Uma atitude

"Pois nenhum resultado duradouro pode ser construído sobre a capitulação. Como os anais da história social, política e militar provam abundantemente, a capitulação jamais pode ser a base do desenvolvimento histórico sustentável." István Mészaros

08 Novembro, 2009

O Vascão voltou!

Foto: Marcelo Sadio/vasco.com.br

Ao acessar o site do Vasco da Gama vem à entrada, a frase: "O Sentimento nos trouxe de volta". Um ano de sofrimento. Mas o Vascão voltou. Após a vitória de 2 a 1 sobre o Juventude. O time que aceitou trabalhadores, negros, pessoas de classes sociais populares e que por isso teve que disputar a segunda divisão no início do século passado, e que em 2008 foi rebaixado no campo de futebol, está de volta à primeira divisão.

O site oficial do Vasco comentou a volta:

"07/11 - O Meu Vascão Voltou
E o dia chegou... depois de 34 rodadas, o Gigante da Colina está de volta. Depois da fatídica queda para a Série B, o Vasco mostrou sua grandeza e dentro das quatro linhas conquistou o direito de retornar ao seu devido lugar. Com o apoio irrestrito durante toda a campanha, nós, vascaínos, mostramos ao mundo que O SENTIMENTO JAMAIS PAROU.

O acesso foi garantido por antecipação neste sábado (07/11) em mais uma tarde de Maracanã lotado, onde Cruzmaltino venceu o Juventude por 2x1, com gols de Adriano e Carlos Alberto.

O time do técnico Dorival Júnior volta a campo na terça-feira (10), quando enfrenta o Campinense, em Campina Grande, na Paraíba."
Foto: Marcelo Sadio/vasco.com.br



Até o presidente do maior rival mandou uma mensagem oficial:

"O Clube de Regatas do Flamengo compartilha a alegria do Clube de Regatas Vasco da Gama pelo retorno à Serie A do Campeonato Brasileiro.

Embora disputando a Serie B, o Vasco jamais deixou de pertencer à elite do futebol nacional.

Esta conquista é mérito do empenho dos jogadores, comissão técnica, torcida e principalmente do grande trabalho desenvolvido pelo Presidente Roberto Dinamite à frente de sua diretoria.

Rio de Janeiro, 7 de novembro de 2009

Marcio Baroukel de Souza Braga
Presidente"

07 Novembro, 2009

Lula no 2º dia de Congresso do PCdoB

05 Novembro, 2009

Não deixe de ler: Mészáros.

Se você busca um aprofundamento para a análise da realidade social em que vivemos, uma dica é começar por boas leituras. Obviamente que apenas boas leituras não faz ninguém analisar, criticar e agir sobre e no mundo de forma construtiva. É preciso atuar no próprio mundo, evitar a passividade. As obras de István Mészáros sempre forma nesse sentido. Um intelectual que não capitulou diante das falsas promessas oferecidas pelo Capital ao mundo da intelectualidade, que em sua prática pequeno-burguesa parece ter o maior prazer na capitulação e na bajulação aos detentores do Capital como parece fazer Fernando Henrique Cardoso, o "FHC".
Uma leitura interessante é a da obra Teoria da Alienação em Marx, publicada pela Editora Boitempo. Eis a apresentação feita pela editora:


Título: A teoria da alienação em Marx
Título Original: Marx´s theory of alienation
Autor(a): István Mészáros
Prefácio: Maria Orlanda Pinassi
Tradutor(a): Isa Tavares
Páginas: 296
Ano de publicação: 2006
ISBN: 85-7559-080-4
Preço: R$ 38,00


"Escrito por István Mészáros na Inglaterra, em 1970, A teoria da alienação em Marx é um profundo estudo sobre os Manuscritos econômico-filosóficosdo pensador alemão. Nele, Mészáros analisa com rigor a obra onde o então jovem Marx estabeleceu as bases do seu sistema filosófico.

Nesse sentido, as conclusões do autor vão contra aqueles que dividem Marx entre o "jovem" e o "velho", mostrando a unidade da sua reflexão e seu projeto intelectual, que une a economia política e filosofia na sua crítica e a necessidade de aliar-se análise e prática política para a superação do capital. Para este objetivo, o autor analisa um conceito fundamental do pensamento marxista: a alienação.

Como coloca Maria Orlanda Pinassi na apresentação do livro: "De modo geral, os que desejam fugir dos problemas filosóficos vitais - e nada especulativos - da liberdade e do indivíduo, se colocam ao lado do Marx `científico`, ou `economista político maduro`, enquanto os que não desejam assumir a implicação prática do marxismo (que é inseparável de sua desmistificação da economia capitalista) exaltam o `jovem filosófico Marx`."

Mészáros, no seu trabalho, retoma e desdobra os vários tipos de alienação do sistema capitalista. Seus aspectos econômicos, políticos, ontológicos, morais e estéticos, nas relações com o trabalho, na separação entre teoria e prática, entre o homem e a natureza, e considerações sobre a sua superação, além do que o autor chama de ordem sócio-metábolica do capital. O livro traz ainda um capítulo que trata especificamente da crise da educação e sua relação com a alienação.

Vencedora do prêmio Issac Deustcher, escolhida por um júri integrado por Perry Anderson, E.H. Carr, Eric Hobsbawm, Ralph Miliband e Monty Johnstone, esta é a quinta obra de István Mészáros publicada pela Boitempo no Brasil. Como seus outros livros, entre eles O século XXI: socialismo ou barbárie? e O poder da ideologia, traz o trabalho do autor em compreender tanto a essência como a abrangência da dialética, acima de uma concepção rasa e instrumental do marxismo.



