina do Mississipi.
Que de cada localidade, a liberdade ressoe.
Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada estado e de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra:
"Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo Poderoso, estamos livres, finalmente!""
Há mais de 14 mil anos.
MST denuncia.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, denuncia:
02 Abril, 2008
Globo é parcial até no futebol.
A Globo é parcial até no futebol. As notícias do site da Globo.com no que se refere ao futebol são visivelmente direcionadas. Vejamos as manchetes relativas aos times do Rio no dia de hoje, às 23 horas e 05 minutos:
Fluminense - "Máquina em ação! Tricolor volta a campo para a Libertadores. Siga! "
(sem foto principal)
Vasco da Gama - "Cruzmaltino pega o Bragantino no embalo de Antônio Lopes."
(sem foto principal)
Botafogo - " Que sina! Mais um River para complicar a vida do Botafogo"

Fidel sobre a China
En Europa habían oído hablar de China. Marco Polo, en el otoño de 1298, contó cosas maravillosas del singular país al que llamó Catay. Colón, navegante inteligente y audaz, estaba informado de los conocimientos que poseían los griegos sobre la redondez de la Tierra. Sus propias observaciones lo hacían coincidir con aquellas teorías.
De esa fusión de culturas y hechos, acompañada por los avances de la técnica y los descubrimientos de la ciencia, nació el mundo actual, que no podría comprenderse sin un mínimo de antecedentes reales.
El dominio español de Filipinas facilitó el intercambio acelerado con el gran país asiático. La dinastía Qin, que gobernaba China, intentó limitar todo lo posible este tipo de operación comercial no favorable con el exterior. Lo permitieron solo por el puerto de Cantón, ahora Guangzhou. Gran Bretaña y España tenían grandes déficits por la baja demanda del enorme país asiático, relacionados con mercancías inglesas producidas en la metrópoli, o productos españoles procedentes del Nuevo Mundo no esenciales para China. Ambas habían comenzado a venderle opio.
En la primavera de 1830, ante el de-senfrenado abuso del comercio de opio en China, el emperador Daoguang ordenó a Lin Hse Tsu, funcionario imperial, combatir la plaga, y este ordenó la destrucción de 20 mil cajas de opio. Lin Hse Tsu envió carta a la Reina Victoria pidiéndole respeto a las normas internacionales y que no permitiera el comercio con drogas tóxicas.
El Reino Unido obligó a China a firmar tratados desiguales, por medio de los cuales se comprometía a abrir varios puertos al comercio exterior y a entregarle Hong Kong. Varios países, siguiendo el ejemplo inglés, impusieron términos desiguales de intercambio.
Semejante humillación contribuyó a la rebelión Taiping de 1850 a 1864, la rebelión Bóxer de 1899 a 1901 y, por último, a la caída de la dinastía Qin en 1911, que por diversas causas —entre ellas la debilidad frente a las potencias extranjeras— se había vuelto sumamente impopular en China.
En el año 1854, después de un viaje exploratorio anterior con cuatro cañoneras, una fuerza naval de Estados Unidos al mando del Comodoro Matthew Perry, amenazando con bombardear a la población japonesa —indefensa frente a la moderna tecnología de aquellos buques—, obligó a los shogunes a firmar, en nombre del Emperador, el Tratado de Kanagawa, el 31 de marzo de 1854. Así se inició en Japón el injerto con el comercio capitalista y la tecnología occidentales. Desconocían entonces los europeos la capacidad de los japoneses para de-senvolverse en aquel campo.
Durante la intervención de Estados Unidos en el año 1862, Perry ocupó varias partes de México. El país perdió al final de la guerra más del 50 por ciento de su territorio, precisamente las áreas donde se acumulaban las mayores reservas de petróleo y gas, aunque entonces el oro y el territorio donde expandirse, y no el combustible, eran el objetivo principal de los conquistadores.
La dinastía tuvo que pedir la paz. El Tratado de Shimonoseki, que puso fin a la guerra, fue firmado en abril de 1895. Se obligaba a China a ceder Taiwán, la península de Liaodong y el archipiélago de las Islas Pescadores a Japón "a perpetuidad"; pagar además una indemnización de guerra de 200 millones de taeles de plata y abrir cuatro puertos al exterior. Rusia, Francia y Alemania, defendiendo sus propios intereses, obligaron a Japón a devolver la Península de Liaodong, pagando en cambio otros 30 millones de taeles de plata.
Después de su inserción en la civilización armada y las guerras por el reparto del mundo impuestas por Occidente, Japón, que ya había librado la primera guerra contra China antes señalada, desarrolló su poderío naval lo suficiente como para asestar tan duro golpe al imperio ruso, que estuvo a punto de provocar prematuramente la revolución programada por Lenin al crear en Minsk, diez años antes, el Partido que posteriormente desataría la Revolución de Octubre.
Participaron, por el imperio ruso, 11 acorazados y 8 cruceros.
Jefe de la Flota: Almirante Zinovy Rozhdestvensky.
Bajas: 4 380 muertos, 5 917 heridos, 21 barcos hundidos, 7 capturados y 6 inutilizados.
El jefe de la Flota Rusa fue herido por un fragmento de proyectil que le golpeó el cráneo.
Por el imperio japonés participaron: 4 acorazados y 27 cruceros.
Jefe de la Flota: Almirante Heichachiro Togo.
Bajas: 117 muertos, 583 heridos y 3 torpederos hundidos.
La Flota del Báltico fue destruida. Napoleón la habría calificado de Austerlitz en el mar.
Después de la batalla, Japón pasó a ser una temida potencia naval, rivalizando con Gran Bretaña y Alemania y compitiendo con Estados Unidos.
Eso explica la acción temeraria con que un día atacaron a su maestro y rival, Estados Unidos, que a través del Comodoro Perry los inició en el camino de la guerra.
30 de marzo de 2008
Doze Recomendações
01 Abril, 2008
Pra matar saudades.
Fim do mundo?
Deu na Revista Carta Capital:
Fatos marcantes de 1º de Abril
O dia 1º de abril não é só o dia da mentira. Alguns episódios marcantes ocorreram nesse dia do nosso calendário.
Em 1º de abril de 1945 o Brasil reconheceu a URSS.
Em 1º de abril de 1964 foi dado o Golpe Militar que derrubou o presidente João Goulart.
Nesse mesmo dia a sede da UNE foi incendiada no Rio de Janeiro.
Em 1º de abril de 1977 o General Ernesto Geisel fechou o Congresso Nacional.
Em 1º de abril de 198o começava a Greve dos Metalúrgicos do ABC e 15 outras cidades.