Dois pesos e duas medidas. A hipocrisia do PIG é sem limites.

O Luiz Carlos Azenha acertou mais uma vez. O Partido da Imprensa Golpista perdeu todos os pudores. Quando a pauta é o governo Lula e a esquerda, as manchetes tratam de "mensalão", "corrupção", "quadrilha" etc etc. Quando a pauta é o PSDB, o tucanato, as matérias são bem mais suaves. Um exemplo é o caso do "mensalão mineiro" em que o senador TUCANO, Eduardo Azeredo, está sendo acusado de ser o maior beneficiário.
Mas o seu partido aliado, o Partido da Imprensa Golpista - PIG, dá uma forcinha e chama de "coleta de verbas irregulares", o esquema tucano...


E ainda tem jornalista que gosta de chamar patrão de colega!

03 Novembro, 2009

MST X Cutrale

Matéria do Portal Vermelho:

"O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi entrevistado na última sexta-feira (30) no programa 3 a 1, exibido pela TV Brasil. A entrevista, que vai ao ar no próximo dia 11, foi feita pelo âncora do programa, Luiz Carlos Azedo, pela jornalista do jornal Folha de S.Paulo Kátia Seabra, e pelo jornalista da revista Brasileiros Ricardo Kotscho.

Stédile falou sobre a ocupação da fazenda da Cutrale, em São Paulo, por integrantes do MST, no final de setembro. Ele disse chamou a ação de "desesperada" e motivada pela situação em que se encontravam os militantes do movimento acampados na região há seis anos.
"Foi uma atitude desesperada das famílias que ocupavam a fazenda. Com a notícia do próprio Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] de que a área é da União, desde 1910, naquele clima de indignação, alguns dos companheiros pegaram o trator e destruíram os laranjais", disse o coordenador do MST.
"Evidentemente que foi um equívoco, porque a direita e os órgãos de comunicação deste país, que servem aos interesses da burguesia brasileira, se utilizaram daquelas imagens, que foram gravadas pelo helicóptero e pelo serviço de inteligência da PM de São Paulo, e nos execraram na opinião pública", completou.

Stédile afirmou que o movimento não invadiu nenhuma casa de trabalhadores da fazenda e tenha causado danos. "Nenhum militante entrou nas casas dos funcionários. Aquilo lá foi uma armação da polícia e da Cutrale, sobretudo da Cutrale. Quem fez o serviço de entrar nas casas não foi o MST. Ou seja, tem uma hora aí de espaço. Nós saímos, deixamos tudo bonitinho, não mexemos nas casas. Aí ficou a polícia sozinha com a Cutrale dentro da fazenda por uma hora. Aí depois dessa hora veio a imprensa", afirmou.
O coordenador do MST ainda criticou a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CMPI) para investigar repasses de verbas do governo ao movimento.
"A CPMI é uma armação. Eles fizeram uma matéria na Veja com dados requentados de três anos. Com a matéria da Veja, convocaram a outra CPMI. Aí nós derrubamos, porque era sintomático. Aí com a ocupação da Cutrale, você acha que por uma ocupação, por algumas laranjas vale a pena abrir uma CPMI? Então é melhor abrir uma CPMI aqui na Assembléia Legislativa de São Paulo para saber por que que que Cutrale tem aquela área grilada", afirmou.
Stédile explicou também que Organizações Não Governamentais (ONGs) independentes do MST é que recebem dinheiro para a realização de serviços no campo. "Desde o Fernando Henrique, o governo contrata Ongs para fazer o serviço que deveria ser do Estado. E que recebem dinheiro público. Esse dinheiro vai lá para resolver um problema concreto, ou de escola, ou de contratar agrônomo, ou de fazer casa, ou fazer medição, ou luz elétrica. Quem organiza essas Ongs, às vezes, são grupos de agrônomos, às vezes tem até jornalista, é iniciativa da sociedade", disse.
"Todo dinheiro é fiscalizado, primeiro pelo Incra, depois Ministério do Desenvolvimento Agrário, depois pelo TCU, de todos esses recursos que não têm a ver conosco. A nossa posição é que isso é esdrúxulo. Somos contra isso, nós dissemos já ao Lula: Pelo amor de Deus pare com essa história de Ongs, faça com que o Estado consiga fazer isso", completou.
O coordenador do MST reafirmou a posição do movimento em defesa da agricultura familiar. De acordo com ele, apenas com uma posição clara do governo e da sociedade a favor desse modo de produção é que a reforma agrária vai andar.
"A reforma agrária, como um programa realmente universalizado, que chegue a milhões de trabalhadores, é só quando o governo e a sociedade brasileira priorizarem a agricultura familiar. E hoje há esse embate entre esses dois modelos agronegócio e agricultura familiar , e não há uma prioridade clara de dizer a agricultura familiar é política de governo".
Stédile ainda fez uma avaliação do processo de reforma agrária no governo Lula. "Em alguns aspectos, ela ficou para trás, como o ritmo desapropriações no Nordeste, Sul e Sudeste. O governo continuou priorizando a Amazônia. Em outros aspectos, ela avançou muito, com o Luz para Todos, um outro programa de moradia, que é insuficiente em números, mas os programa é bom. É um balanço equilibrado, é bem melhor que na época do Fernando Henrique, mas ainda insuficiente para enorme demanda dos pobres do campo têm", afirmou."

28 Outubro, 2009

As alianças de Cristo.

Falaram tanto em Cristo e Judas nesses últimos dias e não é que o Blog Cloaca News descobriu as alianças dele?























O candidato a vereador em Porto Velho (RO) Omedino Pantoja (PRP), o Cristo da Jerusalém, não conseguiu uma vaga na Câmara de Vereadores nas últimas eleições municipais.
A despeito de sua chapa abrigar uma coligação de nada menos que10 partidos - entre eles o DEMo - o Nazareno do Norte obteve apenas 420 votos, "conquistando" o 120º lugar no pleito.
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Eis a ficha do candidato, encontrada nos registros do TSE: (clique para ampliar)

Pantoja, que há 32 anos interpreta Jesus Cristo na encenação do espetáculo "O Homem de Nazaré", na Páscoa, imaginava que seu trabalho fosse fortalecer sua candidatura. Em entrevista ao portal Terra, em 08/10/2008, ele disse: "Esperava muito mais votos. Tem gente que se elegeu que não se sabe de onde veio. Sou conhecido em toda Rondônia, em todo o mundo, e fiz esta miséria de votos", reclamou. Sobre o futuro, ele afirma que não pretende desistir da política, nem do personagem. Pretende apenas rever seus diversos erros de estratégia, entre eles: "ser humilde como Jesus". "Agi como Cristo e não adiantou. Fui muito humilde, bonzinho, atencioso. Foi ignorância minha. Precisava ter pegado mais pesado", finalizou."
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Direto

27 Outubro, 2009

Cuidado: As armadilhas da pós-graduação mais fácil.

A busca por uma melhor qualificação acadêmica e profissional é uma tarefa de muitos estudantes e trabalhadores que terminaram a graduação, seja ela um bacharelado ou uma licenciatura. Após a formatura, muitos procuram a continuidade dos estudos em cursos de pós-graduação. Existem dois tipos: a pós-graduação lato sensu, ou seja, as especializações. Esse tipo de pós-graduação não confere diploma a quem o conclui, apenas um certificado e também não é um tipo de curso que recebe investimento das instâncias governamentais e nem são avaliados pelos órgãos competentes.
Já para a pós-graduação stricto sensu, ou seja, cursos de mestrado e de doutorado, existe uma permanente fiscalização e avaliação por parte de um órgão conhecido como Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). É um órgão conhecido pela sua competência e rigor. Somente cursos reconhecidos pela CAPES tem os diplomas validados. Então meus amigos, pensem bem antes de procurar certos cursos de pós-graduação stricto sensu que prometem muitas facilidades na forma de estudo e também que escondem que os mesmos não são reconhecidos pela CAPES.
Transcrevo documento enviado pela Assessoria de Comunicação da CAPES para as universidades brasileiras e o público em geral:

"Em relação à revalidação dos diplomas obtidos no MERCOSUL, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) esclarece que:

1. A Capes não é responsável pelo reconhecimento dos diplomas
estrangeiros;
2. Para ter validade no Brasil, o diploma concedido por estudos realizados no exterior deve ser submetido ao reconhecimento por universidade brasileira que possua curso de pós-graduação avaliado e reconhecido pela Capes. O curso deve ser na mesma área do conhecimento e em nível de titulação equivalente ou superior (art. 48, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação);
3. Os critérios e procedimentos do reconhecimento (revalidação) são definidos pelas próprias universidades, no exercício de sua autonomia técnico-científica e administrativa;
4. Estudantes que se afastam do Brasil para cursarem mestrado ou doutorado no exterior com bolsas concedidas pela própria Capes e outras agências brasileiras também passam pelo mesmo processo de reconhecimento;
5. Por força de lei, mesmo os diplomas de mestre e doutor provenientes dos países que integram o MERCOSUL, estão sujeitos ao reconhecimento. O acordo de admissão de títulos acadêmicos,
Decreto Nº 5.518, de 23 de agosto de 2005, não substitui a Lei maior, portanto, não dispensa da revalidação/reconhecimento (Art.48,§ 3º, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação) os títulos de
pós-graduação conferidos em razão de estudos feitos nos demais países membros do MERCOSUL;
6. O parecer 106/2007 do Conselho Nacional de Educação orienta:
“A validade nacional de títulos e graus universitários obtidos por brasileiros nos Estados-Parte do MERCOSUL requer reconhecimento por universidade brasileira que possua curso de pós-graduação avaliado, recomendado pela Capes e reconhecido pelo MEC. O curso deve ser na mesma área do conhecimento e em nível de titulações equivalentes ou superior (Art. 48 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação)”;

7. A Capes alerta, ainda, que tem sido ampla a divulgação de material publicitário por empresas captadoras de estudantes brasileiros para cursos de pós-graduação modulares ofertados em períodos sucessivos de férias, e mesmo em fins de semana, nos Territórios dos demais Estados Parte do MERCOSUL. A despeito do que é sustentado pelas operadoras deste comércio, a validade no Brasil dos diplomas obtidos em tais cursos está condicionada ao reconhecimento, na forma do artigo 48, da LDB;
8. O Acordo para Admissão de Títulos e Graus Universitários para o Exercício de Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do MERCOSUL, promulgado pelo Decreto nº 5.518, de 2005, instituiu a admissão de estrangeiros em atividades de pesquisa no país, como bem explicita o Parecer CNE/CES nº 106, de 2007, o qual, homologado pelo Ministro de Estado, deve ser rigorosamente cumprido por todas as instituições de ensino superior; 9. Especial cautela há de ser tomada pelos dirigentes de instituições públicas, não apenas no sentido de exigir o reconhecimento dos eventuais títulos apresentados por brasileiros, mas, também de evitar o investimento de recursos públicos na autorização de servidores públicos para cursarem tais cursos quando verificado o potencial risco de não reconhecimento posterior do respectivo título;

10. A Capes entende que quem sustenta a validade automática no Brasil dos diplomas de pós-graduação obtidos nos demais países integrantes do MERCOSUL, despreza o preceito do artigo quinto do Acordo de Admissão de Títulos e Graus Universitários para o Exercício de Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do MERCOSUL promulgado pelo Decreto nº 5.518, de 2005 e a Orientação do MEC consubstanciada no Parecer CNE/CES nº 106, de 2007, praticando,
portanto, propaganda enganosa. "

Assessoria de Comunicação Social/Capes

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES

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26 Outubro, 2009

Mudando o mundo de bicicleta

"A primeira vez que dialogamos com Evo Morales numa fria noite do inverno austral de 2008, em La Paz, um de nós, após conhecer a data de nascimento do nosso interlocutor, disse: “Nesse mesmo dia, Fidel convocava o povo em Havana a criar as Milícias Nacionais Revolucionárias”. O presidente boliviano assentiu e, depois de um curto silêncio, salientou: "Isso quer dizer que eu também sou miliciano"."

Por Luis Báez e Pedro de la Hoz, no Granma

"Cinquenta anos depois de seu nascimento em 26 de outubro de 1959, Evo chega ao seu aniversário mergulhado nas tarefas de suas habituais jornadas. Acorda às 4 horas, despacha os primeiros assuntos uma hora depois e se mergulha no trabalho até a noite alta.
Talvez ele vá inaugurar uma obra nalgum ponto do território boliviano, supervisionar um programa, dialogar com os povoadores, corrigir perspectivas, resolver dificuldades e vislumbrar novas possibilidades para os seus.
Desde janeiro de 2006, Evo é o presidente da Bolívia. Galgou o poder com mais de 53% dos votos e foi ratificado por maioria no referendo de agosto de 2008.
Para as eleições de 6 de dezembro próximo, primeiras que se realizarão sob a nova Constituição Política do Estado, não se vislumbra nenhum candidato que consiga derrotá-lo. Por Evo, fala uma obra inédita na história do país, em matéria de justiça social, incentivos produtivos, educação e saúde.

Sobressai a dignidade resgatada de um povo que dispõe, afinal, dos benefícios da exploração das jazidas de petróleo e minérios. Também a dignidade dos descendentes dos povoadores originários — aimaras, quíchuas, guaranis e outra trintena de comunidades étnicas autóctones — que, sob o seu governo, passaram do abandono e da negação longamente padecidas para o protagonismo de uma gesta coletiva.
O senador Antonio Peredo, que se dedica também à análise política nos meios de comunicação, comentou-nos a respeito disso: "Neste momento, eu não vejo uma figura consistente, séria, a não ser Evo. Acontece que o único programa da direita é recuarmos. Não existe outro programa a não ser o de conseguir que os Estados Unidos nos aceitem, que a DEA volte a enfrentar os cocaleiros, que a nacionalização na teoria é certa, mas para quê nacionalizar, se não temos capitais, entregarmos os recursos ao pior lançador e outras ideias velhas? A oposição ficou sem argumentos. Não pode dizer a gente que vai sustentar a mudança e a gente tem certeza de que o caminho é o da mudança e a única pessoa que pode fazê-la é Evo Morales".

Isso não quer dizer que o caminho está limpo. Ao contrário, urdem-se manobras e pairam sobre ele ameaças. Numa exclusiva, o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, ofereceu-nos sua opinião:

"Quando se pensa no maior inimigo, a gente deve saber que esse inimigo não tem a virtude da transparência política, mas a astúcia de não se mostrar como o grande adversário e de utilizar terceiros. Eu posso afirmar que os nossos adversários são digeríveis do ponto de vista político, porque são incapazes de criarem um projeto alternativo ao nosso. São adversários envergonhados de sua realidade, não têm identidade, carecem de doutrina própria; suas propostas são mais o fruto de lucubrações externas, têm um libreto que seguir, portanto, não nos preocupam muito. Contudo, preocupam-nos os maiores inimigos desta revolução: em certo momento, foram as transnacionais, até que um dia desferimos um golpe nelas.

Mais tarde, dedicaram-se a projetos políticos separatistas e aí se estagnaram. Hoje, agem à sombra, mas sabemos quem está tecendo o enredo. Com certeza, empregam todos os métodos impensáveis para menoscabar este processo e, é claro, isso acontece pelo golpe cívico prefeitoral, e depois, dessa aventura golpista à aventura separatista terrorista. Advirto que pode resultar numa aventura suicida."

Evo recebeu na véspera da Cúpula da Alba, efetuada há pouco, em Cochabamba, um belo presente de aniversário. A reflexão de Fidel Castro intitulada "Um Prêmio Nobel para Evo" ofereceu aos leitores de Cuba e do mundo uma informação muito pormenorizada dos méritos do presidente boliviano.
Noutra noite de confissões, Evo nos disse que, às vezes, sonhava com Fidel, e que tal qual aprendeu com seus ancestrais, eram sonhos premonitórios. Pedimos-lhe que nos falasse da primeira vez que viu o líder da Revolução:

"Aconteceu num encontro efetuado em Havana, em 1992. Com a ajuda de vários amigos, completei o dinheiro para pagar a passagem de ida e volta de Havana. Apenas fui a Havana para conhecer Cuba e Fidel. Proferi um discurso de três minutos, Fidel estava presidindo a reunião. Não pude cumprimentá-lo, mas depois fiquei sabendo que ele tinha reparado em mim. Minha volta à Bolívia se complicou. Conseguiram-me uma passagem para Lima, aonde cheguei com apenas um dólar no bolso que troquei em sóis. Por fortuna, um amigo peruano, Juan Rojas, emprestou-me US$100 para poder chegar à Bolívia."

E mais tarde?

"Tive vários encontros com Fidel. É um irmão mais velho sábio, cujo princípio básico é a solidariedade e a luta pela dignidade e justiça. Deveriam ver como se preocupa pela saúde dos outros, mas também é um grande pedagogo. Penso que Fidel é o comandante das forças libertárias da América."

No dia em que Evo foi eleito secretário-geral no seu sindicato nas plantações de coca do Chapre — antes, foi secretário de esportes e depois, presidente das seis Federações Sindicais do Trópico de Cochabamba — também não tinha dinheiro para viajar de ônibus à assembleia em Villa Tunari.
"Fui de bicicleta. Eram vários quilômetros de distância. Ao passo que pedalava, refletia. A céu aberto, brotavam as ideias. Pensava que o mundo não podia continuar assim, uns poucos com muitos recursos e muitos sem nada. Fui esclarecendo minha ideias e considerei que a luta devia ser anti-imperialista", disse.
No palco internacional, Evo ganhou um prestígio impressionante por suas posições claras e firmeza ética em defesa dos pobres e da Mãe Terra. Além disso, mereceu a classificação de políticos que se encontram nas antípodas de seu pensamento, como o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Segundo noticiou a Efe numa informação datada em 16 de maio de 2006, nesse mesmo dia, perguntaram a Evo numa entrevista coletiva em Nova York sua opinião sobre a nacionalização dos combustíveis e a situação no país sul-americano. Clinton respondeu por sua vez com uma pergunta: "O que faria o senhor se fosse um mineiro boliviano que trabalha 60 horas por semana e tem que alimentar quatro filhos, que não têm perspectiva de progresso? Em quem o senhor tivesse votado?".

Considera, ademais, Hugo Chávez como seu irmão. Chávez também. No recente ato comemorativo por ocasião do biecentenário do grito libertário de La Paz, expressou: "Vejo Evo mais forte que nunca, mais claro que nunca, mais líder que nunca. Apóiem-no, não escutem as vozes da oligarquia, que tenta satanizar, confundir o povo a cada dia. (...) Unam-se com amor e delineiem e construam a grande Bolívia do século 21."
Evo fica maravilhado com as muitas coisas deste mundo. Seus valores supremos são a franqueza, honestidade, honradez e respeito aos idosos. Não suporta a vaidade nem a mentira. Gosta de escutar diversas opiniões antes de agir. "Eu apenas — disse-nos intimamente — faria um pedido pessoal a Cuba: Que Silvio venha cá cantar"."

Fonte: Portal Vermelho.

19 Outubro, 2009

Escravismo e escravidão.

Ainda hoje em pleno século XXI recebemos todos os dias notícias sobre a escravização de seres humanos, inclusive no Brasil. Pela legislação brasileira é crime escravizar um ser humano. O artigo 149 do Código Penal estabelece o crime para quem submete uma pessoa à condição análoga a de escravo. A escravidão é uma instituição presente na história da humanidade desde os seus primórdios. Mas é preciso esclarecer algumas questões que a envolvem. Não se deve confundir o escravismo com a escravidão e muito menos com o escravo. Confusão frequente inclusive entre alguns professores de História. Ainda mais quando vemos o tratamento a que muitos trabalhadores são submetidos em nosso país, seja no campo ou nas cidades.
O Escravismo é o modo de produção em que os meios de produção - a terra, os instrumentos de trabalho - e os produtores diretos - os trabalhadores - são monopólio de uma classe social de não-trabalhadores, os senhores de escravos. Um pressuposto para esse modo de produção é a existência de um mercado de escravos, pois o mecanismo de auto-reprodução natural era ineficiente. Em outras palavras, o Escravismo matava seus agentes produtivos - os escravos, de forma que esses trabalhadores não conseguiam reproduzir-se de forma "eficiente" para os seus senhores. Nos dias atuais, a classe trabalhadora consegue se reproduzir e todos os anos vemos milhares de jovens oferecendo-se no "mercado de trabalho". É, as chances da juventude são definidas pelo "mercado"...
Mas voltando ao Escravismo, a produção depende então do trabalhador escravizado, reduzido à relação de escravidão. A relação social de produção predominante é a escravidão. Jacob Gorender apresenta de forma clara e concisa, suas características: A escravidão completa se apresenta com a propriedade, a perpetuidade e a propriedade. "Às vezes, a escravidão se apresenta como escravidão incompleta. Não há por que seguir rigidamente conceitos definitórios, quando, na vida real, suas concretizações manifestam ausência de traços e e variações aproximativas¹." Foi o caso do Brasil quando da aprovação da Lei do Ventre Livre em 1871. A partir dali, pelo menos do ponto de vista formal, cessava a transmissão hereditária da condição de escravo. A escravidão então se tornava incompleta.
A escravidão então é uma relação entre duas partes. O senhor de escravos e o escravo. Ela ocorre como relação predominante e indispensável no Escravismo, mas também ocorre em outros modos de produção tais como o M.D.P. Capitalista, o M.D.P. Asiático e o M.D.P. Feudal. No Escravismo é a relação social decisiva. Tanto que para ocorrer a expansão da produção, havia a necessidade de anexação do trabalho humano, que se dava mediante a coerção violenta. Era uma das formas de obtenção de trabalhadores, o que hoje chamamos "mão-de-obra".
Mas a escravidão não era apenas uma relação social de produção. Em um sentido lato, não apresentava características produtivas, como no caso dos escravos domésticos ou dos servi caeseri, do Império Romano. Os senhores de escravos muitas vezes tinham orgulho em possuir um plantel. Eis a fala de um escravocrata brasileiro, Luiz Peixoto de Lacerda Werneck: "O escravo não é só um agente de trabalho e de produção. É preciso desconhecer o coração humano para assim pensar; o escravo é um objeto do luxo, um meio de satisfazer certas vaidades e certos vícios da natureza do homem. Assim como a propriedade territorial tem certos atrativos, assim também o escravo oferece ao senhor um certo gozo de domínio e império, que está no coração humano, não sabemos se bem ou mal."²
Os senhores de escravos sempre se preocuparam com o controle sobre seus trabalhadores. Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, o 2º Barão de Pati do Alferes, se pronunciou sobre a necessidade de se controlar os escravos. No seu livro, Memória sobre a fundação de huma fazenda na província do Rio de Janeiro, o Barão defendeu a idéia que: "O escravo deve ter domingo e dia santo, ouvir missa se a houver na fazenda, saber a doutrina cristã, confessar-se anualmente: é isto um freio que os sujeita, muito principalmente se o confessor sabe cumprir o seu dever e os exorta a terem moralidade, bons costumes e obediência cega a seus senhores e a quem os governa.(...) Nem se diga que o preto é sempre inimigo do senhor; isto só sucede com os dois extremos: demasiada severidade, ou frouxidão excessiva, porque esta torna-os iracíveis ao menor excesso de um senhor frouxo, e aquela toca-os à desesperação.(...) O negro deve ser castigado quando comete crime: o castigo deve ser proporcional ao delito: ele que apanha, não se esquece e corrige-se com esta pontualidade. Fazei pois justiça reta e imparcial ao vosso escravo, que ele, apesar de sua brutalidade, não deixará de reconhecer.³"
A Justiça dos senhores... Eis aí algumas recomendações daquele nobre, algumas poderiam fazer parte do discurso de alguns ideólogos do conservadorismo brasileiro nos dias atuais, ou de alguma representação patronal. A classe trabalhadora ainda tem muito o que conquistar em nosso país. Em outro momento abordaremos o "ser escravo", também muitas vezes incompreendido pelos que estudam a questão.

Referências:
1 - GORENDER, Jacob. A Escravidão Reabilitada. São Paulo: Ática, 1991,p.85.
2- CONRAD, Robert. Os últimos anos da escravatura no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975, p. 15-16.
3- WERNECK, Francisco Peixoto de Lacerda. Memória sobre a fundação de huma fazenda na província do Rio de Janeiro, p. 37.

17 Outubro, 2009

Um Nobel para Evo Morales.


"Se a Obama lhe foi outorgado o Prêmio por ganhar as eleições em uma sociedade racista, apesar de ser afro-americano, Evo é merecedor dele por ter ganho as eleições em seu país, apesar de ser indígena, e ainda cumprir o prometido.
Pela primeira vez em ambos os países um ou outro de sua etnia chega à Presidência.
Mais de uma vez chamei a atenção para o fato de que Obama era um homem inteligente, educado num sistema social e político no qual crê. Deseja estender os serviços de saúde a quase 50 milhões de norte-americanos, tirar a economia da profunda crise que padece e melhorar a imagem dos Estados Unidos, deteriorada pelas guerras criminosas e as torturas. Não imagina, nem deseja nem pode mudar o sistema político e econômico de seu país.
O Prêmio Nobel da Paz tem sido conferido a três Presidentes dos Estados Unidos, um ex-presidente e um candidato a Presidente.
O primeiro foi Theodore Roosevelt, eleito em 1901, dos Rough Riders (jóqueis duros), quem desembarcou em Cuba seus jóqueis, mas sem cavalos, no período da intervenção dos Estados Unidos em 1898 para impedir a independência de nossa Pátria.
O segundo foi Thomas Woodrow Wilson, que introduz os Estados Unidos na primeira guerra pela partilha do mundo. No Tratado de Versalhes impôs condições tão severas à vizinha Alemanha, que criou as bases para o nascimento do fascismo e o estalo da Segunda Guerra Mundial.
O terceiro é Barack Obama.
Carter foi o ex-presidente a quem vários anos depois de ter finalizado seu mandato lhe foi outorgado o Prêmio Nobel. Sem dúvidas, um dos poucos Presidentes desse país incapaz de ordenar o assassinato de um adversário, como fizeram outros; devolveu o Canal ao Panamá, criou o Escritório de Interesses em Havana, evitou cair em grandes déficits orçamentários e esbanjar o dinheiro em benefício do complexo militar industrial, como fez Reagan.
O candidato foi Al Gore, que tinha sido vice-presidente; o político norte-americano com maior conhecimento sobre as terríveis conseqüências da mudança climática. Mais para frente, quando foi eleito candidato à Presidência, foi vítima da fraude eleitoral e despojado da vitória, por W. Bush.
As opiniões sobre a entrega deste Prêmio têm sido muito divididas. Muitos partem de conceitos éticos ou refletem contradições evidentes na imprevista decisão.
Haveriam preferido esse Prêmio como fruto de uma tarefa realizada. Nem sempre o Prêmio Nobel da Paz foi entregue a pessoas merecedoras dessa distinção. Às vezes receberam-no pessoas ressentidas, auto-suficientes, ou pior ainda. Lech Walesa, ao conhecer a noticia exclamou com desprezo: “Quem, Obama? É muito rápido. Não tem tido o tempo suficiente para fazer alguma coisa”.
Em nossa imprensa e em CubaDebate, companheiros honestos e revolucionários foram críticos. Um deles salientou: “Na mesma semana em que foi outorgado o Prêmio Nobel da Paz a Obama, o Senado dos Estados Unidos aprovou o maior orçamento militar da história: 626 bilhões de dólares.” No Noticiário de Televisão, outro jornalista comentou: “O que fez Obama para merecer essa distinção?” Mais outros perguntaram: “E a guerra do Afeganistão e o incremento dos bombardeios?” São pontos de vista baseados nas realidades.
Desde Roma, o diretor de cinema Michael Moore pronunciou uma frase lapidária: “Parabens, presidente Obama, pelo Prêmio Nobel da Paz; agora, por favor, ganhe-o”.
Estou certo de que Obama concorda com a frase de Moore. Possui suficiente inteligência para compreender as circunstâncias que rodeiam o caso. Sabe que ainda não o ganhou esse Prêmio. Esse dia, de manhã, declarou: “Acho que não mereço acompanhar tantas personalidades transformadoras homenageadas com este Prêmio”.

Afirma-se que são cinco os membros do famoso comitê que outorga o Prêmio Nobel da Paz. Um porta-voz asseverou que foi por unanimidade. Corresponde fazer uma pergunta? O galardoado foi ou não consultado? Uma decisão dessa índole pode ser tomada sem antes a pessoa premiada ter sido advertida disso? Este não pode ser julgado moralmente de igual forma se conhecia ou não com antecedência a indicação para o Prêmio. O mesmo pode ser afirmado a respeito daqueles que decidiram premia-lo.
Talvez seja necessário criar o Prêmio Nobel da Transparência.

Por outro lado ninguém mencionou o nome de Evo.
É obvio que pela primeira vez na história da Bolívia, um autêntico indígena aimara exerce a presidência desse Estado, criado pelo Libertador Simon Bolívar depois da Batalha de Ayacucho, quando o último vice-rei da Espanha foi vencido pelo General Antonio José de Sucre.
A Bolívia possuía, então, 2 milhões 343 mil 769 quilômetros quadrados.
A sua população era integrada fundamentalmente pelos descendentes da civilização aimara-quíchua, cujos conhecimentos em diversas esferas assombram o mundo. Mais de uma vez tinham-se sublevado contra seus opressores.
Os oligarcas fratricidas e pró-imperialistas dos Estados vizinhos, apesar dos vínculos comuns de sangue e cultura, arrebataram à Bolívia 1 milhão 247 mil 284 quilômetros quadrados, mais da metade da superfície. É bem conhecido que ao longo dos séculos, o ouro, a prata e outros recursos da Bolívia eram extraídos pelos privilegiados donos de sua economia. Enormes jazidas de cobre, as maiores do mundo, e outros minérios lhe foram arrebatados depois da independência em uma das guerras promovidas pelos imperialistas britânicos e ianques.
Apesar disso a Bolívia conta com importantes jazidas de gás e de petróleo e possui, além disso, as maiores reservas conhecidas de lítio, minério muito necessário em nossa época para a armazenagem e uso da energia.
Evo Morales, camponês indígena muito pobre, transitou pelos Andes, juntamente com seu pai, antes de completar seis anos, pastoreando lhamas de um grupo indígena. Conduziam-nas durante 15 dias até o mercado onde as vendiam para adquirir os alimentos da comunidade. Respondendo a uma pergunta minha sobre aquela singular experiência, Evo me contou que durante a viagem “hospedava-se no hotel mil estrelas”, uma bela forma de fazer referência ao céu limpo da cordilheira onde por vezes são colocados os telescópios.
Naqueles duros anos de sua infância, a alternativa dos camponeses na comunidade onde nasceu, era o corte da cana-de-açúcar na província argentina de Jujuy, na qual às vezes uma parte da comunidade refugiava-se durante a safra.
Não muito longe de La Higuera, onde o Che, ferido e desarmado, foi assassinado no dia 9 de outubro de 1957, Evo, que tinha nascido no dia 26 desse mesmo mês no ano 1959, ainda não completara os 8 anos. Aprendeu a ler e a escrever em espanhol, caminhando até uma escolinha pública a cinco quilômetros da choça onde num rústico quarto viviam seus irmãos e seus pais.
Durante sua azarenta infância, onde quer que houvesse um professor, ali estava Evo. De sua raça adquiriu três princípios éticos: não mentir, não roubar, não ser débil.
Aos 13 anos o pai autorizou-o para que se mudasse para San Pedro de Oruro e estudar o bacharelado. Um de seus biógrafos conta que era melhor em Geografia, História e Filosofia do que em Física e Matemática. O mais importante é que Evo, para custear seus estudos, acordava às 02h00 para trabalhar como padeiro, construtor ou noutra atividade física. Freqüentava as aulas à tarde. Era admirado por seus companheiros os quais o ajudavam. Desde o primário aprendeu a tocar instrumentos de vento e foi trompete de uma prestigiosa banda de Oruro.
Ainda adolescente, organizou a equipe de futebol de sua comunidade, da qual foi o capitão.
O acesso à universidade não estava a seu alcance por ser indígena aimara e pobre.
Após ter concluído seu último ano de bacharelado, cumpriu o serviço militar e regressou a sua comunidade, localizada na altura da cordilheira. A pobreza e os desastres naturais obrigaram a sua família a emigrar para a zona subtropical de El Chapare, onde a mesma conseguiu obter um pequeno lote de terra. Seu pai morre em 1993 quando ele tinha 23 anos. Trabalhou duramente a terra, mas era um lutador nato, organizou todos os trabalhadores, criou sindicatos e com eles encheu vazios aos quais o Estado não prestava atenção.
As condições para uma revolução social na Bolívia foram criadas nos últimos 50 anos. No dia 9 de abril de 1952, antes do início de nossa luta armada, estalou a revolução nesse país com o Movimento Nacionalista Revolucionário de Victor Paz Estenssoro. Os mineiros revolucionários derrotaram as forças repressivas e o MNR tomou o poder.
Os objetivos revolucionários na Bolívia estavam longe de serem cumpridos. Em 1956, segundo as pessoas bem informadas, começou o declínio desse processo. Em 1 de janeiro de 1959 triunfa a Revolução em Cuba. Três anos depois, em janeiro de 1962, nossa Pátria foi expulsa da OEA. A Bolívia absteve-se. Mais tarde todos os governos, exceto o México, interromperam relações com Cuba.
As divisões do movimento revolucionário internacional fizeram-se sentir na Bolívia. Eram necessários ainda mais de 40 anos de bloqueio a Cuba, o neoliberalismo e suas desastrosas conseqüências, a Revolução Bolivariana na Venezuela e a ALBA; a Bolívia precisava de Evo e do MAS.

Seria longo sintetizar em poucas folhas sua rica história.

Apenas direi que Evo foi capaz de vencer terríveis e caluniosas campanhas do imperialismo, seus golpes de Estado e ingerência nos assuntos internos, defender a soberania da Bolívia e o direito de seu povo milenar a que sejam respeitadas seus costumes. “Coca não é cocaína”, disse ao maior produtor de maconha e o maior consumidor de drogas no mundo, cujo mercado tem sustentado o crime organizado que no México e custa anualmente milhares de vidas. Os maiores produtores de drogas do planeta são dois dos países onde estão as tropas ianques e suas bases militares.
Na armadilha mortal do comércio de drogas não caem a Bolívia, a Venezuela e o Equador, países revolucionários que, igual a Cuba, são membros da ALBA, sabem o que podem e devem fazer para levar a saúde, a educação e o bem-estar a seus povos. Não precisam de tropas estrangeiras para combater o narcotráfico.
A Bolívia leva adiante um programa de sonho sob a direção de um Presidente aimara que conta com o apoio do povo.
Em menos de três anos erradicou o analfabetismo: 824 mil 101 bolivianos aprenderam a ler e a escrever; 24 mil 699 fizeram-no em aimara e 13 mil 599 em quíchua; é o terceiro país livre de analfabetismo, depois de Cuba e da Venezuela.
Presta atendimento médico gratuito a milhões de pessoas que jamais o tinham recebido; é um dos sete países do mundo que nos últimos cinco anos conseguiu reduzir mais a mortalidade infantil, com possibilidades de cumprir as Metas do Milênio antes de 2015, e em uma proporção similar às mortes maternas; operou da visão 454 mil 161 pessoas, delas 75 mil 974 brasileiros, argentinos, peruanos e paraguaios.
Na Bolívia foi estabelecido um ambicioso programa social: todas as crianças das escolas públicas da primeira à oitava série, recebem uma doação anual para sufragar o material escolar que beneficia a quase dois milhões de alunos.
Mais de 700 mil pessoas maiores de 60 anos recebem um bônus equivalente a 342 dólares anuais.
Todas as mulheres grávidas e as crianças menores de dois anos recebem uma ajuda de aproximadamente 257 dólares.
Na Bolívia, um dos três países mais pobres do hemisfério, o Estado controla os principais recursos energéticos e minerais do país, respeitando e compensando cada um dos interesses afetados. Marcha com cuidado porque não deseja retroceder um passo. Suas reservas em divisas vão crescendo. Evo dispõe de não menos de três vezes mais do que dispunha ao início de seu governo. É dos países que melhor fazem uso da cooperação externa e defende com firmeza o meio ambiente.
Em muito pouco tempo se conseguiu estabelecer o Padrão Eleitoral Biométrico e já estão registrados aproximadamente 4,8 milhões de eleitores, quase um milhão mais do que o último padrão eleitoral, que em janeiro de 2009 totalizava os 3,8 milhões.
Em 6 de dezembro serão as eleições. Com certeza o apoio do povo a seu Presidente aumentará. Nada tem podido deter seu crescente prestígio e popularidade.
Por que não lhe é conferido o Prêmio Nobel da Paz?
Entendo sua grande desvantagem: ele não é presidente dos Estados Unidos,

Fidel Castro Ruz

Outubro 15 de 2009
4h25"